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2 Teori

2.2 Ledelse

2.2.1 Ledelse i helse- og omsorgssektoren

A Museologia, como campo de estudo científico, estruturou-se recentemente, mais especificamente, na segunda metade do século XX; porém, a história dos museus é bem anterior a este período e esteve relacionada aos conceitos de patrimônio, memória e identidade (MARQUES, 2011). Antes do aparecimento dos museus, a ideia de musealidade30 estava presente no ato humano de intervir nas múltiplas realidades, “reconhecendo nelas objetos e elementos a serem guardados, colecionados, exibidos, atribuindo significados a estes objetos” (ARAÚJO, 2010, p. 33). Além disso, antes da ciência museológica configurar-se, e contribuindo para seu delineamento, os trabalhos nos museus foram marcados pelos entendimentos de ordem prática, empírica e de técnicas museográficas31 (TANUS, 2013).

O museu, desde a Antiguidade, esteve associado à imagem do templo das nove musas que representavam as artes, filhas de Zeus (poder) e Mnemósine (memória). Frequentado por um seleto grupo de pessoas, o museu era um espaço de memória, reflexão, contemplação, inspiração e também de pesquisa e educação (MARQUES, 2011). A Antiguidade Clássica deixou como herança o ato de colecionar (seleção de alguns objetos, para serem guardados, preservados ou expostos, a partir de um valor atribuído a eles) e o museu como instituição (ARAÚJO, 2012).

O desenvolvimento das escritas grega, egípcia e romana permitiu a expansão do conhecimento e das feições museológicas, que desdobraram, no período Medieval, na intocabilidade dos acervos e na exaustividade das coleções temáticas (MARQUES, 2011). Na Idade Moderna, o antropocentrismo iluminista “volta-se para a guarda de testemunhos do passado para reconstruir sua genealogia social e cultural. Na ‘civilização da inscrição’, as coleções ocupavam salas onde pudessem ser admiradas e estudadas por artistas e

30 A palavra Musealidade (bem como, museália e musealização) é derivada do termo museal.

Segundo o Conceitos-chave de Museologia, museal é o adjetivo que qualifica “tudo aquilo que é relativo ao museu, fazendo a distinção entre outros domínios (por exemplo: ‘o mundo museal’ para designar o mundo dos museus)” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 54); ou pode ser também o substantivo que “designa o campo de referência no qual se desenvolvem não apenas a criação, a realização e o funcionamento da instituição ‘museu’, mas também a reflexão sobre seus fundamentos e questões” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 54).

31 Museografia refere-se ao trabalho prático desenvolvido nos museus, sendo o “conjunto de técnicas

desenvolvidas para preencher as funções museais, e particularmente aquilo que concerne à administração do museu, à conservação, à restauração, à segurança e à exposição” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 58). Além disso, a palavra museografia “em português (assim como muséographie, no francês), tende a ser usada, com frequência, para designar a arte da exposição” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 59).

eruditos” (MARQUES, 2011, p. 148). Durante o Renascimento, aparecem, na Europa, os Gabinetes de Curiosidades, que eram

[...] locais ou exposições que privilegiavam o traço clássico ou o exotismo tropical num conjunto desarmônico, acessível somente ao olhar, à contemplação. As visitas restringiam-se a convidados ilustres e a personalidades credenciadas (MARQUES, 2011, p. 148-149).

Neste período, o foco estava no tamanho dos acervos, vistos como tesouros a serem preservados. Deste modo, a produção simbólica humana passou a ser objeto de uma visão patrimonialista e não foram desenvolvidos conhecimentos museológicos consistentes (ARAÚJO, 2012).

O conceito contemporâneo de “Museu Nacional” surgiu após a Revolução Francesa, a partir da formação dos Estados Nacionais e da construção da identidade nacional (MARQUES, 2011). A partir deste momento, o Estado passou a utilizar os museus como espaços educativos e de instrução e são “formadas as grandes coleções, operam-se amplos processos de aquisição e acumulação de acervos – o que reforçou a natureza custodial destas instituições” (ARAÚJO, 2012, p. 34).

