• No results found

B USINESS D EVELOPMENT AND G ENTRIFICATION

7. BUSINESS DEVELOPMENT IN OLD OSLO

7.4. B USINESS D EVELOPMENT AND G ENTRIFICATION

Como se observou no início deste capítulo, a partir da década de 1980 substituiu-se o termo método por abordagem, por ser mais flexível em suas realizações, isto é, não há uma ordem de atividades a ser seguida; o professor tem a liberdade de seguir a ordem que for mais interessante aos seus alunos.

A escola observada, situada na região metropolitana da cidade de São Paulo, utiliza a Abordagem Comunicativa e a Sociointeracional no ensino de línguas. Para que se aborde a metodologia utilizada nessa escola junto com a utilização do blog como ferramenta de apoio, julga-se necessário apresentar um breve histórico sobre as abordagens acima destacadas. Apresentar-se-ão, então, a Abordagem Comunicativa e a Sociointeracional, destacando os pressupostos e a opinião de pesquisadores sobre cada uma.

A Abordagem Comunicativa surge no início da década de 70 do século XX. Baseada na teoria do linguísta Noam Chomsky e nas teorias da psicologia cognitiva de Piaget, essa abordagem nasce em reação ao método audiolingual. O estudo da língua não é mais visto como um conjunto de frases, mas sob seu aspecto social, no contexto em que são produzidas. Por isso, a semântica da língua é enfatizada, ou seja, há ênfase no significado, na interação e intenção dos falantes e nas funções linguísticas. O ensino de paradigmas gramaticais fica em segundo plano ou é inteiramente suprimido. Segundo Cestaro (2007), a abordagem comunicativa centraliza o ensino da língua estrangeira na comunicação. Trata-se de ensinar o aluno a se comunicar em língua estrangeira e adquirir uma competência de comunicação.

A gramática de base da MC é a nocional, gramática das noções, das ideias e da organização do sentido. As atividades gramaticais estão a serviço da comunicação. Os exercícios formais e repetitivos deram lugar, na metodologia comunicativa, aos exercícios de comunicação real ou simulada, mais interativos. Utiliza-se a prática de conceituação, levando o aluno a descobrir, por si só, as regras de funcionamento da

língua, através da reflexão e elaboração de hipóteses, o que exige uma maior participação do aprendiz no processo de aprendizagem. A abordagem comunicativa dá muita importância à produção dos alunos no sentido em que ela tenta favorecer estas produções, dando ao aluno a ocasião múltipla e variada de produzir na língua estrangeira, ajudando-o a vencer seus bloqueios, não o corrigindo sistematicamente. A aprendizagem é centrada no aluno, não só em termos de conteúdo como também de técnicas usadas em sala de aula.

De acordo com a autora, a abordagem comunicativa tem como foco o sentido. Os alunos trabalham com aquilo que é real, do inglês, realia, isto é, um cardápio de restaurante, uma bula de remédio, um jornal local etc. Dessa forma, o ensino da língua é mais significativo para o estudante. Há também a prática de exercícios de comunicação real, como, por exemplo, conversar com o gerente de um hotel, com um médico ou um garçom, em situações reais do cotidiano de qualquer pessoa. Não há mais exercícios de repetição.

A gramática é trabalhada de forma indutiva; em outras palavras, é o aluno que descobre as regras de funcionamento da língua, por meio de exemplos e diálogos. O professor só guia os alunos de acordo com aquilo que eles sugeriram, sem corrigi-los sistematicamente.

Numa aula baseada nessa abordagem, o professor age como coordenador e facilitador da aprendizagem, providenciando materiais e circunstâncias para que o aluno pense e interaja na língua-alvo. Normalmente, são realizadas tarefas em pares, colaborativas ou dramatizações. De acordo com Richards e Rodgers (2001, p.156, 157), alguns dos pressupostos dessa abordagem são:

1. Comunicação como objetivo principal da aprendizagem; 2. Preocupação com o contexto em que a língua é produzida; 3. Utilização de material autêntico para o ensino;

4. Aprendizagem centrada no aluno;

5. Apresentação das quatro habilidades linguísticas sem uma ordem específica; 6. A língua materna é um recurso aceito, principalmente nas turmas iniciantes.

Grande parte das escolas de idiomas utiliza essa metodologia, pois nela se encontram diversas características positivas que ajudam o aluno na aquisição de uma língua estrangeira. Em entrevista ao portal do professor, disponível no site do MEC, o professor Almeida Filho apresenta alguns pressupostos da abordagem e afirma que ela visa buscar o sentido na interação entre os alunos e não apenas aprender gramática:

A abordagem comunicativa visa prioritariamente desenvolver competência comunicativa (de uso da nova língua) numa visão de desestrangeirização dessa

língua para os novos aspirantes ao seu domínio para nela circularem socialmente. O princípio organizador dela não é a gramática, mas a busca de sentidos co- construídos na interação motivadora, interessante ao aprendente, que faz produzir linguagem adequada para que a nova língua comece a ser adquirida desde o início e não somente algum dia, se ocorrer.

