5. Etniske nettverksrelasjoner
7.4 Begrensninger med studien og behov for videre forskning
Entendemos a nossa pesquisa como forma de indagar como é realizado o processo de avaliação/intervenção pelo Serviço Especializado de Apoio à Aprendizagem (SEAA) e suas repercussões no desempenho de estudantes em situação de queixa escolar, o que implica analisar: a queixa inicial formulada pelo professor e os discursos subjacentes; a avaliação/intervenção realizada pelo SEAA e as ações desencadeadas pela EEAA, pelo professor e pela escola mediante este processo e as percepções dos diversos atores escolares envolvidos nesse processo a respeito do desempenho escolar dos estudantes atendidos.
Kerlinger (1979) afirma que é grande a necessidade de se compreender a ciência, a abordagem, o pensamento e os métodos científicos. Assim, o percurso metodológico é parte essencial para a condução da investigação.
A direção e concretização de uma pesquisa exigem clareza das bases epistemológicas e metodológicas. Nesse sentido, a epistemologia e metodologia se constituem em campos disciplinares diferentes. A epistemologia tem por objetivo as condições e os critérios da cientificidade, enunciando e denunciando o discurso ideológico no científico. Para Erasmie e Lima (1989) a metodologia pode ser entendida como a arte sistematizadora dos pressupostos e processos lógicos de investigação ou, de outra forma, como teoria sobre os métodos de investigação. Contudo, segundo Lenin (apud MINAYO, 2008, p. 15) metodologia é muito mais que técnicas, é a articulação da teoria, da realidade dos pensamentos sobre a realidade, nas palavras do autor, “o método é a alma da teoria”.
Outros aportes concorrem para que uma pesquisa seja levada a cabo: a teoria que apoia a pesquisa, a realidade a ser pesquisada, a questão dos métodos, os procedimentos, os instrumentos a serem utilizados e as técnicas de análise/interpretação que decorrerão dos dados. Em suma, “o processo de pesquisa envolve precisamente teoria e realidade” (ROESCH, 1999, p. 119). Assim, as estratégias de investigação escolhidas em um projeto qualitativo têm enorme influência sobre os procedimentos e estratégias utilizadas (CRESWELL, 2010).
Após termos explicitado o referencial teórico desta pesquisa nos debruçaremos sobre as questões metodológicas que a nortearam, clarificando o campo de estudo, os sujeitos
participantes, o processo de pesquisa e os instrumentos utilizados para a geração e análise de informações.
A investigação do processo avaliativo/interventivo realizado pelo SEAA e suas repercussões no desempenho escolar de estudantes em situação de queixa nos revelou a evidência da existência de uma diversidade de aspectos objetivos e subjetivos, os quais devem ser abordados da maneira mais completa possível.
Em virtude de tais evidências, no momento de construir nosso caminho metodológico, foi necessário estabelecer que tipo de abordagem utilizaríamos diante das especificidades decorrentes do nosso objeto de pesquisa. Ademais, é importante ressaltar que a escolha do método depende do objetivo direto da pesquisa e tem implicações metodológicas distintas. Assim, importa saber que teorias, técnicas e instrumentos não são neutros, mas criados dentro de tradições epistemológicas (ROESCH, 1999). Nesse sentido, optamos por uma pesquisa de natureza qualitativa, cujo objetivo é descrever, compreender e interpretar a realidade social. A realidade que não é considerada como dada, estática e universal. É uma construção social da qual o investigador participa (ALVES-MAZZOTTI, 1991).
Na pesquisa qualitativa o fenômeno social é construído pelo indivíduo a partir do modo como ele enxerga o mundo. O significado do fenômeno é dado pelo indivíduo envolvido, o que pensa, o sentido que dá, o que sente. O cientista deve tentar entender e interpretar o que o indivíduo está vivenciando e para isto precisa entrar em contato com o mesmo. A pesquisa qualitativa possui ênfase no tratamento holístico dos fenômenos, tendo uma epistemologia existencial, não determinista, em que os fenômenos estão relacionados a muitas ações coincidentes e compreendê-los exige uma ampla mudança de contextos: temporal e espacial, histórica, política, econômica, cultural, social, pessoal (STAKE, 2011).
