O professor deve refletir criticamente sobre a sua prática profissional, de forma a fazer uma introspeção sobre os princípios que fundamentam as suas ações e sobre o resultado das suas ações nos seus educandos. Esta autorreflexão pode levar a uma mudança da sua compreensão sobre a realidade escolar, e contribuir para a sua evolução e maior autonomia profissional (Freire, 2001). Foi com esta consciência e com o propósito de adquirir uma maior perceção sobre a atuação na sala de aula, que durante este ano letivo tomou-se parte num processo de autorreflexão e heteroavaliação crítica.
Ao longo do ano letivo foi feita uma autorreflexão crítica para cada aula lecionada, identificando os pontos fortes, e os pontos fracos a melhorar. Para cada uma destas aulas foi feito também uma análise crítica e heteroavaliação por parte da Professora Orientadora Cooperante. Contou-se igualmente com a análise crítica de cada um dos professores orientadores supervisores para as três aulas que cada um assistiu. O Prof. Doutor Domingos Rodrigues assistiu às aulas da componente de Geologia dos dias 16 de novembro de 2012 e dos dias 15 e 18 de janeiro de 2013. A Prof.ª Doutora Dora Pombo assistiu às aulas de Biologia dos dias 8, 16 e 22 de abril de 2013.
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A. AutoavaliaçãoDurante o estágio, especialmente nos primeiros meses do ano letivo, sentiu-se várias dificuldades, incluindo a capacidade de refletir e de avaliar corretamente os vários aspetos da aula. Teve-se a tendência de centrar a reflexão no plano de aula, analisando se as estratégias e as atividades eram cumpridas e se era feito uma boa gestão do tempo. Sentiu-se dificuldade em percecionar outros aspetos menos bons que deveriam ser trabalhados, como por exemplo, a comunicação e a interação com os alunos; a forma mais adequada de aplicar as estratégias de forma a promover a aprendizagem significativa, como a formulação correta das questões durante o questionamento; ou a observação mais atenta das situações que ocorriam na sala de aula, como o comportamento dos alunos no fundo da sala. As reflexões críticas sobre a aula da Professora Orientadora Cooperante e da colega estagiária, foram importantes para perceber estas e outras situações a melhorar, e sobre o que refletir. Também foram importantes as observações efetuadas às aulas da colega estagiária.
No final de cada período letivo fez-se a autoavaliação da Prática Letiva com base na Grelha de Avaliação disponibilizada pela Direção do Mestrado, que avaliava a conceção, o planeamento e a realização, bem como a reflexão, a avaliação e o balanço das aulas. A autoavaliação foi formalizada em reunião de núcleo de estágio, e teve em consideração as reflexões críticas pessoais sobre as aulas lecionadas, as análises críticas feitas pela colega de estágio e pela Professora Orientadora Cooperante, e as análises críticas dos professores orientadores supervisores relativamente às aulas que observaram.
B. Heteroavaliação
Professora Orientadora Cooperante
Todas as aulas lecionadas durante a Prática Letiva foram alvo de uma reflexão crítica feita pela Professora Orientadora Cooperante, que foi discutida durante as reuniões do núcleo de estágio. Foram apresentados sempre aspetos positivos da aula e aspetos a melhorar.
Os aspetos positivos destacados pela Professora Orientadora Cooperante ao longo da Prática Letiva foram: a demonstração de um bom conhecimento dos conteúdos, o rigor científico, a diversificação de estratégias, o estímulo à participação dos alunos na aula, a elaboração adequada de instrumentos de avaliação, a prática da avaliação formativa, a imparcialidade na avaliação, o bom relacionamento com os alunos e a disponibilidade para os atender dentro e fora das aulas.
No que concerne os aspetos a melhorar, foram apontados nos primeiros meses da Prática Letiva aspetos relativos à elaboração dos planos de aula e dos materiais, como as transparências ou PowerPoint serem pouco sistematizados; a abordagem dos conteúdos ser feito várias vezes de uma forma transmissiva; dificuldades na comunicação e interação com os alunos; e dificuldades na gestão do tempo de aula. Com o tempo as dificuldades na elaboração dos planos de aula e dos materiais foram superadas, e houve melhorias quer na abordagem dos conteúdos com mais exemplos do dia-a- dia e interligação de conteúdos, quer na gestão do tempo de aula e na interação com os alunos. Contudo, algumas dificuldades persistiram, e foram apontadas pela Professora Orientadora, como
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dificuldades na oralidade, a pouca expressividade corporal e gestual; o pouco recurso à resolução de problemas; e a falta de firmeza com os alunos nas situações de mau comportamento.
