3. Presentasjon av Asma Barlas
3.3. Barlas som representant for islamsk kvinneteologi
Vimos que oralidade e escuta fazem parte do mesmo eixo temático. Assim, o rádio apresenta-se como uma real possibilidade de trabalho com essas práticas na escola, pois oferece uma programação bem diversificada, proporcionando a produção e a escuta de uma variedade de programas musicais, jornalísticos, educativos, nos quais estão incluídos música, notícia, efeitos sonoros com ou sem a participação do ouvinte. Acreditamos que essa variedade de programas pode enriquecer o ensino-aprendizagem da língua materna, especialmente quando o foco é o binômio falar e ouvir.
Na época atual, as novas tecnologias estão presentes nas mídias eletrônicas e impressas, transmitindo os acontecimentos em tempo real. Não há como negar a importância dos meios de comunicação no cotidiano dos adolescentes e jovens: celular, computador, videogame, televisão, rádio que são fonte de entretenimento e informação.
A respeito das potencialidades educacionais dos meios eletrônicos, os PCN esclarecem que os suportes impressos como livros, jornais e revistas são conhecidos dos alunos, mas para a grande maioria das escolas brasileiras, os meios eletrônicos de comunicação e informação continuam sendo novidades, apesar de socialmente serem instrumentos bastante conhecidos e utilizados.
Embora existam experiências significativas no desenvolvimento de projetos com tecnologia educacional em vários estados brasileiros, o documento alerta que a potencialidade desses recursos ainda não é reconhecida pela comunidade nacional de educadores e que são muitos os fatores que contribuem para isso, dentre os quais:
O pouco conhecimento e domínio, por parte dos professores, para utilizar os recursos tecnológicos na criação de ambientes de aprendizagem significativa; a insuficiência de recursos financeiros para manutenção, atualização de equipamentos e para capacitação dos professores, e até a ausência de equipamentos em muitas escolas; e a falta de condições para utilização dos equipamentos disponíveis devido à precariedade das instalações em outras. Essa é uma realidade que precisa mudar em curto espaço de tempo, em virtude de a necessidade da escola acompanhar os processos de transformação da sociedade, atendendo às novas demandas (BRASIL, 1998, p. 142).
Diante do exposto, podemos observar que o documento se mostra favorável à utilização dos meios eletrônicos na escola, uma vez que destaca o seu grande potencial educativo para complementar e aperfeiçoar o processo de ensino-aprendizagem.
De acordo com Golim (2005), a linguagem radiofônica é marcada pela enunciação em tempo real, a sincronia entre emissão e recepção, mesmo no caso de uma gravação. A autora acrescenta que as transmissões ao vivo diminuem o distanciamento físico e temporal do discurso aproximando locutor e ouvinte e que o uso da voz é um recurso para dar vida às produções radiofônicas. Assim, a escrita em programações de rádio conta com o toque da voz
em cada sílaba, que por meio da entonação, do ritmo e da emoção que remetem a diversas possibilidades de sentidos.
A autora observa que uma escuta atenta, junto à força da imaginação, amplia a percepção do som; e essa vibração não é percebida apenas pelos ouvidos, mas pelo corpo inteiro. “A voz do locutor atua como um signo indexador, materialidade capaz de garantir identidade à cada emissora e sua programação” (GOLIM, 2005, p. 6).
Porchat (1986), afirma que a linguagem radiofônica obedece a critérios como concisão, exatidão, objetividade e simplicidade, devendo ser clara e agradável aos ouvidos. “Contar apenas com audição significa que o som deverá suprir a falta de imagem. Isto demanda uma linguagem mais do que clara, uma linguagem nítida, inconfundível, para que o ouvinte veja através das palavras” (PORCHAT, 1986, p. 89).
Nesse sentido, os PCN destacam algumas características do discurso radiofônico:
O discurso radiofônico utiliza frases curtas e diretas e a linguagem cotidiana para garantir a compreensão. As características da voz, como entonação, tom, sotaque, ênfase, rapidez, humor, ironia, exclamação, firmeza, formalidade reforçam o conteúdo da mensagem e contribuem para que a comunicação se dê de forma rápida e eficiente. (BRASIL, 1998, p. 145).
Uma peculiaridade do rádio é que este consegue estar presente em todos os lugares e momentos, visto que permite ao ouvinte realizar outras atividades simultaneamente. A linguagem radiofônica, por esse motivo, tem certas particularidades que devem ser levadas em consideração, por exemplo, a tendência ao desvio de atenção, por parte do ouvinte, e a
possibilidade de ele poder mudar de estação a qualquer momento. (GOLIM, 2005).
A autora reforça que a comunicação radiofônica oferece pistas para o exercício de uma escuta atenta aos elementos sensoriais que fazem aflorar a fantasia, a imaginação, tornando o ouvinte um sujeito, coautor daquela transmissão.
O rádio também possibilita a escuta e a fala reflexiva e crítica, pois o aluno/ouvinte pode ampliar os conhecimentos e a sensibilidade, desenvolver capacidade e habilidade de expressão oral e escrita. Portanto, com a utilização deste suporte no processo de ensino-
aprendizagem é possível propor aos educandos a elaboração/produção de programas musicais, entrevistas, noticiários, anúncios etc.
Sabemos que o rádio apresenta afinidade com o meio escolar, posto que pode proporcionar aos alunos o despertar para os acontecimentos a sua volta. Os PCN destacam que:
Esse veículo de comunicação pode ser um grande aliado no processo educacional, sendo importante aproveitar o conhecimento que ele propicia e propor trabalhos de reflexão sobre as programações, incentivando um olhar crítico. Do ponto de vista educativo, o problema não está no consumo, mas no consumo passivo de tudo que é veiculado. A partir dessa amplitude, os jovens são criticados como meros consumidores, como meros imitadores. E aqui é preciso cuidado: o que se observa é uma relação complexa, pois os jovens, ao mesmo tempo que assimilam, fazem uma reelaboração do bem cultural. (BRASIL,1998, p. 119).
Para Marcuschi (2008), o rádio pode ser suporte e meio. Suporte, pela sua relevância e por ter sido desenhado para a oralidade, um lugar de fixação. Entretanto, como emissora, estação, pode ser entendido como um serviço ou meio. “O suporte firma ou apresenta o texto para que se torne acessível de certo modo. O suporte opera como um tipo de contexto pelo seu papel de seletividade, isto é, o suporte não é neutro e o gênero não fica indiferente a ele” (MARCUSCHI, 2008, p. 176).
Baltar (2012) observa que uma rádio escolar como projeto de letramento pode funcionar como recurso de ensino-aprendizagem de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais que visam ao desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, articulando as atividades didático-pedagógicas da escola.
A concepção e a execução dos programas de rádio escolar são de responsabilidade dos alunos e dos professores e o raio de alcance de uma rádio escolar deve ser restrito aos limites da escola. Em se tratando de dar ênfase às questões interativas, sociológicas e discursivas, a rádio escolar é uma ferramenta de ensino de gêneros de textos orais e escritos, e como instrumento, ao mesmo tempo “aglutinador e catalizador” do trabalho didático pedagógico na esfera escolar que pode se configurar em uma proposta transdisciplinar de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais (BALTAR, 2012, p. 41, grifo do autor).
O autor conclui que uma emissora de rádio na escola pode ser um instrumento de interação sociodiscursiva entre os membros da comunidade escolar. Seguramente, o rádio é
um suporte eficaz para o trabalho com diversos gêneros discursivos, como a notícia e a entrevista. Sobre esse assunto, discorremos no próximo capítulo.