Desse modo, investigar situações e práticas carregadas de sentidos subjetivos individuais e sociais nos levou a situar nossa pesquisa sob o enfoque da abordagem qualitativa por entendermos que ajuda a compreender a avaliação/intervenção realizada pelo SEAA em sua complexidade, singularidade, conflitos e contradições, entendendo-a como fenômeno social. Assim, entendemos nosso objeto de pesquisa como um objeto social, portanto, suscetível de ser estudado a partir da visão das ciências sociais.
Nesse contexto, encontramos em Minayo (2008) um referencial teórico para apoiar nossa investigação. A autora afirma que as Ciências Sociais apresentam especificidades e
utiliza cinco critérios que a diferenciam, sem, contudo, afastar-se da cientificidade. Segundo essa autora, um primeiro aspecto que diferencia as ciências sociais é que o “objeto das ciências é histórico”. Na nossa compreensão, tanto a avaliação/intervenção realizada pelo SEAA quanto o desempenho de alunos com queixas escolares existem num determinado espaço, porém, estão em constantes mudanças, visto que os indivíduos, as instituições e os espaços em que elas se revelam também estão em um dinamismo constante.
Um segundo aspecto levantado por Minayo (2008) é que, nas Ciências Sociais, o objeto de estudo tem consciência histórica, ou seja, não é apenas o investigador que tem capacidade de dar sentido ao seu trabalho intelectual, mas todos os seres humanos dão significados as sua ações, explicitam suas intenções, projetam e planejam o seu futuro, portanto o nível de consciência histórica das Ciências Sociais se refere ao nível de consciência histórica da sociedade de seu tempo. Todo o entendimento sobre o uso das práticas avaliativas (de pedagogos, psicólogos e professores) e a própria compreensão do que seja desempenho escolar por parte da comunidade da escola estão submetidos a uma consciência histórica.
O terceiro critério admite que nas Ciências Sociais existe uma identidade entre sujeito
e objeto, pois lida com seres humanos, que por seus traços como classe, faixa etária, entre
outros, se aproximam do investigador. O quarto critério é que as Ciências Sociais são
intrínsecas e extrinsecamente ideológicas, pois não existe ciência neutra, de forma mais
veemente nas Ciências Sociais, em que a visão de mundo implica todo o processo de conhecimento desde a escolha do objeto, da aplicação de métodos e técnicas e no resultado.
Um último critério, que é de nosso interesse, se refere ao fato de que o objeto de pesquisa das Ciências Sociais é “essencialmente qualitativo”, pois possui instrumentos e teorias que permitem a aproximação da existência dos seres humanos em sociedade, abordando o conjunto das expressões humanas nas estruturas, processos, representações, símbolos e significados.
Assim, ao falarmos de avaliação e de desempenho escolar precisamos entender que eles têm, segundo os critérios levantados pela autora, uma carga histórica, cultural, política e ideológica que não pode ser contida apenas numa forma numérica ou num dado estatístico. Minayo (2008) afirma que a pesquisa qualitativa responde a questões que não podem ou não devem ser quantificadas, tanto que o objeto desse tipo de pesquisa raramente pode ser
expresso em números. A autora atenta para o fato de que não pode existir hierarquia entre os dois tipos de pesquisa, pois a diferença entre elas se refere à natureza da pesquisa.
Com base nestes elementos, assumimos o nosso trabalho como uma pesquisa qualitativa, pois acreditamos que, para compreender a diversidade presente nas representações da avaliação e do desempenho escolar, precisamos ter uma compreensão abrangente do grupo e da instituição social na qual estão inseridos; precisamos ter uma visão geral das concepções de mundo, de homem, de desenvolvimento, de aprendizagem, de ensino, de avaliação e de desempenho que a comunidade escolar tem em relação aos alunos em situação de queixa escolar.
Portanto, a fim de realizar a descrição de um fenômeno em particular, delineamos a pesquisa como um estudo de caso do tipo etnográfico (STAKE, 2011), pois pode ser reconhecido como um estudo que se volta a uma instância em particular para compreendê-la em profundidade enquanto unidade (ANDRÉ, 2008).