9. Qualitative findings
9.1. Banks
Foram realizados testes estatísticos por meio do modelo de regressão Tobit, considerando um nível de significância de 5%, relacionando a eficiência do PMCMV com as variáveis explicativas: Arranjos Familiares por Gênero, Taxa de Urbanização, Densidade Populacional, PIB e Investimentos realizados no PMCMV. Os resultados estão demonstrados na Tabela 8.
Tabela 8 – Coeficiente e p-valor do Modelo Tobit para as Variáveis Explicativas, PMCMV e PIB
Variável Explicativa Coeficiente P-Valor
Investimentos MCMV -6,68x10-11* 0,0012
PIB por UF 7,40x10-13* 0,0064
Arranjos Familiares por Gênero -0,95* 0,0329
Urbanização 1,00* 0,0204
Densidade Populacional -0,18 0,7582
Fonte: elaborada pelo autor * Variáveis significativas
É possível notar que todas as variáveis, exceto Densidade Populacional, apresentaram relevância estatística, com p-valor bastante reduzido, indicando que estas exercem influência sobre a eficiência do Programa Minha Casa Minha Vida. Os resultados obtidos no p-valor e coeficiente de cada variável explicativa servem como embasamento à análise e validação das hipóteses levantadas nesta pesquisa.
Quanto à primeira hipótese (H1), relacionada ao volume de investimentos no PMCMV e a eficiência das Unidades Federativas em convertê-los em melhoria dos indicadores sociais e de qualidade de vida, foi possível observar que, devido ao coeficiente negativo, existe uma tendência à redução no nível de eficiência quanto maior for o nível de investimentos no
programa. Tal resultado, embora contrarie a hipótese de pesquisa levantada com base na literatura, corrobora os resultados que foram obtidos na seção 6.2.2, em que se constatou que após se atingir um determinado nível de investimentos no PMCMV, caso não sejam realizados outros investimentos sociais complementares, os benefícios sociais à população podem até aumentar, porém em proporção menor do que os investimentos no PMCMV, o que ocasiona a redução no nível de eficiência. Dessa forma, embora as Unidades Federativas tenham, em sua maior parte, apresentado uma melhoria geral nos outputs sociais, os investimentos no PMCMV apresentaram um incremento proporcionalmente muito mais expressivo, de modo que a melhoria nos benefícios sociais não acompanhou proporcionalmente o aumento nos investimentos no PMCMV.
Já o PIB por Unidade Federativa (H2) apresentou coeficiente significante e positivo, o que indica que as Unidades com maior PIB tendem a se mostrar mais eficientes em relação ao PMCMV, o que valida a hipótese levantada. Curiosamente, observou-se que existem algumas exceções, visto entre as Unidades Federativas mais eficientes, se encontram várias pertencentes à região Norte, tais como Acre, Roraima e Amapá, que se encontram entre as mais pobres do país. Essas exceções, todavia, podem ser explicadas quando se incluem outras variáveis de análise, tais como, por exemplo, a localização geográfica e os arranjos familiares. Com relação aos arranjos familiares por gênero (H3), onde a mulher é a pessoa de referência na família, o coeficiente obtido foi significante e negativo, o que mais uma vez contraria a hipótese de pesquisa levantada. Esse resultado pode indicar que, no Brasil, em famílias chefiadas por mulheres a presença da figura masculina geralmente costuma ser errática, enquanto que o contrário ocorre com bem menos frequência. Dessa forma, essa aparente contradição pode ser explicada pelo fato de que a presença do cônjuge homem, bem como de sua renda complementar, pode influenciar positivamente o nível de eficiência. É importante destacar que famílias chefiadas por mulheres também sofrem a influência de outros fatores relacionados ao ambiente em que vivem, os quais corroboram com a ineficiência. Portanto, considerar a presença masculina como influência positiva, sem levar em conta os demais fatores ambientais, pode conduzir a uma interpretação frágil da real situação dessas famílias.
