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A experiência do sistema de incubação de empresas no mundo tem surtido um largo efeito positivo no cenário sócioeconômico das regiões e dos países onde essas estruturas existem. O Brasil ocupa um papel de destaque

nesse cenário. Essa posição importante do país está relacionada com a criatividade e disposição do brasileiro em alçar vôos e vivenciar experiências inovadoras. As incubadoras de empresas têm o forte propósito de dar a resposta para a demanda de apoios a ideias inovadoras que chegam até ela, no intuito de se tornarem um negócio viável. Esse mecanismo tem o papel importante de gerar empregos e rendas, além de estimular a cultura do empreendedorismo, proporcionando a perspectiva de um ambiente sócioeconômico positivo para as localidades onde esses empreendimentos se instalam.

As incubadoras de empresas são uma excelente oportunidade para transformar teoria em prática, ideias em lucro, renda e ocupação, experimento em tecnologia de ponta. Também ampliam e modernizam o que já está sendo feito. Isso é possível porque ao oferecer consultoria, capacitação gerencial, equipamentos, laboratórios, infraestrutura administrativa e até instalações físicas, preparam as pequenas empresas nascentes para se lançarem no mercado ou corrigem rotas das que já estão nele.

É importante evidenciar algumas das experiências bem sucedidas de micros e pequenas empresas que nasceram no âmbito de incubadoras de empresas e que hoje têm grande projeção no mercado. A seguir serão demonstrados alguns casos202 que só ratificam a importância de empreender para criar um futuro melhor e o enorme impulso que as incubadoras dão às pequenas empresas e à modernização tecnológica do país. Daí decorre, também, a geração de inovações tecnológicas que otimizam o quadro de socialização de conhecimentos e técnicas produzidas, em geral, em

202 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

universidades e centros de pesquisas. É a transferência para a sociedade de bens e serviços produzidos por aqueles que edificam um país empreendedor.

As empresas incubadas vão de perfumaria e cosméticos produzidos a partir de riquíssima flora amazônica à tecnologia altamente sofisticada da informática e da engenharia clínica. Cabe dizer que essa é uma atividade nova no Brasil.

A Chamma da Amazônia203, de perfumes e cosméticos, existe há 40 anos, produzindo artesanalmente seus produtos. Depois de incubada no PIEBT, o Programa de Incubação de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Federal do Pará e na Incubadora Gerencial do SEBRAE no Pará, deu grandes saltos: de duas lojas em Belém, passou a 21 franquias e o faturamento anual aumentou de R$ 130 mil para R$ 750 mil em três anos.

A ECCO204 cuida do manuseio e manutenção de equipamentos biomédicos, praticando a engenharia clínica, segmento surgido no Brasil somente nos anos 90. Instalada na Incubadora da Coppe/UFRJ, passou de três para 90 técnicos em seis anos. A Bematech, que faz mini impressoras, automação bancária e comercial, foi a primeira empresa incubada na INTEC, Incubadora Tecnológica de Curitiba. Hoje, ocupa uma área de 4.000 m2, possui 200 funcionários, filial em Atlanta, nos EUA e fatura mais de R$ 60 milhões anuais.

203 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

incubadoras – uma coletânea de casos. Brasília: Anprotec, 2001, passim.

204 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

A Conex Brasil205 é um caso de empresa bem-sucedida que teve praticamente o seu início em uma incubadora (Incubadora Tecnológica de Porto Alegre – IETEC), sendo uma das empresas pioneiras de acesso à internet, que teve sua grande explosão de uso após a introdução de uma interface gráfica para acessar seus diferentes serviços. Isso foi realizado por um projeto conhecido como World Wide Web (www), iniciado em Genebra, que definiu uma forma de acesso comum para os diferentes protocolos e serviços de internet. Como se pode ver, a Conex tinha, para a época, uma visão empreendedora de um mercado que ainda era novo e estava começando a dar os primeiros passos no Brasil. Durante o período de incubação, a empresa pôde identificar oportunidades de mercado e essa foi uma das principais características que lhe proporcionou sucesso e crescimento.

