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Já falamos anteriormente de movimento cotidiano e movimento de dança (1.1), agora vamos observar um outro nível de descrição no qual qualquer que seja o objeto da natureza, ali há movimento. Por mais rígidos que sejam os arranjos que os compõem, demore o que demorar os objetos da natureza mudam, evoluem, sofrem processos de reorganização. Podemos tentar desmontar o objeto para observar as partes constituintes de um todo ou ainda concentrar a atenção no funcionamento do objeto, de qualquer modo é o movimento que conta sobre a sua existência. Mergulhado num ambiente pleno de movimento, qual é o índice que acusa instabilidade? O que há de diferente no seu movimento que prenuncia o instável?

Esta questão está presa à idéia de organização e caos na natureza, problemas do paradigma da complexidade. Como já dissemos anteriormente, o paradigma da complexidade é o contexto em que se desenvolve este trabalho. Os pressupostos que

acompanham a descrição do processo de criação estão plantados nas recentes teorias que abordam complexidade ou, mais especificamente, sistemas de comportamento complexo.

Em seu livro Exploring C omplexity, Ilya Prigogine apresenta o seu estudo sobre complexidade observando em diferentes contextos fenômenos de transição que operam com auto-organização, o que possibilitou a interpretação física e a matematização de sistemas dinâmicos não lineares e a proposta de encontrar uma formulação coerente com este novo paradigma. Prigogine afirma que complexidade é uma idéia que faz parte da nossa experiência cotidiana e, de algum modo, está relacionada com as várias manifestações de vida. O mesmo sistema pode surgir em aspectos diferentes, evocando sucessivas impressões de “simplicidade” e “complexidade”, como acontece, por exemplo, na observação do movimento das moléculas de água e a força intermolecular entre elas e nas incríveis transformações que ocorrem submetendo este líquido a uma temperatura alguns graus abaixo de 0°C. O que parecia ser apenas um conjunto de moléculas movendo-se incoerentemente, pode também apresentar-se como um intrincado padronizado de floco de neve com a característica forma dendrítica. As mudanças de temperatura do ambiente alteraram substancialmente os modos de organização molecular.68 Como afirma Prigogine, parece ser mais natural e menos ambíguo falar de comportamento complexo, antes que falar de sistemas complexos. (1998: 6-8).

Podemos dizer que os sistemas abertos, mais ou menos complexos, de uma forma geral sobrevivem graças às trocas com o “em torno” e que esta atividade interativa pode ser conhecida pela observação de diferentes qualidades de movimentos que emergem desta circunstância. Qualquer sistema da natureza que permanece no tempo tem qualidades intrínsecas relativas a movimentos que operam com períodos de estabilidade alternados por períodos de instabilidade. A sobrevivência deste sistema está amparada basicamente nos mecanismos desenvolvidos para resolver problemas, a

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O calor do sol. Sem ele não haveria a vida do modo como a conhecemos. Dawkins (1998) comenta sobre uma classe de peixes que vivem nas profundezas sem a luz do sol e têm luz própria: isto é adaptação ao ambiente. Mecanismos de autonomia desenvolvem-se como forma de adaptação ao ambiente garantindo a permanência desta classe de peixes.

maioria deles resultado de perturbações69 que tendem a ser amortecidas no correr do tempo em diferentes escalas. Seja qual for a potencialidade cognitiva do sistema em estudo, há uma tendência a estabelecer acordos com o ambiente de modo que o sistema dura dentro da meta-estabilidade que lhe é peculiar. Isto quer dizer que cada sistema do Universo tem uma vida média dentro das possibilidades de adaptação. A todo o instante, um sistema aberto sofre transformações, modificações das intensidades das suas propriedades, o que não significa necessariamente uma ameaça à sua permanência. Cada sistema, com o seu equipamento de solução de problemas70, mantém-se no tempo lidando com as alterações de estado induzidas pelo movimento de vai e vem com o ambiente. Uma grande maioria destas alterações colabora com as necessidades inerentes à sobrevivência básica, por isso não podemos admiti-las fator de risco e sim parte do jogo evolutivo que garante a permanência. Pequenos eventos que caracterizam o processo de existir. Viver, existir, permanecer é processo. Mas este é uma azáfama que deixa marcas no espaço-tempo.

