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Begrunnelse og redegjørelse for det sammenlignende opplegget

6 Sammenlignende vurdering av personvern for trafi kksikkerhet

6.1 Begrunnelse og redegjørelse for det sammenlignende opplegget

Por que a Igreja Adventista do Sétimo Dia teria decidido abrir as Faculdades de Teologia (não-oficial), Enfermagem e Pedagogia, como os seus primeiros cursos superiores no Brasil? Quais foram os motivos propulsores desta decisão?

A Faculdade de Teologia não foi a primeira faculdade oficial do Igreja Adventista do Sétimo Dia no Brasil, esta só seria fundada mais de meio século depois, mas, o Curso de Teologia para a formação de pastores para atuarem nas mais diversas áreas da denominação seria implantada em 1915, com a fundação do Colégio Adventista Brasileiro em Santo Amaro (SP). A primeira turma se formaria somente em 1921. Desde então, mais de 90 turmas se formaram, e neste ano a “Faculdade de Teologia” completa 100 anos de existência. Neste século, o fio condutor sempre foi o cumprimento da missão de preparar o ministros para levarem a mensagem adventista a todas as partes do Brasil (RABELLO, 1990, p. 11).

Iniciativas para a fundação de uma Faculdade Adventista de Enfermagem no Brasil nasceram no Instituto Adventista de Ensino (IAE) por orientação da Associação Geral já a partir da década de 1940. Em princípio o projeto foi inviabilizado, pois não havia corpo docente preparado nem mesmo recursos disponíveis para a sua execução, porém, a despeito desses desafios a administração do IAE construiu um prédio ainda no início da década de 40, o qual era arquitetonicamente adequado para a instalação de uma escola de enfermagem (STENCEL, 2006, p. 162).

Considerando que o Colégio Adventista Brasileiro não poderia oferecer o curso imediato, em 1942, o Dr. Galdino Nunes Vieira, que foi o primeiro diretor da Casa de Saúde Liberdade, hoje Hospital Adventista de São Paulo, entrou em contato com a Cruz Vermelha Brasileira para consultá-los quanto à abertura de um curso de Enfermagem a ser oferecido aos alunos adventistas. E assim, em 1943, iniciou-se o curso nas dependências da Casa de Saúde. Foram matriculados seis alunos na primeira turma, dentre os quais a professora Maria Kudzielicz (STENCEL, 2004, p. 71). Dois anos depois, em 1945, foi celebrada a formatura daqueles que ficaram conhecidos como “os primeiros adventistas formados em enfermagem no Brasil” (SANTOS, 1990, p. 11).

Com o passar dos anos, a obra médico-missionária começou a avançar rapidamente em todo o território nacional. Surgiram o Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro (1949), o Hospital do Pênfigo, em Campo Grande (1952), e o Hospital de Belém, no Estado do Pará (1953). Para suprir as emergentes necessidades, a organização superior da Igreja Adventista chegou à conclusão de que seria necessário preparar enfermeiros com uma filosofia cristã adventista para que trabalhassem nesses hospitais (STENCEL, 2004, p. 71).

Porém, só dezenove anos depois, esse sonho começou a concretizar-se. Em 1964, o Dr. Edgard Berger, diretor do Hospital Silvestre, solicitou à Divisão Sul-Americana que enviasse enfermeiros adventistas para cursarem pós-graduação, visando o preparo do corpo docente para a abertura da Faculdade Adventista de Enfermagem. Nessa época, formou-se uma comissão que se encarregou de analisar os diversos locais onde a Faculdade de Enfermagem poderia ser instalada (STENCEL, 2004, p. 71-72). A comissão era composta pelo “doutor Edgard Berger, Alice Peixoto e membros das Uniões Brasileiras e Divisão Sul- Americana” (NASCIMENTO, 1986, p. 6-7). Esse grupo reuniu-se pela primeira vez em 19 de maio de 1964. Após muitos estudos, foi finalmente designado o Instituto Adventista de Ensino para sediar o curso. Em 1965, sob a liderança do pastor Jairo Araújo, diretor do IAE, foram articulados os primeiros planos para a execução desse tão sonhado projeto (STENCEL, 2004, p. 72).