A XEROX/MHW206 é hoje uma das principais empresas na área de

e-learning e knowledge management da América Latina. Incubada na PUC do Rio de Janeiro, atua no desenvolvimento de soluções para Web Based

Training (WBT). Em 1998 lançou o UniverSite, um dos primeiros softwares brasileiros de gerenciamento de treinamento baseado em Web, que se destaca frente ao mercado com uma interface amigável e flexível, indicada para projetos de alcance nacional e mundial. Esse software propicia a distribuição e o armazenamento da informação de uma maneira lógica, permitindo a sua recuperação em qualquer lugar e hora.

Atualmente o número de licenças vendidas já supera o total de 110 mil usuários, junto a importantes clientes como Embratel, maior operadora de

205 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

incubadoras – uma coletânea de casos. Brasília: Anprotec, 2001, passim.

206 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

longa distância da América Latina; Xerox, referência mundial de qualidade e tecnologia no processamento de documentos; Petrobrás, que oferece cursos à distância (chamado Campus Virtual) aos funcionários e utiliza os mais modernos instrumentos de gestão. Esses cursos integram-se com o Sistema de Auxílio à Realização de Programas de Treinamento e Educação da Petrobrás – SARTRE; IBGE; Grupo Algar, que opera com 23 empresas agrupadas nas divisões de Telecom, agroalimentar, serviços e lazer, sendo a UniAlgar (universidade do grupo) quem aplica o método de treinamento on-line aos seus funcionários; GlaxoSmithKline - GSK, maior laboratório farmacêutico do mundo; Bolsa de Mercadorias e Futuros - BM&F, onde houve implantação do Centro de Ensino à Distância – CEAD, destinado à disseminação de educação e cultura relacionadas aos mercados derivados; Lojas Renner, SENAI, SESI, Unimed, entre outros, no Brasil e no exterior. Em 2001, a Xerox do Brasil, através de sua divisão educacional, adquiriu o controle acionário da MHW, aumentando a oferta de produtos e serviços nas áreas de educação à distância e gestão do conhecimento.

Um grande exemplo de interação empresa & Universidade é a

Pipeway Engenharia Ltda207, que se instalou na Incubadora de Empresas Gênesis da PUC-RJ em julho de 1997 até 1999 e recebeu a tecnologia gerada na parceria PUC-RJ/Cenpes mediante um contrato que prevê pagamento de

royalties aos parceiros na pesquisa. Hoje, a Pipeway já desenvolve tecnologia própria como parceira ativa em P&D e caminha para uma referência tecnológica no campo de dutos e linhas de óleo e gás. Já graduada, não está mais na incubadora, mas instalada em Bonsucesso – RJ. A empresa recorreu à FINEP, através de seu Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e

207 LEAL, Sayonara; PIRES, Sheila Oliveira e MIRANDA, Erika. Empresas de Sucesso criadas em

Tecnológico – PADCT para desenvolver uma tecnologia que agregaria valor aos serviços de inspeção. O recurso financeiro foi recebido por meio de um contrato de desenvolvimento celebrado entre a Pipeway, a PUC-RJ e a FINEP. A obtenção desse recurso exemplifica bem a importância da parceria empresa-universidade para o desenvolvimento de uma empresa de base tecnológica. Os recursos provenientes dessas agências de fomento são de extrema importância para o desenvolvimento tecnológico do país e também para a manutenção de parcerias que geram resultados expressivos. Assim, a

Pipeway, hoje, é líder no mercado nacional e no mercado internacional,

possui parcerias de atuação mundial.

A interação entre empresa e universidade foi fundamental para que a

Pipeway conseguisse atingir seus principais objetivos com sucesso. Percebe-

se, de um modo geral, que há muitos órgãos e várias pessoas envolvidas, transformando a empresa em um negócio de grande potencial. Essas pessoas não só mostraram seus conhecimentos técnicos, como também se transformaram em grandes empreendedores, pois conseguiram, de forma objetiva, explorar todas as oportunidades e ultrapassar todos os desafios encontrados. Essa interação é o alicerce para o desenvolvimento da comercialização de novas tecnologias, pois com o sucesso da Pipeway, foi possível o pagamento de royalties à Universidade, que agora terá um retorno de seu investimento inicial, possibilitando, assim, outros investimentos em novas tecnologias e negócios. Além disso, possibilitou a geração de uma tecnologia totalmente nacional, colocando o Brasil entre os poucos países que detêm essa tecnologia.

