4.2 Descriptive Statistics
4.2.1 Basic Socio-Economic statistics of the sample household
Antes de adentrar o campo da pesquisa propriamente dito, é importante salientar que esta tese teve início com o estudo teórico preliminar do campo. Nesta fase inicial, a autora buscou se apropriar da construção histórica que levou à criação dos CMP no Brasil, partindo do Parecer Sucupira de 1965 e da legislação que regulamenta estes cursos, especificamente a Portaria nº 17/2009 da Capes. Ainda, realizou a leitura e análise dos artigos teóricos já publicados sobre o tema/campo, grande parte destes concentrados na edição da Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) de julho de 2005.
A partir do estudo teórico do campo, foi possível levantar quatro categorias a serem trabalhadas nos CMP, a saber: Diferenças do CMP e CMA, Surgimento dos CMP, Natureza do Trabalho de Conclusão de Curso e Corpo Docente. Dessa forma, a construção inicial da tese ocorreu de forma mais desestruturada, partindo do campo, para só então adentrar os aspectos teórico-conceituais.
Esta construção foge do que Faria (2014) denomina de pesquisa tradicional, pois, para o autor, este tipo de pesquisa é cumulativo, parte de uma teoria para a elaboração de pressupostos ou hipóteses e só então entra em campo para realizar a coleta de dados. A ausência de aspectos conceituais antes de ir a campo é abordada por pesquisadores qualitativos, mas ainda de forma bastante tímida, pois a adoção de tal postura significa a quebra da força paradigmática do positivismo e a busca por um campo científico mais autônomo (MATTOS, 2011; BARBOSA et al., 2013). Minayo (2012) afirma que, na pesquisa qualitativa, é importante se dirigir informalmente ao cenário de pesquisa, buscando observar os processos que nele ocorrem. É preciso ir a campo sem pretensões formais e ampliar o grau de segurança em relação à abordagem do objeto, inclusive, se possível, realizar algumas entrevistas abertas, promover o redesenho de hipóteses, pressupostos e instrumentos. Para a autora, o olhar analítico deve acompanhar todo o percurso de aproximação do campo e, a partir da realidade empírica, é preciso imergir na busca de informações previstas ou não no roteiro inicial.
Assim, na primeira fase desta pesquisa, adotou-se o exposto por Flick (2009), para quem a pesquisa qualitativa se abstém de estabelecer um conceito bem definido daquilo que se estuda e de formular hipóteses no início para depois testá-las; pelo contrário, os conceitos são desenvolvidos e refinados no processo de pesquisa.
Destarte, após o levantamento das categorias teóricas supracitadas, a autora realizou a primeira ida ao campo, o que constituiu a primeira fase empírica da tese, denominada de fase
exploratória. A pesquisa exploratória possibilita familiarizar-se com as pessoas e suas preocupações, assim como determina quais são os impasses e os bloqueios que podem travar uma pesquisa em grande escala (DESLAURIERS; KÉRISIT, 2008).
A primeira fase consistiu na aplicação de entrevistas individuais e semiestruturadas (Apêndice A), aplicadas de forma presencial pela pesquisadora entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014 com duração média de 40 minutos. As entrevistas foram conduzidas de forma aberta, o que permitiu aos participantes expressassem livremente suas opiniões sobre os temas propostos. Todos os respondentes foram contatados por e-mail e, quando do aceite, eram agendados dia e horário para a entrevista, as quais foram realizadas, por acessibilidade de tempo e recursos, em três capitais: João Pessoa, Recife e Brasília. Apesar da concentração nas três capitais, alguns respondentes eram oriundos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. Nesta fase, a população-alvo da pesquisa foram os coordenadores e ex-coordenadores de CMP, pessoas que já haviam escrito sobre a temática e dirigentes da Capes. A priori, em se tratando de uma pesquisa do tipo exploratória, não foi definido o número de indivíduos a serem entrevistados, pois se decidiu realizar a coleta até o momento em que houvesse convergências suficientes para configurar o fenômeno estudado. Assim, foram entrevistados quatro coordenadores e ex-coordenadores de programas e/ou CMP, um professor que possui publicações sobre o fenômeno e três membros da diretoria da Capes. Estas últimas foram consideradas na análise como duas entrevistas, em função de uma delas ter sido realizada simultaneamente com dois servidores, mas não se ter encontrado elementos suficientes para desmembrar as falas destes. Desta forma, a partir destas sete entrevistas, se alcançou a saturação da primeira fase, cujo objetivo foi o de verificar as percepções desta população em relação às categorias levantadas previamente no estudo teórico do campo, o que delimita, de certa forma, a trajetória dos cursos de mestrados profissionais no Brasil.
Após a transcrição na íntegra das sete entrevistas, foi realizada a codificação e análise compreensiva e interpretativa dos discursos, a partir das quais foi possível confirmar as categorias teóricas supracitadas. Para Gibbs (2009), as categorias se definem por meio da relação entre os conceitos e as experiências relatadas pelos entrevistados.
A identificação dos entrevistados nas análises foi feita a partir de códigos. Assim, os quatro coordenadores e ex-coordenadores de CMP e o professor que já publicou sobre a temática foram denominados de E1, E2, E3, E4 e E5. Os membros da Capes foram denominados de G1 e G2.
Após a codificação e análise das categorias em que foram agrupados os discursos dos respondentes, emergiram as dimensões abordadas nesse estudo, as quais foram denominadas de macro processuais, a saber: histórico-legal, sociocultural, política e econômica. As categorias foram então tratadas à luz destas dimensões a partir da análise compreensiva e interpretativa dos discursos (SILVA, 2010).
Em seguida, era necessária a definição de dimensões micro processuais. Estas foram então identificadas a partir de elementos que emergiram da pesquisa exploratória aliados às leituras e reflexões sobre a abordagem experiencial da aprendizagem, que foi a teoria de base adotada nesta tese. Assim, foram delimitadas quatro dimensões micro para a composição do sistema de aprendizagem: ambiente de aprendizagem, prática reflexiva, saberes teóricos e metodológicos, e experiências profissionais e sociais.