O progresso da memória escrita resulta, no século XIX, na “explosão do espírito comemorativo”. Os grandes museus concebidos após a Revolução Francesa são contemporâneos aos depósitos centrais de arquivos e partem do conceito de formar um patrimônio público, implicando, assim, o reconhecimento do papel social destes espaços (MARQUES, 2011). No século XIX, surgiram alguns manuais “que buscaram estabelecer o projeto de constituição científica do campo dedicado aos museus, mas ainda na vertente de uma ‘Museografia’, isto é, de um trabalho técnico de descrição nos museus” (ARAÚJO, 2012, p. 35). Os museus modernos demandaram processos de ordenação e classificação dos acervos, além de pessoal especializado, o que levou à formação de cursos profissionalizantes. Estes cursos eram direcionados para normas de administração de museus e para conhecimentos em Artes e Humanidades (ARAÚJO, 2012).

O século XIX é marcado pela valorização do tempo, crença no progresso e busca da inovação, observa-se a “ida do historiador ao antiquário, aliando o colecionismo de antiguidades à narração histórica” (MARQUES, 2011, p. 150). A busca por uma história universal e da nação mescla-se com a busca nos antiquários por peças de museus que depõem sobre a história (MARQUES, 2011).

[...] os museus contemporâneos são o resultado do humanismo do renascimento, do iluminismo do século XVIII e da democracia do século XIX. Com a origem vinculada aos traços culturais que herdamos da antiguidade, as instituições museológicas têm, também, raízes identificadas com os perfis das galerias, dos antiquários e dos gabinetes de curiosidades do renascimento, que, por sua vez, marcaram com múltiplas influências o surgimento dos grandes museus europeus no século XVIII (BRUNO et al., 2006, p. 8-9).

O decorrer da história da nação, mediada pelos monumentos, resulta em dois modelos de museus: os celebrativos da história nacional e cultural, e os museus científicos. Neste contexto, no final do século XIX, inaugura-se a “era dos museus” no Brasil, destacando-se o Museu Nacional (1818), o Museu Histórico e Geográfico Brasileiro (1838), o Museu do Exército (1864), o Museu da Marinha (1868), o Museu Paraense (1871) e o Museu Paulista (1894). No século seguinte, em 1922, é concebido o Museu Histórico Nacional (MHN).

Na segunda metade do século XIX e início do século XX, predominou a corrente filosófica do Positivismo, que com a sua crença no conhecimento científico e técnico, promoveu o início da separação da Museologia das disciplinas as quais ela auxiliava (História e Artes, principalmente) e enfatizou as técnicas museográficas de guarda e preservação do acervo (ARAÚJO, 2012). Esta situação de busca de autonomia para a construção de um campo científico específico foi reafirmado pela criação das associações profissionais (a Museum Association, criada em 1889, foi pioneira neste processo) e atuação dos movimentos associativos (ARAÚJO, 2012). Cabe destacar que, neste momento, predomina um paradigma patrimonialista (voltado para a preservação do patrimônio), custodial (salvaguarda do acervo para as gerações futuras) e tecnicista (referente às técnicas museográficas para tratamento do acervo) para a área da Museologia (SILVA, 200632 apud ARAÚJO, 2012).

Em 1926 criou-se o International Museums Office (IMO),vinculado à Sociedade das Nações, que tinha por objetivo o “estabelecimento de vínculos entre todos os museus do mundo; organização de intercâmbios e congressos e a unificação dos catálogos” (MARQUES, 2011, p. 152). Durante a II Grande Guerra Mundial (1939-1945), a Sociedade das Nações e seus organismos interromperam sua atuação, inclusive o IMO (MARQUES, 2011).

No pós-guerra, foi fundada, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU), que é “uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e desenvolvimento mundiais” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2014). Na estrutura da ONU, foi inserida, em 1946, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) (PEDRO LORENTE, 2012). A UNESCO é um organismo internacional que “se propõe a promover a identificação, a proteção e a preservação do patrimônio cultural e natural de todo o mundo, considerado especialmente valioso para a humanidade” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 2016).

32 SILVA, Armando Malheiro da. A informação: da compreensão do fenômeno e construção do

Vinculada à UNESCO, através do recebimento de auxílios, todavia à parte de seu organograma, está o International Council of Museums (ICOM). Fundada em 1946, a sede da Secretaria Geral do ICOM situa-se na Casa da UNESCO, em Paris. Os trabalhos do ICOM estão a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, tendo o compromisso de garantir a transmissão e conservação dos bens culturais (INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS, 2010-2012b). A missão e os objetivos do ICOM são apresentados no artigo 2º do estatuto da instituição:

Artículo 2. Misión y objetivos

Sección 1. Misión. El ICOM es la organización internacional de los museos y profesionales de museos dedicada a la tarea de conservar, perennizar y transmitir a la sociedad el patrimonio mundial natural y cultural, presente y futuro, material e inmaterial.

