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Religion, livssyn og kulturell identitet

2 Hoveddel

2.1 Analyse av foreldrenes rett til å bestemme i spørsmål som gjelder barnet etter

2.1.2 Religion, livssyn og kulturell identitet

Para compreender melhor as posturas e condutas presentes em nosso campo de análise, recorremos à noção de habitus, que, segundo Bourdieu, tratam-se de disposições específicas dotadas de uma dinâmica histórica igualmente específica. Para a sua compreensão o autor resgata a noção aristotélica de hexis, convertida em habitus pela escolástica, através da qual o autor vê a possibilidade de rompimento com o estruturalismo, que possui uma filosofia acerca da ação que reduz o agente ao papel de suporte da estrutura. Neste sentido, o habitus é um conjunto de disposições incorporadas, a partir do qual Bourdieu procurara evidenciar as “capacidades criadoras, activas, inventivas” dos agentes e do próprio habitus, e cujo “[...] poder gerador não é o de um espírito universal, de uma natureza ou de uma razão humana”, e sim é um “[...] conhecimento adquirido e também um haver, um capital” (BOURDIEU, 1989, p. 61). É importante mostrar que Bourdieu destaca dentro de sua compreensão sobre o habitus que há aspectos nas condutas dos agentes que não são previsíveis, como se fosse uma espécie de improvisação em um jogo no qual se conhecem as regras e os seus sentidos.

Considerando que os conflitos exigem posturas e tomadas de decisão, esta noção constitui um ponto chave em nossa análise, já que, com base nesta orientação teórico- metodológica, poderemos analisar as construções estratégicas dos agentes no campo a partir deste olhar. Consideramos aqui que a formação das estratégias presentes no habitus emergem, também, no próprio ensinamento possibilitado pelas divergências existentes no campo.

A retomada deste conceito por Bourdieu, segundo o próprio autor, é importante, pois, possibilita recuperar algumas dimensões do sujeito perdidas no estruturalismo, sem cair na “velha filosofia do sujeito ou da consciência, a da economia clássica e do seu homo

economicus” (BOURDIEU, 1989, p. 61). As dimensões importantes e que devem ser

consideradas, segundo o autor, são: a dimensão individual, a dimensão simbólica dos fenômenos sociais e a dimensão da interação dos agentes com os processos ligados à realidade social, não sendo o agente, portanto, apenas o resultado de um conjunto de determinações dadas pela estrutura.

O habitus consiste também em uma apreensão diferenciada dos processos históricos, pois, entendemos, segundo Bourdieu, que os diferentes agentes inseridos no campo não possuem a mesma igualdade no jogo, e possuem, portanto, distintas formações de habitus, que é a história no seu estado incorporado, dotada de um dinamismo possibilitado pela própria experiência dos agentes. Ressalta-se que todos os agentes que compõem um campo estão dispostos em hierarquias de posições, que junto com as tradições, instituições e a história, constituem a estrutura objetiva do campo, que permite a estes agentes atuar de acordo com esta estrutura objetiva, cada um na luta pela obtenção ou manutenção de determinados postos. O haver e o capital indicados pelo habitus variam de campo para campo e todas as lutas internas em um campo sinalizam para a posse ou distribuição de um capital específico a ele:

O capital específico ao campo é desigualmente distribuído e acumulado, o que motiva os agentes que buscam a sua posse na elaboração de estratégias de luta. Os agentes que monopolizam a autoridade específica ao campo tendem a organizar estratégias de conservação, em oposição aos novatos, que, detentores de menos capital, procuram subverter a dominação, articulando estratégias de subversão (ARAÚJO et al, 2009, p.36).

Isto aponta para os processos de dominação referentes a determinados campos, cujos lucros podem ser tanto tangíveis quanto simbólicos, ou seja, os lucros podem estar subvertidos na própria manutenção ou ampliação da dominação.

A importância de ter tudo isso em vista, é que, no momento de operar as ferramentas para o entendimento as estratégias de luta constituídas dentro do campo de conflitos relativo ao projeto hidrelétrico de Belo Monte, buscamos entender a ação dos agentes sociais, quais conteúdos manipulam, de que maneira operam em relação à oposição sofrida pelo projeto, e em que estão sublinhadas as estratégias de superação desta oposição. Isto implica buscar, sobretudo, como indica Bourdieu:

[...] a intenção objetiva escondida por debaixo da intenção declarada, o querer-dizer que é denunciado no que ela declara. E supõe que nela se enuncia um sentido profundo, uma pulsão expressiva, biológica ou social que a alquimia da forma imposta pela necessidade social do campo tende a tornar irreconhecível, sobretudo, obrigando a pulsão a negar-se e a universaliza-se (BOURDIEU, 1989, p. 73).

Neste contexto, é importante também destacar o conceito de Weber (1991) sobre ação e ação social. A primeira é definida pelo autor como “[...] um comportamento humano (tanto faz tratar-se de um fazer externo ou interno, de omitir ou permitir) sempre que e na medida em que o agente ou os agentes o relacionem com um sentido subjetivo” (WEBER, 1991, p. 3). Por sua vez, a ação social “[...] significa uma ação que, quanto a seu sentido visado pelo agente ou os agentes, se refere ao comportamento de outros, orientando-se por este em seu curso” (WEBER, 1991, p. 3). A orientação através do comportamento dos outros é o que, basicamente diferencia a primeira da segunda, onde Weber entende que nem mesmo toda ação externa pode ser considerada ação social, uma vez que esta pode estar orientada por uma expectativa de determinados objetos materiais. Segundo Weber, a ação social pode ser determinada:

1) De modo racional referente a fins: por expectativas quanto ao comportamento de objetos de mundo exterior e de outras pessoas, utilizando essas expectativas como “condições” ou “meios” para alcançar fins próprios, ponderados e perseguidos racionalmente, como sucesso; 2) de modo racional referente a valores: pela crença consciente no valor – ético, estético, religioso ou qualquer que seja sua interpretação – absoluto e inerente a determinado comportamento como tal, independentemente do resultado; 3) de modo afetivo, especialmente emocional: por afetos ou estados emocionais atuais; 4) de modo tradicional: por costume arraigado (WEBER, 1991, p. 15, grifos do autor).