Diversos movimentos contribuem para as configurações que sinalizam como determinado sistema escreve a sua história no fluxo do tempo. Podemos criar um espaço de representação das diferenças de estado de um sistema que pode descrever a sua história (trajetórias dos seus movimentos, variações de intensidades no tempo) dentro do seu processo evolutivo. Este espaço de representação pode ser chamado de espaço histórico ou espaço de estados e admite a coleção de todos os estados possíveis que descreve a história do sistema. A matemática que revela a sua trajetória apresenta os atratores como regiões deste espaço que tendem a atrair órbitas. O atrator é uma região do espaço de estados em torno do qual o sistema transita. (Vieira, 1994). São os atratores que podem mostrar como um sistema vive a estreita alternância entre meta- estabilidade e instabilidade. São os atratores que colaboram com a possibilidade de traduzir fases de alta instabilidade reveladoras da complexidade da natureza. É a possibilidade da formação de atratores que rege o movimento do mundo das probabilidades.

69“... One that takes place by chance in a system and locally (and generally weakly) modifies some of its

properties is called perturbation”. (1998:10).

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No nosso corpo, algo como “um repositório de memórias de fatos fundamentais em uma biografia individual que pode ser parcialmente reativado, proporcionando assim uma continuidade e uma aparente permanência em nossa vida”. (Damásio, 2000: 279).

Para falar sobre meta-estabilidade e instabilidade, precisamos consultar as áreas do conhecimento que utilizam ferramentas de aferição do mundo físico na tentativa de conhecer sobre a evolução dos sistemas. Este estudo mostrou, durante muito tempo, um Universo preenchido por processos reversíveis, sistemas aptos a reverter o movimento que leva para situações de alta instabilidade.

A matemática do mundo complexo nasceu no séc. 19 com a termodinâmica. Diferente da dinâmica, que define um sistema pela posição e velocidade dos seus elementos impondo as suas trajetórias71 pelas condições iniciais, a termodinâmica dos sistemas abertos trabalha com a variação dos parâmetros macroscópicos que definem a composição e as relações de um sistema com o ambiente. Estes parâmetros – temperatura, volume, pressão, quantidade de calor e composição química – contribuem para a definição das propriedades mais gerais do sistema. A observação e a previsibilidade da evolução de um objeto imposta pela dinâmica não explica certas transformações físicas resultantes da interação do objeto com o meio. A termodinâmica encontra-se com o mundo do calor para enunciar leis de mudança de estado pela troca de calor entre objeto e meio ambiente, “... o que implica, entre outras, uma alteração das propriedades mecânicas: dilatação ou contração” (Prigogine & Stengers, 1991: 86). Este é o movimento que resulta de uma transformação intrínseca do sistema. A conversão de energia térmica em mecânica inclui dissipação, algo associado à perda ou ao que não pode ser recuperado. Esta constatação pressupõe a irreversibilidade. O sistema não será jamais o mesmo, embora em algumas situações de auto-regulação (como, por exemplo, no caso da máquina de sobrevivência animal, em que os mecanismos de regulação homeostática operam pelo mecanismo de feedback) seja possível recuperar estados similares aos anteriores. Hoje sabemos que, embora a termodinâmica tenha tentado construir modelos de sistemas em equilíbrio termodinâmico (este conceito é definido pela grandeza estatística Entropia (S)72, que mede as diferenças de estado de um sistema e que tende a atingir um valor máximo em

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As trajetórias espaço-temporais de um conjunto de pontos em interação contêm a totalidade das informações que a dinâmica reconhece como pertinentes: elas constituem a descrição completa do sistema dinâmico. Assim, toda a descrição dinâmica implica dois tipos de dados empíricos: 1. a descrição das posições e velocidades de cada um dos pontos do sistema num dado momento (que pode ser o instante inicial) e isto descreve o estado inicial e a sucessão de estados (conjunto de trajetórias) com o correr do tempo; 2. a natureza das forças dinâmicas, isto é,a aceleração que elas provocam pode ser deduzida do estado instantâneo do sistema. (Prigogine, 1991: 45).

