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3. Rapportering på krav fra revidert oppdragsdokument av 21. juni 2019

3.2 Bedre kvalitet og pasientsikkerhet

As últimas décadas trouxeram preocupação crescente entre os pesquisadores de política sobre a motivação das populações quanto ao sistema político-democrático. Em países onde a votação eleitoral não é obrigatória por exemplo, o comparecimento às urnas está em declínio, assim como outros indicadores na saúde dos sistemas políticos, incluindo a confiança nos governos. Expressões de engajamento cívico tornaram-se mais impessoais, distantes, refletindo mudanças de percepção sobre os benefícios do compromisso com o social e participação na cultura política de um modo geral.

Para Putnam (2000) as mídias, especialmente a televisão, contribuem para esta tendência “alienante” já há algum tempo. Mas apesar desse panorama drástico relativo aos meios de comunicação modernos, Putnam também observou em pesquisas entre os norte- americanos que, "espectadores regulares de noticiários de redes nacionais e mesmo os do noticiário de TV local tendem a dedicar algum tempo em projetos comunitários, participam mais de reuniões de clubes, e seguem a política muito mais perto do que outros americanos " (p. 220).

Dessa forma ele estabeleceu uma conexão positiva entre o telejornal local e o envolvimento cívico. Ou seja, os assuntos locais divulgados na mídia interessam às pessoas que se envolvem nos assuntos de sua comunidade, aumentando seu capital social. Enfatiza-se no entanto que nem nos trabalhos de Putnam, nem na literatura sobre capital social essa ligação está claramente definida (Stevens et al, 2006).

E por ainda não haver essa definição clara, estudos sobre a cobertura política nos meios de comunicação têm se focado sobre a necessidade de revisão da questão dos efeitos das mídias nas audiências (Entman, 1989; Zaller, 1992) ou nas distorções das coberturas, pois a literatura revela que há uma gama considerável de influências significativas que as

representações das mídias podem ter sobre o que os cidadãos pensam e dizem sobre política.

No que tange à literatura sobre o engajamento cívico, aqueles que olham para os efeitos de mídia costumam se centrar também sobre o papel potencial dos meios de comunicação em desenvolver engajamento cívico (Skocpol, 1999; Ray, 1999), em motivar o declínio da participação cívica, e sobre o papel do jornalismo cívico ou público. Entretanto as conexões entre a cobertura da mídia local, da política e da vida cívica permanecem em grande parte não estudadas.

Em 1835, Tocqueville descreveu o poder de jornais nos Estados Unidos e sua importância geral para uma sociedade engajada. Segundo ele, um jornal é um conselheiro que não se busca, pois se “voluntaria” e fala com o público todos os dias sobre assuntos comuns sem perturbar seus interesses particulares. Ele argumenta que em países democráticos muitos homens têm o desejo ou a necessidade de se associarem por algo em comum, mas muitas vezes não conseguem, porque são apenas um pequeno ponto na multidão e não conseguem se ver ou se encontrar.

Até que venha um jornal que exponha sua opinião, sentimento ou ideia que possivelmente tenha sido apresentado a cada um deles em simultâneo mas separadamente. Dessa forma as ideias são dirigidas para um ponto de ligação unindo as pessoas por um objetivo em comum (Tocqueville, 2005).

Ele observou uma forte relação de reciprocidade nas ações coletivas que abordavam diretamente as questões públicas, civis, associações políticas e meios de comunicação públicos. Mas percebeu também que era não só a existência de uma imprensa livre, ou potencialmente onipresente, que garantia a sociabilidade, mas uma ecologia variada, formada por numerosos jornais e associações existentes nos Estados Unidos e outras sociedades pós-revolucionárias.

Esta "descentralização" de poder informativo permitia uma melhor governança e aos cidadãos participarem politicamente (nas ações coletivas diretas, nos processos eleitorais, como eleitores e candidatos a cargos), promovendo experiência política vital necessária para transformar informação política em conhecimento para um autogoverno que para Tocqueville desenvolve "uma nova ciência da política" (tradução literal), mas que ao meu entender significa uma “nova consciência política”.

Entretanto foi enfático ao dizer que as normas democráticas não iriam prevalecer por longo período, se a liberdade local e o conhecimento do local fossem perdidos e a conexão entre as experiências e informações cortada (Tocqueville, 2005; Allen, 1991). Tocqueville, nos seus escritos, valoriza sobremaneira a pequena comunidade política, pois só esta pode

proporcionar a solidariedade indispensável para a estimulação da virtude cívica e para a preservação da liberdade política. Além disso, ele atribui ao engajamento do cidadão em nível local um valor fundamental não apenas para a democracia local em si, mas também para dar sustentação à democracia no nível nacional.

