No processo de aprendizagem, aqui representado como um ciclo iniciado pelos processos de Percepção, o sujeito assimila e interpreta novos dados, utiliza sua memória para refletir sobre experiências passadas e para construir, assim, uma representação.
Na mídia impressa do curso de Administração, observam-se diversos aspectos a respeito do processo de construção de Representações, ancorado na armazenagem, recuperação e estratégias de memória. Em relação à importância de entender a linguagem, como apresentada na mídia impressa, Matlin (2009) evidencia que se faz necessário explorar a compreensão dos textos e realizar inferências no decorrer de sua leitura. Logo, as estratégias de memória concebidas na mídia impressa do curso estão em concordância com os estudos realizados nesta pesquisa acerca da construção de representações no contexto da cognição.
As reflexões que dizem respeito à memória de trabalho, encontradas na perspectiva de Cybis (2007), Matlin (2009) e Wilson, Keil (2001), versam sobre a informação armazenada de maneira rápida e fácil nessa memória. A memória de trabalho, de acordo com esses autores, ocupa um papel importante na abordagem cognitiva de escrever, uma vez que o executor central da memória de trabalho integra as informações imediatas e coordena as atividades cognitivas subsequentes. No caderno “Planejamento”, o aprendente é instigado a escrever e recuperar, da memória de trabalho, as informações recebidas anteriormente. Vejamos:
3. Descreva a Visão da organização em que você trabalha, caso não tenha, defina uma para ela. (PEREIRA, 2008, p. 88).
É nesse exemplo que encontramos o que a literatura assegura sobre o papel da memória de trabalho, quando o executor central organiza as informações imediatas e inicia o processo de planejar, gerir e revisar as frases a serem escritas.
Essa estratégia de recuperação de informações armazenadas na memória de trabalho encontra-se também no caderno “Gestão de Pessoas”, quando, logo após uma introdução ao estudo dos conflitos organizacionais, o aprendente é encorajado a organizar as informações e a escrever suas reflexões em relação ao assunto:
Como você está acompanhando até agora esta introdução ao estudo dos conflitos organizacionais? Parece compreensível? Você percebe que os conflitos podem ocorrer em qualquer local das organizações? É fácil entender, pois onde há pessoas, onde há interação e comunicação entre pessoas, pode haver conflitos. Gostaria de escrever um pouco suas opiniões e ideias sobre o que viu até agora? Aproveite este espaço e escreve seu pensamento (OLIVEIRA, MEDEIROS, 2008, p. 156).
No caderno “Operações e Logística”, por sua vez, a recuperação das informações armazenadas na memória de trabalho é solicitada no final da unidade, também por meio de uma atividade de aprendizagem escrita, relacionando as informações contidas na unidade ao cotidiano profissional do aprendente:
Como base na empresa que você escolheu trabalhar a partir das Atividades de Aprendizagem da Unidade 5, descreva como é feito o Processamento do Pedido e apresente sugestões para melhorá-lo. Inclua nas suas sugestões de melhoria uma proposição de novos formulários (CRUZ, ROSA, 2009, p. 229).
Observa-se que, nessa atividade de aprendizagem, os autores contemplam outros conceitos do processo cognitivo, como, por exemplo, a ancoragem em conhecimentos anteriores, o uso de uma tarefa que instiga a memória implícita, como também a indução de realizar ações baseadas na construção de conhecimento.
O conceito de memória permanente, por sua vez, que Matlin (2009) define como aquela em que os modelos mentais relativos a conceitos são armazenados, pode ser apreendido, nas mídias impressas analisadas, na elaboração de um glossário com diversos conceitos sobre os temas estudados (Fig. 21).
Figura 21: Glossário
Fonte: Caderno Processo Decisório. (MORITZ, G. e PEREIRA, M. 2006, p. 14)
Outro exemplo neste contexto de memória permanente encontra-se na Unidade 5, do Módulo 7 “Pesquisa Operacional”, quando o aprendente, ao final da Unidade, é persuadido a realizar uma atividade de aprendizagem que visa recuperar informação armazenada na memória permanente. Vejamos:
Discuta com o seu tutor e seus colegas as situações em que a Programação Linear não resolveria um problema. Você consegue descrever, então, um problema deste tipo?”(CASTANHA e CASTRO, 2009, p. 125)
Novamente, observa-se que uma única atividade de aprendizagem contempla diversos aspectos da cognição humana, como, por exemplo, o aspecto do conhecimento compartilhado que, para Cybis (2007), se encontra em tarefas que envolvem diversos participantes. Alguns desses participantes, especialistas nesse assunto, compartilham seus conhecimentos especializados com os demais.
Além disso, esse exemplo de memória permanente contempla também um aspecto acerca de fatores linguísticos que podem apresentar dificuldades de compreensão de linguagem por parte dos aprendentes. Matlin (2009) afirma, neste contexto, que frases que contêm palavras no sentido negativo, tais como “não”, encontrado nesse exemplo, podem causar um obstáculo na compreensão dessa tarefa.
A recuperação de informação da memória, que é relevante no processo de ensino-aprendizagem, evidencia-se por meio de Atividades de aprendizagem. Essas atividades perpassam as unidades das mídias impressas e tratam de tarefas de memória explícita e de memória implícita, apoiada na literatura consultada (MATLIN, 2009).
