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5   Diskusjon

5.1   Tolkning  av  hovedfunn

5.1.5   Begrensninger  ved  studien

Segundo Stopford e Strange (1991), a importância das ETNs no comércio internacional começou a crescer a partir da década de 1970, quando se iniciou um processo que resultou em mudanças estruturais, ocorridas em termos mundiais, no que se refere aos aspectos de segurança, finanças e conhecimento. Os autores destacam a tecnologia como força direcionadora desse processo, flexibilizando e agilizando os processos produtivos e, ao mesmo tempo, possibilitando a oferta de novos produtos e serviços em substituição dos antigos de forma cada vez mais rápida. As ETNs passaram a ter maior flexibilidade no momento da alocação de seus recursos nos diversos países, com maior poder de decisão sobre os quatro principais fatores de produção: terra, trabalho, capital e tecnologia. Por outro lado, esse mesmo avanço gerou um aumento dos riscos para as ETNs, que se viram obrigadas a avaliar com maior critério suas opções de uso da tecnologia,

necessidades de mudanças de gerenciamento e formas de produção.

O entendimento da importância do papel da tecnologia no processo de evolução das ETNs é compartilhado por diversos autores. Scholte (1997) entende que as inovações tecnológicas contribuíram para o processo de globalização. Gilpin (2001) cita a teoria eclética de John Dunning, segundo a qual a tecnologia é o fator de desenvolvimento das ETNs, sendo que a revolução nos meios de comunicação e de transportes foi o que viabilizou a produção e o gerenciamento dos negócios dentro de uma base global.

Sklair (1998) esclarece que, no passado, as ETNs buscavam manter suas bases produtivas próximas ao mercado de consumo. No entanto, o avanço da tecnologia, com efeitos nas telecomunicações e nos transportes, eliminou essa necessidade, na medida em que os sistemas de informação estão conectados e a cadeia de distribuição foi expandida. Como exemplo, o autor informa que, em 1960, a grande maioria dos países europeus possuía uma fábrica de sabão da Unilever e, agora, a empresa opera de uma grande base produtiva localizada na Inglaterra, de onde abastece toda a Europa.

Stopford e Strange (1991) ressaltam que outro fator de mudança foi a elevação dos custos de inovação, de tal forma que a demora na decisão a respeito dessas mudanças poderia levar ao fracasso e à perda de lucro. Os autores afirmam que as pressões de redução dos custos causadas pelos gastos cada vez mais elevados em inovação, a redução do ciclo de vida dos produtos e o aumento dos riscos do negócio tiveram um profundo impacto nas ETNs, gerando o que se chama atualmente de competição global.

Diante de um cenário onde a tecnologia abriu possibilidades de as ETNs gerenciarem suas plantas e produtos de forma global, mas que, ao mesmo tempo, passaram a enfrentar uma competição cada vez mais acirrada, houve uma profunda transformação na relação entre as ETNs e os governos dos países hospedeiros, ou seja, aqueles onde as empresas decidiram instalar suas

subsidiárias. Segundo Dunning (1998), a partir de meados da década de 80, as ETNs e os Estados deixaram de se relacionar como adversários para atuarem de forma cooperativa. Esse tema será analisado no momento da abordagem do modelo da diplomacia triangular no item 2.2.

A expansão das ETNs nos diversos países do mundo ocorre, principalmente, por meio de IED, através do qual as ETNs buscam estabelecer-se de forma permanente em outras economias (Gilpin, 2001).

Segundo Gonçalves (2005), a ETN é o principal agente de realização de IED, não somente pela sua enorme capacidade de mobilização de recursos em escala global, como também pelas suas relações com seus respectivos países de origem. O autor afirma, ainda, que o IED “...apresenta um comportamento pró-cíclico, isto é, acompanha o ciclo de evolução da economia mundial” (Gonçalves, 2005, p.182). Dentro desse contexto, constata-se um crescimento do IED, alavancado pelo crescimento da economia americana, de US$ 332 bilhões em 1995 para US$ 1.393 bilhão em 2000 (Gonçalves, 2005).

Gilpin (2001) informa que, entre 1985 e 1990, o IED cresceu com uma taxa de 30% ao ano, mas, segundo o autor, os fluxos de IED não estão distribuídos de maneira uniforme entre os diversos países, estando concentrados nos Estados Unidos e Europa. Mesmo entre os países em desenvolvimento, essa distribuição é desigual e concentrada no Brasil, México e mercados emergentes da Ásia, sendo que a China é o país que mais recebe IED.

O autor apresenta uma crítica ao processo de globalização e à distribuição desigual de IED entre os países, especialmente quando se trata da África, onde se localizam os países menos desenvolvidos do mundo:

...the least developed countries in Africa and elsewhere have received a pitifully small percentage of the total amount invested in the developing world. Need it be said that this skewed distribution does not fit the image of globalization! (Gilpin, 2001, p.289).

Outra característica dos fluxos de IED entre os diversos países é, segundo Walter (1998), a relação inversamente proporcional entre o grau de liberdade para a entrada e saída de IED e a importância do país como um local para o IED. O exemplo mais importante seria a China que possui políticas restritivas ao IED e, ao mesmo tempo, os maiores fluxos de IED, tendo em vista ser o maior mercado mundial.

No caso do Brasil e referindo-se, principalmente, ao processo de abertura da economia brasileira através das privatizações na década de 1990, Gonçalves (2005) afirma que o fluxo de IED não gerou aumento de capacidade produtiva, mas apenas a transferência de titularidade de empresas.

Uma das principais conseqüências do processo de privatização brasileiro foi, portanto, uma forte desnacionalização da economia nacional, com o aumento da participação de ETNs na lista das 550 maiores empresas brasileiras com grande repercussão no comércio exterior brasileiro (Gonçalves, 2005).

A partir de 2000, com o esgotamento do processo de privatização, observam-se uma tendência de declínio do IED e um aumento do fluxo de capitais provenientes de paraísos fiscais, como: Bermudas, Ilhas Virgens e Ilhas Caimã. Esse aumento pode ser explicado pela política de altas taxas de juros adotada pelo governo federal (Gonçalves, 2005).

A explosão de IED na década de 1990 teve como conseqüência uma maior aproximação entre ETNs e Estados, sendo que estes últimos passaram a enfrentar uma redução do seu poder de controlar os acontecimentos econômicos. Essa mudança no balanço de forças entre os diversos atores do comércio internacional motivou a criação de um modelo que tenta refletir o novo jogo da diplomacia (Stopford e Strange, 1991).