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BAUZÀ, T. (2021). DUBTES REUNIÓ PARTICIPANTS

As atividades de extração mineral são potenciais modificadores do local onde se implantam. Os impactos ambientais negativos da extração mineral estão relacionados à degradação dos solos, à retirada da vegetação, e à contaminação de cursos d’água, solos, animais e homem. A contaminação provocada pela extração de ouro compreende o uso de substâncias tóxicas no beneficiamento do minério, como o mercúrio e o cianeto. O uso de mercúrio indiscriminadamente em garimpos e sem cuidados especiais pode ocasionar níveis

de contaminação elevados e de difícil remediação. O cianeto é uma substância perigosa e pode se tornar extremamente tóxico caso não sejam adotadas medidas específicas no decorrer de sua utilização.

De acordo com Mathis et al. (1997), o uso do mercúrio na recuperação do ouro é mais comum entre garimpeiros, mas algumas mineradoras também o utilizam no processo de beneficiamento. A quantidade de mercúrio lançada ao ambiente na forma de rejeito varia conforme as técnicas utilizadas, podendo chegar a três partes de mercúrio para cada parte de ouro produzido (VEIGA & HINTON, 2002). As conseqüências desta difusão de mercúrio nos rios e solos são muitas e diversas pesquisas têm começado a ser empreendidas na ordem de entender o ciclo geoquímico do metal e a possibilidade de sua introdução na cadeia alimentar18.

O mercúrio em sua forma natural (mercúrio metálico) não é prejudicial, a queima do amálgama a céu-aberto dá início ao processo de contaminação, onde o garimpeiro pode inalar diretamente os vapores, que irão se acumular no pulmão e facilitar a disseminação pelo organismo. O vapor de mercúrio oriundo da queima também pode ser oxidado e formar o mercúrio ionidado (Hg2+), que será condensado nas nuvens e voltará para o solo na forma de chuva, a partir daqui poderá ser transformado em mercúrio orgânico (CH3Hg+) e então absorvido pelos seres vivos e convertido em metilmercúrio, que é sua forma tóxica, a contaminação se dará pelo consumo dos peixes e outros animais contaminados. O mercúrio metálico que é liberado ao meio ambiente durante o processo de lavra também pode se transformar em mercúrio orgânico, o que depende das características hidrográficas do rio ou corpo d’água em que o mercúrio foi liberado (VEIGA, M., 1997 e MATHIS et al., 1997).

18 Variados autores têm estudado sobre a utilização do mercúrio e seus efeitos para o meio ambiente e o homem, como exemplo Lacerda (1992), Lacerda & Salomons (1992), Câmara et al. (1996), Veiga (1997), Brabo et al. (1999), Veiga et al. (1999), Harada et al. (2001), Nascimento & Chasin (2001), Morris et al. (2002), Pierre et al. (2002) e Veiga & Hinton (2002).

A contaminação aguda por mercúrio ocorre quando o amálgama é queimado a céu aberto. O mercúrio inalado é oxidado nos pulmões formando complexos solúveis no sangue e que podem penetrar no cérebro. Os sintomas associados à crônica exposição ao vapor do mercúrio são a exagerada resposta emocional, gengivite e tremores musculares. O mercúrio também pode ocasionar problemas à gravidez, e gerar abortos e o nascimento de crianças com malformações (VEIGA & HINTON, 2002).

A contaminação crônica por mercúrio ocorre quando este é convertido em metilmercúrio e posteriormente introduzido na cadeia alimentar. Os sintomas desta contaminação são diminuições da visão, dormência nas extremidades do corpo, enfraquecimento da audição, da fala e do modo de andar, e em casos agudos a atrofia muscular, distúrbios mentais e de apreensão (VEIGA & HINTON, 2002).