As estratégias circulam no campo das ações sociais, pois são, segundo Chayanov (1974) o conjunto de ações pensadas e planejadas para se chegar a determinados objetivos. Trata-se de planejar o “jogo” e seus movimentos de acordo com o movimento dos demais elementos presentes no campo. Segundo Bourdieu (1990 apud Noronha e Rocha, 2007), a noção de estratégia é importante, pois está intimamente ligada à noção de habitus, uma vez que este orienta as ações sociais, onde as estratégias tornam os homens capazes de subverter as normas vigentes de uma configuração social (NORONHA; ROCHA, 2007).

Fazendo referência sobre as relações sociais estabelecidas entre campos e/ou no interior dos mesmos enquanto uma ação social particularmente orientada em razão de seu conteúdo de sentido no contexto de uma pluralidade de agentes que toma como base esta referência (WEBER, 1991, p. 16), destacamos as estratégias que emergem destas relações sociais, cujos sentidos influenciarão todo o campo. Tendo isto em vista, Weber afirma que é importante ressaltar que o conteúdo do sentido presente em determinada relação social não é

estática, pressupondo mudanças e novos arranjos, como por exemplo, o sentido da solidariedade alternar-se para uma colisão de interesses no interior de uma relação política (WEBER, 1991), mesmo que estas relações sejam de conflito ou comunitárias.

No contexto das relações sociais e de seus conteúdos de sentido, existe um elemento sobre o qual também é necessário discorrer. Trata-se da relação de poder compreendida como um fator determinante nas ações sociais dos agentes no campo. Segundo Weber (1991, p. 33), o poder significa “toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, seja qual for o fundamento dessa probabilidade”. A compreensão de Foucault (1979) amplia esta noção, pois este autor entende o poder como algo que, de fato, “[...] permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso” (FOUCAULT, 1979, p. 8). Ressaltamos, no contexto das relações de força, novamente, os desenvolvimentos estratégicos e as táticas. Reforça-se o que Foucault afirma sobre o poder na dimensão do Estado, pois segundo o autor, muito embora o Estado represente o poder central, este poder pode estar atribuído a outras formas, que se relacionam necessariamente com o Estado na sua própria manutenção.

Vale acrescentar que, para Bourdieu, o poder pode ser mantido pelo fato de que a sua própria constituição se dá tanto em função daqueles que estão a ele submetidos quanto da crença existente por parte daqueles que o exercem. Neste sentido, o autor afirma a existência de um poder simbólico, que “é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem” (BOURDIEU, 1989, p. 8), e que caracteriza os processos de dominação. Detalhando o que Weber discorre sobre a noção de dominação, temos que esta consiste na “[...] probabilidade de encontrar obediência para ordens específicas (ou todas) dentro de um determinado grupo de pessoas”, baseando-se nos mais diversos motivos de submissão, “[...] desde o hábito inconsciente até considerações puramente racionais, referindo-se a fins”. Weber destaca que a dominação será possibilitada pela constante busca da legitimação dos conteúdos referentes à determinada ordem vigente. A isto, Bourdieu denomina Eficácia Simbólica, que é o que parte da acumulação do capital para a subordinação. A eficácia simbólica só ocorre quando há uma subordinação, onde a relação de dominação possui, necessariamente, dominantes e conteúdos dominantes, além dos subordinados. Destaca-se, aqui, que o processo de dominação depende de certos níveis de “[...] vontade de obedecer, isto é, de interesse (externo ou interno) na obediência”. Neste contexto, ocorre uma operação pela qual as ideologias irão servir a interesses particulares apresentados como se fossem interesses universais:

A cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante [...]; para a integração fictícia da sociedade no seu conjunto, portanto à desmobilização (falsa consciência) das classes dominadas; para a legitimação da ordem estabelecida por meio do estabelecimento das distinções (hierarquias) e para a legitimação dessas distinções (BOURDIEU, 1989, p. 10).

No caso do problema analisado, estes “interesses universais” são lançados através de diversos mecanismos e tem, nos discursos do desenvolvimento que prevalecem na fala dos agentes do campo político, um de seus principais suportes. A necessidade de energia para suportar o crescimento econômico do país e a expansão de um modelo baseado na industrialização e na urbanização vem no bojo destes “interesses universais”, cujos padrões são impostos pelo mercado globalizado, seguindo uma racionalidade de informação e eficiência tecnológica (CASTRO; RODRIGUES, 2004) da qual a Amazônia não está excluída. É por meio de uma serie de formulações estratégicas que determinados conteúdos prevalecem sobre os outros, com efetivo grau de eficácia simbólica, de maneira que se permita a própria reprodução de uma ordem, que acarreta na continuidade de um modelo de desenvolvimento que há muito vem sendo questionado, sobretudo na heterogênea realidade amazônica. Assim, notamos como a mentalidade do campo econômico perpassa as dimensões do Estado, levando-se à crença sobre uma necessidade de avançar o desenvolvimento com base no capital econômico pertencente a este campo. Neste sentido, o Estado possibilita este avanço dotando o território da infraestrutura a qual é necessária para este “desenvolvimento”, e tem, por sua vez, um reforço cada vez maior por parte do campo econômico para a manutenção de posições na constituição de determinadas condições de poder.