Sección 2. Objetivos. El ICOM establece normas profesionales y deontológicas aplicables a las actividades de los museos, promueve la formación, hace progresar los conocimientos, formula recomendaciones sobre estas cuestiones y sensibiliza al público a la conservación del patrimonio por intermedio de redes mundiales y programas de cooperación. (INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS, 2007, p.2).

O que difere fundamentalmente o ICOM da UNESCO é apontado por Pedro Lorente (2012, p.42) da seguinte forma:

Pero la diferencia es que no se trata de una institución oficial [o ICOM], ligada a los servicios diplomáticos o culturales de los países representados, sino que funciona como una asociación no gubernamental de individuos e instituciones del sector museístico, al estilo de la británica Museum Association, la American Association of Museums u otras surgidas en cada país (PEDRO LORENTE, 2012, p. 42).

Em 1968, o ICOM formalizou um comitê dedicado ao treinamento de pessoal, o Commitee for the Training of Personnel (ICTOP). Este comitê tem por objetivo:

[…] promover la formación profesional y establecer “normas” aplicables al personal de museos a lo largo de su carrera profesional. El comité publica periódicamente el International Directory of Museum Training así como un boletín bianual. También organiza una reunión anual. El ICTOP también es el consejero a nivel internacional del establecimiento de syllabus en el sector de la formación y trabaja en estrecha colaboración con otros comités para cumplir con sus objetivos (INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS, 2010-2012a).

Na década de 1950, se iniciou a concepção “moderna” de museus como órgãos de ensino e consulta e despontaram as discussões sobre a Museologia como disciplina (MARQUES, 2011). Mas,apenas na década de 1970, ocorreu um alargamento da noção de patrimônio e o museu assumiu uma função educativa, com poder potencial de transformar a sociedade, ao contrário do que era antes, espaço de reafirmação ideológica das elites. Esta perspectiva sobre o museu é uma crítica ao modelo patrimonial, custodial e tecnicista (ARAÚJO, 2012).

Em 1972, os participantes da Mesa Redonda de Santiago do Chile produziram um documento final de extrema importância para a Museologia. Tal documento recorreu a uma atitude museológica envolvida com questões sociais, econômicas, educacionais e

políticas. Introduziu-se, assim, a noção de Museu Integral, que se ocupa dos diversos problemas da sociedade e é capaz de ser agente de mudança social. Além disso, a Mesa Redonda de Santiago do Chile alertou para “o papel político do museólogo e o reconhecimento da importância do cidadão em todo o processo de preservação, entendimento e divulgação do patrimônio cultural” (PRIMO, 2011, p. 37). Em 1977, foi criado o Comitê Internacional de Museologia do ICOM (ICOFOM), que tem por objetivo “la investigación, estudio y difusión de las bases teóricas de la museología como disciplina científica independiente y analiza las principales tendencias de la museología contemporánea” (INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS, 2010). O ICOFOM foi um marco importante para a formação e desenvolvimento da Museologia como disciplina (CURY, 2005).

Até a década de 1979, prevaleceu uma visão da Museologia centrada nos museus. Na década de 1980, o Museólogo francês André Desvallées cunhou o termo nouvelle muséologie, conhecido no Brasil como Nova Museologia, para designar as novas experiências dos ecomuseus e da comunicação museística com a sociedade (PEDRO LORENTE, 2012). O ecomuseu é uma nova forma de museu, que dispensa o edifício, o território-museu e a coleção, para centrar-se no ecossistema humano como um todo e na autogestão do ecomuseu pela própria interação com a comunidade (PEDRO LORENTE, 2012).

O termo museu sofreu mudanças em seu significado ao longo da história e nos diferentes contextos culturais33. A Nova Museologia busca ampliar o conceito de museu, de forma a valorizar sua função social e as novas formas de museu, especialmente os ecomuseus e os museus comunitários (PEDRO LORENTE, 2012). Todavia, a Nova Museologia é um modelo de interação entre a sociedade e o patrimônio cultural (CURY, 2005), que não se limita apenas aos ecomuseus. Nesta visão, o público passa a ter um papel mais ativo nas atividades de preservação e comunicação patrimonial, o que confere a este processo um caráter educacional (CURY, 2005).