Um aspecto determinante para a implantação desse curso ocorreu em setembro de 1965, quando o IAE efetuou o chamado da professora Maria Kudzielicz para iniciar a elaboração do processo burocrático a fim de ser apresentado junto ao Ministério da

Educação. No ano seguinte foi chamada também uma outra enfermeira, a professora Ana Maria de Luca Oliveira que, em companhia de Maria Kudzielicz, iniciou seus estudos de pós- graduação na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (STENCEL, 2004, p. 72).

Após quatro anos de intenso trabalho, superação de obstáculos e graças ao apoio e orientação de amigos influentes tais como o deputado Ulisses Guimarães e o reverendo José Borges Santos, no dia 30 de maio de 1968 foi autorizado o funcionamento da Faculdade Adventista de Enfermagem (FAE), através do decreto no 62.800, expedido pelo Conselho Federal de Educação na pessoa do Ministro da Educação e Cultura, Tarso Dutra (KUDZIELICZ, 2000, apud STENCEL, 2004, p. 72).

Em julho de 1968, foram feitas as primeiras inscrições para o vestibular a fim de dar início às aulas ainda no segundo semestre do mesmo ano. A FAE abriu 30 vagas, porém apenas 13 candidatos se inscreveram. Isso fez com que a instituição prorrogasse o início do curso para o primeiro semestre de 1969. Ainda no mês de fevereiro do referido ano foi realizado o segundo exame vestibular com a inscrição de 24 candidatos o que resultou, entre matrículas e desistências, num total de 27 alunos para compor a primeira turma de enfermeiros da FAE (STENCEL, 2004, p. 72).

Após o período do vestibular e matrículas, em 2 de março de 1969, foi ministrada no Salão de Atos do IAE a aula inaugural da FAE. O discurso de abertura do curso foi proferido pelo doutor Ulisses Guimarães, que simpatizava muito com os adventistas, e era amigo do secretário geral do IAE, professor José Guimarães, e costumava fazer visitas frequentes ao IAE, tornando-se um amigo da escola (STENCEL, 2004, p. 72).

Discursaram ainda o pastor Nevil Gorski, que apresentou um histórico do empreendimento; a professora Maria Kudzielicz, que discorreu sobre a filosofia adventista de enfermagem e, por fim, o pastor Enoch de Oliveira falou sobre a disfunção das universidades seculares, onde predominam os ensinos evolucionistas, freudianos e marxistas, que levam os alunos aos caminhos da incredulidade (SANTOS, 1990, p. 11).

A primeira diretora da Faculdade de Enfermagem foi a enfermeira católica Filomena Chiarelli que atuou por um pequeno período de tempo assessorando a professora Maria Kudzielicz até que esta obtivesse sua titulação pela USP. Em 1970, a professora Maria

Kudzielicz assumiu a direção da FAE, após receber o título de mestre, permanecendo nesta função até dezembro de 1977 (STENCEL, 2004, p. 73).

Um fato importante a ser destacado neste processo foi o auxílio que o próprio ministro da educação Jarbas Passarinho propiciou para a instalação da FAE. Com a expansão do curso, em 1972 havia a necessidade de se ampliar a estrutura física, porém a instituição não dispunha de recursos suficientes para conclusão integral do projeto. Nesta oportunidade o Diretor Geral do IAE Nevil Gorski fez uma visita ao Ministério de Educação e Cultura a fim de apresentar um pedido. Fora entregue um oficio solicitando uma verba para auxiliar na construção do prédio oficial da faculdade. No dia seguinte um telegrama fora enviado avisando de que haviam conseguido a verba junto ao governo federal (STENCEL, 2006, p. 164-165).