Cerca de 250 jovens e promissoras empresas da área de tecnologia estão conectadas, desde outubro de 2007, com a criação da Rede de Apoio à Inovação Tecnológica nos empreendimentos em criação, Raitec. O

mecanismo vai integrar companhias de tecnologia de informação, saúde, biotecnologia, eletroeletrônica, metal-mecânica e meio ambiente de dez incubadoras do Estado de São Paulo, na tentativa de obter mais financiamentos e espaço no mercado. A FINEP, nos próximos dois anos, concederá ajuda extra de R$ 981 mil, além de treinamento especializado em negócios e acesso a consultores, cursos e laboratórios. Além da estrutura física oferecida pelo Cietec, a proximidade com a universidade facilita o crescimento do negócio.208

Para transformar simples propostas em produtos de verdade, jovens empreendedores aproveitam do mecanismo da pré-incubação em universidades e centros de pesquisa. Emílio Bellini, estudante de engenharia química, desenvolveu na Unicamp uma tecnologia para reduzir a perda de água em uma das fases do refino do petróleo, que está sendo pesquisado e testado nas refinarias da Petrobrás em Paulínia, São Paulo. A evolução rápida ocorreu a partir da pré-incubação na INOVA, agência de inovação da Unicamp. Catalisadoras de ideias, as pré-incubadoras estão ganhando força no país nos últimos anos209. Ao contrário do que ocorre tradicionalmente nas universidades brasileiras, em que os negócios da ciência pública e da iniciativa privada ainda dificilmente se misturam, o empreendedorismo faz parte da alma acadêmica nas grandes instituições de pesquisa estrangeiras, como MIT, Harvard e Stanford. Para eles, a parceria com o setor privado é essencial. No Brasil, o espírito empreendedor ainda aparece transparente diante do poderio científico e econômico dos países mais desenvolvidos, mas

208 Tecnologia. Incubadoras de SP se unem em busca de mais recursos. Jornal “O Estado de São Paulo”,

Caderno de Negócios, B15, 2 out, 2007.

209 Empreendedorismo. Nas pré-incubadoras, ideias se tornam produtos e empresas. Acadêmicos e

executivos ajudam estudantes a desenvolver grandes projetos. Jornal “O Estado de São Paulo”, Caderno de Negócios, B18, 16 out, 2007.

vem ganhando força com a criação de escritórios de patentes e uma perceptível mudança na cultura acadêmica voltada para a inovação.

Lideranças científicas repetem que o Brasil produz muito conhecimento, mas transforma pouco dele em riqueza. Muitos projetos de pesquisa saem dos laboratórios para as revistas científicas, mas poucas inovações tecnológicas saem da indústria para as mãos dos consumidores. A FAPESP cobra um maior envolvimento do setor privado, deve haver um maior número de pesquisadores trabalhando nas empresas, além de entraves legais e burocráticos que dificultam a parceria. Por exemplo, a Lei de Inovação abre possibilidades, permite conciliar atividades acadêmicas e empresariais. Para isso, porém, muitos professores precisariam abrir mão da dedicação exclusiva, com redução significativa de salário. “O pesquisador não pode ser penalizado por tentar ser inovador”, compara o cientista Bob Langer, do MIT. Cientistas brasileiros que já trabalham em parceria com empresas dizem que essa é a melhor maneira de cumprir o papel social da ciência. Interagir com o setor privado é de total interesse público, diz o pesquisador Glaucius Oliva, diretor do Instituto de Física de São Carlos da USP e do Centro de Biotecnologia Molecular estrutural da FAPESP, que tem convênio com a indústria farmacêutica para o desenvolvimento de novas drogas. “O conhecimento tem que estar antenado com a realidade, se não perde sua razão de existir”210.

Região de grande desenvolvimento tecnológico, Campinas é considerada o centro de excelência e referência no país em várias áreas de ensino. A Unicamp211 é uma autarquia, autônoma em política educacional,

210 Pesquisa e Desenvolvimento. Espírito empreendedor ganha força nas universidades públicas. Instituições

forçam mudança cultural e incentivam parceria com o setor privado para estimular a inovação. Jornal “O Estado de São Paulo”, Caderno Vida &, A26, 19 ago, 2007.

