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6 Discussion

6.2 Discussion of bedrock as source area

6.2.1 Bedrock instability

A aplicação das análises multivariadas expostas anteriormente resultou em uma partição dos municípios brasileiros em cinco tipos, que embora tenham envolvido diversas características sociais e econômicas, fundamentaram-se principalmente nos seguintes fatores: proporção do PIB agrícola, proporção do PIB industrial, PIB, Índice de Desenvolvimento Humano, número de agências bancárias, dimensão financeira, porcentagem de indivíduos pobres, renda per capita e proporção da população urbana. Por isso, enfrentou-se uma grande dificuldade de se encontrar nomes apropriados que retratassem corretamente estes tipos – a tarefa de se resumir todas as variáveis que caracterizam um grupo em apenas duas ou três palavras é praticamente impossível – adotaram-se as seguintes expressões como referência para os mesmos: Agrícola, pobre,

com condições sociais satisfatórias; Agrícola e de serviços, muito pobre, com condições sociais desfavoráveis; Intermediário; Urbano, com condições sociais muito boas; Urbano, desenvolvido, com condições sociais muito boas; ressalvando-se que não há hierarquia

precisa entre as classes e o fato de que os títulos e atribuições referentes à “pobreza” são resultado de comparação entre os tipos, sendo, portanto, relativos.

- Tipo 1: Agrícola, pobre, com condições sociais satisfatórias (Cidades pequenas)

A média populacional desta classe gira em torno de 7.400 a 8.000 e, apesar de ser constituída por uma maioria de municípios de baixa população, apresenta cidades que contabilizam por volta de 100 mil habitantes. Isto se deve ao fato de que boa parte da definição deste perfil é determinada principalmente por uma característica, a proporção do PIB agrícola com relação ao PIB total. A média da participação do PIB agrícola é de 63% do PIB total, o que revela este grupo como agrícola e, dada a mínima participação de 5% do PIB industrial, pode-se afirmar que há uma complementação média do setor de serviços em torno de 30%. Para se exemplificar, os municípios de Santa Luzia (MA) e Bragança (PA), em 1996, possuíam respectivamente uma população de 121.823 e 102.641 habitantes, com uma participação do PIB agrícola de 63% e 57%.

Em média, tal classe possui uma agência bancária e sua dimensão financeira gira em torno de 0,03 a 0,11, o que caracteriza um ativo bem pequeno ou um peso reduzido do sistema bancário na estrutura produtiva deste perfil. Além disso, possui um PIB médio que varia no

período de 30 milhões de reais a 60 milhões de reais, superior somente àquele apresentado pelo tipo 2 (esta superioridade se mantém em todos os anos analisados).

Partindo para as características sociais, que podem ser observadas na TAB.6 anterior, pode-se afirmar que este tipo apresenta condições sociais satisfatórias. O Índice de Desenvolvimento Humano municipal desta classe possui uma média de 0,73 (considerado um valor médio pela ONU), a qual é superior à total de 0,70. Ademais, o grupo apresenta, em média, 39% de pessoas pobres (valor abaixo da média total) e 17% de crianças entre 10 a 14 que trabalham (este último valor superior a todas as outras classes). O valor médio referente à renda per capita é de R$186,00, avaliado como baixo, porém maior que a média geral de R$171,00.

Em se tratando de vias urbanas pavimentadas, a média apresentada é de 48%, a menor dentre os perfis. No entanto, em termos de pessoas em família com razão de dependência maior que 75%, o valor médio é o terceiro menor dos agrupamentos, 42%, menor também que a média total. Com relação à Infra-Estrutura, há uma média de 74% de pessoas que vivem em domicílios com água encanada, medida maior que a total e que aquela apresentada pelo tipo 2. O valor médio correspondente às pessoas com acesso a três dos bens TV, telefone, carro e geladeira é de 34%, sendo superior ao total e ao demonstrado pela classe 2.

Com relação à educação, a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais é 4 anos, coincidente com o valor geral e com o perfil 2. A porcentagem de professores do ensino fundamental com nível superior, em média, é de 16% equivalente à total e maior que à do grupo 2.

Essencialmente a população deste perfil é rural.

