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2. Metodane, materialet og forskingsetikken

2.6 Bakgrunnsdata om meddelarane

O Assentamento Rural Vila Isabel está situado na Região Sul do Estado da Bahia- Brasil na rodovia Ibicaraí – Itabuna (BR 415), entre os municípios de Ibicaraí, Itapé e Itabuna. Neste local, foi construída a Escola inicialmente chamada Paulo Freire, e denominada, a partir do ano de 2001, Luís Inácio Lula da Silva, onde atuam as 6 (seis) professoras colaboradoras dessa pesquisa.

A luta pelos direitos inalienáveis a qualquer cidadão brasileiro marca, significativamente, a história dessa comunidade rural e a conquista de uma escola que atendesse às necessidades dos moradores do Assentamento não aconteceu senão depois de acirradas reivindicações, que culminaram na improvisação de um espaço precário, uma casa em ruínas da fazenda recém desapropriada, onde funcionou, a princípio a escola chamada Paulo Freire, no ano 1999, vinculada ao município de Ibicaraí.

Essa conquista motivou a comunidade para construir uma Unidade Escolar, inaugurada no ano de 2001, cujos equipamentos e estrutura física fogem aos padrões das Escolas do Campo na região onde está situada, pois está equipada com TV, vídeo cassete, antena parabólica, computador, armários, mesas, carteiras novas, geladeira, fogão industrial, liquidificador, bebedouros. Além disso, possui quatro banheiros, sendo um deles para deficientes físicos, uma secretaria, sala de computador, cozinha, dispensa, duas salas amplas, mais salão de recepção, todos em cerâmica, sendo que os banheiros e a cozinha são azulejados. Possui ainda uma área livre para o desenvolvimento de diversas atividades, inclusive, o cultivo de horta.

Em decorrência de divergências políticas e ideológicas entre os participantes do Movimento de Luta pela Terra, a comunidade da Vila Isabel com a Prefeitura Municipal de Ibicaraí, foi dada baixa na inscrição da Escola Paulo Freire e a Unidade Escolar do Assentamento passou a ter ligação administrativa com a Prefeitura Municipal de Itabuna, por meio de nova inscrição, passando a ser chamada Escola Luis Inácio Lula da Silva, a partir do ano de 2001.

FOTO: A Escola Luis Inácio Lula da Silva

Fotografia da Escola Luis Inácio Lula da Silva, situada no Assentamento Vila Isabel, tirada em agosto de 2006

11.

Nessa nova realidade, a Escola também passou a ser organizada por ciclos do desenvolvimento humano e não mais por seriação, adequando-se ao Projeto da Escola Grapiúna, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação do município de Itabuna, em que os alunos são agrupados de acordo com o seu ciclo de desenvolvimento. Foram implantados, em um primeiro momento, o Ciclo da Infância (CIN), que atende alunos com faixa etária de 05 a 09 anos, e o Ciclo da Pré-Adolescência (CPA), para alunos de 10 a 12 anos, além da Classe de Integração e Recursos – CIR, para atendimento daqueles alunos que, em termos de habilidades e conhecimentos escolares, estavam distanciados de seus

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11 Apesar de a escola ter mudado de nome, os seus participantes fizeram a opção de conservarem na fachada a

denominação anterior (Paulo Freire), por concordarem com os seus ideais de uma educação libertadora, segundo depoimento das professoras.

pares. No turno noturno, foi implantado o Programa de Educação de Jovens e Adultos PROEJA, correspondendo ao 1º segmento do Ensino Fundamental e destinado a atender a jovens e adultos a partir de 14 anos.

Posteriormente, atendendo a reivindicações de alguns pais, foi implantado o Ciclo da Adolescência (CAD) para alunos de 13 a 15 anos. Em decorrência de enormes dificuldades enfrentadas pelos professores, direção e alunos, esse segmento foi extinto e a clientela atendida agora precisa caminhar 7 (sete) quilômetros para freqüentar uma outra escola, situada no distrito mais próximo do Assentamento, correspondente à seriação de 5ª. a 8ª. série.

