As plantas aromáticas cultivadas com o objetivo de extração de essências correspondem a variedades químicas que são selecionadas pelo tipo e quantidade de constituintes químicos que se pretende obter. Normalmente os quimiotipos seleccionados são os que contêm em elevada quantidade o constituinte que importa obter ou que apresentam maior rendimento global de um dado grupo de constituintes.
A selecção do genótipo pode ser feita a partir das populações espontâneas, ricas em variabilidade genética, ou por alterações da estrutura genética (de plantas espontâneas ou cultivares) à custa de mutações, hibridações somáticas ou sínteses bioquímicas anormais. Um dos tipos de mutações genéticas mais vulgar é a poliploidia. Esta alteração genética pode ocorrer naturalmente como acontece por exemplo em mentas e na valeriana. Com efeito, algumas mentas são poliplóides naturais resultando da hibridação entre espécies do mesmo género. É o caso da hortelã-pimenta (Mentha x piperita) que é um híbrido de três espécies do género Mentha. Por outro lado, na valeriana a poliploidia deriva da multiplicação de cromossomas na mesma espécie, resultando formas diplóides, tetraplóides e octaplóides. A poliploidia pode ainda ser induzida artificialmente, com base em radiações ou em produtos químicos. Dentro destes, o alcalóide colquicina, também designado colchiquina, é o mais utilizado, podendo originar plantas em que constituinte ativo aumenta em mais de 50 por cento em relação à espécie original. Tal ocorre por exemplo com a beladona (Atropa belladona), o estramónio (Datura stramonium) ou a lobélia (Lobélia inflata) [Cunha et al., 2008].
Como qualquer cultura vegetal, o cultivo de plantas aromáticas deverá ter em conta as suas exigências climáticas e preferências edáficas, as quais naturalmente variam entre as diferentes espécies de plantas aromáticas, podendo ainda as exigências ambientais variar, dentro de cada espécie, entre as diferentes fases do ciclo cultural. Tipicamente são relevantes para a cultura das PAM os seguintes fatores:
temperatura, disponibilidade de água, luminosidade (quantidade e qualidade), humidade relativa, tipo de solo, salinidade e pH do solo.
A estratégia agronómica, para além de procurar reunir os requisitos edáfico- climáticos da cultura, passa por tomar um conjunto de opções nos seguintes aspetos: modo de produção (tradicional, produção integrada, produção biológica), sistema de produção (ar livre, em estufa), rotação de culturas, preparação do terreno (incluindo a correcção da composição química do solo, se necessário), instalação da cultura (sementeira direta, transplantação), tendo também em conta a forma de propagação (sexuada ou por semente; assexuada ou por propagação vegetativa), densidades e compassos, fertilização, sistema de rega, método de colheita e estratégia de proteção fito-sanitária contra os inimigos da cultura (pragas, doenças e infestantes) [Epam, 2014].
Os parâmetros climáticos e as condições de solo são determinantes no desenvolvimento das plantas aromáticas (ritmo crescimento, expressão vegetativa e vigor) e no tipo e concentração dos seus constituintes. De referir que, na produção de plantas aromáticas para a extração de essências, é importante ter em conta que muitas espécies só produzem certos compostos quando submetidas a determinadas condições de stress, como por exemplo uma reduzida disponibilidade de certos nutrientes. Pelo contrário, muitas vezes, a quantidade de um dado constituinte ativo da planta só aumenta quando se reforça o fornecimento de um determinado nutriente. É o caso da adição de compostos azotados ou de certos aminoácidos que aumentam a quantidade de alcalóides ou de determinado alcalóide.