- Tipo 2: Agrícola e de serviços, muito pobre, com condições sociais desfavoráveis (Cidades Pequenas Socialmente Desfavorecidas)

A média populacional deste perfil gira em torno de 9.300 a 13.700 habitantes e, apesar de ser formado por uma maioria de cidades com baixa população, apresenta alguns casos em que a contabilização de residentes é por volta de 92 mil pessoas. Isto se deve ao fato de que tal perfil é definido principalmente, o que não quer dizer todo, por três características, o PIB total, as proporções do PIB industrial e do PIB agrícola. A média do PIB total varia de

21 milhões de reais a 25,5 milhões de reais em todo o período abordado. A participação do PIB agrícola é em média de 28% a 38% (este último valor corresponde ao ano de 1996), enquanto que a participação média do PIB industrial é de 8% a 13%. Isto significa que a média apresentada pela atuação do setor de serviços é em torno de 50% do PIB total.

Em média, tal classe possui uma agência bancária e sua dimensão financeira varia entre 0,03 e 0,20, o que significa uma pequena dimensão do sistema financeiro na economia dos municípios deste perfil. Estas medidas tanto do número de agências bancárias quanto da dimensão financeira são menores que a média total apresentada.

Prosseguindo com a análise das condições sociais, tem-se que este perfil, em termos gerais, possui a pior posição dentre todos os grupos. O IDHm é em média 0,67, inferior ao apresentado pelo tipo1 e ao valor geral. Além disso, a renda per capita tem um valor médio de R$135,00, o que representa R$53,00 a menos que a medida demonstrada pelo grupo 1. Para corroborar com a primeira afirmação deste parágrafo, a proporção de pobres revelada nesta classe é de 54%, em média, o maior valor apresentado comparado aos outros grupos e à média total.

Em se tratando das vias urbanas pavimentadas, a média desta classe é de 59%, semelhante à total. A proporção de pessoas em família com razão de dependência maior que 75%, 46%, é superior a todas as classes e à média geral. Com relação à Infra-Estrutura, há uma média de 61% de pessoas que vivem em domicílios com água encanada, a menor medida dentre todas observadas. Ademais, o valor médio de pessoas com acesso a três dos bens TV, telefone, carro e geladeira é de 22%, novamente a menor medida comparada a todas outras restantes.

Com relação à educação, a média de anos de estudo de pessoas com 25 anos ou mais é equivalente à obtida pelo tipo 1 e pela média total, 4 anos. A porcentagem média de professores do ensino fundamental com nível superior também é inferior a todas as outras observadas, 12%.

Este perfil tem 50% de sua população residente na área urbana, o que o define praticamente como meio rural e meio urbano.

A média populacional desta classe gira em torno de 46.000 a 67.800 habitantes, um nível mediano, apesar de apresentar municípios com até 1,3 milhões de residentes. As características fundamentais que definem boa parte deste perfil são a proporção da população urbana (74% na classe contra 59% no geral), o PIB total, que em média varia entre 300 milhões de reais e R$385 milhões de reais (contra a média geral de 190 milhões de reais a 245 milhões de reais) e as proporções dos PIB industrial e PIB agrícola, dos quais, respectivamente, a média gira em torno de 21% a 36%, e de 13% a 15%. Diante disso, pode-se afirmar que o setor de serviços tem grande atuação neste perfil, sendo responsável por mais de 50% do PIB total.

Em média, tal classe possui 4 agências bancárias e sua dimensão financeira varia entre 0,18 e 0,38, um peso maior do sistema financeiro na economia dos municípios comparado àqueles apresentados pelos Tipos 1 e 2 . Ambas estas medidas são superiores à média total.

Prosseguindo com as características sociais, o IDHm desta classe é em média 0,74 (considerado um IDH médio), somente 0,01 a mais que aquele apresentado pelo tipo 1. Da mesma forma, a proporção de pobres é em média 36% neste perfil, valor também muito próximo àquele apresentado pela classe 1. A renda per capita é de R$220,00, superior ao valor médio geral em R$59,00.

Em se tratando das vias urbanas pavimentadas, a média apresentada neste grupo é de 64% contra 59% no geral. Da mesma forma, há a média de 80% de pessoas que vivem em domicílio com água encanada contra 69% no total. O valor médio de pessoas com acesso a três dos bens TV, telefone, carro e geladeira é de 39%, superando aquele demonstrado no geral em 10%. Neste grupo observa-se a média de 41% de pessoas em família com razão de dependência maior que 75%.

Com relação à educação, a média de estudos para pessoas com 25 anos ou mais é de 5 anos, superior a apresentada no geral. Da mesma maneira, o percentual médio de professores do ensino fundamental com nível superior é de 23%, 6% maior que a mesma medida no total.

