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BACKGROUND: From prion diseases to the prion protein

1. INTRODUCTION

1.1. BACKGROUND: From prion diseases to the prion protein

O Curso de Graduação em Enfermagem foi implantado na UEL em 1972, sendo o segundo curso de Enfermagem criado no estado do Paraná, o primeiro em instituição pública. Desde sua criação as discussões a respeito do ensino, somadas a capacitações pedagógicas e avaliações do Curso, indicaram a necessidade de uma proposta curricular crítico-reflexiva, coerente com as novas demandas de atendimento em saúde, o que resultou no Currículo Integrado, implantado no ano 2000 (ALVES, 2003).

O Currículo Integrado de Enfermagem da UEL é um plano político-pedagógico com uma organização que articula trabalho e ensino, teoria e prática, escola e coletividades, por meio de módulos interdisciplinares que reúnem várias áreas do conhecimento. Utiliza núcleos de interesses como ponto de partida para o do conhecimento científico (ALVES, 2003). O sistema acadêmico é seriado, com atividades distribuídas em módulos anuais, semestrais ou em bloco.

Quadro 3 - Matriz curricular do curso de Enfermagem da UEL, ano 2012.

1ª Série 2ª Série 3ª Série 4ª Série

A Universidade e o curso de enfermagem

da UEL A

Práticas do Cuidar Saúde do adulto II Doenças Transmissíveis: prevenção e cuidado O processo de saúde e

doença

Saúde do adulto I A Saúde da criança e do adolescente

Saúde Mental: ações de enfermagem nos diversos níveis de assistência Práticas interdisciplinares de integração ensino, serviço e comunidade I Central de Material e Biossegurança Saúde da Mulher e Gênero Cuidado ao paciente crítico Aspectos morfofisiológicos e psíquicos do ser humano Práticas interdisciplinares e multiprofissionais II Trabalho de Conclusão de Curso I Internato de Enfermagem Organização de serviços de saúde e Enfermagem. Trabalho de Conclusão de Curso II

Fonte: Resolução 0256/2009 do Conselho de Ensino Pesquisa Extensão da Universidade Estadual de Londrina e Deliberação 022/2010 da Câmara de Graduação da Universidade Estadual de Londrina.

Os três primeiros anos do Currículo Integrado estão organizados por módulos interdisciplinares. Os módulos desenvolvem-se por meio de unidades temáticas que propõem sequências de atividades em torno de conteúdos-chave, visando ao alcance de desempenhos que culminam na formação da enfermeira.

O quarto ano corresponde ao Internato de Enfermagem, um período em que o estudante, assistido pelo docente e pela enfermeira dos serviços de saúde, imerge na prática de Enfermagem, em duas principais áreas de atuação: a área hospitalar, envolvendo hospitais de nível secundário e terciário, e a Atenção Básica, em Unidades de Estratégia de Saúde da Família e Centros de Saúde.

Os princípios norteadores da proposta pedagógica estão reunidos no quadro 4:

Quadro 4- Princípios norteadores da proposta pedagógica do Curso de Enfermagem da UEL.  Entendimento do currículo como um processo;

 Concepção política-pedagógica crítico-reflexiva;

 Concepção de homem como um ser histórico-social, capaz de transformar-se e ao mundo;  Equilíbrio entre vocação técnica-científica e humanista;

 Organização integrada de conteúdos;  Análise dos fenômenos em sua totalidade;  Interdisciplinaridade;

 Teoria e prática indissolúveis;

 Integração ensino-serviço-comunidade;  Aprendizagem significativa e

 Pedagogia problematizadora, que requer:

a) Posicionamento político a favor dos socialmente excluídos.

b) Atividades pedagógicas e métodos de solução de problemas biopsicossociais. c) Seleção de problemas que atendem aos interesses do cidadão

d) Educação dialógica.

e) Valorização dos conhecimentos prévios dos estudantes f) Avaliação progressista

g) Mobilização para transformações sociais

Fonte: Resolução 0256/2009 do Conselho de Ensino Pesquisa Extensão da Universidade Estadual de Londrina.

