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Baseline discussion on BITs and treaty provisions impact on FDI

Como uma atividade criativa, o jornalismo desde há muito tem convivido, periodicamente, com o surgimento de plataformas, modelos e modos diferenciados para a elaboração de produtos e para a forma como são compostos e apresentados os conteúdos jornalísticos. No processo de expansão desencadeado a partir do século XIX, a tecnologia sempre foi um fator preponderante para o aprimoramento dos procedimentos da produção jornalística, do trabalho dos profissionais, da oferta informativa, dos modelos dos produtos e dos formatos dos conteúdos, assim como permitiu vencer distâncias para que a velocidade de circulação das notícias pudesse superar barreiras geográficas e temporais e chegar até o público, satisfazendo as necessidades de informação da sociedade. Ao lado disso, evoluíram também os meios e as diferentes modalidades de jornalismo: da imprensa ao cinema, do rádio à televisão, até à internet e à web, na qual despontou a modalidade do jornalismo digital, também conhecida pelas terminologias jornalismo online, webjornalismo, e ciberjornalismo.

Tais nomenclaturas, desde a década de 90, vêm auxiliando na demarcação de um novo tipo de jornalismo, em um ambiente igualmente novo para publicar e fazer circular suas informações sem limitações de tempo e espaço, tirando

7) Relacionadas à necessária mudança de mentalidade dos profissionais para trabalhar em ambientes integrados multimídia, à formação adequada e continuada para atuar neste entorno, à remuneração compatível com as exigências do trabalho multiplataforma que acarreta em aumento da carga horária dos profissionais, à regulação dos direitos de autor, à dicotomia velocidade na publicação de informações x qualidade, à redução de postos de trabalho, entre outras.

partido das propriedades da atualização contínua, da hipertextualidade, da interatividade, da multimidialidade, da personalização, da memória (Mielniczuk, 2003; Palacios, 2003). Em quase 20 anos, os estudos de investigadores de várias partes do mundo têm colaborado para a compreensão da então chamada nova modalidade, com a formulação de conceitos, categorias, definições operacionais, identificação de propriedades, padrões de referência, avaliação dos impactos trazidos para os processos, para as rotinas profissionais e para os modelos de negócios das empresas informativas, bem como equacionando os desafios colocados para entendê-la à luz das teorias do jornalismo.

Guiada por características e classificações estabelecidas para se entender melhor os estágios de desenvolvimento do jornalismo nas redes digitais, desde o ponto de vista da produção de conteúdos (delimitado em três ciclos ou fases de evolução por Pavlik, 20018), assim como dos processos de disseminação de

informações a partir da tecnologia do videotexto (considerando as três ondas propostas por Pryor, 20029) e, principalmente, da trajetória dos produtos

jornalísticos na web desde os anos 90 (a partir das três gerações identificadas por Mielniczuk, 200310), chegamos à definição de um terceiro e de um quarto

8) Pavlik pensa fases de evolução do jornalismo na web percebendo o momento inicial como de reprodução, o segundo com os jornalistas já utilizando recursos como o link para compor conteúdos originais e, o terceiro, como aquele momento do jornalismo contextualizado, no qual se experimenta novas formas de storytelling.

9) A primeira onda começaria em 1982; a segunda, em 1993, com a web e os primeiros provedores de acesso disponibilizando informações e a terceira, em 2001, marcada pelo maior desenvolvimento, especialização e sofisticação tanto por parte das empresas, da tecnologia disponível, como das equipes profissionais.

10) Primeira geração: a fase da transposição, reprodução de conteúdos ou, como classificou Steven Holtzman (1997), repurposing; segunda geração, fase da metáfora, na qual o jornal impresso é o modelo para os sites web; e terceira geração ou fase do webjornalismo, na qual se estabelece a atualização contínua, a hipertextualidade com o recurso do link começa a aparecer nas narrativas jornalísticas, combinada aos recursos de áudio, vídeo, imagens em 360º, fóruns e enquetes deflagrando a interatividade, a disponibilização dos arquivos potencializando a memória, além das possibilidades de personalização da informação. Embora a autora tenha empregado webjornalismo como terminologia referente a esta terceira etapa, preferimos jornalismo digital de terceira geração por considerá-la mais abrangente, englobando os produtos jornalísticos na web, bem como os recursos e tecnologias disponíveis utilizados para a disseminação dessa produção potencialmente para outros dispositivos, entre eles, os móveis. Vale notar que essas fases não são excludentes entre si, nem são estanques no tempo.

estágios, conforme apresentado em trabalhos anteriores (Barbosa, 2007, 2008, 2009) e cujas características estão compiladas no quadro à página 42.