Na Unidade “A informação e a comunicação no processo decisório”, primeira unidade do segundo módulo “Processo Decisório” encontram-se diversas questões de revisão. No caso de memória explícita, solicita-se aos aprendentes para lembrarem-se de uma informação específica anteriormente apresentada, como, por exemplo, no caderno “Processo Decisório”:
1. O que é IPVC e por que ele é tão importante no contexto empresarial?
2. Todos os níveis da administração organizacional necessitam das mesmas informações. Verdadeira ou falso? Justifica.
3. Quais as características básicas da informação e da comunicação?
4. Quais são os sete elementos básicos da Comunicação, segundo Claude Shannon?
5. Como a administração pode estruturar um bom Sistema de Informações Gerenciais (SIG)? (MORITZ, G e PEREIRA, M. 2006, p. 25).
No segundo caso, que diz respeito às atividades de memória implícita, a memória é examinada de maneira indireta, e o aprendente tem acesso às informações utilizadas posteriormente em uma tarefa cognitiva, que não exige recordar ou reconhecer diretamente as informações específicas, conforme Figura 22, da Unidade “Gestão de Conflitos nas Organizações”:
Figura 22: Memória implícita
A utilização de imagens facilita o armazenamento de percepções e informações e a construção de representações. Nas pesquisas relativas ao processo de tomada de decisão, por exemplo, entender o problema significa que o indivíduo apresenta uma representação mental estruturada do problema, baseado na informação fornecida pelo problema e em experiências anteriores, e o uso de imagens favorece esse processo (WILSON, KEIL, 2001).
Nas mídias impressas analisadas, encontram-se diversas oportunidades de uso de imagens para apoiar a construção de representações, como, por exemplo, a Figura 23, da Unidade “Representações dos Jogos”, que representa a violação do princípio de não poder apresentar diferentes conjuntos de possibilidade de decisões.
Figura 23: Memória implícita 1
Fonte: Caderno Teoria dos Jogos. (CÂMARA, S. 2009, p.41)
A Figura 24, da Unidade “Processo de formulação de Políticas Públicas” (2007, p.79), representa uma visualização das relações entre os setores cujas decisões afetam a sociedade como um todo:
Figura 24: Relações entre os setores
A imagem que se encontra na unidade “O processo de Planejamento estratégico: Declaração de Valores, missão, visão e fatores críticos de sucesso”, por sua vez, ajuda na visualização de um aparelho Telex para aqueles aprendentes que nunca o viram anteriormente:
Figura 25: Telex
Fonte: Caderno Planejamento (PEREIRA,M. 2008, p.75)
O primeiro percurso apresentado aqui no modelo Cognitivo, ou seja, o percurso da Percepção à Representação (P-R), inicia-se com a Percepção das informações existentes e termina com as transformações dessas percepções em representações, ou seja, modelos mentais, ancoradas em modelos mentais já existentes na memória do sujeito. Esse percurso P-R é apresentado no caderno “Psicologia”, em que o aprendente é solicitado a fazer uma reflexão:
Inicialmente, propomos a você uma reflexão: O que é o homem? (CAMARGO, 2007, p. 81)
Ao responder a essa pergunta, o aprendente internaliza as informações obtidas, as ancora com o modelo mental da sua memória e, logo em seguida, constrói um novo modelo mental, ou seja, uma representação do que significa “homem”. Essa tentativa de construção de uma representação, neste caso, do homem, é facilitada como outro insumo proposto por essa autora:
Partindo desta constatação perguntamos: que modelo de homem poderá orientar a prática e a teoria das organizações atuais? É o que iremos tratar a seguir. Caso tenha dúvidas, faça contato conosco. Estaremos sempre à sua disposição (2007, p. 83).
No caderno “Gestão de Pessoas”, as autoras propõem uma atividade de aprendizagem, visando sistematizar as informações disponibilizadas anteriormente nesse caderno:
Propomos agora um exercício para sua reflexão e uma atividade de síntese. Reúna virtualmente alguns colegas e discuta as frases que estão colocadas no exercício que segue. Elas são a naturalmente polêmicas. Nem todas as frases têm a aprovação ou a reprovação total das pessoas Mas, por favor, sem conflitos! Se por acaso eles ocorrerem, você já sabe as providências que deve tomar!
No entanto, se você não conseguir uma discussão virtual, converse com seus colegas de trabalho sobre elas. Use o espaço sugerido após o Quadro, para fazer suas sínteses do que foi discutido (OLIVEIRA, MEDEIROS, 2008, p.173).
Nessa atividade, o aprendente reúne as informações e percepções advindas do insumo visual, busca ancorá-las nos modelos mentais existentes em sua memória de trabalho ou permanente, e começa a construir representações do problema. Vale frisar que essa atividade de aprendizagem contempla também os conceitos de Cognição compartilhada e de Princípio de Efeito Teste (Matlin, 2009), que verifica se o fato de realizar testes propicia uma prática de recuperar matéria relevante, ou seja, uma estratégia de recuperar informação armazenada na memória do aprendente.