Outro princípio curricular é a organização em espiral, partindo do geral para o específico, em níveis de complexidade crescente e sucessivas aproximações (Figura 1):

Figura 1: Organização em espiral do Currículo Integrado de Enfermagem da UEL.

Orientado pelos princípios norteadores, o Curso de Enfermagem prevê a flexibilização dos métodos a serem aplicados no Currículo Integrado, com ênfase em metodologias ativas e atividades didáticas de solução de problemas. Atualmente, os métodos mais usados são a Aprendizagem baseada em problemas, a Metodologia da Problematização com o arco de Maguerez, o estudo de caso, o seminário e a pesquisa. Tais atividades ocorrem em pequenos grupos, que podem variar de 8 a 20 alunos. Aulas expositivas também são realizadas com grupos de até 30 alunos1.

Existem três modalidades de atividades práticas: as Práticas em Laboratório, as Práticas em Serviços de Saúde e Comunidade (PSSC) e o Internato de Enfermagem. O termo estágio foi substituído por Práticas em Serviços de Saúde e Comunidade – PSSC, que compreendem a aulas práticas para aprendizagem de procedimentos clínicos, técnicas e assistência de enfermagem realizadas nos diferentes campos de atuação profissional: hospitais, Unidades Básicas de Saúde, creches, escolas de ensino básico, comunidades e outros serviços. A substituição deveu-se ao fato de que as resoluções da UEL consideravam o estágio como uma atividade de supervisão semidireta ou indireta, o que não retratava a realidade das atividades práticas no Currículo Integrado que, em sua maioria, têm acompanhamento direto pelo docente, com exceção do Internato de Enfermagem.

A avaliação do aproveitamento discente é somativa e representa a síntese das avaliações formativas que têm a função de certificar o alcance das competências que são validadas por desempenhos e habilidades esperados nas diversas etapas do Curso. Para representar os resultados da avaliação somativa foi adotado o sistema bidimensional de conceitos: atingiu/não atingiu o desempenho. O desempenho é aquilo que pode ser observado diretamente, objeto da avaliação, permitindo inferir sobre um conjunto de competências. Durante o desenvolvimento das atividades acadêmicas, professores e estudantes planejam as possibilidades de recuperação em relação aos desempenhos considerados insatisfatórios.

A nova configuração do Curso, com uso de metodologias ativas, demandas de gerenciamento dos módulos interdisciplinares e o novo processo de avaliação gerou aumento da carga horária de trabalho docente.

1

O detalhamento das metodologias ativas utilizadas no Currículo Integrado da UEL é descrito em: Tacla

MTGM, Zani AV, Rosseto EG, Pieri FM, Cestari MEW. Boas práticas de ensino no currículo integrado de enfermagem. In: Kikuche E, Guariente (ORG). Currículo Integrado: a experiência do curso de enfermagem da Universidade Estadual de Londrina. Londrina. UEL. 2012. 280 p.

Para oficializar a carga horária de trabalho dos professores do Curso destinada ao novo currículo foi elaborada Resolução CEPE/CA 009/2007 assinada pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CEPE) e pelo Conselho Administrativo da Universidade (CA).

Para o cômputo geral da carga horária docente no Currículo Integrado, verificaram- se as atividades teóricas e práticas de cada módulo e o número de grupos em que são divididos os estudantes para cada atividade, contabilizando assim o número de docentes envolvidos na atividade e a carga horária a eles destinada. De acordo com as resoluções do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão e Conselho de Administração da UEL (CEPE/CA) 192/1999 e 009/2007, a soma da carga horária docente no Curso passou de 4.192 horas para 35.478 horas.

