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O P participa de vários processos metabólicos em plantas, como a transferência de energia, síntese de ácidos nucleicos, glicose, respiração, síntese e estabilidade de membrana, ativação e desativação de enzimas, reações redox, metabolismo de carboidratos e fixação de N2 (VANCE et al., 2003). Entretanto, a interação do P com constituintes do solo, como Al, Fe

e Ca, sua ocorrência em formas orgânicas e sua lenta taxa de difusão na solução do solo tornam o P o nutriente menos prontamente disponível na rizosfera. Mesmo quando são aplicados fertilizantes, a maior parte do P adicionado é adsorvida aos coloides do solo, tornando-se com o tempo não disponível, dada a formação de compostos de baixa solubilidade, sem propiciar esperada contribuição para a produção vegetal. Além disso, o suprimento mundial de P para fabricação de fertilizantes constitui um recurso natural não

renovável, exigindo aproveitamento consciente deste nutriente para garantir a sustentabilidade da agricultura nos moldes atuais. E neste sentido, a utilização de resíduos representados neste trabalho pelo uso tanto do lodo de esgoto quanto do EET vem de encontro às necessidades mundiais, pois sabe-se que as reservas de P no mundo irão se esgotar futuramente. Principalmente o lodo de esgoto, apesar de ser aplicado em função da quantidade de N presente em sua composição e da demanda da cultura a ser adubada, traz consigo quantidade considerável de P, reciclando a utilização deste elemento na natureza, reduzindo a pressão exercida pela agricultura nas jazidas de P ao redor do mundo.

A falta deste nutriente no solo resulta em folhas maduras, maiores, sem brilho e bronzeadas, desfolhamento, menor florescimento e vingamento dos frutos, redução do rendimento, seca e morte de ramos novos, e produção de frutos com “miolo oco”. O excesso de P provoca redução no crescimento da planta, deficiência de B, Cu e Zn, frutos mais suculentos, com casca firme e maiores teores de sólidos solúveis, açúcares e vitamina C (MAGALHÃES, 2006).

Figura 24. Teores foliares médios de P (g kg-1) em função da aplicação de lodo de esgoto compostado ao solo nas doses de 0, 6, 12, 18, 24 e 30 kg planta-1, que representa 0, 25, 50, 75, 100 e 125% da quantidade requerida de N pela cultura da laranjeira, em 3 épocas distintas (abril/2010; outubro/2010 e abril/2011).

De acordo com os dados da Figura 24, nota-se que para a primeira e segunda épocas de avaliação, ocorreram diferenças significativas de acúmulo de P nos tecidos foliares à medida que maiores quantidades de lodo de esgoto foram adicionadas por planta. Já na terceira época de avaliação esta diferença não foi mais observada. Assim como para o N, vale destacar que em todas as épocas amostradas, bem como para todos os tratamentos em questão, os teores médios de P foliar encontraram-se dentro da faixa considerada alta definida por OBREZA; MORGAN (2008), os quais atribuem classificações em intervalos abaixo de 0,9 g kg-1 como deficiente, de 0,9-1,1 g kg-1 como baixa, de 1,2-1,6 g kg-1 como ótima e acima de 1,7-3,0 g kg-1 como alta. Estes resultados são reflexos dos elevados valores de P encontrados nas análises químicas de solo conforme já descrito no item 4.2.4, visto a condição do experimento em vasos provocar acúmulo de P em níveis muito elevados. De toda forma, essa tendência de acúmulo foliar de P em função do incremento da quantidade de lodo aplicado por planta condiz com os resultados deste elemento obtidos no solo, onde analogamente aos teores foliares, constatou maior disponibilidade quanto maiores foram as quantidades de lodo aplicadas. Deve-se ressaltar que a disponibilidade de P no solo, com consequente absorção pela planta, está relacionado com o pH do solo. De acordo com Raij (2004), a redução de um ponto no valor do pH pode aumentar aproximadamente dez vezes a concentração de P na solução do solo. Sendo assim, considerando que a aplicação de lodo de esgoto provocou reduções significativas nos valores de pH do solo, o teor foliar deste elemento é função não só do potencial do lodo em fornecer P como também da redução de pH ocasionada pela aplicação do resíduo.