Neste ano de 2007, a Escola Luis Inácio Lula da Silva funciona nos três turnos e possui uma sala de aula em um anexo no Assentamento Novo Horizonte para atender aos discentes dessa localidade. Conta com um quadro docente formado por 6 (seis) professoras, três delas assentadas e residindo no assentamento e uma fazendo parte de um grupo de acampados, em uma região próxima. Dentre essas professoras, uma desempenha a função de diretora, outra de coordenadora pedagógica e as outras quatro encontram-se em sala de aula. Dessas seis, uma está freqüentando o curso superior de Licenciatura em Pedagogia da Terra, vinculado ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. Esse curso é oferecido pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB – Campus da Lapa/Bahia/Brasil, e tem como principal objetivo a formação de professores que atuam em assentamentos rurais; outra docente participa do PROAÇÃO12 fazendo o curso superior de Licenciatura em Pedagogia; duas delas estão cursando Pedagogia, na modalidade semi-presencial, com encontros aos finais de semana; outra professora possui ensino médio completo; e a última delas já concluiu o curso de Pós-graduação Lato Sensu. Dessas profissionais, cinco fazem parte do quadro efetivo da Secretaria de Educação do município de Itabuna e somente uma é contratada como prestadora de serviços.

A Unidade Escolar, situada no assentamento, atende, em 2007, cerca de 120 alunos, com faixa etária entre 05 e 60 anos. Embora vivendo em condições bastante precárias, demonstram muita crença na escola e no futuro, a partir da própria luta coletiva empreendida pelo Movimento a que pertencem.

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12 Curso de Formação de Professores para a Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental,

Licenciatura em Pedagogia. O Proação é destinado a docentes da carreira do Magistério da rede pública do Estado da Bahia e dos municípios, que firmam convênio com a Universidade, objetivando atender à prescrição legal instituída pela Lei 9394/96, que determina a formação em nível superior para os professores que atuam na educação básica)

Os primeiros contatos com o Assentamento Vila Isabel aconteceram em decorrência da nossa atuação como docente do curso de Pedagogia na Faculdade de Educação Montenegro em Ibicaraí – Bahia/Brasil , onde estudava Rosa, diretora da escola Paulo Freire. Nos seus depoimentos, Rosa mostrava-se bastante comprometida com a escola e entusiasmada com o trabalho desenvolvido pelos professores.

Ao referir-se à comunidade e à luta empreendida pelos seus moradores em busca de uma vida melhor e mais digna e ao papel desempenhado pela escola, tida como principal meio de implementação dos ideais de homem e sociedade defendidos pelo movimento de luta pela terra, seus olhos brilhavam, o que despertou a nossa curiosidade em conhecer tal realidade.

Com a implantação do PRONERA na escola do assentamento, tivemos a oportunidade de, no ano de 2003, como professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Campus de Itapetinga, e responsável pela disciplina Educação de Jovens e Adultos, planejar e executar uma aula prática, com o objetivo de conhecer a estrutura do projeto e analisar os seus aspectos operacionais, como política de atendimento às demandas do público jovem e adulto nas áreas de assentamentos rurais.

Fomos recebidos por um grupo de alunos, que, entusiasmados, entoaram os hinos e marchinhas e contaram as histórias vividas como sem-terra, falaram do assentamento e do trabalho realizado pelos professores e pela comunidade. São crianças e jovens que, apesar de uma vida marcada por negações, ainda cultivam a esperança de um futuro promissor. Muitos aspectos nos chamaram a atenção naquele assentamento, tais como a organização, o espírito coletivo dos seus participantes, a politização dos alunos, a escola e,principalmente, o envolvimento dos professores com aquele projeto de educação, imbricado por ideais de justiça social e de inclusão das classes minoritárias.

Essa experiência despertou a nossa curiosidade epistemológica de conhecer melhor aquela comunidade escolar e registrar as suas histórias particulares, acreditando que assim, poderemos ampliar nosso campo de reflexão sobre a formação dos professores que atuam em contextos singulares e os saberes construídos, reconstruídos e mobilizados por estes na sua atuação como docentes.

A partir da caracterização da pesquisa e do percurso metodológico adotado, bem como a caracterização da Escola Luis Inácio Lula da Silva, passamos, a seguir, à análise dos dados coletados.

TECENDO TEIAS

Deixe-me ser gente Não me impeça de lutar Pois a vida nos convida Uma missão realizar Deixe eu ser mulher Ser livre para sonhar Não reprima, não reprove O meu jeito de amar!