Para o terceiro e quarto estágios, indicamos as bases de dados (BDs) como elementos estruturantes da atividade jornalística em suas dimensões de pré- produção, produção, disponibilização/circulação, consumo e pós-produção, além de aspecto-chave para a construção de sites jornalísticos gerando um padrão dinâmico, em contraposição ao anterior, estático, que havia marcado etapas anteriores. Por isso, verificamos a conformação de um modelo próprio, o Paradigma Jornalismo Digital em Base de Dados (JDBD), que vem expandindo- se em sucessivas apropriações edemarcando distinções para os meios operando segundo a lógica multiplataforma e como agentes singulares no processo de convergência.

O Paradigma JDBD é conceituado como sendo o modelo que tem as bases de dados como definidoras da estrutura e da organização, bem como da composição e da apresentação dos conteúdos de natureza jornalística, de acordo com

funcionalidades e categorias específicas, que também vão permitir a criação,

a manutenção, a atualização, a disponibilização, a publicação, a circulação e recirculação dos conteúdos jornalísticos em multiplataformas (Barbosa, 2007, 2008, 2009; Barbosa, Torres, 2012).

Entre as mais de 20 funcionalidades sistematizadas (ibidem, 2007; 2008; 2009a), destacamos: Indexar e classificar as peças informativas e os objetos multimídia; Integrar os processos de apuração, composição e edição dos conteúdos; Integrar distintas plataformas; Gerenciar o fluxo de informação e o conhecimento nas redações; Garantir a flexibilidade combinatória e o relacionamento entre os conteúdos; Agilizar a produção de conteúdos, em particular os de tipo multimídia; Transmitir e gerar informação para dispositivos móveis, como computadores de mão, iPods, celulares e, mais recentemente,

smartphones e tablets. Quanto às categorias expressivas do modelo, temos

a Dinamicidade como aquela que permite às demais – Automatização, Flexibilidade, Inter-relacionamento/Hiperlinkagem, Densidade informativa, Diversidade temática, Visualização, Convergência – adquirir representatividade.

Examinando aprimoramentos, extensibilidades e potencializações para este modelo (o que se caracteriza como longitudinal study), com os devidos

cotejamentos entre o referencial teórico-conceitual do jornalismo (McAdams, 1995; Fidler, 1997; Pavlik, 2001; Palacios, 2003; Mielniczuk, 2003; Firmino da Silva, 2009; Machado, 2010; Meyer, 2010; Smith, 2010; Díaz Noci, 2010; García, 2012; Canavilhas, 2012; Palacios, Cunha, 2012); da convergência jornalística (Gordon, 2003; Dailey et al, 2003; Appelgren, 2004; Quinn, 2005, 2006; Lawson-Borders, 2006; Dupagne, Garrison, 2006; Domingo et al, 2007; López García, Pereira Fariña, 2010; Salaverría, García Avilés, Masip, 2008, 2010; Salaverría, Negredo, 2008; Erdal, 2011), dos novos meios (Holtzman, 1997; Bolter & Grusin, 2000; Manovich, 2001; Jenkins, 2004, 2008; Scolari et al, 2009; Scolari, 2012; Grusin, 2010; Murray, 2012), do campo da Internet das Coisas – IoT11 – (Kranenburg et al, 2011) e da Teoria Ator-Rede – TAR12

(Latour, 1994, 1998, 2012), avaliamos ser pertinente indicá-lo como Paradigma Jornalismo em Base de Dados, não mais com o realce para o ‘digital’ que anteriormente foi necessário, justamente em função dos parâmetros descritos no tópico anterior, seguindo a categoria da medialidade.

Assim, o Paradigma Jornalismo em Base de Dados é balizador para inferirmos a existência de uma quinta geração de desenvolvimento para o jornalismo nas redes digitais. Os traços constitutivos incluem a própria medialidade, a horizontalidade como marca para o processamento dos fluxos de informações por entre as distintas plataformas (impresso, pdf/page flip, web, operações mobile:

smartphones, tablets, redes sociais), com integração de processos e produtos no continuum multimídia dinâmico.