Estes resultados podem ser explicados por Melo; Marques; Melo (2001), visto o autor afirmar ser o lodo de esgoto uma fonte potencial de fornecimento de P, sendo grande parte deste elemento proveniente de compostos polifosfatados, além da biomassa microbiana. O teor de P é um dos atributos químicos de solos ácidos, influenciado positivamente pela aplicação de resíduos como o lodo de esgoto (ABREU JÚNIOR et al., 2005). Simonete et al. (2003), Chiba; Mattiazzo; Oliveira, (2008) e Trannin; Siqueira; Moreira (2008) corroboraram com esses resultados.

Santos et al. (2011) observaram que o teor de P em folhas de tangerineiras ‘Ponkan’ também refletiu o efeito da adição do lodo de esgoto no solo. Os autores notaram diferença significativa entre os manejos com resíduos orgânicos (lodo de esgoto e esterco de curral) em

comparação à adubação mineral, com incremento de 23,8% de P nas folhas das plantas que foram tratadas com o lodo e 16,3% nas folhas das tangerineiras associadas ao esterco de curral. Os resultados obtidos foram de 2,1; 2,0 e 1,7 para lodo de esgoto, esterco de curral e adubação mineral, respectivamente, próximos aos obtidos no presente experimento.

Rigolon (2006), estudando a aplicação de dois tipos de resíduos urbanos (lodo de esgoto) e dois tipos de resíduos industriais (lama cal e escória) no solo, verificou aumento dos teores de P principalmente na camada superficial do solo, fato explicado pela menor adsorção de P no solo, já que a matéria orgânica fornece íons orgânicos que competem pelos sítios de adsorção do P, bem como aumentam a formação de quelatos e complexos, proporcionando assim aumento da disponibilidade deste elemento no solo (HUE, 1995), com consequente absorção pela planta.

No mesmo sentido, Oliveira et al. (1995) verificaram aumentos na absorção de P por plantas de sorgo com a aplicação de doses crescentes de lodo de esgoto. O mesmo efeito foi relatado por Simonete at al. (2003) ao trabalharem com milho cultivado num ARGISSOLO tratado com doses crescentes de lodo de esgoto. Diversos autores corroboram com esses resultados (GUEDES; POGGIANI, 2003; CHIBA, 2005; GUEDES, 2005; SILVA, 2007). Barbosa (2008) em experimento similar ao presente, avaliando o estado nutricional de bananeiras Nanicão ‘IAC2001’, não observou diferença estatística significativa para o teor de P, porém em todos os tratamentos, observou valor de 2,0 g kg-1, próximo ao obtido neste experimento.

De acordo com as Tabelas 13, 14 e 15, nota-se que a aplicação de EET em substituição à AT não foi capaz de influenciar na absorção de P pela planta, expressa pelo teor do elemento nas folhas das plantas. Assim como para o N, os teores elevados de P no solo, principalmente nos tratamentos com maiores doses de lodo, e em função da natureza do experimento, não permitiram que o EET pudesse expressar seu potencial de fornecimento de P à cultura. Morgan et al. (2008) corrobora com estes dados, concluindo que em estudos de longa duração com aplicação de EET não houve influência no teor foliar de P. Já Pereira (2009) constatou redução no teor foliar de P em função de lâminas de EET aplicadas em laranjeiras ‘Valência’; o autor pondera que estes resultados são decorrentes da elevação do pH do solo a medida que maiores lâminas foram aplicadas, somado à lixiviação provocada pelas lâminas excessivas propostas nos tratamento, já que chegava-se a aplicar até o dobro (200% da

ETc) do recomendado. O mesmo autor, em experimento similar ao presente realizado na Flórida-EUA, não observou diferença significativa quanto ao incremento de P no tecido foliar provocado pelo fornecimento de EET, que em tese é rico em P. Assim como neste experimento, o autor relata que apesar do solo irrigado com EET apresentar concentrações de P muito elevadas, não houve tendência de acúmulo foliar capaz de demonstrar superioridade estatística. De toda forma, os níveis de P nas folhas de pomeleiros encontravam-se dentro dos limites adequados de acordo com critérios estabelecidos por OBREZA; MORGAN (2008).