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A segunda sub teoria da TAD ilustra diferentes formas de motivação extrínseca, e o papel dos factores contextuais na promoção ou oposição da integração e internalização de comportamentos (Deci & Ryan, 1985; Vallerand; 2007).

Esta perspectiva organicista integra algumas bases teóricas de Piaget (1971), pois defende que o comportamento pode ser integrado no self ao longo do tempo o que prediz um maior desenvolvimento cognitivo. À medida que o sujeito fica mais velho, esta tendência de integração, faz com que seja mais autónomo, tenha maior poder decisivo e de controlo sob as suas acções (Niemiec, Ryan & Brown, 2008; Sheldon & Kasser, 2001).

Existem quatro princípios básicos que advêm da Teoria de Integração Organicista. Num primeiro princípio, a teoria explica que as pessoas são naturalmente mais activas do que reactivas (Sheldon et al., 2003). Ou seja, apesar de agirmos mediante contingências sociais, o ser humano é curioso por natureza, e nesse aspecto procura sempre formas alternativas de agir ou resolver problemas. A esta característica, que White (1959) denominou de sentimento de efectividade, a TAD denomina de necessidade de competência. O segundo princípio destaca, que o indivíduo consegue atingir novas formas de expressão e funcionamento devido ao seu enorme potencial adaptativo. O terceiro princípio caracteriza a vida do indivíduo em termos de ciclos mais ou menos constantes, que oscilam entre agir para alcançar um objectivo, estratégias de coping, resolução de problemas e novos desafios. Este ciclo pode ser interrompido quando por exemplo, o desafio excede as capacidades de coping do sujeito, ou quando não é estimulante para a pessoa. Nestas situações, o comportamento é cessado e não ocorre crescimento psicológico. Em contexto de saúde geralmente o desafio é encarado como uma tarefa difícil de concretizar, por esta razão deve-se ter em conta este fenómeno durante o processo terapêutico (Sheldon et al., 2003). O quarto princípio encara o sujeito como um ser holístico, em constante relação com o meio envolvente. Nesta sequência, o sujeito enfrenta uma tarefa difícil, pois tem que perceber quem é, e ao mesmo tempo relacionar-se com as diferenças do outro. De igual forma, precisa perceber as subtilezas do meio externo; se estão a ser satisfeitas as suas necessidades, ou se pelo contrário está a ser alvo de manipulação.

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Geralmente, as pessoas iniciam os comportamentos, na expectativa de ter algum ganho implícito ou explícito, por parte de terceiros. Isto sugere uma vez mais, que o suporte externo é um factor importante na internalização. Mas, contrariamente ao que é defendido pela Teoria da Avaliação Cognitiva, aqui o suporte externo é central para a compreensão da motivação intrínseca e na integração da regulação. Paralelamente, para existir uma elevada percepção de competência é necessário que a tarefa seja valorizada por terceiros, sendo igualmente importante a noção de autonomia (Niemiec et al., 2006). Num estudo realizado, verificou-se que as pessoas que manifestavam mais autonomia num contexto social eram aquelas, que expressavam maior percepção de suporte (Sheldon & Bettencourt, 2002). Assim sendo, o papel do suporte na modelação do comportamento não pode ser visto isolado, apesar de ser central (Ryan, La Guardia, Solky-Butzel, Chirkov & Kim, 2005).

Na Teoria de Integração Organicista, a motivação intrínseca não é o único tipo de motivação. Baseado no conceito de locus de causalidade, DeCharms (1968), descreve dois tipos de motivação: a motivação intrínseca e a motivação extrínseca; conceitos igualmente defendidos por Deci e Ryan (2008). De facto, a maior parte das tarefas que o sujeito executa em adulto, não são novidade nem desafiam uma motivação mais intrínseca. A maior parte das tarefas do dia-a-dia não despertam prazer, mas constituem um incentivo para obter algum tipo de recompensa, como por exemplo reconhecimento social. Estudos iniciais caracterizavam a motivação extrínseca como não autónoma (DeCharms, 1968). Contudo na TAD (Ryan & Connell, 1989; Vallerand, 2007) considera-se, que esta varia em diferentes estados de autonomia; de menos autónoma para mais autónoma (Ryan & Deci, 2006), e cada estado representa diferentes intenções comportamentais.

