P6r6 entender melhor est6s questões v6mos tom6r o exemplo d6 indústri6 de confecções, um6 vez que se tr6t6 de um r6mo industri6l cujo c6ráter m6nuf6tureiro exige o emprego intensivo de mão-de-obr6, dificult6ndo 6 incorpor6ção de nov6s tecnologi6s, nos moldes 6present6dos pelo conjunto de 6cepções 6o modelo de 6cumul6ção flexível conforme dest6c6do 6nteriormente.
Sobre este 6specto, Abreu (19:6) dest6c6 que 6 indústri6 do vestuário foi 6 que efetivou 6 tr6nsposição p6r6 o sistem6 f6bril m6is t6rdi6mente em rel6ção 6os outros r6mos d6
produção de bens industri6is. P6r6 este pesquis6dor, 6s form6s de produção “tr6nsitóri6s” que são inerentes 6 est6 produção – o 6rtes6n6to e 6 produção 6 domicílio – torn6r6m-se historic6mente c6r6cterístic6s estrutur6is, coexistindo com 6 produção f6bril propri6mente dit6.
P6r6 M6i6 (1994), 6 indústri6 de confecções, 6pós p6ss6r pel6 sucessiv6 incorpor6ção de nov6s tecnologi6s 6o processo produtivo, desde o fin6l do século XIX 6té muito recentemente, veio 6 consolid6r-se como um r6mo industri6l extrem6mente dinâmico e competitivo, composto em su6 m6iori6 por pequen6s firm6s, com produção s6zon6l, 6 qu6l 6comp6nh6 6 influênci6 d6 mod6 e pouc6s gr6ndes empres6s produzindo em l6rg6 esc6l6.
Neste sentido, Abreu (19:6) 6tribui 6 perm6nênci6 do sistem6 de subcontr6t6ção n6 modern6 indústri6 de confecções 6o seu êxito empres6ri6l, que não se vincul6 t6nto nos investimentos em nov6s pl6nt6s industri6is ou equip6mentos, m6s sobretudo n6 cri6tivid6de e n6 comerci6liz6ção dos produtos por el6 produzidos.
Dentre 6s tr6nsform6ções m6is recentes que vem m6rc6ndo 6 indústri6 de confecções, B6rreir6 (1996) lembr6 que, 6o mesmo tempo em que 6s inov6ções técnic6s possuem um b6ixo imp6cto sobre 6 produção de roup6s, 6v6nços tecnológicos muito import6ntes tem m6rc6do cert6s et6p6s d6 produção, como no c6so d6 model6gem, do corte e costur6, 6tr6vés d6 utiliz6ção de sistem6s comput6doriz6dos de r6io l6zer p6r6 o corte de tecidos e p6r6 progr6m6r 6 costur6 em cert6s máquin6s, como no c6so d6s máquin6s de bord6dos.
Dentre outr6s c6r6cterístic6s, Abreu (19:6) lembr6 t6mbém que 6 produção de roup6s possui um6 estrutur6 industri6l muito heterogêne6, sendo influenci6d6 pelo tipo de produto f6bric6do, onde predomin6 6 existênci6 de pequen6s unid6des de produção e competição 6cirr6d6 entre 6s unid6des, influenci6d6 pel6 fug6cid6de d6 mod6 e pelos ciclos s6zon6is de produção. Além disso, por ser 6lt6mente divisível, sendo possível sep6r6r 6 produção em um6 enorme g6m6 de pequen6s t6ref6s, o sucesso do processo de produção de roup6s depende muito m6is do gr6u de org6niz6ção 6dministr6tiv6 e d6 gestão d6 produção.
Um último ponto 6 ser ress6lt6do refere-se à imbric6ção entre 6 produção distribuição/circul6ção d6s roup6s, bem como dos investimentos em m6rketing 6 fim de se obter o sucesso neste r6mo, um6 vez que 6 fug6cid6de d6 mod6 em certos lug6res pode lev6r 6 diminuição d6 vid6 comerci6l do produto.
É neste sentido que B6rreir6 (1996) 6n6lis6 o f6to recorrente entre muit6s pequen6s e médi6s empres6s do r6mo de confecções, em que se investe no circuito d6 comerci6liz6ção d6s roup6s com vist6s 6 lucr6r nest6 et6p6, qu6ndo não há o lucro esper6do n6 et6p6 d6 produção propri6mente dit6.
O que deve fic6r cl6ro neste ponto, é que 6s indústri6s de confecções, mesmo possuindo um c6ráter histórico intensivo em mão-de-obr6 e pouco suscetível 6 incorpor6ção de nov6s tecnologi6s, 6c6b6m se submetendo 6 um6 lógic6 de 6cumul6ção flexível que pode ser comprov6d6 por meio de dois elementos muito práticos.
O primeiro se refere à concentr6ção esp6ci6l d6s empres6s lig6d6s 6o r6mo, como form6 de super6r 6s dificuld6des provenientes d6 necessid6de de su6 integr6ção por meio d6s rel6ções inter-firm6s, qu6ndo est6s se encontr6m esp6ci6lmente muito dispers6s.
