N. Tipo Ano Doador Local Detalhes do terreno Fonte
1 Doação Antes de 1589 Antonio Pirez calafate e sua mulher Domingaz Gonçalves. Banda do Leste do Monte Calvário.
Terras da banda do Leste, onde os carmelitas já viviam. “Livro Segundo de Tombo [...]” (1589- 1796, p. 57-58). 2 Doação 1592 Christovão de Aguiar Daltro (pai) e sua mulher Isabel de Figueira.87 No Monte Calvário.
Capela da Piedade no Monte Calvário, com seis braças (cerca de 13,2 m) de terreno em frente a essa capela. Um chão por trás da Capela da Piedade que passa pela banda de Água de Meninos88. 15
braças (cerca de 33 m) de terra junto àquela capela: “partindo pelo caminho que desce e sobe, e fica águas vertentes para a banda do Rio do Brejo89, o comprimento da terra será até o marco, que está
metido de frente da casa do Padre Pantalião Gonçalves90, e do dito
marco irá cortando para o Brejo até chegar a ele. Isto é, da casa do Padre Pantalião da parte de cima até o Brejo da parte de baixo”.
“Livro de Tombo [...]” (1592- 1796, p. 226-230).
Quadro 16: Primeiras aquisições de terras pelos carmelitas calçados em Salvador (antes de 1589 e 1592).
Acreditamos que essas duas terras já eram suficientes para formar a Igreja e Convento do Carmo e, ainda, administrar terras sobrando em direção ao Rio do Brejo ao Leste,
87 Esse documento de doação encontra-se transcrito, na íntegra, na sessão Anexo D desta tese.
88 Deduzimos que a “banda de Água de Meninos” seja no lado do mar, ou seja, no Oeste. Água de Meninos era
um engenho de Cristóvão de Aguiar Daltro que ficava na parte baixa da cidade próximo ao mar e, para chegar naquele local, havia um caminho pelo Monte Calvário que descia a partir da parte Sul, situando-se entre o Monte Calvário e a porta Norte da Cidade de Salvador, também chamada de Porta de Santa Catarina.
89 O Rio do Brejo ficava ao Leste do Monte Calvário, paralelo com a Baia de Todos os Santos, percorrendo na
parte de baixo os fundos do Monte Calvário e da Cidade de Salvador. Mais tarde, ele ficou conhecido como Rio das Tripas, por conta dos dejetos despejados naquele rio provenientes dos matadouros que havia no seu entorno. Santos (2012, p. 175) comenta sobre a evolução urbana da região do Rio do Brejo, que hoje é a região chamada Baixa dos Sapateiros: “Zona de concentração de drenagem, é isso o que explica as suas sucessivas utilizações: 1. Defesa da cidade contra ataques eventuais do interior, nos primeiros séculos (XVI e XVII) quando toda a cidade se limitava à primeira linha de colinas, rodeada de muros: era o fosso. 2. Esgoto de águas usadas, como atesta o nome que recebeu depois o riacho que corre nesse vale: o Rio das Tripas. Servia para escoar, com auxílio da corrente, os restos do gado que era abatido mais em cima [...]. 3. A denominação de ‘Rua das Hortas’, dada ao seu trecho inicial, é por si mesma eloquente: era aí que a cidade em grande parte se abastecia de frutas e legumes”.
90 O marco de frente da casa do padre Pantalião é, provavelmente, onde hoje existe uma cruz chamada de Paschoal
próxima ao Convento do Carmo. Isso porque, uma vez feito um marco, aquele permanecia, além disso, a atual cruz encontra-se em frente a uma rua que desce para a parte de baixo do morro, no sentido do antigo Rio do Brejo.
onde, mais tarde, os carmelitas fizeram uma horta. A doação de antes de 1589, no Leste, condiz com a mesma direção da segunda doação recebida em 1592, então, acreditamos que essa doação acentuou a fixação daqueles religiosos em local próximo àquela primeira doação, onde os carmelitas já moravam. No local da Capela da Piedade, provavelmente, foi construída a igreja conventual do carmelitas.
A seguir, apresentamos dois mapas da Cidade de Salvador, em ambos, apesar de serem da primeira metade do século XVII e representarem o Convento do Carmo já construído, podemos ter uma noção dos primeiros espaços ocupados pelos carmelitas. No detalhe do mapa, “Desenho das forteficações q. se fizerão na deffença do inimigo” (ca. 1638)91, visualizamos
uma representação da cidade murada de Salvador ao centro, com Casa de Governadores e Pelourinho, conventos dos franciscanos e jesuítas, Igreja da Sé, e, fora daquele território, o Convento do Carmo no Monte Calvário ao Norte e o Convento de São Bento ao Sul, ambos para além das portas da cidade (figura 6).
Figura 6: Detalhe do mapa “Desenho das forteficações e trincheiras q. se fizerão na deffença do inimigo” (ca. 1638), sinalizando os conventos e a Sé (em vermelho), e a Casa dos Governadores e Pelourinho (em azul). Fonte: Reis Filho (2001, p. 32-34); mapa modificado pela autora.
No detalhe do mapa “Planta de Restituição da Bahia”, de João Teixeira Albernaz I (1631)92, estão os elementos espaciais nos documentos já citados e a localização dos carmelitas
em relação à Cidade de Salvador (figura 7). Além disso, podemos simular, em rosa, o terreno das primeiras doações (1 e 2), antes de 1589 e 1592, aos carmelitas calçados no Monte Calvário:
91 Ver o mapa original na sessão Anexo C desta tese. 92 Ver o mapa original na sessão Anexo C desta tese.
Figura 7: Detalhe do mapa “Planta de Restituição da Bahia” de João Teixeira Albernaz I (1631), e a provável localização dos terrenos (1 e 2, em rosa) doados aos carmelitas no final do século XVI.
Fonte: Site Fortalezas, disponível em: <http://fortalezas.org/midias/jpg_originais/00092_003548.jpg>, acesso em: 6 dez. 2013; mapa modificado pela autora.
No século XVII, os carmelitas calçados adquiriram mais dois pedaços de terras (em 1608 e 1637) na mesma região Norte de Salvador, assim, ampliando o terreno do entorno do convento deles (quadro 17).