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3. Bergen kommune

3.2 Balansert målstyring i Bergen kommune

1. De quanto em quanto tempo acontece a oficina? As oficinas ocorriam semanalmente,

sempre aos sábados, das 9h30 ao meio-dia, na sede da Ocas. Em São Paulo os trabalhos aconteceram entre setembro de 2004 a dezembro de 2007. No Rio de Janeiro, entre 2006 e 2007.

2. Há algum critério alguma restrição para a participação nas oficinas? Qual (is)? Não

havia restrições. Os encontros eram abertos a todos (vendedores da Ocas ou não). A porta da sede ficava sempre aberta.

3. Como é a sua participação na oficina? Os voluntários atuavam no suporte, na

preparação das dinâmicas, na organização da reunião (para que tivesse um foco definido) e na compilação do material que era desenvolvido nas oficinas.

4. Há outras pessoas que participam da coordenação da oficina? Como essas pessoas atuam? Sim, o trabalho era dividido entre 4 voluntários, em média.

5. Quantos moradores em situação de rua participam da oficina? Há participantes mais assíduos? Não chegamos a quantificar, mas as reuniões, nos dois primeiros anos da

oficina, contavam, em média, com a participação de 10 a 15 vendedores, além dos voluntários. Sim, havia integrantes assíduos, mas também aqueles que esporadicamente compareciam. Entre os assíduos, nem todos colaboravam diretamente. Alguns acompanhavam a reunião do início ao fim, sem interagir. Cada um tinha seu tempo e grau de envolvimento.

6. Há atividades de leitura nas oficinas? Em caso positivo, que tipo de atividades?

Eventualmente fazíamos atividades de leitura. Dependia da pauta que estava sendo desenvolvida.

7. Como é a dinâmica da escrita dos textos na oficina? O trabalho começava com a

reunião de pauta. Pedíamos para o grupo trazer sugestões de temas que gostariam de investigar para a revista. Inicialmente, cada um apresentava oralmente a sua proposta, o que gerava atritos, pois havia aquele que queria impor a sua idéia aos demais. Com o tempo, naturalmente o grupo notou que, para que todos tivessem a mesma oportunidade na exposição de suas sugestões, era necessário trazer a pauta por escrito, de forma elaborada: não apenas citando o tema, mas o motivo daquela escolha, a importância, o benefício, etc. Todas as pautas eram apresentadas, discutidas e, ao final da reunião, votadas; a vencedora era automaticamente escolhida para a edição corrente; as demais ficavam arquivadas, e novamente mencionadas em reuniões futuras. A partir da seleção do tema, a dinâmica variava. Às vezes saíamos para realizar apuração, em outras

ocasiões definíamos o que caberia a cada componente do grupo providenciar. Os textos eram escritos individual ou coletivamente, e eram lidos e comentados por todos. A edição final era muitas vezes a compilação desse material, (que era maior do que o espaço reservado na revista), o que os integrantes geralmente compreendiam, afinal o texto em si é conseqüência natural do trabalho, e não é mais importante que o processo que o desencadeou.

8. Os participantes escrevem os textos individualmente, em duplas, em grupo? Depende

do tema escolhido. No especial de 3 anos da Ocas, os vendedores escreveram textos individuais sobre o significado do aniversário. Mantivemos a integridade de todos. Já a abertura da entrevista da Rita Cadillac foi obtida pela compilação dos vários depoimentos individuais. Neste caso, o grupo optou por formatar um único texto. Há pautas em que cabem textos coletivos e individuais. No trabalho sobre as drogas, os vendedores escreveram o texto principal sobre as entrevistas que fizeram e um dos integrantes deu sua visão particular sobre o assunto.

9. Você interfere na elaboração dos textos? Como? A construção do trabalho é sempre

coletiva, a “interferência” é inerente ao processo. Não no sentido de manipular o que está sendo produzido ou de alterar a gênese do texto, mas de adaptá-lo a um formato, juntá-lo com outros materiais ligados ao mesmo tema.

10. Que critérios são utilizados para a escolha dos textos que serão publicados na seção “Cabeça sem teto”? O material final – que é publicado na revista – vai sendo montado

com o que os vendedores nos entregam. Diria que deveríamos ter a cara de fanzine mesmo, já que, na maioria das vezes, compilamos, juntamos, aglutinamos a produção. Geralmente conseguimos fazer uma edição final equilibrada, que dá voz ao grupo a partir das colaborações individuais. Quando algo não é utilizado procuramos conversar com os integrantes e buscar um consenso.

