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Behandling i løpet av observasjonsperioden

4 Beskrivelse av utvalget ved inntak

5.3 Behandling i løpet av observasjonsperioden

Nota histórica: Fundada em Espanha no ano de 1373, resultava, como noutras ordens

surgidas em Espanha e Itália, da institucionalização e aglutinação de comunidades eremíticas esparsas que invocavam S. Jerónimo. Era uma Ordem essencialmente contemplativa mas dedicada aos estudos. A Ordem implantou-se bem em Espanha onde tinha, no final do século XV, 25 mosteiros. O seu estabelecimento mais notável foi o mosteiro de S. Lourenço de Escorial. Em Portugal, as origens da Ordem remontam ao mosteiro de S. Jerónimo da Penha Longa, na serra de Sintra, cuja construção foi autorizada pelo papa Bonifácio IX em 1400. Foi, porém, no reinado de D. Manuel I que a Ordem alcançou maior notoriedade, desde logo pela construção do mosteiro de Santa Maria de Belém. Já existia Província Portuguesa da Ordem desde 1448, a pedido de D. Afonso V, sendo a cabeça da Ordem o referido mosteiro da Penha Longa. A partir de 1517 ficou estabelecido que essa distinção pertenceria ao mosteiro de Santa Maria de Belém que era sede do Noviciado, sendo o respectivo Prior também o Provincial. Desde o final do século XVI até meados do século XVIII, a Ordem viveu momentos controversos de desavença entre casas com evidente perca de prestígio, inclusive da Província Portuguesa, que o período da dinastia filipina ainda mais veio a acentuar. Foi extinta em 1834.

Instituições em Lisboa:

Masculinas: Mosteiro de Santa Maria de Belém (1496-1834).

Bibliografia de referência:

- FONTES, João Luís Inglês; ANDRADE, M.ª Filomena – Jerónimos. In: FRANCO, José Eduardo, dir. – Dicionário histórico das Ordens, institutos religiosos e outras

formas de vida consagrada católica em Portugal. Lisboa: Gradiva, 2010, p. 190-194. - OLIVEIRA, Mário Rui F.L. de – Jerónimos. In: AZEVEDO, Carlos Moreira, dir. –

Dicionário de história religiosa de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 2000, vol. III, p. 16-21.

- SANTOS, Cândido dos – Os Jerónimos em Portugal: das origens aos fins do século

XVII. Porto: INIC, 1980.

- SOUSA, Bernardo Vasconcelos e, dir. – Ordens religiosas em Portugal: das origens

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MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE BELÉM (LISBOA)

Figura 62 – Monumentos sacros de Lisboa…, 1927, Parte 1.ª, n.º 39

Localização: Na Praça do Império, em Belém. A igreja está afecta ao culto e na

estrutura conventual estão instalados também os Museus da Marinha e Nacional de Arqueologia.

História: Também designado por mosteiro de Nossa Senhora de Belém e mais

vulgarmente conhecido por mosteiro dos Jerónimos foi fundado em 1496 pela bula

Exemie devotionis do papa Alexandre VI que autorizou a transformação de um eremitério pertencente à Ordem de Cristo, localizado naquela zona, em mosteiro da Ordem de S. Jerónimo, a pedido de D. Manuel I. As obras do mosteiro iniciaram-se em 1502 e foram custeadas essencialmente pela Coroa. Nelas trabalharam alguns dos nomes mais importantes da arquitectura do gótico tardio. O mosteiro é a mais expressiva e importante realização da arquitectura manuelina. Era cabeça da Ordem de S. Jerónimo e sede da Província de Portugal. Pouco sofreu com o terramoto de 1755 mas foi muito vandalizado no período das invasões francesas por aí se terem alojado tropas. Foi extinto em 1834.