A esse respeito é importante esclarecer que a carga horária docente de 4.192 horas considerada na resolução CEPE/CA 192/99 não computava a carga horária destinada às atividades práticas e de estágio, e, portanto, não expressava a realidade da carga horária docente na ocasião. Esse fato limita possibilidade de comparação da carga horária docente do currículo tradicional com o currículo integrado. Entretanto, ainda assim é possível afirmar que houve aumento considerável da carga horária docente na graduação com a implantação do Currículo Integrado, uma vez que as atividades teóricas também passaram a ser realizadas em pequenos grupos.

Considerando que o ano letivo na UEL é de 36 semanas, a média da carga horária docente é de 985,5 horas semanais dedicadas às atividades didáticas na graduação. Essa carga horária foi dividida entre todos os departamentos que abrangem as áreas de conhecimento envolvidas no currículo integrado, de acordo com a participação de cada área nos módulos interdisciplinares, a saber: Enfermagem, Saúde Coletiva, Anatomia, Ciências Fisiológicas, Biologia Geral, Bioquímica e Biotecnologia, Educação, Estatística, Histologia, Microbiologia, Ciências Farmacêuticas, Ciências Patológicas e Ciências Sociais. Em decorrência da integração de conteúdos, a inserção das Ciências do ciclo básico e da Saúde Coletiva ocorre em todas as séries do curso e não mais exclusivamente nos primeiros anos.

A necessidade de recursos para as constantes capacitações docentes e para a adequação da infraestrutura do Curso às novas demandas como, por exemplo, a construção de salas para 8 a 20 alunos e não mais para 60 estudantes, o aumento da oferta de livros e periódicos e dos meios de informática para oportunizar a busca ativa das informações pelos

estudantes e outras necessidades financeiras, foi parcialmente superada devido ao apoio financeiro da Fundação Kellogg, oportunizado por um edital de financiamento de mudanças curriculares no ensino superior em saúde. Os demais recursos foram parcialmente providos pela Instituição.

O apoio financeiro, acrescido à autonomia didática, levou o grupo de professores do Curso de Enfermagem da UEL a conceber e implantar o Currículo Integrado no ano 2000. O perfil de contexto institucional regional desde a concepção até a implantação do novo currículo de enfermagem, bem como o apoio financeiro da Fundação Kellogg, favoreceu a elaboração de uma proposta pedagógica que privilegia o ensino de graduação e a formação de um profissional crítico e reflexivo.

Entretanto, o fim do subsídio da Fundação Kellogg e o repasse insuficiente de recursos pelo Estado contribuíram para a migração da UEL e do Curso de Enfermagem para um contexto acadêmico, devido à necessidade da captação de recursos por meio de convênios com fundações e outras fontes financiadoras de projetos. Destaca-se que “as instituições classificadas nesta categoria respondem por uma parte substancial da pesquisa acadêmica feita no Brasil e captam a maior parte dos recursos públicos disponíveis para o fomento desta atividade” (BALBACHEVSKY, 2007, p. 159).

Outras motivações para essa migração coincidem com as que acontecem em nível nacional como: o crescimento da proporção de doutores no corpo docente de todas as instituições, motivado pela progressão na carreira; o prestígio das instituições associado à oferta de pós-graduação scricto sensu; o interesse dos próprios acadêmicos e a política de apoio a pós-graduação implementada pelo governo federal (BALBACHEVSKY, 2007).

No sistema de avaliação do professor no estado do Paraná, a pós-graduação passou a ser muito valorizada. A ascensão na carreira passou a requerer a titulação e a produção científica. Houve uma alteração no processo de trabalho docente que, além das horas semanais destinadas à graduação, passou a incluir as atividades didáticas e de orientação na pós-graduação, acrescidas da exigência de publicações periódicas. Ao longo dos anos, tais alterações geraram implicações para o currículo integrado e, por consequência, para a formação do profissional crítico e reflexivo na graduação, daí a necessidade de saber o que pensam os professores sobre o tema e como vêm desenvolvendo as atividades da graduação para a formação do profissional com competência crítico-reflexiva.