211 Informe publicitário. Campinas – Pólo Tecnológico, Jornal “O Estado de São Paulo”, H16, 25 out, 2007.

mas subordinada ao governo estadual no que se refere aos recursos financeiros. Campinas é o segundo maior centro econômico, industrial, científico e tecnológico do Estado de São Paulo e a Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas – CIATEC pretende colocar a cidade na vanguarda tecnológica do estado e do país. Criado em 1991, atualmente, com 30 empresas instaladas, avança para fase final de implantação do Parque Científico e Tecnológico de Campinas212. Pronto, deverá criar cerca de 30 mil novos postos de trabalho e injetar em torno de R$ 1 bilhão na economia local. É uma ferramenta para inclusão social e geração de novos empregos.

Já em São Paulo, o CIETEC conta hoje com mais de 100 empresas incubadas, várias graduadas e várias instaladas com sucesso no mercado, um exemplo real da transformação do conhecimento em negócios competitivos, já que inexiste a distância entre a universidade e os institutos de pesquisa e o mercado e entre pesquisadores e empresários. A formação de redes de cooperação empresarial tem possibilitado a geração de oportunidades de negócios para as empresas por intermédio de encontros que favorecem os contatos e relacionamentos. Um exemplo de como essa integração facilita o acesso ao mercado é a política de biotecnologia do governo que incentiva o desenvolvimento de tecnologias em conjunto. O CIETEC incentiva o empreendedorismo, a inovação, a transformação de idéias em negócios tecnológicos bem sucedidos, contribuindo para o crescimento da economia brasileira, para uma maior agregação do valor aos seus produtos e serviços e para o aumento da geração de empregos e renda.

amorfa e sem contorno. A bola branca, dentro das 13 listras que representam a bandeira paulista é o símbolo da unidade, grande ponto de encontro de pessoas e também do conhecimento humano, simbolizado pelas 3 circunferências vermelhas – exatas, humanas e ciências. Em conjunto, essas três áreas do conhecimento irradiam-se para a coletividade, cumprindo as três funções da universidade – ensino, pesquisa e extensão.

Essa rede de biotecnologia estabelece cooperação mútua com a incubadora SUPERA, de Ribeirão Preto e a Fundação BIOMINAS e outras instituições geradoras de negócios na área. Mais sólidas, as empresas do CIETEC chegam ao mercado com expectativa de sobrevivência alta, de 75%, muito maior que a de pequenas empresas não-incubadas, 15%. Em 2006, 14 empresas foram graduadas no CIETEC213. Cabe ressaltar que essa trajetória não teria sido possível sem o apoio imprescindível do MCT, da SCTDE-SP, do SEBRAE, da FINEP, do CNPq e da FAPESP, além dos instituidores – USP, IPT e IPEN.

É importante considerar o papel que as universidades representam na geração de empresas214. Na rodada de projetos financiados pela FAPESP em 2008, o interior paulista reinou absoluto. Acompanha toda essa inovação a

Unicamp como maior depositante de pedidos de patentes do País, quando se

esperaria que companhias ocupassem o primeiro lugar215. Criada em 2003, a agência de inovação tecnológica, Inova Unicamp216, é responsável pela

gestão dos processos de transferência de tecnologia e de propriedade intelectual. Até 2007 foram requeridas 460 patentes, 48 foram concedidas e

213CIETEC – relatório anual 2006. Essa história de sucesso vem demonstrada por meio de números

consolidados presentes nesse relatório anual, referentes à quantidade e qualidade de empresas incubadas e graduadas, ao faturamento, exportações, impostos, empregos gerados, aparições espontâneas na mídia, visitas internacionais e participações em eventos.

214 De 724 pequenas empresas de base tecnológica, 540 eram de fora da capital. Campinas (com 127

projetos), São Carlos (97) e São José dos Campos (52) foram as cidades com o maior número de aprovações. A boa novidade é que a maioria delas teve como berço universidades ou institutos de pesquisa. É o conhecimento que antes mofava nas bibliotecas indo parar na linha de montagem de fábricas.

http://200.152.208.148/parques/index.php/parques/noticias/artigos/universidades_geram_empresas. Acesso em abril, 2008.