Cântico do Movimento

O convívio com as professoras da Escola Luís Inácio Lula da Silva possibilitou- nos conhecer sujeitos sociais impregnados por ideologias, valores e visões bastante particulares, que nos levaram a refletir sobre a temática de formação e saberes docentes por intermédio de uma análise da história dessas educadoras.

Neste estudo, defendemos a idéia de não dissociar a sua história de vida das suas práticas, considerando imprescindível,

[...] pensar nos professores para além de sua condição de aquele-que- ensina ou aquele-que-aprende, e para compreendê-los como sujeitos que se constroem na história, que vivem suas experiências e que são capazes de narrá-las. Linguagem/narrativa e história se entrecruzam. Assim, se educação é prática social, a linguagem precisa ser vista como produção e expressão de sujeitos humanos sempre imersos na história e numa coletividade (KRAMER, 2003, p. 111).

A educação, pensada de acordo com a autora, isto é, como uma prática social, precisa ser vista nos seus aspectos globais, assim, tendo como fonte de dados a entrevista realizada e o questionário aplicado, analisamos essas informações agrupando-as em três eixos temáticos: o primeiro referente à formação das participantes dessa investigação fundamentada em suas narrativas: Como iniciaram a sua trajetória profissional e o que as

levou a ser professoras; sua formação acadêmica e os cursos de que participaram e participam; descrição do professor ideal; e a avaliação que fazem sobre seu desempenho.

O segundo eixo norteador da análise refere-se aos seus saberes, tomando como base as respostas às questões: Qual a contribuição dos conhecimentos adquiridos na sua formação para a prática, ou seja, atendem às necessidades da sala de aula? De que maneira agem perante os imprevistos ocorridos na cotidianidade? Que conhecimentos consideram imprescindíveis à formação e prática docente?

O terceiro eixo temático centra-se na especificidade das experiências das educadoras, vivenciadas em um contexto de assentamento rural e a relação dessa realidade com a sua formação e os seus saberes. Qual o porquê de serem professoras do Movimento de Luta pela Terra? O que apontam de específico/diferente na Escola Luis Inácio Lula da Silva? O que diferencia a realidade da escola situada no Assentamento de outras comunidades escolares? De que forma a Escola influencia a formação profissional? Quais os saberes adquiridos com essa comunidade? Houve mudança nas práticas a partir dessa experiência? Quais as expectativas/perspectivas profissionais que possuem trabalhando na Escola Luis Inácio Lula da Silva?

Pela análise dos dados, delineamos as identidades das educadoras, apontando as especificidades na sua formação e nos seus saberes, bem como as singularidades que marcam suas vidas, ressaltando suas semelhanças e diferenças.

3.1 Conhecendo as protagonistas da trama

As narradoras têm suas raízes nos setores sociais de baixa renda e de origem rural. Passaram pela experiência de estudar em escolas do campo. Com muito sacrifício, conseguiram concluir os estudos e valorizam muito a educação escolar como meio de ascensão e inclusão social.

Das seis entrevistadas, três delas sempre almejaram ser professoras e enfrentaram muitos obstáculos para realizar esse sonho; começaram suas trajetórias profissionais ainda muito jovens: auxiliando a mãe, professora leiga, em uma escola rural; dando reforço escolar. Nos seus relatos, a paixão pela profissão fica evidente.

Para uma melhor visualização das professoras da pesquisa, estruturamos algumas informações, coletadas no questionário, mostradas a seguir.

Quadro 1: Caracterização das professores que trabalham na Escola Luis Inácio Lula da Silva no Assentamento Rural Vila Isabel

Nome Idade Residência

Tempo de trabalho na educação Tempo de trabalho na escola Ciclo em que

atua/ função Formação

(Curso)

Rosa 44 anos Assentamento 07 anos 07 anos Diretora Pedagogia/

Especialização Margarida 29 anos Itabuna 10 anos 02 anos Coordenadora Pedagogia

Cursando Violeta 28 anos Assentamento 05 anos 05 anos EJA e CIN Pedagogia da

Terra

Dália 28 anos Ibicaraí 07 anos 07 anos CPA PROAÇÃO

Hortência 39 anos Itabuna 22 anos 01 ano CPA Pedagogia

Cursando

Magnólia 38 Ibicaraí 01 ano 01 ano CIN Ensino Médio

Fonte: Questionários – ano 2006

Tomando como referência o quadro acima, discutimos, a seguir, as características de cada uma das informantes, levando em conta a sua formação e experiência docente, de tal modo que o leitor possa visualizar suas trajetórias pessoais e profissionais.

