3. Teori
3.2. Depresjon i TKM
3.2.4. Behandling
A partir de 1990 e durante toda essa década, o planejamento gráfico das capas de “NOVA” apresenta outros arranjos. A marca do destinador “Abril” aparece posicionada no canto superior direito, com uma fonte menor. O destinador “Cosmopolitan” é colocado na vertical, em justaposição, à esquerda do “N” de “NOVA” e, a rigor, é constituído do mesmo cromatismo do enunciador, cujas inscrições vazadas, com o fundo branco, foram abolidas. Essa aproximação, de “Cosmopolitan” e “NOVA”, marca a presença desse destinador de alhures de forma mais veemente aqui e, ao dar visibilidade à nomeação “Cosmopolitan NOVA”, significa que o espaço da enunciatária é o mundo, que ela é uma mulher cosmopolita. O deslocamento e o aumento do tamanho das fontes utilizadas na nomeação, a despeito de preservarem o formato, deixam ver um corpo que se expande na largura da página. As figuras femininas aparecem sobreposta ao “NOVA”, via de regra com a cabeça sobre a letra “O”, da qual, a inscrição “A revista da mulher cada vez mais jovem ” foi suprimida. Esses arranjos,
63 marcados pela justaposição de “Cosmopolitan”, pela expansão do nome da revista e pela sobreposição da figura feminina, significam que a identidade da revista já foi assimilada pela leitora, que “NOVA” já está na cabeça da enunciatária, a qual já pode adentrar a esse mundo que outra vez a revista dá a ver “novo”.
Fig. 21 Nova, 1991: “NOVA” dá a ver a enunciatária menina se tornando precocemente mulher. Diante da enunciatária uma figura feminina, cuja corporeidade pueril, deixa ver que ela ainda é uma menina. Posicionada de frente para o lado direito da página, um braço está para trás e o outro está para frente, os seus cabelos, que estão suspensos no ar, sugerem o movimento dela passando nesse espaço da página e, de repente, ela vira o rosto para ver alguém. Ao virar o rosto, o efeito do seu olhar produz o gesto de quem convida o sujeito da enunciação a seguir com ela. Essa menina, que surge como quem está de passagem, é quem introduz a enunciatária no mundo de “NOVA” e mostra as figuras femininas da década de 90. Afinal, passados 20 anos desde a sua publicação, o que mudou no comportamento e no relacionamento da mulher “NOVA”?
64 O ingresso da mulher “NOVA” no mercado de trabalho, aquele que “já foi só dos homens”, parece que ainda não se concretizou totalmente, mas também não é a temática principal da revista. No início da década, o enunciador aponta as grandes carreiras promissoras para as mulheres, contudo, ele também diz à enunciatária que ela pode ganhar dinheiro transcrevendo fitas cassetes, preparando cestas de café da manhã, confeccionando pantufas, cria ndo e montando bijuterias, decorando lavabos para festas etc.
Em contrapartida, se o mercado de trabalho não é tema central, a beleza feminina é um assunto que ganha cada vez mais corpo e o corpo cada vez mais formas. Pronto, se um dia o problema foi o “complexo do busto pequeno”, essa “NOVA” enunciatária será competente para atingir a “perfeição” escultural.
Fig. 22 Nova, 1994: A imagem de um corpo no centro da página, um feminino que constitui uma sucessão de triângulos, que podem “vês”. O “v” que é formado pelo decote do seu vestido e forma um outro “v” na pele que ele recobre. O “v” invertido que surge da fenda
65 entre os seios dela. Outro “v” é formado a partir dos braços estendidos e que terminam nas mãos sobrepostas. Toda essa série geométrica está circunscrita em outra, maior, que é formada pela triangulação que parte dos quadris e vai até a união dos joelhos. O olhar dessa moça fixa o Outro e faz com que ele percorra o eixo vertical do seu corpo e se detenha em cada ponto da sua triangulação. Ela é o simulacro da “mulher desejada” pelo Outro, que deixa ver pela sua corporeidade desejando e, por isso, ela seduz.