O segundo respeit6 à incorpor6ção de técnic6s e/ou tecnologi6s m6is modern6s em determin6d6s et6p6s d6 produção. N6 produção de roup6s, 6s f6ses de concepção d6 merc6dori6, bem como o processo de distribuição/circul6ção se vincul6m, 6tu6lmente, em inov6ções técnic6s c6d6 vez m6is modern6s, utiliz6ndo-se, inclusive, de pes6d6s doses de investimento em prop6g6nd6 e m6rketing como form6 de ch6m6r 6 6tenção p6r6 6 qu6lid6de d6s roup6s que vem sendo produzid6s, bem como no sentido de induzir 6o est6belecimento de determin6dos p6drões de consumo, mesmo que estes durem o tempo de um6 est6ção climátic6.
An6lis6ndo o c6so br6sileiro qu6nto à competitivid6de industri6l, Coutinho e Ferr6z (2002, p. 311) cl6ssific6m, dentro do Complexo Têxtil, o setor têxtil, do vestuário e de c6lç6dos de couro como sendo os que possuem deficiênci6s competitiv6s. Tr6t6-se de setores que têm 6 m6ior p6rte d6 produção origin6d6 de empres6s pouco competitiv6s, mesmo sendo estes os setores responsáveis pel6 m6ior p6rte d6 produção e do emprego industri6l no p6ís, sendo muit6s vezes volt6dos p6r6 o consumo pesso6l.
Aind6 segundo este estudo, pelo f6to de 6 m6iori6 d6s empres6s desses setores possuir um pequeno porte, torn6-se difícil o investimento e 6 6doção de estr6tégi6s competitiv6s e de busc6 de merc6dos m6is dinâmicos frente 6 est6gn6ção do merc6do interno, 6gr6v6d6 pelo 6umento n6 desigu6ld6de d6 distribuição de rend6. Assim,
O 6cirr6mento d6 concorrênci6 neste merc6do e 6 virtu6l 6usênci6 de redes horizont6is ou vertic6is que confir6m 6s pequen6s empres6s melhores condições p6r6 super6r conjuntur6s desf6voráveis têm impedido 6 difusão de prátic6s competitiv6s d6s empres6s de m6ior c6p6cit6ção p6r6 6s dem6is e exigido o recurso crescente 6 estr6tégi6s não-competitiv6s de sobrevivênci6. Têm 6ument6do nesses setores 6 inform6liz6ção, 6 soneg6ção fisc6l e 6 degr6d6ção d6s condições de tr6b6lho e d6 qu6lid6de dos produtos. (COUTINHO e FERRAZ, 2002, p. 312).
Aind6 sobre 6s c6r6cterístic6s inerentes 6os setores do Complexo Têxtil, os 6utores cit6dos 6nteriormente 6n6lis6m que 6 s6tur6ção do consumo nos p6íses desenvolvidos e 6 f6cilit6ção p6r6 6 entr6d6 de produtos têxteis de outros p6íses em desenvolvimento têm desloc6do 6 concorrênci6 c6d6 vez m6is p6r6 f6tores não-preço. Então, “6s empres6s que
conquist6m m6iores f6ti6s do merc6do são 6s que conseguem flexibilid6de p6r6 6d6pt6r-se às 6lter6ções do merc6do, introduzindo const6ntemente produtos que incorpor6m intens6mente estilo, mod6 e design” (COUTINHO e FERRAZ, 2002, p. 316).
Qu6nto à rel6ção existente entre os setores do complexo têxtil e 6 form6ção dos distritos industri6is no Br6sil, 6 6nálise desenvolvid6 por estes pesquis6dores demonstr6 6 seguinte situ6ção:
Esses setores, estrutur6lmente c6r6cteriz6dos pel6 enorme fr6gment6ção d6 estrutur6 de c6pit6l e por gr6nde pulveriz6ção d6 produção, têm constituído um c6po propício p6r6 6 form6ção de redes cooper6tiv6s horizont6is, como pólos region6is de produção, nos qu6is se preocup6 comp6rtilh6r investimentos competitivos e r6cion6liz6r o uso d6s c6p6cit6ções existentes.
Di6nte d6s questões 6bord6d6s 6té o presente, observ6-se que o processo de reestrutur6ção industri6l e, m6is precis6mente, o processo de reestrutur6ção sócio-esp6ci6l d6s socied6des 6onde o esquem6 ger6l d6 6cumul6ção flexível vem se f6zendo presente encontr6-se n6 p6ut6 de discussões. No Br6sil, est6s questões convergem p6r6 6 problemátic6 que envolve o movimento de desconcentr6ção industri6l, p6r6lel6mente à emergênci6 de nov6s áre6s que p6ss6m 6 se reintegr6r diferenci6d6mente no contexto econômico m6is dinâmico do p6ís.
Neste c6so, estrutur6m-se nov6s redes de rel6ções envolvendo cid6des 6s m6is distint6s como form6 de din6miz6r os fluxos que 6í se est6belecem, tr6nsform6ndo o p6pel funcion6l de muit6s cid6des, e d6ndo origem mesmo 6os distritos industri6is nos moldes d6 expl6n6ção desenvolvid6 6nteriormente.
3.1.2. O processo de reestruturação sócio-espacial no Brasil e seus desdobramentos para o