ROSA

A professora tem 44 anos, possui formação superior completa em Pedagogia e Pós- graduação Lato Sensu em Educação de Jovens e Adultos. É fundadora da escola do Assentamento Vila Isabel e nela atua desde a sua criação. Há 7 anos ocupa o cargo de diretora, com carga horária semanal de 40 horas aula. Não tem experiência em outra escola, pois desenvolvia, antes do seu ingresso no Movimento, atividades no comércio. É assentada, reside na própria Comunidade e atua como militante do MLT.

Em sua experiência profissional, Rosa sempre exerceu a docência no primeiro segmento do Ensino Fundamental (1ª. a 4ª. série) e no Ciclo da Adolescência com a implantação da proposta da Escola Grapiúna. Na área da Educação de Jovens e Adultos, foi coordenadora do PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

Quanto a sua formação profissional, afirma que ingressou no Magistério não por vocação, mas para fugir da disciplina Matemática. Entretanto, durante o período do estágio,

identificou-se com o curso, sentindo a necessidade de aprofundar em seus estudos. Fez o curso de Pedagogia visando intervir de forma efetiva no processo ensino-aprendizagem

[..] eu fui me motivando e começando a gostar da profissão já durante o meu estágio (...), depois, na prática, eu comecei a sentir a necessidade de melhorar o estudo para intervir, quando eu comecei a sentir angústias e dificuldades no dia-a-dia com a comunidade, com os alunos, e aí eu não pensei em recuar e buscar uma outra profissão, pensei exatamente em melhorar a minha formação pra estar intervindo.

Posteriormente, ingressou no Curso de Especialização Lato Sensu, em Educação de Jovens e Adultos, pois se angustiava com a forma como essa modalidade de ensino era tratada. Segundo ela, ‘infantilizada’ e sem valor social para os alunos:

Eu já me inquietava quando não via os autores e as discussões na Faculdade tratarem com especificidade da questão da educação de jovens e adultos, tratando sempre de forma infantilizada, uma leitura que não tinha um valor social para esses sujeitos e aí eu comecei a imaginar que, buscando a especialização, estaria podendo ajudar melhor. Eu iria resolver uma série de problemas.

Mas percebeu que os problemas vividos em sala de aula são de diversas ordens, não apenas da competência profissional.

Hoje, angustio-me ainda muito quando percebo que os problemas ligados ao fracasso ou ao não sucesso da educação como um todo, especialmente na EJA, não tem a ver só com a questão da competência do profissional, tem uma série de outros aspectos, econômicos, enfim, uma série de outros aspectos que interferem também.

Rosa considera-se uma professora muito angustiada e inquieta com os problemas enfrentados pela escola e se avalia:

Eu me considero uma boa professora porque me envolvo e quero saber se as coisas estão acontecendo (...) se o objetivo está sendo alcançado.

Para ela, um professor ruim é aquele que se preocupa apenas em cumprir os horários, sem se envolver com a comunidade em que atua, por isso, afirma que sofre muito quando percebe que as coisas não acontecem da forma como foram planejadas.

M ARGARI DA

A professora tem 29 anos, faz o curso de Licenciatura em Pedagogia, modalidade semi-presencial, em uma Instituição particular, freqüentando as aulas nos finais de semana.

Exerce a função de Coordenadora Pedagógica em um turno na Escola Luis Inácio Lula da Silva e, no turno oposto, é professora do CPA – Ciclo da Pré-Adolescência.

Margarida é casada e assentada, mas ainda reside na cidade de Itabuna, porque cursa Pedagogia em uma Faculdade localizada na cidade de Ilhéus. Informa ser uma pessoa extrovertida, espontânea, alegre, muito emotiva e, acima de tudo, feliz.

