D. João III no intuito de educar os habitantes do território brasileiro e também a família real, requereu da ―Companhia de Jesus‖, Ordem fundada por Inácio de Loyola, em Paris, em 15 de agosto de 1534, o envio de jesuítas.
No ano de 1549, chegou ao Brasil um grupo de seis padres jesuítas sob a chefia de Manuel da Nóbrega, juntamente com o primeiro governador-geral, Tomé de Souza6. O ideal jesuítico era além de tudo a propagação da fé, e assim toda Companhia de Jesus usava como método de ensino o Ratio Studiorum7.
A partir de 1550, os jesuítas fundaram as primeiras escolas para os gentios (aqueles que professavam outras religiões consideradas pagãs, os índios), as quais se multiplicaram pelo território brasileiro, contribuindo significativamente para a
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O Art. 26, § 5º, da lei 9.394/96 estabelece que os currículos do Ensino Fundamental e Médio devem ter uma base comum a ser complementada, em cada sistema e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. Ressaltemos que o Parecer nº. 04/98, CEB, III, b, esclarece que essa base nacional comum deve levar em conta conteúdos mínimos de conhecimento, articulados aos aspectos da vida cidadã. O Ensino Religioso, por sua vez, por meio do artigo nº. 33, alterado pela Lei nº. 9.475/97 define que os Sistemas de Ensino possuem a prerrogativa de definição de conteúdos dessa disciplina, ouvindo entidade civil constituída por representantes de diferentes denominações religiosas, e também da definição de normas para habilitação e admissão dos professores. Somente mais tarde o Ensino Religioso foi contemplado na base nacional comum por meio do Parecer CNE/CEB nº. 4/98 e da Resolução CNE/CEB nº2/98, quando foi admitido na condição de disciplina, absorvido e ampliado pela Educação Religiosa enquanto área de conhecimento. (FIGUEIREDO, 2006, p. 56-61).
6 CALDEIRA (1997, p.30, apud MOURA, 2000, p. 22), escreve que com Tomé de Souza, primeiro
Governador-Geral do Brasil, chegaram à Bahia em 29 de março de 1549, cerca de 1.500 pessoas, dentre as quais quatrocentos degredados espanhóis, franceses, ingleses e germânicos, algumas mulheres e crianças, soldados e funcionários da Coroa.
7 O seu catecismo pedagógico – o Ratio Studiorum (lê-se ―racio estudiorum‖) ou plano de estudos – ―é
um manual voltado para professores e dirigentes das escolas jesuítas. Fruto das reflexões dos primeiros jesuítas sobre sua experiência na educação, contem uma série de regras e diretrizes que eram usadas para administrar essas escolas. A versão completa, publicada em 1599, tronou-se o manual para a educação jesuítica durante muitos séculos‖ (MEETS, 1997, apud MOURA, 2000 p. 47)
instituição da identidade nacional, por meio da língua portuguesa e da fé católica como elementos que articulariam a nação, em termos simbólicos.
A educação jesuítica tinha como pressuposto a utilização das potencialidades da pessoa humana, de maneira a capacitá-la para receber a luz da fé e salvar sua alma. Para alcançar seus objetivos, a educação jesuítica servia-se das ciências, das artes e da natureza, e se subdividia em três fases: primária, média e superior.
O ensino primário dedicava-se à leitura e escrita, catequese, gramática, botânica e latim. Isso justificava a preocupação dos jesuítas em aprender a língua tupi e em adaptar a cultura europeia à mentalidade e capacidade dos índios. (DANTAS, 2002, p. 78). Concluído o primário, seguia-se o ensino médio, estruturado nos moldes europeus através do ensino das ―Humanidades‖, (valores propostos pelo Renascimento8) a fim de
encaminhar à escola superior os filhos homens dos senhores da elite local, pois a educação feminina restringia-se ao ensino de boas maneiras e prendas domésticas.
Nesse sentido, o ensino dos jesuítas se mostrava democrático e universalizado no nível elementar, já que se dirigia aos índios, mamelucos e brasileiros, porque visava salvar-lhes a alma. Por outro lado, tornava-se ―aristocrático‖, quando fazia referência ao ensino médio, destinado aos futuros alunos da Universidade de Coimbra e das primeiras faculdades brasileiras. Assim, foi-se formando o ensino superior no país, cuja finalidade maior era a formação de sacerdotes.