O cianeto é mais eficaz na recuperação do ouro, principalmente o de granulometria muito baixa, mas o cuidado com a substância precisa ser redobrado. O cianeto quando utilizado no processo de cianetação possui pouca estabilidade e precisa ser mantido em quantidades específicas de hidrogênio e oxigênio19, caso contrário pode se transformar em gás cianídrico, que é um gás letal (VEIGA & HINTON, 2002). Segundo a U. S. Environmental Protection Agency o cianeto é corrosivo, e quando inalado (na forma de gás cianídrico) inibe a respiração celular e causa alterações no sangue, no sistema nervoso central e na tireóide, causa também tonturas, dores de cabeça, náuseas, vômitos, dificuldade de respiração, irregularidade nos batimentos cardíacos, perda de consciência, coma e morte. A ingestão, por ser corrosivo, causa queimaduras na boca e esôfago, e dor abdominal. A inalação de doses altas causam rápida perda de consciência e morte súbita por parada respiratória, doses menores podem prolongar a doença por uma ou mais horas.

19 O cianeto precisa ser mantido a um pH (potencial de hidrogênio) de valor aproximadamente 12 e em concentrações abaixo de 25 % de oxigênio (VEIGA & HINTON, 2002).

Sánchez & Enríquez (1996) ressaltam os impactos da extração de ouro ao estudar a mineração no Chile. Conforme os autores, o início dos trabalhos implica na abertura de caminhos de acesso, na instalação de uma infra-estrutura e na eliminação de pequenas zonas de vegetação; posteriormente podem ser utilizados equipamentos mais pesados, um sistema de alimentação de água e explosivos, que ocasionam tanto a emissão de pó como a geração e o depósito de material estéril.

Os impactos ambientais da extração mineral também estão associados aos cortes feitos na superfície do terreno, que afetam o local de forma visual e geológica, e a retirada do solo afeta a vegetação local e produz a migração e realocação das espécies animais (SÁNCHEZ & ENRÍQUEZ, 1996). As áreas em que é elevada a densidade dos animais, populações inteiras de algumas espécies podem ser exterminadas em colisões com veicúlos ou pela entrada dos primeiros em áreas da mina. Algumas espécies podem ser extintas quando as populações são pequenas ou se encontram geograficamente isoladas (SUMI, 2003).

A água das chuvas, ao passar pelas minas também pode se contaminar ao incorporar o conteúdo metálico e tornar-se ácida. Estas águas podem fluir para cursos d’água superficiais ou subterrâneos, contaminando rios e lençóis freáticos (SÁNCHEZ & ENRÍQUEZ, 1996). As águas das chuvas transportam material a outros locais, quando este material é depositado no leito dos rios ocorre seu assoreamento20.

A retirada da vegetação associada aos índices de chuva podem provocar ou aumentar a erosão, ou seja, o deslocamento de solo nas encostas. De acordo com Sumi (2003), os efeitos da erosão podem ser problemáticos para a mina, pois a água que corre pelas rochas pode causar a desestabilização do local e desmoronamentos, pondo em risco a segurança de trabalhadores.

Barreto (2001) cita instrumentos legais, econômicos e técnicos capazes de minimizar os impactos ocasionados pelas atividades de extração mineral. Os legais se referem ao licenciamento ambiental, ao estudo e relatório de impacto ambiental, ao plano de controle ambiental, e ao plano de recuperação de áreas degradadas. Os instrumentos econômicos estão relacionados a incentivos e caução ambiental. Os instrumentos técnicos envolvem o desenvolvimento de novas tecnologias e parâmetros ambientais.

A tecnologia hoje existente permite a grande redução dos impactos negativos de empreendimentos mineradores ao meio ambiente. Porém, esta tecnologia envolve custos adicionais aos projetos, sejam estaduais ou privados, de companhias nacionais ou multinacionais, ou empreendimentos de garimpo, que nem sempre se mostram acessíveis a internalizar estes custos. Em variados casos esta redução de benefícios e a preocupação com os problemas ambientais só são encarados quando a pressão da opinião pública ou dos órgãos ambientais não deixa outra alternativa às companhias de mineração.