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6. MAKROTILSYN OG BASEL 3- FORSLAG TIL NY REGULERING

6.2 BASEL 3

Para terminar. – A filosofia, segundo a única maneira pela qual ela ainda pode ser assumida responsavelmente em face do desespero, seria a tentativa de considerar todas as coisas tais como elas se apresentariam a partir de si mesmas do ponto de vista da redenção. O conhecimento não em outra luz além daquela que, a partir da redenção, dirige seus raios sobre o mundo: tudo o mais exaure-se na reconstrução e permanece uma parte da técnica. Seria produzir perspectivas nas quais o mundo analogamente se desloque, se estranhe, revelando suas fissuras e fendas, tal como um dia, indigente e deformado, aparecerá na luz messiânica. Obter tais perspectivas sem arbítrio nem violência, a partir tão-somente do contato com os objetos, é a única coisa que importa para o pensamento. É a coisa mais simples de todas, porque a situação clama irrecusavelmente por esse conhecimento, mais ainda, porque a perfeita negatividade, uma vez encarada face a face, se consolida na escrita invertida de seu contrário. Mas é também o inteiramente impossível, porquanto pressupõe um ponto de vista afastado – ainda que só um pouquinho – do círculo mágico da existência, ao passo que todo conhecimento possível não só deve ser extorquido do que existe, de modo a chegar a ser obrigatório, mas se vê por isso mesmo marcado pela mesma deformação e pela mesma indigência a que pretende se subtrair. Quanto maior é a paixão com que o pensamento se fecha contra seu condicionamento por amor ao incondicionado, tanto mais inconsciente, e por isso mais fatal, é o modo pelo qual ele fica entregue ao mundo. Até mesmo sua própria impossibilidade tem que ser por ele compreendida, a bem da possibilidade. Mas, diante da exigência que a ele se coloca, a própria pergunta pela realidade ou irrealidade da redenção é quase que indiferente. (ADORNO, 1993, p. 215-216).

Com estas pequenas considerações finais, pretendo retomar brevemente a minha posição sobre a pedagogia das competências e sua relação com a formação de professores por intermédio da política educacional brasileira via produção normativa.

Assumindo a concepção de Adorno de formação, ancorada no postulado kantiano de que a educação teria como principal função libertar os indivíduos de um “estado de tutelação” que termina por naturalizar grandes atrocidades históricas caracterizadas, sobretudo, pela espoliação do ser humano sobre o próprio ser humano, defendemos um processo de ensino-aprendizagem que permita o estabelecimento de uma tensa relação entre

o caráter adaptativo e autônomo do indivíduo com relação à sociedade que os espera. Eis aqui, nosso objetivo.

Tomando esta concepção formativa como pressuposto para a análise da pedagogia das competências, não somos totalmente contrários ao pensamento de que a escola necessita oferecer à sua clientela, um preparo, pelo menos, mínimo, para a inserção destes sujeitos no trabalho, mas a questão que se levanta é a de se discutir qual a melhor maneira de estabelecer tal processo de modo que os sujeitos não sejam expropriados da faculdade de se auto-determinarem por meio de um processo mecanizado em que tanto as práticas procedimentais exigidas no trabalho como a própria maneira de pensar e de se comportar dos sujeitos – o que agrava ainda mais este atual quadro patológico – sejam estereotipadas de modo que os trabalhadores percam a oportunidade de se individualizarem enquanto singulares seres humanos que são.

Debruçando o nosso “olhar” somente para uma parte específica destes trabalhadores – os professores que atuam na educação básica, especificamente os que trabalham com os primeiros anos deste processo de escolarização da nossa rede pública de ensino – percebemos que a pedagogia das competências tem sido a teoria defendida para se alcançar este processo adaptativo e ao mesmo tempo autônomo destes profissionais no desempenho do seu ofício no capitalismo flexível. Porém, este trabalho buscou investigar se esta seria uma constatação verdadeira, visto que o papel da filosofia é tecer juízos acerca da realidade.

Optamos por “mapear” esta realidade em três grandes eixos neste trabalho – somente para uma apresentação mais clara e didática, pois julgamos que não podem ser compreendidos como a mera soma de suas partes, mas sim, devem ser entendidos nas suas relações, ora de afirmação, ora de negação. Realizada esta breve justificação, elencamos esses três grandes eixos de análise:

1. a análise da teoria que fundamenta a pedagogia das competências de Perrenoud,

2. a análise da apropriação da política educacional brasileira da pedagogia das competências para a formação de professores da educação básica,

3. a análise dos slogans construídos e suas contradições, tanto pela teoria da pedagogia das competências como pela política educacional brasileira.

Propondo-nos a esta investigação chegamos às seguintes constatações já abordadas durante o trabalho:

• A teoria que fundamenta a Pedagogia das competências seria funcionalista defendendo uma educação para a homogeneidade e não para a heterogeneidade como sua proposta pedagógica defende. Esta diferenciação só se efetiva superficialmente no que diz respeito às futuras funções outorgadas a esses indivíduos no seu grupo de trabalho “florida” pelo discurso autoritário do multiculturalismo.

• Rememorando o tecnicismo presente na formação de professores da década de 70 e analisando a teoria que embasa a Pedagogia das Competências fortemente veiculada a partir da década de 90 efetuamos a seguinte afirmação: o tecnicismo presente na formação do docente na década de 70 seria uma concepção de educação que estaria sendo revigorada com a pedagogia das competências, entretanto, com um discurso que busca “camuflar” esta intencionalidade. O fato é que o tecnicismo presente nos anos 90 apresenta-se de maneira implícita, camuflada por um discurso que valoriza o professor ao mesmo tempo em que esvazia o seu processo formativo, ao passo que o tecnicismo presente nos anos 70 era apresentado para os professores de maneira explícita e direta e, portanto, oferecia maiores oportunidades de defesa desta classe, permitindo com maior facilidade que durante os anos 80 existisse um movimento quase que unânime da academia em realizar a denúncia desta fragmentação de formação que sofriam os professores - posição atualmente, não unânime.

• A pedagogia das competências se auto-anuncia como a proposta pedagógica que consegue eliminar a dicotomia existente entre a teoria e a prática no processo formativo dos professores, mas o que