Sobre o aporte financeiro do governo federal às instituições de ensino superior privadas deste período, Brandão destaca que

subvenções eram dadas aos estabelecimentos particulares (Plano Nacional de Educação – 1965 – destinava 5% do Fundo Nacional do Ensino Superior aos estabelecimentos particulares de 3º grau). Esse incentivo aliado à contenção do crescimento dos estabelecimentos públicos, proporcionava oportunidades de lucros para o setor privado, inclusive ocorrendo deslocamentos de escolas de 2º grau para escolas superiores em larga escala (1971, 41).

Sendo assim, pode-se afirmar que a IASD foi beneficiada pelas conjunturas contextuais das reformas propostas pelo sistema educacional brasileiro da década de 1960, a qual era favorável à expansão do ensino superior, principalmente do gênero privado. Além disso, como se pôde observar houve um significativo apoio do ponto de vista legal, técnico e financeiro por parte do governo federal para a consolidação do primeiro curso superior adventista no país (STENCEL, 2006, p. 165).

Com o crescimento do número de estudantes, logo no início da década de 1970, o IAE decidiu construir um novo edifício para abrigar a Faculdade Adventista de Enfermagem. Entretanto, para que o projeto fosse concretizado, era necessária a obtenção de recursos

financeiros. Nessa época, a direção do IAE foi informada quando à existência de uma Confederação das Igrejas Evangélicas Alemãs que efetuava doações para fins filantrópicos. Com o objetivo de angariar fundos, a Igreja indicou o Dr. Erich Olm e o pastor Walter Streithorst para trabalharem junto a essa organização (STENCEL, 2004, p. 73).

Em 1972, este órgão alemão fez uma proposta de doar uma parte do dinheiro para a construção do edifício, porém o dinheiro não era suficiente. Nesta oportunidade o diretor geral do IAE, pastor Nevil Gorski, teve uma brilhante ideia. Para compor a contrapartida feita pelo governo alemão em 1972, foi realizada uma visita ao Ministro da Educação, Jarbas Passarinho, e entregue um ofício solicitando uma verba para auxiliar na construção do prédio. No dia seguinte, um telegrama fora enviado avisando de que haviam conseguido a verba. Passados alguns dias, um outro telefonema notificava que o dinheiro seria depositado no Banco do Brasil em nome da instituição. Com o dinheiro em mãos, a construção do edifício passou a ser prioridade no IAE. Mas ainda faltavam recursos para o término da obra (STENCEL, 2004, p. 73).

Foi quando, inesperadamente, o pastor Nevil Gorski recebeu uma carta da Inglaterra. Quando abriu a mesma, se deu conta de que era do Concílio Mundial das Igrejas, e o texto dizia o seguinte: “É do nosso conhecimento que o IAE está envolvido num projeto de desenvolvimento e assim tomamos a liberdade de enviar-lhes um cheque de 5 mil libras como parte inicial de uma verba para o referido projeto”. No ano seguinte, foi enviada outra parcela semelhante à primeira. Ninguém pôde explicar como souberam desse projeto e porque se prontificaram a doar as duas parcelas ao IAE (GORSKI, 2000, apud STENCEL, 2004, p. 73).

A ideia para a criação da Faculdade de Educação (Faed), surgiu com a pessoa do pastor Nevil Gorski também no IAE. Para organizá-la e dirigi-la foi convidado o missionário americano doutor Hampton Eugene Walker, que já há 20 anos estava trabalhando em terras brasileiras. Nesta época, ele exercia a função de diretor do Departamento de Jovens da União Norte-Brasileira. Ele foi escolhido porque era o único obreiro do Brasil que possuía naquela época o título de doutor em Educação (STENCEL, 2004, p. 74).

Entre os anos de 1971 e 1972, a Faculdade de Educação funcionou ligada à Faculdade Adventista de Teologia, pois o processo para o seu funcionamento ainda não havia sido

aprovado pelo MEC (STENCEL, 2004, p. 74). Havia apenas uma promessa de que o curso seria aprovado, mas isso não ocorreu até agosto de 1973. Desta maneira, as duas primeiras turmas se formaram pela Faculdade de Teologia com o título de Instrutor Bíblico de primeiro e segundo graus. Os alunos dessas duas turmas que decidiram concluir seu programa de pedagogia fizeram-no através da OSEC – Organização Santamarense de Educação e Cultura (OSEC), atual UNISA – Universidade de Santo Amaro (GARCIA, 2000, apud STENCEL, 2004, p. 75).