Ingressou no Magistério por ser um sonho da família, mas, desde muito cedo, ajudava a mãe, professora leiga, em uma escola no campo, onde moravam. Com muito esforço, conseguiu conciliar o trabalho e estudo. Hoje, diz-se realizada dentro da profissão, que, segundo ela, desempenha por prazer: por querer realizar esse sonho da minha mãe, fiz

Magistério e, hoje, estou satisfeitíssima com o trabalho que realizo, faço com muito prazer.

Na sua formação, participa, sempre que possível, de cursos de capacitação em serviço, dentre eles, destaca o PROFA (Programa de Formação de Alfabetizadores) implementado pela Secretaria Municipal de Educação de Itabuna, o de Fortalecimento escolar, promovido pela FUNDESCOLA12, e do Projeto Escola Ativa13 em que desempenhou a função de regente.

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12 O Fundo de Fortalecimento da Escola é um programa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

(FNDE/MEC), com a interface das secretarias estaduais e municipais de Educação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e financiamento proveniente do Banco Mundial (Bird). Tem por objetivo promover um conjunto de ações para a melhoria da qualidade das escolas do ensino fundamental, ampliando a permanência das crianças nas escolas públicas, assim como a escolaridade nessas regiões do país. Sua missão é promover, em regime de parceria e responsabilidade social, a eficácia, eficiência e eqüidade no ensino fundamental público das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, por meio da oferta de serviços, produtos e assistência técnico-financeira inovadores e de qualidade, que focalizam o ensino-aprendizagem e as práticas gerenciais das escolas e secretarias de educação. Site: www.fnde.gov.br (consultado em 12/05/2007).

Margarida questiona a existência de um professor ideal e argumenta que esse passa por um processo de construção diário: Acho que é todo um processo, né? O professor ideal

é... somos todos nós, mas assim... construindo a cada dia.

Ao se avaliar, toma como referência os seus alunos e menciona que está sempre querendo melhorar a sua prática, por isso, considera-se uma boa professora.

V I OLET A

A professora tem 28 anos, está fazendo o curso Pedagogia da Terra, destinado a professores que atuam em assentamentos rurais. É um curso diferenciado, modular... não

são todas as pessoas que podem se inscrever nele, só pessoas de áreas de assentamento, voltadas ao meio rural, que estão envolvidas, comprometidas com a Educação do Campo.

Com uma história vinculada ao meio rural, filha de trabalhador do campo, hoje, é uma assentada e reside na comunidade da Vila Isabel, onde desempenha a função de regente de ensino no Ciclo da Infância e no PROEJA na Escola Luís Inácio Lula da Silva, desde o ano 2000, não possuindo outra experiência profissional. Na sua jornada de formação, passou por enormes dificuldades, visto morar distante da escola e mudar constantemente de residência, mas o sonho de tornar-se professora a fez vencer os desafios e sente-se realizada profissionalmente.

Inicialmente, essa minha profissão deu-se porque meus pais são de família rural, agrícola. Eles gostavam muito, e eu era apaixonada por escola, tinha uma dificuldade imensa de ir à escola (...) era uma longa caminhada e eu bastante interessada em estudar...

Afirma ser uma pessoa amiga, companheira e muito preocupada com a família. Ao narrar sua opção pelo magistério, Violeta relembra uma estagiária que teve em sua sala, ___________________________

13 O projeto Escola Ativa é uma estratégia metodológica criada para combater a reprovação e o abandono da

sala de aula pelos alunos das escolas rurais das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Foi desenvolvido especificamente para as classes multisseriadas, em que, alunos de diferentes idades e séries realizam suas atividades escolares na mesma sala de aula. Para garantir a melhoria da qualidade da educação no meio rural, o Projeto utiliza diversos recursos, desde a auto-aprendizagem e o trabalho em grupo, até o ensino por meio de módulos e livros didáticos especiais. Além disso, a Escola Ativa estimula a participação da comunidade e viabiliza a capacitação e atualização dos professores.

quando era aluna na 4ª. série do ensino fundamental, pela qual se apaixonou e decidiu, a partir dessa experiência curta e marcante, ser professora, começando a sua caminhada profissional trabalhando com reforço escolar para algumas crianças da vizinhança.

Na quarta série, eu tive uma estagiária com o nome Angélica, nunca esqueço (risos), cabelos longos, muito bonita e ela assim apaixonada, não me apaixonei pela professora, né? mas pela