11. Você percebe a preferência pela escrita de algum tipo/gênero de texto? Em caso positivo, que tipo/gênero são preferidos? Como você percebe essa preferência? Não

percebo uma preferência, e sim uma tendência ou uma predileção por textos pessoais, e de temas ligados ao universo da rua. Mas não é possível generalizar.

12. Os participantes apresentam resistência à escrita de algum tipo/gênero de textos? Em caso positivo, em quais gêneros/tipos? Como você percebe essa resistência? Não. 13. Há participantes que trazem textos escritos fora da oficina? Sim, às vezes o

participante já traz pauta e texto final prontos. Tentamos aproveitar em algum espaço, mas o grupo entende que o trabalho coletivo tem prioridade sobre o individual.

14. Os participantes têm o hábito de leitura? Como demonstram isso? Creio que os

participantes, à medida que as oficinas foram se desenvolvendo, começaram a ter contato mais contínuo com a própria revista (muitos disseram que não liam antes de vender) e também com a realidade, de onde extraem as pautas que apresentam nas reuniões.

15. Os participantes demonstram preferência por algum escritor? Em caso positivo, qual? Como demonstram isso? Alguns têm preferências individuais, mas não chegamos

16. É comum a citação de nomes de autores ou partes de textos na elaboração dos textos? Lembro-me apenas de quando utilizamos textos e músicas relacionados ao tema

da solidão para desenvolver um texto sobre esse universo.

17. Em sua opinião, por que os moradores em situação de rua participam das oficinas de criação da revista Ocas? Acho que o(s) motivo(s) varia(m) a cada vendedor, mas, com

base na nossa experiência e convívio com o grupo, mapeamos três: - Pela convivência coletiva, troca de experiências;

- Construir coletivamente material para a revista e, assim, apropriar-se dela; - Aprimorar as vendas.

A seguir, alguns depoimentos colhidos em dezembro de 2006: Cláudio

“Ninguém é jornalista, mas nós tivemos uma experiência bem legal; muitas pessoas nem imaginavam que poderiam escrever fizeram um texto editado na revista. Então o cara ficou conhecido pelo menos pelas pessoas a quem ele vende a revista e com isso conseguiu mais um trunfo para as vendas. O que é a oficina? A oficina é aquilo que está na missão, mas com mais atrativos como: a participação em grupo, temas que a gente debate assumindo posturas não só diante de nós mesmos, mas para onde a revista vai circular e etc. Eu acho que a revista mostrou muito isso ,esse espaço em que a gente pode dar a nossa voz e essa foi a proposta da oficina esse ano. O ideal é que a gente divulgue cada vez mais nossos textos na revista”.

“A oficina, a oportunidade de mostrarmos a nossa voz na revista, com reportagens, texto editados só mostra a todos nós a nossa capacidade de fazermos uma revista de qualidade e entretenimento. Os leitores vão poder conhecer um pouco mais de você”.

Sérgio

“Meu nome é Sérgio Borges e to muito feliz na revista Ocas. Foi um ano de luta, um ano de trabalho. Tem muita gente que chega aqui morto, as vezes encontra dificuldade ,as vezes a pessoa não sabe porque encontrou dificuldade .Chega no local de vender revista, e etc. Ai muitos criticam,as vezes cobram da pessoa muito e ,as vezes não é assim .tem várias situações que não tem condições de ter êxito naquilo que você faz , isso foi o ruim pra mim ,mas o bom é estar junto ,e se envolver em grupo tem o Marcio , o seu Cláudio , e vários outros aqui que participam da oficina. Isso foi excelente, me ajudou muito, me estruturou muito porque eu desde do tempo que eu fiquei situação de rua eu estive só e pra superar essa dificuldade aqui em são Paulo não é fácil né. É uma luta, as vezes o pessoal nem entende ,muitos cobram de você , e você fica numa situação até meia constrangedora, não é fácil. (...) Sobre a oficina? Na oficina aprendi muito, teve muitos participantes e também muitos textos que eu ajudei a fazer também, né? Muitos me ajudaram também que não é fácil e agradeço a todo mundo e que cada um apóie o outro aqui pq não é brincadeira, não é fácil”.

APÊNDICE H – Questionário respondido por jornalista do Jornal Boca de Rua UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Pró-reitoria de Pesquisa e de Pós-graduação

A) NOME DO ENTREVISTADO: Natália Ledur