Por meio do decreto no 72.610, de 14 de agosto de 1973, publicado no Diário Oficial do dia 15 de agosto de 1973, a Faculdade Adventista de Educação recebeu a autorização para funcionar legalmente. Este decreto foi assinado pelo então presidente da República Emílio Garrastazu Médici e pelo ministro da Educação doutor Jarbas Passarinho. O decreto concedia licença para as habilitações de Magistério das Matérias Pedagógicas do II Grau e Administração de I e II Grau (STENCEL, 2004, p. 75).

Com a autorização em mãos, foram tomadas as providências para a realização do primeiro vestibular, que contou com 32 candidatos inscritos para um total de 160 vagas. Foi publicado um edital para a realização do vestibular no jornal Folha de S. Paulo de 18 de agosto de 1973. Finalmente, este evento histórico ocorreu no dia 21 de agosto de 1973 e, dos 32 candidatos, 27 foram aprovados, havendo posteriormente uma segunda chamada para quatro alunos (STENCEL, 2004, p. 75).

Um fato notório deu-se no dia 20 de agosto de 1973, às 20hs, quando foi realizada a primeira reunião congregacional da FAED no prédio central do IAE-SP. Nessa reunião, presidida pelo pastor Nevil Gorski, foram escolhidos os primeiros chefes de departamento da Faed: (a) Profo Gérson Pires de Araújo – Fundamentos da Educação e Civismo. (b) Profa Maria do Carmo Rabello – Didática e Prática de Ensino. (c) Profo Orlando Rubem Ritter – Administração Escolar. (d) Dr. Belizário Marques de Andrade – Psicologia da Educação. (e) Profo Neander Calvin Harder – Línguas (STENCEL, 2004, p. 75).

Em 1973, o corpo docente era composto por 15 professores. As primeiras matrículas registradas acusavam um total de 36 alunos, dos quais três desistiram e outros 20 trancaram suas matrículas. Portanto, a primeira turma de Pedagogia era composta de apenas 13 alunos e a cerimônia de formatura ocorreu no dia 26 de junho de 1977. Esse evento contou com a

presença da doutora Eurides Brito, que na época era membro do Conselho Federal de Educação e estava representando o MEC. Sob o lema “Por Modelo o Grande Mestre”, dez alunas receberam seu diploma de graduação (STENCEL, 2004, p. 75-76).

Somente após quinze anos da abertura do curso de Pedagogia (1973), foi que a educação superior adventista estabelece dois novos cursos. No dia 18 de maio de 1988, com o Decreto nº 96.045 é autorizado o “Curso de Letras”. E, em dezembro do mesmo ano é autorizado o funcionamento do “Curso de Ciências” (STENCEL, 2004, p. 85).

Por que a Igreja Adventista do Sétimo Dia teria decidido abrir as Faculdades de Teologia (não-oficial), Enfermagem, Pedagogia, Letras e Ciências como os seus primeiros cursos superiores no Brasil? Esta realidade é uma clara manifestação do desejo demonstrado pela liderança da Igreja Adventista no Brasil na manutenção dos princípios educacionais elaborados e mantidos a mais de um século, em especial o ideal da “formação do obreiro”.

A faculdade de Teologia proveria pastores para atuarem nas igrejas e instituições da denominação no país, tentando torna-la autossuficiente nesta área, diminuindo a necessidade do envio pastores europeus e norte-americanos para dirigir a igreja no país. A faculdade de Enfermagem proveria enfermeiras e enfermeiros, formando segundo a Filosofia Adventista de Saúde, para os Hospitais27 que eram inaugurados. E as Faculdades de Pedagogia, Letras e Ciências forneceria professores, segundo os princípios da Filosofia Adventista de Educação, para as várias escolas adventistas que eram construídas nas mais distantes partes do país.