5. Basinal setting of remobilized sands worldwide
5.1 Basins at convergent and strike-slip margins
A maneira como as privatizações foram conduzidas, de certa forma inibia a entrada de investidores internacionais, pois conforme já mencionado, havia um teto para investidores estrangeiros. Após a saída daqueles grupos que visavam somente lucros a curto prazo, começou a ocorrer a reestruturação societária das companhias, de forma que atualmente o setor possui cerca de 11 empresas/grupos que são atuantes no país. Esse processo de reestruturação, por sua vez, permitiu a entrada de novos investimentos estrangeiros. Em 1998, por exemplo, o controle acionário da Usinor, Acesita, CST e Villares (responsáveis por 4,1 milhões de toneladas) era francês. No mesmo ano, a Belgo Mineira e a Mendes Junior (responsáveis por 2,2 milhões de toneladas) eram controladas por um grupo luxemburguês (Birchal, 2004).
Nesse contexto, as empresas brasileiras procuraram se desprender das fronteiras nacionais, entrando assim na lógica global. Um exemplo disso são os investimentos do grupo brasileiro Gerdau em outros países. Dando início a este processo em 1980, com pequenas aquisições na América do Sul51, a Gerdau deu um
51 “O processo iniciou em 1980, com a compra de uma pequena companhia do outro lado da
fronteira com o Uruguai, tendo se acelerado com as aquisições de usinas em Cambridge, Ontario, em 1989 e Winnipeg, Manitoba, em 1995”. www.raizesdosul.com.br/gerdau_nyt.htm
passo importante em 1999 com a aquisição da AmeriSteel, da Kyoei Steel52 Japão, por US$272 milhões. “A transação com a AmeriSteel aumentou os resultados totais da Gerdau em mais de 50%, triplicou sua produção fora do Brasil e elevou a companhia da 46ª à 25ª posição no mercado mundial, de acordo com a classificação do International Iron and Steel Institute” (Rohter, 2001). Em agosto de 2002, a Gerdau anunciou sua fusão com a companhia canadense Co-Steel, aumentando ainda mais a presença do grupo no mercado internacional, tornando-se a 15ª maior companhia siderúrgica do mundo (Andrade e Cunha, s/d).
A Belgo-Mineira, assim como a Gerdau, também se internacionalizou. Em junho de 2000, a Belgo-Mineira Bekaert Arames – Bmba (joint venture da Belgo- Mineira com a belga Bekaert) anunciou a união estratégica com a chilena Inchalam. Com isso, a Bmba controlava 50% da Wire Rod Industries (Canadá), 50% da Prodinsa (Chile) e 50% da Procables (Peru), cedendo em troca 50% da Cimaf Cabos. Em outubro de 2000, a Belgo-Mineira passou a participar da argentina Acindar (investindo US$ 131 milhões).
Devido a todas estas movimentações do setor siderúrgico brasileiro, observa- se que a estrutura societária do setor também se internacionalizou. Conforme mostra a Tabela 3.7, atualmente existem companhias estrangeiras participando ativamente no setor, tais como Nippon Steel (Japão), Arcelor (Europa), Kawasaki (Japão) e Sidenor (Europa). Ainda segundo essa Tabela 3.7, por exemplo, existe uma grande quantidade de capital europeu investido no setor de aços especiais: a Arcelor com 39% da Acesita e a V&M e Sidenor com 58% da Villares
52 A Kyoei Steel, grupo japonês, era dona da AmeriSteel até a compra pela Gerdau. A AmeriSteel
Tabela 3.7: Estrutura acionária da siderurgia brasileira Aços
Especiais
Acesita Arcelor (39%), Previ (19%), Sistel (12%) Villares Sidenor (58%), BNDESPAR (29%)
V&M V&M(93%) Aços longos
(ao carbono)
Barra Mansa Votorantim (100%)
Belgo-Mineira Arcelor (60%), Bradesco (11,5%) Met. Gerdau Gerdau (73%)
Açominas Gerdau (79%) Aços Planos (ao carbono) Cosipa Usiminas (92%) CSN Vicunha (46,5%), Valia (10%) CST Acesita/Arcelor (44%), CVRD (20,5%), Kawasaki Usiminas CVRD (23%), Nippon Steel (18%), Previ (15%), CIU (10%) Fonte: www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/sdp/proAcao/
forCompetitividade/impZonLivComercio/15siderurgiaCompleto.pdf
Diferentemente do que ocorreu nos Estados Unidos, onde as empresas possuem vários proprietários com base acionária pulverizada, e diferentemente das empresas européias, nas quais a base acionária é concentrada na mão de poucos grupos – como Ispat, Riva, Techint –, as empresas brasileiras não são nem pulverizadas, nem concentradas nas mãos de poucos (com exceção do grupo Gerdau, que possui maioria acionária isolada na Met. Gerdau e Açominas). O motivo pelo qual as ações não foram pulverizadas, como já foi exposto, tem a ver com a forma como as privatizações foram feitas.
Conforme o Gráfico 3.9, as empresas brasileiras, mesmo sendo o Brasil o 8º maior produtor de aço do mundo, não se encontram na lista das maiores empresas produtoras mundiais. O maior grupo brasileiro, em 1999, era a Usiminas/Cosipa, com uma produção de 5,51 milhões de toneladas, encontrando-se em 28º lugar no ranking siderúrgico mundial. O Grupo Gerdau encontra-se em 32º lugar, com uma produção de 5,10 milhões de toneladas anuais; a CSN, em 36º lugar, com 4,85 milhões de toneladas; e a CST ocupa o 47º lugar, com 4,41 milhões de toneladas. Como contraponto, pode-se citar a empresa coreana Posco, que é responsável por um volume de produção maior do que toda a produção brasileira, e que apresenta média de 25 milhões de toneladas anuais. Assim, conforme mencionado, pode-se concluir que o setor siderúrgico brasileiro não é altamente concentrado ou pulverizado.
Gráfico 3.9: Ranking das maiores empresas siderúrgicas mundiais (milhões de tons)
Fonte: www.bndes.gov.br/conhecimento/relato/relato_1.pdf
Tabela 3.8: Pressões da internacionalização na indústria siderúrgica brasileira
Siderurgia Mundial Siderurgia Brasileira
Taxa de
crescimento da
produção No período 1989-2000: 0,7% a.a. No período 1989-2000: 1,0% a.a.
Mix de produtos Enobrecimento é uma Estratégia Clássica
Estratégia de Crescimento Dual: enobrecimento para dentro; exportação crescente de semi- acabados.
Nível do Esforço
Tecnológico Relativamente Baixo em Comparação com Outras Indústrias Mais Baixo do que a Média da Siderurgia Mundial. Direção do
Progresso Tecnológico
Ênfase Crescente no
Desenvolvimento de Produtos Ênfase Crescente no Desenvolvimento de Produtos
Escala Mínima
Ótima Processo Intenso de Consolidação em Fabricantes de Aços Planos
Escala das Plantas Adequadas; Risco da Consolidação é Maior em Fabricantes de Aços Planos Comuns/Ao Carbono
Intensidade de Políticas
Públicas Cada Vez Menos Relevantes Cada Vez Menos Relevantes Mecanismos de
Apoio Público à Siderurgia
Realocação e Retreinamento de Mão- de-Obra; P&D; Melhoramentos
Rentabilidade
das Empresas Baixa Alta
Vantagens Competitivas da Siderurgia Brasileira
- Baixos Custos Salariais e de Minério de Ferro
Desvantagens Competitivas da Siderurgia Brasileira
- Custo Financeiro Elevado, Custo do Carvão Mineral, Custos Portuários, Impostos em Cascata