215 No Brasil, pesquisa e desenvolvimento é atividade estranha às empresas privadas. No mundo

desenvolvido, é rotina para quem quer estar à frente da concorrência. “Universidade não faz patente por milhares. Uma top (de excelência) faz por centenas e uma boa, por dezenas. Já publicações científicas nas universidades são por milhares”, explica o diretor-científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz. http://200.152.208.148/parques/index.php/parques/noticias/artigos/universidades_geram_empresas. Acesso em abril, 2008.

216 “O maior benefício é a rede de relacionamentos que ela traz para pesquisadores, alunos, empresas e

organismos de governo, criando oportunidades para que o conhecimento gerado seja convertido em benefícios à sociedade”, explica o diretor-executivo da Inova, Roberto Lotufo.

http://200.152.208.148/parques/index.php/parques/noticias/artigos/universidades_geram_empresas. Acesso em abril, 2008.

45 licenciadas. A eficácia do trabalho da agência resultou no primeiro medicamento comercial surgido de uma pesquisa da universidade. O produto à base de isoflavona da soja reduz os efeitos da menopausa e foi o único dos oito fármacos licenciados pela Inova que chegou às farmácias, graças a uma parceria com a Steviafarma Industrial. Mais que royalties, em 2006 a Inova obteve R$ 240 mil em licenciamentos, permitindo a agência estreitar o diálogo academia-empresa.

A Opto217, primeira empresa incubada do Parque Tecnológico de São Carlos, é responsável pela criação do satélite sino-brasileiro CBERS-3 a ser lançado em 2009, além de muitos outros produtos que barateiam a prática médica. Há grande chance de ter visto um aparelho da empresa em uma consulta a um oftalmologista ou a um dentista. Caso possua óculos com lentes antirreflexo, certamente já utilizou um produto deles. E tudo começou quando físicos da Universidade de São Paulo (USP) passaram a dominar o uso do laser hélio-neônio, em 1986. Os ex-pesquisadores insistiram e fizeram aquilo que a academia não faz - o departamento comercial foi bater nas portas do mercado. Era preciso conhecer as necessidades reais dos clientes. Começaram a produzir lentes de alta precisão, filtros e espelhos óticos. Nacionalizaram produtos como o refletor anticalor para consultórios odontológicos. Para um pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que estuda a degenerência macular, aperfeiçoaram ainda um aparelho de laser fotocoagulador. A pesquisa está na fase de testes clínicos. A Opto está preocupada em transformar o conhecimento em produto. Hoje, ela tem quinze patentes registradas e outras cinco em processo, fatura R$ 45 milhões, cresceu 136% nos últimos três anos, gera mais de 300 empregos (50 deles mestres ou doutores).

Órgãos de fomento estadual, como a FAPESP, ou federais, como a FINEP e o CNPq, têm estimulado a criação de empresas como a Opto. Leis recentes, como as de Inovação e de Informática (2004), de Biossegurança e do Bem (2005) e a de regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT (2007), ainda a ser votada, multiplicaram os patamares de recursos para o setor. Só a FINEP vai dobrar em 2009 o atual desembolso de R$ 1 bilhão para o FNDCT218. Em 2008, ela já investiu R$ 145 milhões em projetos do interior paulista para áreas como aeroespacial, bio e nanotecnologia, fármacos e TV Digital. Destaque para as cidades de São José dos Campos, Campinas e São Carlos. O Estado de São Paulo obteve R$ 166 milhões em subvenção do órgão219. As cifras parecem migalhas perto de Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul. Cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) deles é investido em pesquisas. Para cada dólar que o Brasil investe no setor (0,85% do PIB), a China deposita outros seis dólares. E o País segue exportando commodities.

O empresário José Ellis Ripper, dono da AsGa220, de Paulínia, especializada em soluções para telecomunicações, afirma que uma empresa desse porte é bancada pelo governo num país como os Estados Unidos, já que reduz o risco. Ex-cientista da Unicamp, Ripper formou-se em engenharia eletrônica pelo ITA - Instituto de Tecnologia Aeronáutica. Com colegas da escola construiu o Zezinho, primeiro computador brasileiro (máquina de somar e subtrair) em 1961. Fez mestrado e doutorado no MIT, virou pesquisador do Bell Labs, onde conheceu a fibra ótica. Ficou lá até que o físico Rogério Cezar Cerqueira Leite, que recrutava cérebros para voltar ao

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