Nas PAM a forma de propagação mais comum é a assexuda ou por propagação vegetativa, que se realiza com partes da planta (ramos, estolhos, rizomas, etc). Por exemplo, são usadas estacas de ramos para o alecrim (Rosmarinus officinalis) e salva (Salva officinalis); bolbos para o alho (Allium sativum) e o lírio (Iris germanica); rizomas para o gengibre (Zingiber officinale) e a hortelã-pimenta (Mentha x piperita); por divisão de touceiras para a melissa (Melissa officinalis) e o milefólio (Achillea millefolium) [Cunha et al., 2010]. A formação de raízes pode ser estimulada com reguladores de crescimento (auxinas, giberelinas). Nas plantas com ramos flexíveis e que se propagam dificilmente por estaca pode-se aplicar a técnica da mergulhia que consiste em promover a formação de raízes adventícias num caule, colocando-o em contato com o solo ou com um substrato, enquanto o mesmo ainda se
encontra ligado à planta mãe.
Normalmente a propagação por sementes pode apresentar as seguintes desvantagens face à reprodução assexuada:
- originar descendência diferente dos progenitores, ou seja, plantas com variabilidade, normalmente mais nos aspetos quantitativos dos seus constituintes ativos;
- ciclo cultural (plantação/colheita) mais longo;
- necessidade de tratamentos químicos (hormonas como o ácido giberélico, soluções ácidas diluídas como o ácido nítrico a 2%) e físicos (escarificação, condicionamento de temperatura, normalmente arrefecimento, e regulação de luz) para diminuir a dormência ou latência, aumentando assim a taxa de germinação. Existe porém um número limitado de plantas aromáticas e medicinais que são obtidas por sementes, correspondendo a plantas que não apresentam ou têm baixa variabilidade genética. São exemplos as seguintes espécies: angélica (Angélica archangelica), anis (Pimpinella anisum), arnica (Arnica montana), bardana (Arctium lappa), camomila (Matricaria recutita), funcho (Foeniculum vulgare), calêndula (Calendula officinalis), tanchagem (Plantago major) [Cunha, et al., 2010].
A sementeira pode ser realizada diretamente no terreno onde se vai produzir a planta (sementeira direta) ou em viveiros (tabuleiros, vasos, canteiros), em estufa ou ao ar livre, para mais tarde as plântulas serem transplantadas para o local definitivo. A sementeira em lugar não definitivo usa-se principalmente quando as sementes apresentam as seguintes características: - tamanho muito pequeno, o que origina uma distribuição não uniforme no solo; - tempo de germinação longo, o que dificulta o controlo de infestantes; - baixo poder germinativo, o que determina uma distribuição não uniforme das plantas no terreno; - exigirem durante a germinação cuidados especiais (irrigação, sombreamento, etc), o que é mais exequível num sistema de viveiro.
Para plantas de difícil propagação, tanto assexuada como sexuada, é aconselhada a micropropagação (feita via gemas preexistentes ou por cultura de calos derivados de diferentes tecidos em meio apropriado e a temperatura controlada), tendo a vantagem adicional de manter as características da planta-mãe.
Um aspeto importante a ter em consideração na cultura de plantas aromáticas é a contaminação das plantas com substâncias indesejáveis. Desde logo, os pesticidas nas culturas não biológicas que usam pesticidas de síntese. Para as plantas utilizadas na produção de fármacos, as Farmacopeias europeia e portuguesa incluem as técnicas de controlo de resíduos de pesticidas e os respetivos limites tolerados em mg/kg. Para além dos pesticidas usados na produção, são ainda englobados as substâncias usadas como reguladoras de crescimento das plantas, os desfolhantes, assim como substâncias aplicadas nas culturas, antes ou depois das colheitas, para proteger os produtos da deterioração durante o armazenamento e o transporte. Outras substâncias indesejáveis são os produtos radioativos, tendo a União Europeia fixado para as plantas o valor máximo de 600 bq/kg. Avaliações de radioatividade efetuadas em plantas usadas em infusões têm evidenciado valores muito baixos, normalmente 20 vezes inferiores aos que se encontram no leite (Cunha et al., 2008). Outras substâncias contaminantes das culturas a ter em conta são os metais pesados, como o chumbo, cádmio e mercúrio, presentes em solos e águas contaminadas e elementos gasosos tóxicos como o monóxido de carbono, o dióxido de enxofre ou os óxidos de
azotopresentes na atmosfera devido às emissões poluentes da atividade humana.