5 Drøfting
5.2 Barnegrupper – aldershomogene og aldersblandede grupper
A definição da QV não tem consenso entre os autores, daí a grande variedade de definições. A mais aceite advém da Organização Mundial de Saúde (OMS), que postula que a QV é a “perceção do indivíduo sobre a sua posição na vida dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (WHOQOL-Group, 1994, p.28). Trata-se de um conceito de natureza intrínseca de avaliação estritamente individual, contextualizada no meio físico, cultural e social da pessoa (WHOQOL-Group, 1998).
Em termos históricos, já em meados de 1970, Campbel (1976) tentava explicitar as dificuldades que cercavam o conceito da QV, conceitualizando-a como uma vaga e etérea entidade. Há indícios de que a tentativa de conceitualização já vem desde os anos de 1930. Em 1990, os vários estudos fizeram uma avaliação global de todas as definições anteriores e definiram como válidas quatro tipos de definições: definição global, definição com base em componentes, definição localizada e definição combinada. A definição global tratar-se-ia das definições muito gerais que iam aparecendo na literatura médica, centradas na satisfação e insatisfação da vida, no geral. A definição com base em componentes surgiu na década de 1980, visando fracionar o conceito de QV em componentes, de forma a operacionalizar o conceito em termos empíricos. A definição localizada diz respeito a áreas específicas (ex.: trabalho e saúde), para designar a QV nestes vários contextos, utilizando instrumentos de avaliação global e fatorial (Seldl & Zannon, 2004).
Aqui importa incidir sobre a QV na área da saúde, e ainda mais especificamente, nas patologias avaliadas neste trabalho. Seguidamente será explicitado o que a literatura revela sobre a perceção de QV nos cancros da mama e ginecológico.
1.1.2. Cancro e Qualidade de vida
No cancro da mama, a QV tem um impacto muito significativo, assim como o funcionamento psicossocial da paciente com esta patologia (Hewitt, Herdman & Holland, 2004). Afeta igualmente o ajustamento psicológico, bem-estar emocional e social, imagem corporal, sexualidade e capacidade física (Moreira & Canavarro, 2010; Thornton & Perez, 2007; Duarte & Andrade, 2003). Cantinelli, Camacho, Smaletz, Gonsales, Braguittoni & Rennó (2006)
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corroboram que a QV depende de vários fatores tais como a idade, o nível socioeconómico, o estágio da doença, o processo de tratamento, o contexto familiar, a relação marital, a perspetiva de futuro, entre outros.
Apesar de a literatura não demonstrar consenso sobre a influência dos tratamentos na QV da mulher com cancro da mama, o estudo de Lotti, Barra, Dias e Makluf (2008) foi claro em descobrir que existe influência negativa na perceção de QV dessas mulheres, relativamente aos tratamentos de mastectomia, quimioterapia e radioterapia. Dos sintomas adversos decorrentes dos tratamentos, referem ainda a presença de fadiga, depressão e sintomas da mama e ombro; e também a menopausa.
No processo de adaptação ao cancro da mama, a forma como as mulheres enfrentam cada fase da doença é concomitante com uma melhor ou pior perceção de QV durante o processo. A literatura tem divulgado sistematicamente que existe uma forte associação entre as estratégias de coping e a adaptação à doença crónica (Franscisco, Carvalho & Batista, 2008; Varela & Leal, 2007; Maes, Leventhal & Ridder, 1996; Gandini, 1995). Também a forma como o grupo social perceciona a doença e a evolução dos tratamentos do paciente com cancro, influencia na escolha dos recursos internos usados pela paciente para enfrentar a situação (Nucci, 2003).
O objetivo do estudo de Patrão, Leal e Maroco (2012) foi investigar o impacto de momentos de stress significativo no ciclo psico-oncológico (diagnóstico, cirurgia e tratamentos). As 360 participantes diagnosticadas com cancro da mama foram avaliadas em 3 ocasiões diferentes, tendo-se em consideração as variáveis distress, controlo emocional, neuroticismo, suporte social, coping, QV e características sociodemográficas e clínicas. Foram utilizados os métodos de Equações Estruturais para analisar as relações entre as variáveis. Os resultados revelaram que a resposta emocional, cognitiva e da perceção de QV, sofreram mudanças significativas em cada um dos momentos. Além disso, os resultados indicaram que uma resposta emocional adaptada está associada a uma estratégia de coping eficaz para redução dos níveis de distress e aumento da perceção de bem-estar (Lazarus & Folkman, 1984).