11) Infraestrutura de rede global com capacidade de autoconfiguração baseada em protocolos de comunicação interoperacionais que conectam coisas, artefatos, a bases de dados e a indivíduos, utilizando interfaces inteligentes integradas às redes telemáticas. Relaciona-se com a chamada era do “big data”, da revolução industrial do dado, na qual amplia-se de modo crescente a quantidade de informações geradas e coletadas diariamente a partir do uso das tecnologias.

12) Quebra as diferenças entre humanos e não-humanos (objetos, tecnologias), entendo-os como actantes (atuantes) em uma rede singular de relacionamentos. A partir dessa perspectiva, pode-se considerar os meios como objetos no mundo e, seguindo Scolari (2012, p. 210), entender que as interações processadas no ambiente dos meios envolve profissionais, estratégias, gerentes, conteúdos, consumidores, e tecnologias.

O quadro, a seguir, resume os traços característicos desta quinta geração, expostos em conjunto com aqueles demarcadores do terceiro e do quarto estágios.

Quadro: Caracterização de estágios de evolução do jornalismo em redes digitais. Fonte: elaboração própria

Neste contexto, as mídias móveis, especialmente smartphones e tablets, são os novos agentes que reconfiguram a produção, a publicação, a distribuição, a circulação, a recirculação, o consumo e a recepção de conteúdos jornalísticos em multiplataformas. As mídias móveis são também propulsoras de um novo ciclo de inovação, no qual surgem os produtos aplicativos (apps) jornalísticos para tablets e smartphones. Dentre eles, destacam-se como potencialmente mais inovadores aqueles que denominamos autóctones, ou seja, aplicações criadas de forma nativa com material exclusivo e tratamento diferenciado (Barbosa, Firmino da Silva, Nogueira, 2012).

Figura 1 – Telas de entrada de aplicativos jornalísticos para tablets Fonte: captura de telas iPad

Os aplicativos autóctones são originalmente desenhados, criados, editados por equipes específicas, segundo affordances, isto é propriedades, a exemplo da tactilidade (Palacios, Cunha, 2012), atributos do design para tablets (García, 2012), e com emprego de recursos diferenciais para a composição de conteúdos. Ou seja, vão além daqueles aplicativos compostos com materiais compilados das edições impressas e dos sites web, os quais, por enquanto, existem como padrão mais comum, configurando a transposição 2.0. Como agentes de inovação, renovação e de reconfiguração para o jornalismo no atual contexto da convergência jornalística, as mídias móveis possuem gramática própria, práticas de produção, dinâmicas de consumo e modelos de negócio específicos. Com as mídias móveis, surge também o fenômeno da appification – que está influenciando o design de sites web, como se pode verificar no redesenho do

USA Today13, por exemplo, e no que conformará o novo site do The New York

Times14.

13) Em: http://www.usatoday.com/

Cabe, ainda, pontuar que a delimitação da quinta geração é feita levando em conta o conceito de remediation, representação de um meio em outro (Bolter e Grusin, 2000). Isso significa o reconhecimento do meio anterior, da sua linguagem e da sua representação social para se estabelecer um novo meio em um novo suporte. Entendendo, porém, que as diferenciações operadas mais fortemente pelo meio digital na reformulação dos antigos ou tradicionais podem ser mais agressivas – gerando a remediação agressiva – e produzindo descontinuidades (ibidem, 2000, p. 46-47) e rupturas além de potencializações, assinalamos uma situação que aponta para estágios de ‘pós-remediação’ nesta quinta fase de evolução do jornalismo nas redes digitais. Nesse sentido, a hipermediação que foi proposta como uma das lógicas do processo de remediação – ao lado da imediação –, atualmente está mais para a multiplicação dos meios e para a proliferação dos artefatos a eles relacionados, segundo aponta Grusin (Gonçalves, 2010, p.159). Essa constatação, para nós, coincide com a intensificação multiplaforma, a noção do continuum multimídia, e a emergência dos diversos aplicativos jornalísticos para smartphones e tablets, dispositivos principais da mobilidade.