Tipo 4: Urbano com condições sociais muito boas (Grandes Centros Desenvolvidos)

A média populacional deste perfil gira em torno de 800 mil a 960 mil e, apesar de ser constituído por diversos municípios com mais de 1 milhão de habitantes, apresenta casos

que contabilizam por volta de 200 mil residentes. Este tipo abrange a maioria das capitais brasileiras. As características fundamentais que definem boa parte deste perfil são a proporção da população urbana (98% na classe contra 59% no geral); o número de agências bancárias (média de 92 a 113 neste tipo contra a média de 3 no geral); a dimensão financeira (média de 1,94 a 2,15 neste perfil contra a média de 0,10 a 0,21 no total); o PIB total que em média varia entre 6,4 bilhões de reais a 9,9 bilhões de reais (contra a média geral de 190 milhões de reais a 245 milhões); as proporções dos PIB industrial e PIB agrícola, dos quais, respectivamente, a média gira em torno de 20% a 34%, e de 0,28% a 0,54%. Diante disso, pode-se afirmar que o setor de serviços é responsável por mais de 60% do PIB total.

Prosseguindo com as características sociais, o IDHm neste perfil é em média 0,82 (considerado um IDH alto), a qual é superior 0,12 à medida geral. O valor médio de pessoas pobres é bem inferior ao total e ao demonstrado pelas outras classes, 19%. A renda per capita é de R$447,00, o que representa duas vezes mais que o valor geral.

Em se tratando das vias urbanas pavimentadas, 71,45% é a média observada neste grupo contra 59% no total. A média de pessoas em família com razão de dependência maior que 75% é de 35%, segunda menor dentre os grupos. Há neste perfil 94% de pessoas que vivem em domicílio com água encanada, em média, contrapondo-se à medida de 69% no geral. Além disso, o valor médio de pessoas com acesso a três dos bens TV, telefone, carro e geladeira é de 68% nesta classe em contraposição a 29% no total.

Com relação à educação, a média de estudos para pessoas com 25 anos ou mais é de 8 anos, duas vezes o valor da média geral. A porcentagem dos professores do ensino médio com nível superior é em média 38%, a segunda maior dentre os agrupamentos.

Tipo 5: Urbano, desenvolvido, com condições sociais muito boas (Metrópoles)19

Este tipo ao longo dos anos de 1996 a 2005 não se alterou em termos de membros, os quais são apenas dois municípios, São Paulo e Rio de Janeiro. A média populacional deste grupo varia em torno de 7,7 milhões a 8,3 milhões, ao longo de todo aquele período. As características que marcam este perfil são a proporção da população urbana (97% na classe contra 59% no geral); o número de agências bancárias (média de 1297 a 1506 neste tipo

19 Nas análises posteriores deste estudo, por motivo de simplificação, serão utilizadas as denominações dos tipos descritas em parênteses.

contra a média de 3 no geral); a dimensão financeira (média de 3,04 a 5,02 neste perfil contra a média de 0,10 a 0,21 no total); o PIB total que em média varia de 88,5 bilhões de reais a 120 bilhões de reais (contra a média geral de 190 milhões de reais a 245 milhões de reais); as proporções dos PIB industrial e PIB agrícola, dos quais, respectivamente, a média gira em torno de 16% a 32%, e de 0,01% a 0,02%. Diante disso, pode-se afirmar que a participação do setor agrícola é insignificante e que o setor de serviços é responsável por mais de 60% do PIB total.

Prosseguindo com as características sociais, o IDHm é em média 0,84 (considerado alto), o maior valor dentre todos os grupos, sendo superior 0,14 à média geral. O valor médio de pobres dessa classe é o menor de todos aqueles observados, 13%. A renda per capta em média é de R$603,00, mais de três vezes a medida referente ao total.

Em se tratando das vias urbanas pavimentadas, a média apresentada por este perfil é 82%. A média de pessoas em família com razão de dependência maior que 75% é de 32%, a menor dentre os grupos. O valor médio das pessoas que vivem em domicílio com água encanada é 98 % nesta classe contra 69% no geral. Além disso, há a média de 66% de pessoas com acesso a três dos bens TV, telefone, carro e geladeira neste grupo, a segunda maior dentre as outras classes.