Para essa mulher “NOVA” corpos perfeitos e sexo são palavras de ordem: “Monogamia: o segredo dos casamentos supereróticos”, “Eu e meu marido fazemos troca de casais”, “Controvérsia: será que uma mulher pode fingir orgasmo?”, “Sexo. Finalmente uma coisa gostosa que não faz mal à saúde!”. À primeira vista pode parecer pouco, no entanto, sobre esse tema o discurso de “NOVA”, invariavelmente, não deixa de instaurar uma outra presença, que é a do Outro.
Fig. 23 Nova, 1995: enunciatária entra nesse espaço pelo “N”, a letra do nome da revista, que essa figura feminina, ao flexionar o braço, vai prolongando por toda extensão
66 lateral do seu corpo. Do lado direito a axila faz ver o seio, que faz os olhos deslizarem até o abdômen, que o tecido cobre. Com a mão esquerda ela abriu uma fenda no tecido, deixando à mostra a coxa, que também forma triangulações, entre a pela pele e o tecido. O braço esquerdo dela faz o olhar continuar o percurso; do ombro à cabeça, depois o pulso da mão que segura a nuca e, novamente, o braço direito, que vai reoperar a trajetória. Essa mulher centraliza todos os olhares, qualquer que seja a perspectiva que se adote, na sua corporeidade está articulado o dispositivo da mulher que quer ser vista. Ela presentifica a plástica do corpo perfeito, o simulacro de mulher que, olhos nos olhos com Outro, corporifica o desejo.
Fig. 24 Nova, 1997: Aos 24 anos a revista “NOVA” mostra que está na cabeça da mulher e forma a corporeidade dessa mulher. A corporeidade enquanto o simulacro do corpo- objeto desejável, porque o corpo que ela forma é o corpo sexual feminino, para o Outro. Na postura dessa mulher ela oferece o corpo, com a mão direita sobre o seio direito, ela diz onde “NOVA” está. E “NOVA” está em todas as partes do corpo dela. Com a mão esquerda, que
67 forma uma linha transversal com a direita, ela indica o sexo, construído pela pele à mostra, vista na fenda do tecido. O tecido constitui uma colagem das capas dos 24 anos da revista, o corpo dela está coberto por “NOVA” porque é a revista quem dá forma ao seu corpo e ao seu modo de ser no mundo. Essa mulher presentifica o feminino que a revista constrói, ou seja, a enunciatária, “informada” pela revista e que passa a viver uma busca incessante.
Fig. 25 Nova, 1998: O corpo e a echarpe de pele, talvez de plumas, não constitui nenhuma novidade. Essa figura de mulher é uma reiteração da figura feminina de “A Cigarra” de 1931 [Fig. 8]. Daquela mulher que passava e levava a enunciatária para viver o mundo das “heroínas do cinema”. De fato parece que o ópio não acabou, a heroína foi preservada e, do mesmo espaço, que é a capa da revista, ela surge sem roupas e se despindo para Outro. Essa mulher, que coloca a enunciatária na mesma posição de intersubjetividade com o Outro, é o simulacro de uma mulher que tem o corpo e o sexo para oferecer ao Outro.
68 As marcas inscritas nesses textos dão a ver o apagamento do ideal de casamento, no entanto, é latente o desejo dessa enunciatária por uma relação estável. A anulação da virgindade dá lugar à dúvida de ir ou não para cama no primeiro encontro. As mulheres sentem-se responsáveis pelo fato de os relacionamentos não darem certo. A liberdade sexual feminina não significa a realização nos relacionamentos amorosos e a performance sexual é uma dádiva que a mulher entrega ao homem. A carreira profissional está longe de constituir o problema primordial dessa enunciatária. Os anos 90 em “NOVA” concretizam o culto à plástica feminina, o prazer sexual sucumbe definitivamente ao sexo performático, edifica-se o simulacro da mulher perfeita. No entanto, quando toda essa construção é para o Outro, que no discurso está marcado pelo masculino ausente e fugaz, vê-se instaurada uma enunciatária insatisfeita. Talvez, maior do que a busca da “eterna juventude”, seja mesmo a sua busca pelo Outro, ou melhor, a patemização da busca que é construída pelo discurso.