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HARMONIA

Para caracterização do programa foram utilizados os documentos PDI, Plano de Gestão, o projeto em construção do Programa Viver em Harmonia e as entrevistas realizadas com a coordenação do PQVT, como mencionado anteriormente, bem como um capítulo de análise que traz resultados empíricos do PQVT da UFRN publicado no ano de 2015 por Torres e Paschoal. Essa publicação faz parte do projeto intitulado “A QVT que eu quero na UFRN - Diagnóstico e Contribuições para Política e Programa”, que subsidia e é subsidiado por esse estudo.

Segundo as fontes já citadas em 2012 a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas realizou uma pesquisa diagnóstica sobre qualidade de vida no trabalho, ao que tudo indica baseada nas propostas teóricas de Limongi-França (2001), da qual participaram 346 (trezentos e quarenta e seis) servidores docentes e 513 (quinhentos e treze) servidores técnico- administrativos, totalizando 859 (oitocentos e cinquenta e nove) participantes (TORRES; PASCHOAL, 2015). Almejando atender às expectativas manifestadas nessa pesquisa diagnóstica, foi lançado ainda em 2012, no mês de outubro, o Programa de Qualidade de Vida no Trabalho da UFRN, intitulado Viver em Harmonia.

O Viver em Harmonia, por sua vez, entrou em funcionamento a partir do ano de 2013, apesar de ainda não haver sido instituído por resolução ou portaria. Todavia, foi designada uma equipe da PROGESP que tem se empenhado fortemente na coordenação e execução das atividades do programa, assim como na conclusão do projeto (ainda em elaboração), que o embasará. Almeja-se a aprovação desse documento pelo Conselho de Administração

(CONSAD) da UFRN, com a finalidade de que o programa seja integrado às políticas da Universidade, bem como para o avanço e a consolidação das suas práticas, por meio da avaliação e do aperfeiçoamento das ações e parcerias existentes, e pelo levantamento de novas ações e parcerias a serem realizadas. O projeto do programa é um documento muito importante, pois ele agrupa as diretrizes que fundamentam o PQVT e apresenta os seus elementos constituintes, tais como: o conceito de gestão, a missão, a visão, os objetivos, o referencial teórico, as metas, as atividades, os indicadores de resultados, os recursos humanos, físicos e financeiros necessários, além das avaliações e dos relatórios(TORRES; PASCHOAL, 2015).

Quanto ao embasamento teórico, no PQVT da UFRN, há predominância da abordagem Biopsicossocial e Organizacional de QVT proposta por Limongi-França e Kanikadan (2006), apesar desta não ser a única referência que norteia o projeto, sendo citados ainda os estudiosos clássicos de QVT, como Walton (1973), Nadler e Lawler (1983) e outros autores brasileiros, como Fernandes (1996), Rodrigues (2002) e Ferreira (2012a). Quanto ao conceito de QVT adotado no programa, pode-se afirmar que o projeto não deixa claro o seu conceito de referência, visto que são apresentados três conceitos distintos sobre essa temática, quais sejam: o de Walton (1973); o de Fernandes (1996) e o de Ferreira (2012a), não sendo referenciado no corpo do texto o conceito a ser seguido. Ou seja, não existem ainda, efetivamente, um conceito de referência de QVT e uma abordagem teórica eleitos exclusivamente como sustentáculo para o programa, o que revela o processo de construção em andamento do Viver em Harmonia. Além disso, por meio do projeto do programa pode-se constatar, ainda, que o conceito de saúde utilizado está conectado ao trabalho e que o programa visa contribuir para a promoção da qualidade de vida e bem-estar dos servidores com base em suas percepções, formadas pelas experiências vivenciadas no contexto de trabalho (TORRES; PASCHOAL, 2015).

O programa, segundo o seu projeto, foi concebido com a premissa de que o ambiente de trabalho deve ser um local prazeroso, alegre e produtivo. Viver em um bom clima entre os colaboradores de uma organização pode refletir-se em resultados positivos e notórios, tais como, excelência no trabalho interpessoal, distribuição justa de tarefas, desenvolvimento do trabalho em equipe, de forma que todos entendam que o resultado final das atividades desenvolvidas depende de cada um dos trabalhadores da organização.

Ainda segundo esse projeto, o Viver em Harmonia visa contribuir para o aperfeiçoamento do equilíbrio entre a vida pessoal e a vida corporativa dos servidores da instituição, estando estruturado nas quatro dimensões humanas, a saber: biológica,

psicológica, social e organizacional, que têm como base os estudos de Limongi-França. Portanto, as ações do programa foram implementadas por meio dessas quatro dimensões e que, somadas e articuladas às ações setoriais que já existiam na UFRN anteriormente, possuem a finalidade de contribuir para a promoção do bem-estar dos servidores de forma efetiva e contínua. Ainda segundo esse documento, a missão do Viver em Harmonia é propiciar a prática de hábitos saudáveis de vida que favoreçam relações interpessoais nas atividades laborais humanizadas e produtivas entre os servidores da UFRN, contribuindo para o bem-estar e para a busca do compromisso com a justiça social e a sustentabilidade socioambiental. E visa ser referência em Qualidade de Vida no Trabalho na Administração Pública Brasileira por meio da integração das dimensões humanas nele contempladas, tendo como argumento estratégico o desenvolvimento pleno dos servidores da UFRN e, consequentemente, a busca por uma universidade com inserção internacional e com práticas incessantes da sustentabilidade nas ações, conforme previsto no Plano de Gestão 2011-2015.

O Programa conta com a participação efetiva de dois trabalhadores lotados na Pró- Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGESP) da UFRN. Um dos servidores ocupa a função de coordenador do programa e o outro, é seu assistente. Esse programa possui um total de 57 (cinquenta e sete) atividades ativas, distribuídas para 30 (trinta) coordenadores, visto que alguns são responsáveis por mais de uma ação do PQVT. Possui como parceiros os Departamentos de Educação Física e de Fisioterapia, a Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor, o Departamento de Artes e a Escola de Música da UFRN, entre outros, estão distribuídas, no quadro a seguir (QUADRO 5), de acordo com as dimensões humanas supracitadas (biológica, psicológica, social e organizacional):