3. Presentasjon av Asma Barlas
3.5 Barlas` skriftlige produksjon
A presença de gêneros da esfera jornalística na escola favorece a aprendizagem da fala, escuta, leitura e escrita de textos diversos, pois o professor passa a não considerar apenas o aspecto formal do texto escrito, mas o uso efetivo do texto por parte dos alunos, “[...]
abrindo-lhes oportunidade de se desenvolverem como cidadãos de uma sociedade letrada. Assim, a leitura e a escrita não serão apenas práticas escolarizadas” (BEZERRA, 2005, p. 216).
Criar a possibilidade de o aluno desenvolver a compreensão crítica dos vários gêneros discursivos com que ele lida no seu cotidiano e não apenas analisar-lhes a estrutura externa. Nesse sentido, entrevistas, notícias, anúncios via rádio e televisão são sugestões dos PCN para o trabalho com a linguagem oral. O documento esclarece que:
[...] por meio de uma conversa, de um debate, de um reconto ou por escrito, o aluno mostra ter compreendido o texto lido por alguém ou por ele próprio de maneira global e não fragmentada, localizando apenas informações específicas do texto” (BRASIL, 2001, p. 120).
No contexto escolar, o gênero notícia radiofônica possibilita aos alunos interpretar fatos do cotidiano e assim adquirir posicionamento crítico em relação a esses fatos, além de aprimorar aspectos próprios da modalidade oral da língua. Além disso, levar para sala de aula discussão1 de temas atuais possibilitam reflexões, defesa de pontos de vista e discordância de opiniões.
Baltar (2012) aponta que os alunos podem produzir notícia, a partir da observação de como ela circula em seu ambiente, ou seja, na escola, falando de uma gincana, do resultado dos jogos estudantis, do conserto dos ventiladores, de dicas importantes para estudar. Em outras palavras, os próprios alunos podem escolher assuntos e fatos ligados a sua realidade e seus interesses tanto coletivos quanto individuais para serem divulgados em forma de notícia.
Do ponto de vista da estrutura, Lage (2006, p. 17) define o gênero notícia como “[...] o relato de uma série de fatos, a partir de um fato mais importante ou interessante”. Assim, esse gênero trata da exposição de fatos. Essa definição vai ao encontro do posicionamento de Schneuwly e Dolz (2013), conforme podemos observar no quadro de aspectos tipológicos, proposto por eles, apresentado na sequência.
1 Conforme Castanho (2016, p. 98), a discussão é "[...] uma forma de cooperação intelectual, pois esclarece e
QUADRO 2 Aspectos Tipológicos
Fonte: Schneuwly e Dolz (2013, p. 106).
Nesse quadro, o gênero notícia aparece no item domínios sociais de comunicação, em documentação e memorização de ações humanas; e também no item capacidades de
linguagem dominantes, no relatar, o qual é representado pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo.
A notícia também é vista como relato por Baltar (2006, p. 133), segundo ele, “[...] notícia é o gênero básico do jornalismo em que se relata um fato do cotidiano considerado importante, mas sem opinião”. O autor reforça que este é um gênero genuinamente informativo.
Na web, a notícia passou a ser difundida por meio da hipertextualidade, o que levou o gênero a agrupar em um único espaço a notícia que pode ser escrita, também falada e assistida (multimídia), além da possibilidade de a leitura ocorrer, por meio de links que levam o leitor a outros conteúdos diversos. A web possibilita que a recepção da notícia passe a ter interação e personalização.
Um conceito muito importante para o ensino do gênero notícia é o lide jornalístico, um tipo de abertura da notícia em que as principais informações são diretamente repassadas ao ouvinte/leitor/telespectador.
O lide é o primeiro parágrafo da notícia em jornalismo impresso, embora possa haver outros lides em seu corpo. Corresponde, assim à primeira proposição de uma notícia radiofônica dotexto lido pelo locutor. Quanto ao conteúdo, o lide é o relato do fato principal de uma série, o que é mais importante ou mais interessante. Em sua forma clássica apresenta sujeito, predicado e circunstâncias e a documentação é o complemento do lide que detalha e acrescenta informações sobre a ação verbal em si (LAGE, 2006, p. 28).
Desta forma, o lide informa quem fez o quê, a quem, quando, onde, como, por quê e para quê, e a documentação são proposições adicionais sobre cada um desses termos. Assim, a notícia é uma informação concisa de um fato jornalístico com referência ao lugar, ao modo, à causa, ao momento, às pessoas ou coisas envolvidas. “A notícia pode veicular opinião ou apreciação de pessoas que participaram do fato, mas sempre entre aspas” (RAMOS, 1970, p. 171).
Tendo em vista que o rádio é um veículo de comunicação com características próprias, também a notícia radiofônica apresenta particularidades. O texto da notícia deve ser claro, conciso, de redação simples. Baltar (2012, p. 119) observa que quando escrevemos uma notícia para o rádio, escrevemo-la para ser ouvida e não lida e isso torna peculiar a escrita desse gênero. Portanto, “[...] durante a produção, devemos levar em consideração as restrições do canal auditivo que interferem na recepção do texto”.
Ainda de acordo com esse autor, como o rádio não oferece a possibilidade de releitura, os textos produzidos para esse suporte necessitam de clareza, coesão, concisão, pois o texto não poderá ser retomado.
A produção de notícia para uma rádio escolar é uma oportunidade de levar o suporte rádio e sua linguagem para a sala de aula, de modo que a aula não fique restrita ao livro didático. Assim, podemos despertar nos alunos o interesse pelos fatos cotidianos, cujo conhecimento possibilita a tomada de posição e reflexão a respeito dos acontecimentos que direta ou indiretamente os afetam em seus papeis como alunos e cidadãos.