Com relação à educação, a média de estudos para pessoas com 25 anos ou mais é de 8 anos, duas vezes o valor da média geral. A porcentagem dos professores do ensino médio com nível superior é em média 44%, a maior dentre os agrupamentos.

Diante dessa descrição e do fato deste perfil ser constituído por apenas São Paulo e Rio de Janeiro (para todo o período analisado e para as duas classificações realizadas neste trabalho), constata-se que o mesmo é um grupo “outlier” e, por isso, não será utilizado no exercício proposto do próximo capítulo.

3.3 Conclusão

A grande diversidade presente no território nacional exige esforços e implementações no que tange ao tratamento de suas regiões (localidades), ou seja, às tentativas de se analisar as similaridades presentes, bem como as dessemelhanças, e de se descrever ou retratar,

coerentemente, a realidade observada, segundo as finalidades específicas de cada investigação.

O objetivo deste trabalho era analisar e descrever as diversidades presentes no país com relação às características sociais e econômicas, considerando-se o tempo.

Desenvolveu-se, assim, uma Análise de Componentes Principais a fim de selecionar as variáveis mais adequadas, em termos de maior influência na variabilidade do sistema, e de se resumir a base de dados, inicialmente muito extensa.

Em seguida, realizou-se uma Análise de Agrupamentos com os propósitos de se avaliar os municípios quanto às suas semelhanças e divergências referentes às variáveis sociais e econômicas e de se compor grupos diferentes das divisões regionais conhecidas, incluindo a dinamicidade dada pelo tempo (migração dos municípios pelos perfis, conforme os anos).

A análise mencionada acima revelou que a combinação dos vários fatores de interesse se dá de maneira muito diversa entre os municípios, o que dificulta a classificação dos mesmos. Ademais, a inclusão do tempo na construção da tipologia, resultou na necessidade de se restabelecer, com um cuidado extra, as extensões dos intervalos de valores relativos às características selecionadas, de maneira a não interferir no movimento dos municípios pelos grupos ao longo dos anos, porém considerando a evolução das classes no período, sem deixar que as cidades se perdessem no decorrer deste último - não alocação de cidades, anteriormente alocadas, em um ano específico.

Dessa forma, foi constituída uma classificação parcimoniosa dos municípios brasileiros segundo, principalmente, às atividades econômicas, à urbanização, à pobreza e às condições sociais. A tipologia formada conta com cinco perfis municipais, os quais ao final da análise foram apresentados de maneira específica e em detalhes.

Ainda, ressalta-se que, associando os resultados apresentados na seção 3.2.2 com as descrições dos perfis, a migração observada dos municípios que compunham o tipo 1 (Cidades Pequenas), em 1996, para os tipos 2 e 3 (respectivamente, Cidades Pequenas

Socialmente Desfavorecidas e Cidades Médias), ao longo dos anos de 1999, 2000, 2002 e

2005, pode caracterizar a mudança de foco na atividade econômica das cidades (no caso, a agricultura). Esta transformação se dá em nível moderado ou de forma mais acentuada, dependendo do grupo para o qual os municípios, inicialmente do tipo Cidades Pequenas,

migraram. A explicação para este movimento também pode estar vinculada a outra variável ou a uma combinação de variáveis, dentre aquelas utilizadas para a formação da tipologia. Constata-se, então, que, durante o período analisado, há uma redução do número de municípios do tipo Cidades Pequenas e um aumento do número de municípios dos tipos

Cidades Pequenas Socialmente Desfavorecidas e Cidades Médias.

Ademais, vale evidenciar que o tipo Metrópoles, por apresentar valores extremamente diferentes (discrepantes) do restante das classes municipais e não se alterar em termos de municípios membros ao longo dos anos abordados (formado somente por São Paulo e Rio de Janeiro), foi considerado um “outlier”, o que implica na não utilização do mesmo na análise que se segue no próximo capítulo.

Diante de todos os resultados obtidos, percebe-se que as diversas características engajadas no processo de constituição dos perfis fornecem riqueza de informações que serão incorporadas no próximo capítulo para explicar as associações dos tipos de crédito aos tipos de municípios e sua influência no PIB. Os perfis formados possuem mais similaridades internas do que as regiões preestabelecidas (N, NE, S, SE,CO), permitindo a avaliação de combinações de características sociais e econômicas de um novo “ponto de vista”.

4 CRÉDITO E CRESCIMENTO ECONÔMICO: UMA