Em todo esse processo de formação a acepção das letras tinha um objetivo estratégico. Segundo Paiva:
O que representava a alfabetização para os jesuítas a ponto de quererem, desde o inicio, alfabetizar os índios, quando nem em Portugal o povo era alfabetizado...? As letras deviam significar adesão plena à cultura portuguesa. Quem fez as letras nessa sociedade? A quem pertencem? Pertencem à Corte, como eixo social... Trata-se de uma atitude cultural de profundas raízes: pelas letras se confirma a organização da sociedade... Por isso, não há do que se espantar com o colégio jesuítico em terras brasileiras: baluarte erguido no campo de batalha cultural cumpria a missão de preservar a cultura portuguesa (2004, p. 43-45).
8 Primeiro grande movimento cultural burguês dos tempos modernos, o Renascimento enfatizava uma
cultura laica (não eclesiástica), racional e científica que embora tentasse sepultar os valores medievais, sobretudo os teocêntricos, apresentou um entrelaçamento dos novos e antigos valores. (CARDOSO, 2003, p. 54).
Nesse contexto, a influência jesuítica que assinalou a educação, a catequese, a cultura e a vida social e politica dos brasileiros, foram rudimentares à construção do cristianismo junto à cultura brasileira. Segundo Martins, estes valores
Foram os responsáveis pela difusão de uma educação formalizada, cujo objetivo era legitimar os valores do Estado Absolutista, português, confirmados sobre os princípios dogmáticos doutrinários e disciplinares defendidos pelo catolicismo. Os padres da Cia. de Jesus representavam a conjuntura cultural portuguesa em meio ao sistema colonial, contribuindo para penetração dos colonizadores no território. (2006, p. 77).
Em 1760 os jesuítas foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal. A educação jesuítica não convinha aos interesses comerciais emanados por Pombal, ou seja, se as escolas da Companhia de Jesus tinham por objetivo servir aos interesses da fé, Pombal pensou em organizar a escola para servir aos interesses do Estado. Nessa época os jesuítas tinham 25 residências, 36 missões e 17 colégios e seminários, além de seminários menores e escolas de primeiras letras instaladas em todas as cidades, onde havia casa da Companhia de Jesus. A educação brasileira, com isso, vivenciou uma grande ruptura histórica num processo já implantado e consolidado como modelo educacional.
Até 1580, a educação escolarizada no Brasil esteve a cargo dos jesuítas. A partir de então chegaram ao Brasil algumas ordens religiosas como carmelitas9, beneditinos, salesianos, entre outros, mostrando interesse pela difusão do ensino, como a dos Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas); estes estruturaram as escolas rurais destinadas aos filhos dos camponeses, levando a educação às pessoas comuns. A vinda dessas novas congregações religiosas recebeu o nome de evangelização do continente americano, e
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Em 1589 houve a chegada dos carmelitas no Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/historia/hitas39-07.htm-17km. Acesso em 13 de dezembro de 2012.
Os monges beneditinos chegaram a São Paulo em 1598. Disponível em: http://wwwbrgeocites.com/historia-da_historia/brasil_1600_chegada_beneditinos_saõ _paulo. htm#. Acesso em 13 de dezembro de 2012.
Em 8 de dezembro de 1875 o navio ―Savoie‖, proveniente de Gênova, trouxe os primeiros missionário salesianos à América e aportou na Baía da Guanabara. Os salesianos fizeram rápida visita ao bispo do R.J, dom Pedro Maria de Lacerda, a pedido de Dom Bosco, e seguiram rumo à Argentina. Em 14 de julho de 1883, chegam na Baía da Guanabara os primeiros missionários salesianos no Brasil. Em Junho de 1885, registra-se a chegada dos salesianos a São Paulo.
Teve inicio com o novo movimento missionário europeu a partir de meados do século XIX. Este projeto surgiu como resultado da revolução industrial dos séculos XVIII e XIX, e da subsequente expansão colonial europeia da Ásia, África e América. O movimento missionário tinha como meta a fundação de igrejas em regiões onde a presença cristã era insignificante ou mesmo nula (AZZI, 1990, p. 434).
Esse novo ciclo evangelizador foi impulsionado diretamente pela Santa Sé, que priorizou a presença católica nos planos colonialistas implantados na Ásia e África por mediações de expedições militares e comerciais.
Sobre as novas presenças religiosas no Brasil, Azzi (1990, p. 434) observa que a Igreja Católica passou a acompanhar de perto a expansão colonial europeia, levando a fé católica aos novos povos colonizados. Para Azevedo (1958, p. 11), a vinda de novas congregações religiosas para o Brasil, ―algumas dessas ordens, fiéis à tradição monacal, mantinham um regime de vida mais ascética e apartada, dedicavam-se mais a pregação e a obras mais práticas‖.