Mas o pensamento de Tocqueville não se estabelece só por considerar os efeitos positivos do processo democrático. Ele não se atém ao ideal clássico da pólis como Rousseau, é verdade, e reconhece a necessidade de uma estrutura federal para viabilizar a democracia na sociedade de massa (Klaus, 2000). Um aspecto importante a ser colocado também da perspectiva tocquevilleana é sua afirmação de que “a centralização será o governo natural” dos povos democráticos. Ou seja, os sentimentos e os hábitos dos povos democráticos seriam favoráveis à concentração de poder.

A inexistência de hierarquias e de relações de subordinação nas sociedades igualitárias faz com que as pessoas, impulsionadas por “uma força secreta”, volvam-se sempre mais para si mesmas. O que gera o fortalecimento do individualismo e proporciona a despolitização da vida pública nas sociedades modernas (Tocqueville, 2005). Entretanto, Tocqueville tem em vista que a revitalização da democracia local ocorre não apenas pelo fortalecimento da própria comunidade local, mas, não menos importante, é sua contribuição para a maturação do “corpo eleitoral”, indispensável para a consolidação da democracia no nível nacional. As tão almejadas virtudes políticas só podem desenvolver-se na prática do agir político. Éiuma ilusão acreditar que só o amor pela humanidade poderia impulsionar o engajamento cívico. Entretanto, o interesse pela solução dos próprios problemas, pessoalmente vivenciados, podem fomentar uma prática de um agir responsável, e esta prática do agir responsável no âmbito local, por sua vez, transforma os homens em cidadãos livres, dotados de consciência de responsabilidade, agora também em relação ao âmbito nacional (Boesche, 1987).

Para esse processo de empoderamento da responsabilidade social, a informação local e os noticiários podem desempenhar um papel fundamental em estimular e informar os cidadãos sobre os problemas, as questões de governança e candidatos locais. Stevens et al (2006) realizaram um estudo para analisar a cobertura das notícias locais de um período eleitoral presidencial em um Estado norte americano considerado por seu alto grau de capital social, o Minnesota. Durante o período do estudo, foram analisadas as transmissões noturnas nos quatro canais da cidade de Twin Cities, e constatou-se que os programas das 22:00 foram vistos por quase 70% das pessoas que assistiam televisão em Novembro de 2000.

Nesta pesquisa, as evidências encontradas sugerem que os telejornais em Twin Cities falharam de três formas no jogo previsto da teoria democrática, do ponto de vista do

incremento do capital social para o desenvolvimento local. Primeiro, o noticiário local não era local. Embora alguma atenção tenha sido dada para as eleições para senadores dos EUA, foi dada pouca ou nenhuma atenção a outras campanhas. O equilíbrio entre a cobertura das eleições locais e nacionais tornou-se cada vez mais distorcido com a corrida presidencial bem apertada no estado, apesar das competitivas eleições locais.

Foi observado que as redes nacionais deram muita atenção à corrida presidencial, naturalmente, e disponibilizando seu conteúdo e análise para as filiais locais que usaram o conteúdo com bastante facilidade. Mas por que este fato denota uma questão tão crucial para o bem estar democrático e o equilíbrio relativo entre a cobertura jornalística eleitoral local e nacional é algo tão importante (Stevens et al, 2006)?

De acordo com a literatura do capital social, a maioria das pessoas se comprometem primeiro em engajamento cívico em arenas locais de governança. Ao não cobrir adequadamente campanhas da comunidade, as mídias locais sinalizam uma importância relativa das questões da comunidade em comparação com as questões nacionais, desviando a atenção de arenas locais associadas com uma variedade de "virtudes cívicas" (Galston, 1991).

De acordo com Stevens at al (2006) os dados coletados não permitem uma análise profunda das consequências quando as informações sobre a política local são dominadas pelo retrato genérico de eventos nacionais. Mas deixam pistas do que acontece em um processo eleitoral como o norte americano, que se atribui como democrático e com imprensa fortalecida ou livre. O achado foi que a publicidade fornece mais informações sobre os candidatos do que o noticiário da televisão, sobre os políticos locais. Fato este não positivo para o incremento do capital social visto que a relação informação local e instituições ficam comprometidas e a participação cívica minorada.

A informação política éide fundamental importância para o desempenho no funcionamento da democracia e énum tema permanente de interesse acadêmico (Entman 1989). É elemento necessário para uma democracia embora existam perspectivas conflitantes sobre o quanto os cidadãos precisam dessa informação ou quanto devem exigir. Já está claro que certas quantidades de informação que se possui delineiam atitudes e comportamentos, incluindo a participação.

Certamente que os cidadãos podem aprender sobre assuntos políticos locais através da experiências direta e por interações interpessoais, mas padrões de atividade política local confirmam que as instituições de comunicação de massa têm sido componentes críticos no momento de noticiar o ambiente local (Verba e Nie 1972). Assim como o capital social, algumas pesquisas indicam que tanto a mobilização e informação política substantiva

fornecida pelos meios de comunicação são componentes necessários para a comunidade nas democracias saudáveis (Scheufele et al. 2000).