A Declaração de Quebec, de 1984, reconhece a ideia de museu e patrimônio como meios para desenvolver o homem e a sociedade. A partir dos conceitos da Nova Museologia, são colocadas em evidência as preocupações de caráter social, que clamam

33 No

âmbito internacional, o ICOM define museus como: “instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, estuda, expõe e transmite o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio, com fins de estudo, educação e deleite” (DESVALLÉES; MAIRESSE, 2013, p. 64). No Brasil, o artigo 1º da Lei que institui o Estatuto de Museus e dá outras providências define museus como “instituições sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, interpretam e expõem, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento” (BRASIL, 2009a).

pela interdisciplinaridade e extrapolam – mas sem deixar de conferir sua devida importância – os espaços dos ecomuseus e dos museus comunitários.

A Declaração de Caracas, de 1992, buscou atualizar, vinte anos depois, os conceitos do documento produzido na Mesa Redonda de Santiago do Chile (PRIMO, 2011). Assim, reconheceu os museus como espaços comunicativos e interativos entre os processos e produtos sociais e a sociedade (CURY, 2005). O Código de Ética do ICOM para Museus é outro documento de suma importância para o campo museológico. Em 2004, o International Council of Museums revisou, até então pela última vez, o Código de Ética do ICOM para Museus, que originalmente data de 1986 e passou por outras versões. Este código é uma norma mínima de conduta e procedimentos para os museus e suas práticas profissionais, que orienta a comunidade internacional de museus, principalmente nos países que não possuem legislação para a área (INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS, 2013).

Despontando à frente da Nova Museologia, observa-se o surgimento da Museologia crítica, principalmente nas universidades norte-americanas. Esta última perspectiva está voltada para “análisis de los museos pero con la voluntad de producir impacto en la praxis: la representación de las culturas minoritarias o periféricas, la impugnación de discursos colonialistas, la propuesta de museografías interactivas, etcétera” (PEDRO LORENTE, 2012, p. 79). A Museologia crítica entende o museu como um espaço em que o visitante é confrontado com os dilemas da sociedade atual, através de questionamentos e não de discursos unívocos (PEDRO LORENTE, 2012), expressos, principalmente nos museus e centros de arte contemporânea. A Declaração da cidade de Salvador, documento resultante do I Encontro Ibero-americano de Museus, em 2007, reforçou “os aportes teóricos e práticos das denominadas museologia popular, museologia social, ecomuseologia, nova museologia e museologia crítica” (TANUS, 2013, p. 113).

Pedro Lorente (2012) assinala que a Nova Museologia e a Museologia crítica se aproximam, sendo que, na prática, os Museólogos críticos são continuadores dos neomuseólogos e ambos priorizam o fim social dos museus. Contudo, há diferenças que individualizam estas correntes:

Pero mientras unos se habían centrado en museos surgidos de la participación comunitaria [Nova Museologia], sin prestar demasiada atención a los grandes museos institucionales, estos últimos están en el punto de mira de la museología crítica: inquiriendo qué, quién y cómo aparece representado [...], apuntando a cuestiones de clase, de género, multiculturalidad, que no han dejado de tener efectos prácticos, como la devolución de materiales a los pueblos aborígenes. Hay también diferencias disciplinares, pues los adeptos de la nueva museología surgieron sobre todo entre expertos en etnología, mientras que en las filas de los museólogos críticos abundan los historiadores del arte [...] (PEDRO LORENTE, 2012, p. 80).

Mediante esta breve contextualização sócio-histórica da Museologia, pode-se concluir que esta área busca configurar-se no campo científico. Segundo Guarnieri (2010b, p. 127), os estudos sobre a Museologia “lhe dão a configuração de ciência ou, no mínimo, de disciplina científica independente”. Pedro Lorente (2012), por sua vez, considera a Museologia como uma disciplina científica em processo de consolidação, fazendo a ressalva de que esta disciplina já percorreu um longo trajeto, uma vez que os primeiros tratados museológicos são contemporâneos à origem dos museus.