No fim de cada período letivo, a Professora Orientadora Cooperante em reunião do núcleo de estágio fez uma avaliação global da Prática Letiva, com base na Grelha de Avaliação já referida.
Alunos
Os alunos também foram implicados no processo de heteroavaliação, tendo feito no último dia de aulas da Prática Letiva (26 de abril), uma reflexão crítica sobre a forma como as aulas tinham sido ministradas. Para tal, entregou-se a cada aluno um questionário individual da autoria da Direção do Mestrado, contendo três tópicos a responder relativos a: aspetos positivos, negativos e sugestões de melhoria. Os alunos responderam o questionário de forma anónima.
Os aspetos que os alunos referiram como mais positivos nas aulas consistiram em algumas estratégias de ensino-aprendizagem utilizadas, como a realização da visita de estudo e da saída de campo (17), a realização de aulas práticas laboratoriais/experimentais (15), e a visualização de filmes (9). Vários alunos consideraram positivos o apoio disponibilizado pela professora referindo a disponibilização de material de estudo (10), como “fichas informativas e de trabalho” e do envio de “PowerPoints por e-mail”. Os alunos também mencionaram como positivos, características pessoais da professora estagiária, como esta estar “sempre disposta a ajudar” (3), e ser “simpática” (5), “paciente” (2), “atenciosa” (2), “calma” (1), “compreensiva” (1) e mostrar “gosto de lecionar” (4), “respeito” (1), “serenidade” (1), “empenho” (1) e “dedicação” (1). Em menor número os alunos salientaram como positivo a abordagem de conteúdos, indicando que a professora sabia “explicar
bem” e esclarecia “bem” as “dúvidas” (4), tentava “sempre explicar com diversas atividades” (1), e
que as aulas eram “dinâmicas” (2), “interessantes” (1), e “bem organizadas” (1). Alguns alunos consideraram positivos os materiais e recursos utilizados, referindo que a professora levava para a aula “objectos para compreender a matéria” (1), e que os materiais eram “interativos e didáticos” (1), e que as apresentações em PowerPoint ou em acetatos eram “fáceis de perceber” (2).
De entre os aspetos negativos, os alunos apontaram alguns relativos à abordagem de conteúdos e à forma de lecionar, como a dificuldade em explicar e as explicações serem pouco claras, utilizando linguagem complexa (7), o que contrastou com as outras opiniões anteriormente referidas. Outro aspeto negativo apontado foi que a professora estagiária explicava ao mesmo tempo que os alunos escreviam (6). Igualmente foi referido como negativo a utilização de acetatos (5), o método de ensino (4), o facto de ser necessário escrever muito (3), e existir muitos “trabalhos de casa” (2).
A avaliação também foi um assunto abordado nos aspetos negativos, nomeadamente que os testes avaliavam demasiados conteúdos (7). Outros pontos negativos referidos eram relativos a características pessoais da professora estagiária, como a “insegurança” (5), a dificuldade em impor a autoridade (2), não ser “muito objectiva” (2), falar “muito baixo” (2), e ser “pouco assertiva” (1).
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Também foi apontado como negativo por alguns alunos, regras essenciais, como a professora não deixar “sair mais cedo” nem deixar “copiar” nos testes (5).
Como sugestões para o futuro, os alunos referiram aspetos que deveriam ser melhorados. Alguns estavam relacionados com a atuação da professora e abordagem de conteúdos como: interagir mais com os alunos (4), melhorar a forma de explicar (4), melhorar o método de ensino (3), lecionar aulas com menos escrita (3), e tornar as aulas mais divertidas e lúdicas (2). Os alunos mencionaram também estratégias a implementar no futuro, como “mais visitas de estudo” (3); “dar mais exemplos
práticos” do “dia-a-dia” (3); evitar a grande utilização de diapositivos/acetatos (2); utilizar mais o
manual (2); dar “explicações orais” (1). Igualmente sugeriram a melhoria de alguns aspetos pessoais da professora, como: “ser mais confiante” (4), “mostrar mais segurança” (3), “falar mais alto” (2), “ser mais assertiva” (1) e “ser mais rígida” (1). Os alunos deixaram igualmente sugestões quanto à avaliação, como testes de avaliação com menos conteúdos (2).
Para além das sugestões supramencionadas, foram dadas sugestões para continuar da mesma forma como: “continua assim, pois é uma boa professora” e “deve continuar assim”. Alguns alunos também referiram gostar da professora: “Gostei da professora”, “Gostei das suas aulas”, “Foi bom
ser aluna da professora”.