Vale ressaltar que as unidades Acre, Roraima e Amapá, que pertencem à região Norte e se encontram entre as mais eficientes, possuem representação feminina no comando familiar de aproximadamente 34%, 28% e 29%, respectivamente. Já as UF com maior eficiência e pertencentes ao Sudeste e Sul, tais como Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentaram representatividade feminina superior a 50%, o que contraria o
resultado obtido na regressão Tobit. Uma das suposições mediante este resultado, é que a renda das mulheres habitantes das regiões Sudeste e Sul seja superior à renda dos homens que habitam a região Norte, e que outras variáveis sociais também possam afetar positivamente a eficiência destas regiões, diferentemente do que acontece com as demais, especialmente a região Nordeste, a qual foi a menos eficiente.
Quanto à taxa de urbanização (H4), esta apresentou coeficiente positivo e significante, indicando que regiões mais urbanizadas proporcionam maior eficiência social do PMCMV. Regiões urbanizadas tendem a apresentar melhores condições de saneamento, educação, saúde e emprego, ao contrário das áreas rurais, onde o acesso a esses benefícios se torna muito mais difícil. Mais uma vez a hipótese levantada com base na literatura foi validada.
Sobre a influência da localização geográfica das Unidades Federativas (H5), foi realizado um teste “t” comparando-se a eficiência média do PMCMV entre as 05 (cinco) Regiões Geográficas: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em um nível de significância de 5%. A Tabela 9 demonstra os resultados do teste, contendo o p-valor para cada par de regiões geográficas, com nível de significância de 5%.
Tabela 9 – P-valor obtido após teste “t” para regiões geográficas Regiões
p-valor Média da Eficiência do
PMCMV Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste
Norte --- 0,027 0,258 0,413 0,077 0,886
Nordeste 0,027 --- 0,086 0,030 0,129 0,623
Sudeste 0,258 0,086 --- 0,221 0,116 0,832
Sul 0,413 0,030 0,221 --- 0,048 0,878
Centro-Oeste 0,077 0,129 0,116 0,048 --- 0,709
Fonte: elaborada pelo autor
Como resultado do teste, analisando o p-valor em cada combinação, constatou-se que existe discrepância entre as eficiências das regiões Centro-Oeste e Sul (0,048), Nordeste e Sul (0,030), Norte e Nordeste (0,027). Neste caso, é possível afirmar que, se a hipótese é para médias de eficiência diferentes entre as regiões, esta foi aceita para as combinações anteriormente citadas. Como verificado pelas hipóteses anteriores, as regiões Norte, Sul e Sudeste não apresentaram diferenças significativas entre suas eficiências, assim como o Nordeste em relação ao Centro-Oeste. Foi possível, assim, definir dois grupos bastante distintos, sendo um deles composto pelas regiões Sudeste, Sul e Norte, que são as mais eficientes, e o outro composto pelas regiões Nordeste e Centro-oeste, que foram as menos eficientes.
Finalmente, a última hipótese levantada (H6) foi que a densidade populacional influencia a eficiência do PMCMV. No entanto, ao realizar a análise de regressão, verificou- se pelo p-valor obtido, conforme demonstrado na Tabela 8, que não há significância estatística entre a eficiência do PMCMV e a densidade populacional das Unidades Federativas. Deste modo, esta hipótese não pôde ser validada.
Hipóteses Síntese dos Resultados
H1: O volume de
investimentos no PMCMV e a eficiência das Unidades Federativas
Coeficiente negativo, apresentando tendência à redução no nível de eficiência quanto maior for o nível de investimentos no programa
H2: A participação das
Unidades Federativas no PIB
Coeficiente significante e positivo, o que indica que as Unidades com maior PIB tendem a se mostrar mais eficientes em relação ao PMCMV
H3: As Unidades
Federativas com um tipo específico de arranjo familiar
Coeficiente significante e negativo, o que indica que a presença do cônjuge homem, bem como de sua renda complementar, pode influenciar positivamente o nível de eficiência
H4: O nível de urbanização
das Unidades Federativas Coeficiente positivo e significante, indicando que regiões mais urbanizadas proporcionam maior eficiência social do PMCMV H5: A região geográfica
onde a Unidade Federativa está localizada
Formaram-se dois grupos bastante distintos, sendo um deles composto pelas regiões Sudeste, Sul e Norte, que são as mais eficientes, e o outro composto pelas regiões Nordeste e Centro- oeste, que foram as menos eficientes
H6: A densidade
populacional da Unidade Federativa
Não há significância estatística entre a eficiência do PMCMV e a densidade populacional das Unidades Federativas