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A função de estado S (entropia) depende apenas do valor dos parâmetros que permitem descrever o estado do sistema.

sistemas isolados, abandonados no tempo), a natureza é composta de sistemas de comportamento não linear longe do equilíbrio, sistemas que dissipam energia.

“Para conseguir um sistema em equilíbrio, é necessário protegê-lo dos fluxos que constituem a natureza, é preciso ‘pô-lo numa redoma’... No mundo que conhecemos, o equilíbrio que conhecemos é um estado precário e raro, a evolução para o equilíbrio, por seu turno, implica um mundo suficientemente afastado do sol para que o isolamento de um sistema parcial seja concebível...” (1991: 102).

Há sistemas que não gastam a energia que usam, só a transformam. Estes são os sistemas conservativos, que só existem no espaço. Na nossa atmosfera, só há sistemas dissipativos. A aventura da termodinâmica do equilíbrio constitui “... a primeira resposta dada pela física ao problema da complexidade da natureza. Essa resposta formula-se como dissipação de energia, esquecimento das condições iniciais, evolução para a desordem”. (1991:102).

Ilya Prigogine em seu livro As Leis do Caos apresenta a necessidade de uma reestruturação na descrição das leis fundamentais da natureza desde que conceitos desenvolvidos nos últimos dois séculos sobre a termodinâmica do Universo vêm revelando o papel fundamental do caos nas estratégias de permanência evolutiva. Antes do que focar as teorias do caos é importante encontrar coerência na inexistência do caos total, algo da realidade sem gramática alguma, sem algum significado; o caos ao qual atribuímos a morte pode ser entendido como mais uma crise necessária à inevitável mudança que deve ocorrer ou, dentro do rigoroso ponto de vista de Prigogine, “O caos é sempre a conseqüência de fatores de instabilidade”. (2002: 12). Um sistema instável próximo a um limiar crítico evolui para um novo regime de funcionamento muito diferente do regime que opera com altos níveis de organização.

O corpo muda no tempo. O seu estado relativamente estável pode ser entendido somente dentro de uma certa escala de tempo e com relação a uma coleção de propriedades que o definem como corpo. A alteração dos seus estados está relacionada com mudanças em seu movimento característico, em ambos os níveis, micro e macroscópico, evidenciando a formação de atratores ou a possibilidade de traçar modelos matemáticos que descrevem os seus movimentos tendendo para uma determinada região do espaço de estados (ou a coleção de todos os estados possíveis de

um sistema). A noção de estados do corpo está fundada na homeostase, o mecanismo de regulação que lida com as perturbações que desorganizam este sistema e que tem como tarefa principal alcançar uma nova organização relativamente estável a cada perturbação. O corpo humano, um sistema termodinâmico longe do equilíbrio, sofre o processo de mudança como conseqüência de fatores de instabilidade e as suas estratégias de sobrevivência constituem-se, principalmente, dos processos de organização decorrentes de processos de interações não-lineares. Ao nível microscópico, os modos estáveis dos antigos estados são dominados pelos modos instáveis. Eles determinam os parâmetros de organização que descrevem a estrutura macroscópica e modelos de sistemas. Diferentes modelos finais de estados de transições correspondem a diferentes atratores. Assim, a evolução do sistema corpo pode ser explicada pela evolução macroscópica de parâmetros de organização provocados por interações microscópicas não lineares de moléculas, células, etc, nos estados de transição longe do equilíbrio termodinâmico. Formas de sistemas biológicos (plantas, animais, etc.) são descritos pelos parâmetros de organização. Em seu livro “Thinking in Complexity”, Klaus Mainzer afirma que na estrutura do sistema complexo corpo, o cérebro é modelado como um sistema celular complexo com dinâmicas não lineares. A emergência de estados mentais (por exemplo, padrões de reconhecimento, sentimentos, pensamentos) é explicada pela evolução dos parâmetros de organização (macroscópicos) de agrupamentos cerebrais motivados por interações (microscópicas) não lineares de células neurais no aprendizado de estratégias longe do equilíbrio térmico. (1994: 107). Agrupamentos de células relativos a estados mentais são interpretadas como atratores (pontos fixos, periódicos, quasi-periódicos, ou caóticos) de estados de transição.