Biblioteca: O mosteiro possuía importante biblioteca de onde Filipe I terá levado obras

102 cumprimento do Edital da Real Mesa Censória de 10 de Julho de 1769. (PT/TT/ Manuscritos da Livraria. Cat. 734). Sabe-se também que foi saqueada, pelo menos ao tempo das invasões francesas. O episódio da famosa “Bíblia dos Jerónimos”, obra monumental iluminada do final do século XV que D. Manuel I deixara em testamento ao mosteiro e que foi levada para França pelo general Junot, abre a perspectiva da delapidação do património desta livraria63. A BNP possui um catálogo manuscrito executado em 1819, com a particularidade de ter servido de inventário aquando do processo de arrecadação64:

- Bibliothecae regalis exempti Monasterii Sanctae Mariae de Bethlem ex Insituto

S.P.N. Hieronymi Doctoris Maximi catalogus secundum auctorum cognomina, ordine alphabetico dispositus, et sub Regimine R.mi P.N.D. Abb. Proel. Fr. Bernardi a Carmelo Silvii in Sacra Theologia Doctoris, Magistri... catalogus secundum auctorem cognomina, ordine alphabetico dispositus, 1819. (Cód. 8382)65.

O processo de arrecadação desta biblioteca saldou-se, aliás, por um desmembramento prévio porquanto foi decidido no tempo do primeiro responsável pelo Depósito das Livrarias dos Extintos Conventos, António Nunes de Carvalho, dividir a livraria em três partes, uma a transferir directamente para a então criada Biblioteca das Cortes, outra para a Casa Pia que ocupava espaço do antigo mosteiro e a terceira para a Torre do Tombo. A Biblioteca das Cortes que foi criada com livros dos extintos conventos teve, por conseguinte, um grande contributo de livros desta proveniência, como ainda hoje se pode ver nas marcas de posse de obras do seu fundo antigo. Esporadicamente aparecem alguns exemplares noutras bibliotecas com da zona de Lisboa e muito poucos exemplares na BNP. O mesmo sucede aos livros pertencentes a Frei Jacinto de S. Miguel (1692-1763) que foi Provincial da Ordem, o qual, com fortes probabilidades terá legado a sua biblioteca ao mosteiro66. Quanto aos livros que ficaram para a Casa Pia e que seriam manifestamente desajustados para os fins de instrução desta instituição,

63 A Bíblia dos Jerónimos encontra-se, desde 1883 no Arquivo da Torre do Tombo. A obra fora

adquirida por Luís XVIII à viúva de Junot e enviada para Portugal. Em 1834, foi entregue à guarda do Erário Público, tendo passado para o Banco de Lisboa e para a Casa da Moeda de onde foi, finalmente, para a Torre do Tombo. V. a propósito A Bíblia dos Jerónimos. Estudos de Martim de Albuquerque e Arnaldo Pinto Cardoso; pref. Pedro Dias. Lisboa: Bertrand; Milano: FMR Società del Gruppo Art’é, 2004.

64 V. BARATA, Paulo J.S. – ob. cit., p. 260. 65 V. Anexo III.

66 As circunstâncias da alienação dos fundos da biblioteca do mosteiro dos Jerónimos estão detalhadas

103 sofreram grande destruição e mutilação conforme descreve José da Felicidade Alves67. Os livros desta proveniência têm marca de posse manuscrita, em português, de redacção e grafia diversas, indicando, sobretudo o local e/ou a comunidade.

Figura 63 – R. 12818 P. Bibliografia:

- ALVES, José da Felicidade – O mosteiro dos Jerónimos. Lisboa: Livros Horizonte, 1989. 3 vol.

- Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa. 1ª ed. Lisboa: Câmara Municipal, 1975, vol. V, 3º tomo, p.182-188.

- Mosteiro de Santa Maria de Belém / Mosteiro dos Jerónimos / Igreja Paroquial de

Belém / Igreja de Santa Maria. Disponível em:

http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6543.

- SOUSA, Bernardo Vasconcelos e, dir. – Ordens religiosas em Portugal: das origens

a Trento: guia histórico. Lisboa: Livros Horizonte, 2005, p. 159-160.

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