De acordo com esta teoria, a internalização é um processo de integração onde o sujeito transforma regulações externas em auto-regulações (Ryan & Deci, 2000; Vallerand, 2007). Contrariamente ao defendido por Bandura (1986), a internalização é um continuum e não uma entidade dicotómica entre não motivado e motivado. Quanto maior for a internalização da regulação, maior será a sua integração no self e o comportamento será mais auto-regularizado (autónomo). Isto significa, que algumas regulações podem servir como controlo

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do comportamento, pois os sujeitos conseguem internalizar regulações sem que estas integrem o self (Deci & Ryan, 2002).

Quando o sujeito não tem qualquer intenção para agir, diz-se que se encontra num estado de amotivação. Este estado traduz uma incapacidade do sujeito em prever bons resultados com a acção, possuir baixa percepção de competência e não valorizar a tarefa (Bandura, 1986; Ryan, 1995).

A seguir ao estado de amotivação temos quatro géneros de motivação extrínseca; regulação externa; regulação introjectada; regulação identificada e regulação integrada (Vallerand, 2007). Na regulação externa, os comportamentos são realizados para obter alguma forma de gratificação ou evitar a punição. Consiste na forma menos auto – motivada e tem uma percepção de locus de causalidade externa (Ryan & Deci, 2000). Numa perspectiva behaviorista, este tipo de motivação corresponde ao estudado por Skinner (1953) no condicionamento operante, ao demonstrar que a relação entre comportamento e ambiente pode ser um produto condicionado pela recompensa (Niemiec et al., 2008). A regulação externa é também saliente nos estudos de DeCharms (1968), quando este se referia à motivação extrínseca. A regulação introjectada é relativamente incorporada, mas o sujeito não sente que lhe pertence. É um tipo de motivação controlada, originada de um sentimento de obrigação, onde se tenta evitar ansiedade ou aumentar o ego sob a forma de orgulho. A introjecção representa uma contingência de auto- estima (Deci & Ryan, 1985), e nos pressupostos de Ryan (1982), este tipo de motivação foi descrito como sendo a responsável pela diminuição de motivação intrínseca. Apesar de diferentes, nalguns estudos a regulação externa e a regulação introjectada foram estudadas de forma unitária (Williams et al., 1996). A regulação pela identificação é uma forma de regulação externa mais autónoma, em que o sujeito identifica o objectivo e a regulação como importante e pessoal (Deci & Ryan, 2002; Ryan & Deci, 2006). Nesta motivação, o locus de causalidade é relativamente interno. Por fim, a regulação integrada, é a forma mais autónoma de regulação extrínseca, com total integração no self (Niemiec et al., 2008; Ryan & Connell, 1989). Isto significa que a motivação é avaliada como congruente com os valores e necessidades individuais. Por vezes associa-se esta motivação com a regulação pela identificação, numa forma autónoma de motivação (Ryan & Deci, 2000).

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Embora existam semelhanças entre a regulação integrada e a regulação intrínseca elas são divergentes, pois a primeira é impulsionada por factores externos e não pelo prazer inerente à acção, como na motivação intrínseca. Por exemplo, um sujeito obeso pode seguir a dieta prescrita pelo médico porque sabe que se não o fizer aumenta de peso e o médico repreende-o (regulação externa); porque se não seguir a dieta irá sentir-se mal consigo próprio (regulação intrínseca); ou porque sabe que seguir a dieta irá melhorar a sua saúde (regulação identificada). Nesta ultima situação, apesar de as razões estarem internalizadas pelo self, a actividade não é agradável para o sujeito, logo não é intrínseca.

A motivação intrínseca, como foi referido é o tipo de motivação mais autónoma, activada pelo prazer que a acção representa para o sujeito (Ryan & Deci, 2006). Corresponde aos pressupostos da psicologia cognitivo- comportamental de que a pessoa tem uma curiosidade inata para explorar o contexto que a rodeia, e isto contribui par o seu desenvolvimento (Sheldon et al., 2003).