Trabalhar com o padrão de movimento adotado como ignição para o processo de criação amparado pela coleção de instruções já relacionadas com um ou mais grupos de alunos graduandos, foi a grande chance de observar e colher o material que, hoje, mais parece um ‘arsenal’ de complexidade dado de presente ao pesquisador que busca conhecer o corpomídia em sua função artística. Observar o mundo mental de cada um foi verificar as diversas possibilidades que cada corpo encontra para abordar questões comuns e a incrível trama que tende a ser construída cenicamente. Das muitas alterações de estados do corpo a partir de I0 surge a necessidade de compreender como a

alternância entre patamares de meta-estabilidade e instabilidade se relacionam com o padrão de movimento adotado.

O padrão de movimento, como já vimos anteriormente, é o movimento de contração (1) e relaxação (2) da musculatura pélvica associado à respiração (inspirar e expirar).

1. A contração é simultânea ao ato de expirar. Contrair, empurrar a musculatura abdominal ou pélvica aproximadamente 7 dedos abaixo do umbigo, final do osso púbis, de encontro ao osso sacro, de modo a gerar a basculação da bacia e a rotação dos ísquios (a porção dorsal inferior de cada osso ilíaco). Este processo conta com um movimento de suspensão da musculatura abdominal auxiliado pela expiração (a expulsão do ar pelos pulmões) que provoca tensões de oposição de certos grupos musculares, de tal modo que, num primeiro instante, se expandem os espaços entre os ossos da bacia (a musculatura envolvida tem a propriedade de expandir) e das vértebras formadoras da coluna vertebral na área lombar e, talvez num processo similar ao da ressonância, nos instantes seguintes, de cada uma de todas as outras articulações73.

2. A relaxação acontece simultânea ao inspirar, devolvendo o movimento da bacia à sua posição original. Isto compreende a rotação dos ísquios num movimento contrário ao da contração, ocorrendo a liberação do conjunto de músculos contraídos no abdômen que, voluntária ou involuntariamente, retomam sua posição, agora modificada em extensão. De um modo similar ao da contração, a relaxação expande em magnitude os espaços entre as vértebras e as outras articulações. Devemos esperar que os grupos musculares que envolvem este processo se mostrem modificados mediante o instante tomado como começo do experimento. É importante enfatizar que se deve entender este trabalho de contração e relaxação da musculatura abdominal associado a expirar e inspirar, como a mola propulsora de um processo que envolve todo o corpo, se inicia pelo ventre e se propaga pelo organismo, criando uma situação de expansão em diversos níveis das funções orgânicas. Devemos considerar que o termo relaxação pressupõe um sistema cujo comportamento responde às interações com o meio ambiente e

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Dispositivos orgânicos por meio dos quais permanecem em contato dois ou mais ossos, artículos. (Smith, 1971).

tende assintoticamente74 à metaestabilidade compatível com as perturbações que sofre.

Sabemos que todo o movimento animal é trabalho dos músculos. Embora tenhamos a sensação de que nossos músculos podem empurrar o chão ou qualquer outro anteparo, de fato cada músculo do nosso corpo trabalha pelo sistema de puxar. A engenharia do nosso corpo apresenta a tração (ato de deslocar ou puxar) como um empurrão. O músculo está ligado ao esqueleto, um órgão com habilidade de contrair e relaxar, voluntária ou involuntariamente, quase sempre inserido numa das extremidades de um osso por um tendão ou, mais raramente, nas duas extremidades. Cada fibra muscular pode contrair-se ou não, parece não haver meio termo, e os impulsos que estimulam este comportamento são sempre elétricos, mecânicos, térmicos e químicos. O tempo entre a chegada do estimulo à fibra e o início da contração é de dois a quatro milésimos de segundo (Smith, 1971: 519). Um músculo funciona pela conversão da energia química em energia mecânica, mas apenas 25% da energia potencial é convertida corretamente e o resto se perde em forma de calor concorrendo para elevar a temperatura de quem precisa repentinamente fazer um trabalho mais intenso. A eficiência máxima de 25% é similar à eficiência de um motor de combustão interna; este também dissipa energia transformando-a em calor. Embora os músculos operem quase sempre com a propriedade de contrair-se ou não, não podemos afirmar sobre o tempo total levado para uma contração muscular ou para contrações regulares. Parece que a maior diversidade de escalas temporais fica reservada ao coração, que pode elevar a sua potencialidade de 45 batimentos por minuto para uma aceleração 3 ou 4 vezes mais intensa, basta que o corpo necessite realizar um esforço extremado. O músculo cardíaco não é o de ritmo mais acelerado em nosso corpo; pálpebras, língua e dentes podem mover-se por vibrações musculares muito mais rápidas. O tecido muscular organiza-se desde o neonato, assim como o tecido nervoso; assim, o abastecimento de fibras de músculos está, desde cedo, hábil para o trabalho. Eis como cada fibra se expande e se mostra mais vigorosa. As fibras musculares podem ter aferidas entre um milímetro ou menos até 4 cm e seu diâmetro varia de um décimo de milímetro a um centésimo de milímetro. Um grande número de fibras individuais constitui cada músculo anatomicamente distinto;