Noutro estudo, Silva, Bettencourt, Moreira e Canavarro (2011) analisaram e compararam a perceção de mulheres com cancro da mama em relação à perceção de QV em distintas fases da doença, tendo em conta o papel das variáveis sociodemográficas, clínicas e de estratégias de coping na perceção de QV, enquanto fatores de risco ou protetores. Os resultados mais relevantes indicaram que durante a fase de tratamento a perceção de QV sofre compromisso significativo; o nível de escolaridade elevado revelou-se favorável tanto para uma perceção positiva da QV como para a utilização de melhores estratégias de coping; o refúgio a uma estratégia de coping de evitamento associou-se diretamente a uma pior perceção de QV, assim como uma estratégia de coping cognitivo a uma melhor perceção de QV em todas as fases da doença.
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Moreira, Silva e Canavarro (2008) realizaram um estudo para se vir a conhecer o nível de perceção de QV e ajuste psicossocial em mulheres com cancro da mama, em duas fases da doença: diagnóstico e sobrevivência. Para isso, entrevistaram 56 mulheres sem história de cancro (população geral), 32 mulheres com diagnóstico recente e 58 mulheres sobreviventes ao cancro. Os resultados indicaram que as mulheres com diagnóstico recente apresentaram maior incidência de ansiedade, menor nível de aptidão física e baixo nível de perceção da QV comparativamente com as mulheres sobreviventes que apresentaram bom nível de perceção de QV e níveis normativos de depressão, sem se distinguirem das mulheres da população em geral.
Por sua vez, Amaral, Melo, Santos, Lôbo, Benute e Lucia (2009) ressaltaram num estudo sobre perceção de QV em mulheres mastectomizadas, que o baixo nível socioeconómico gera medo e angústias que interferem diretamente na perceção de QV, dinâmica familiar, rede socioafetiva e qualidade do tratamento. Outros resultados relevantes deste estudo remetem à presença de quadros de ansiedade e depressão, e ausência significativa desses quadros, nas participantes com perceção de QV acima da média demonstrada pelo estudo.
1.1.3. Qualidade de vida no cancro ginecológico
As terapêuticas na área da oncologia estão a dar cada vez mais relevância às medidas de avaliação na QV dos pacientes com cancro. De facto, o objetivo do tratamento não é apenas alcançar a cura, mas também diminuir os problemas associados à deterioração da QV (em termos de tratamentos e longevidade). A longevidade em termos biomédicos deixou de ser a única medida de sucesso em oncologia, expandindo-se assim para integração de aspetos globais da QV. Apesar dos resultados encontrados nos estudos sobre QV pós-cancro variarem bastante, muitos evidenciam que os sobreviventes continuam a enfrentar efeitos negativos durante e depois dos tratamentos. Entretanto, muitos estudos enfatizam uma QV positiva nessas alturas (Pinto & Pais-Ribeiro, 2006).
Um estudo de Jorge e Silva (2010) teve como objetivo avaliar a QV de mulheres portadoras de cancro ginecológico submetidas à quimioterapia antineoplásica. Para isso, os autores selecionaram cinquenta pacientes em tratamento quimioterápico e aplicaram-lhes o instrumento de avaliação de QV da Organização Mundial da Saúde-WHOQOL-bref. Os resultados indicaram que, no que toca a QV geral, o domínio mais comprometido foi o físico, enquanto o mais preservado foi o social. Todos os domínios correlacionaram-se significativamente com a QV geral. Desta forma, pode-se evidenciar que a QV das mulheres deste estudo revelou-se muito satisfatória, embora estes resultados não sejam consensuais com a maioria dos outros estudos realizados sobre este tema na área da oncologia.
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