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Liberdade assintótica é definida pela Física das Partículas como uma propriedade da cromodinâmica quântica que diz que as forças entre os quarks se tornam cada vez mais fracas à medida que a distância entre eles diminui

nosso corpo abriga cerca de 656 músculos (no mínimo o triplo da quantidade de ossos) e estes participam de uma porcentagem maior do peso dos homens do que no das mulheres.

Este conjunto de propriedades pode ser bastante útil para esperar diferentes respostas à aplicação de I0, além de abrir possibilidades para instruções específicas para cada criador dentro da série de instruções elaboradas para um grupo de criadores.

Quando especificamos a musculatura abdominal como o sistema que inicia a contração, estamos contando com uma massa de fibras contrácteis de função motora que opera entre o tórax e a bacia, esta também entendida como ventre ou pélvis (do latim, taça porque esta parte do esqueleto tem a organização sugestiva de uma taça e ocupa a região inferior do tronco, formada pelos ossos ilíacos - ossos coxais - e pelo sacrocóccix, delimitando uma ampla concavidade onde se alojam os chamados órgãos pélvicos) e de cuja atividade resultam os movimentos do corpo e das vísceras. Parece que a proposta de imprimir um estímulo voluntário à musculatura abdominal acarreta no movimento de um sistema articulado por ossos, músculos, tendões e ligamentos, que abriga outros sistemas (como o digestivo e o reprodutor) e que envolve todos os outros sistemas formadores do organismo, este sempre, de algum modo, em interação com o meio imediato.

Vamos agora descrever mais detalhadamente como este movimento abdominal é conectado com o sistema respiratório, esclarecendo a possibilidade de haver um grande número de combinações entre os ritmos provenientes da atividade muscular envolvida no processo.

Associar o movimento de contração a uma expiração é, de fato, tentar organizar qualquer expiração à possibilidade de contrair o abdômen, de modo que o tecido muscular envolvido neste processo pressione a bexiga – e aqui iniciou-se a expiração – e tente colar-se ao sacrocóccix.75 Este procedimento voluntário necessita de um esforço abdominal intenso responsável pela basculação da bacia o que, simultaneamente, detona o processo de expansão muscular no sentido ascendente, quer dizer, a contração se

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O sacrocóccix é um subsistema ósseo composto pelo sacro - um osso chato, volumoso e aproximadamente triangular situado na região posterior da pelve e formado pela fusão de 5 vértebras sacras – que se articula por cima com a ultima vértebra lombar, por baixo com o cóccix (pequeno osso que termina a coluna vertebral na parte inferior) e pelos lados com os ilíacos (cada um dos dois ossos constituídos de três partes: ílio, ísquio e púbis). (Smith, 1971).

propaga pela coluna dorsal e cervical, esgotando a possibilidade de expirar e explodindo o processo de inspiração, uma questão primeira de sobrevivência que reinicia o percurso muscular, agora dentro do entendimento de relaxação.

Por enquanto, podemos afirmar que ocorreu de fato uma expansão da musculatura de todo o corpo, talvez com maior intensidade na área que envolve a cavidade abdominal, e arriscamos afirmar que, seja qual for a intensidade respiratória, o primeiro ciclo proposto opera com uma organização do corpo onde já se pode antever