Sabe-se que uma nova abordagem ou método só é desenvolvido devido às falhas do anterior. Por isso, pode-se afirmar que a abordagem comunicativa não será a última a ser elaborada, pois ainda há o que se aprimorar no que diz respeito à metodologia do ensino de línguas. Segundo Leffa (1988), “as abordagens que dão origem aos métodos são geralmente monolíticas e dogmáticas. Por serem uma reação ao que existia antes, tendem a um maniqueísmo pedagógico sem meio termo: tudo estava errado e agora tudo está certo.”. O autor ainda afirma: “a Abordagem Comunicativa inicia, sem fechar, o último ciclo da história do ensino de línguas.”. Julga-se importante, portanto, que o professor não se prenda a apenas um método ou abordagem, mas que utilize as vantagens de cada um para que sua aula seja cada vez mais significativa para o aluno, pois não é somente a metodologia que levará o aluno a adquirir uma língua, mas também os diferentes contextos de aprendizagem em que ele se encontra.

A proposta metodológica da escola de idiomas observada tem como pano de fundo a Abordagem Comunicativa, mas se apoia também na Abordagem Sociointeracional, que se embasa nas teorias linguísticas e da psicologia, por lidar com troca de informações e com a emoção do aluno.

Proposta pelo psicólogo russo Vygotsky, a teoria sociointeracional visa preparar o aluno para construir um mundo melhor em suas relações com os outros em diferentes meios socioculturais. Em entrevista à revista Nova Escola, Antonieta Celani7 afirma que, na

Abordagem Sociointeracional, o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem faz parte de um processo único: “Nesse contexto, são usadas formas de mediação - pelo professor, pelo colega ou pelo próprio material didático - para levar o outro a aprender.”.

Alguns dos pressupostos dessa abordagem utilizados na escola observada são:

1. A interação com o outro (professor e/ou aluno);

2. A aprendizagem acontece em um contexto social, histórico e cultural;

7 De acordo com o site da revista Nova Escola, a professora Doutora Antonieta Celani foi fundadora, em 1970, do Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada - o primeiro do gênero no Brasil - e é atualmente coordenadora do Programa de Formação Contínua do Professor de Inglês da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

3. O professor é mediador;

4. As estratégias são o resultado da interação social;

5. Primeiro enfrenta problemas, em seguida, aprende estratégias.

O uso dessa metodologia no ensino é recente, se comparada com os demais métodos apresentados, pois começa a ser utilizada pelas escolas de idiomas no final dos anos 90. Recursos tecnológicos também passam a ser usados na Abordagem Sociointeracional. Segundo Alegretti e Peña (s\d, p.7 e 8), esses recursos são utilizados como apoio para a construção do conhecimento do aluno de forma democrática, por meio da Internet ou da TV a cabo, tendo acesso ao mundo além do âmbito escolar. As autoras também apresentam algumas características dessa abordagem, mostrando a utilização dos recursos tecnológicos pelo professor.

Política Educacional: (i) Aprender a aprender; (ii) Sociedade em permanente

processo de mudança.

Recursos Tecnológicos e Comunicacionais: (i) Utilização de recursos existentes

como apoio; (ii) Internet.

Utilização dos Recursos: (i) Apoio pedagógico; (ii) Criação de novos ambientes de

aprendizagem.

Para que o processo de construção de significados de natureza sociointeracional seja possível, os alunos utilizam três tipos de conhecimento: o conhecimento sistêmico, conhecimento de mundo e o conhecimento da organização textual. O primeiro envolve os vários níveis da organização linguística que as pessoas têm, ou seja, os alunos, ao produzirem significados, fazem escolhas gramaticalmente adequadas ou compreendem enunciados. O conhecimento de mundo se refere aos conhecimentos convencionais construídos ao longo da vida de cada indivíduo. Já o conhecimento da organização textual engloba as rotinas interacionais que as pessoas usam para organizar a informação em textos orais e escritos. O aluno, então, se apoia nesses conhecimentos e na língua materna para aprender a língua estrangeira. E, para abranger o conhecimento do aluno, a abordagem da escola de idiomas observada, trabalha com gêneros textuais em sala de aula, para que o aluno, ao final do curso, seja capaz de fazer compras, fazer apresentações, contar histórias ou fazer um pedido em um restaurante, de modo que o aluno seja capaz de se comunicar e interagir em contextos diferentes.

Desse modo, a metodologia da escola propõe o ensino da língua estrangeira por meio de gêneros, textos autênticos que estão inseridos no cotidiano da vida do aluno. Os idealizadores dos livros acreditam que, por meio de textos autênticos, a aprendizagem será mais significativa ao aluno, tornando-o um indivíduo mais consciente e perceptivo em relação ao mundo a sua volta. Todavia, Almeida Filho afirma, em sua entrevista, que, embora a abordagem sociointeracional seja útil, não é plenamente satisfatória devido ao momento histórico em que se vive:

A teoria sociointeracional tem mérito incontestável, mas ela não foi gerada na tradição da nossa área e, portanto, não precisa ser plenamente satisfatória para nós. Além de uma teoria de aprendizagem, precisamos de uma de ensino de língua(s), de uma concepção de língua e de atitudes condizentes com o momento histórico em que vivemos.

É por este motivo que essa rede de escolas de idiomas, além de utilizar a Abordagem Sociointeracional, também faz uso da Comunicativa, pois uma complementa a outra, isto é, a junção das duas abordagens torna o ensino mais eficaz. No entanto, é válido ressaltar que os métodos de ensino servem para auxiliar o professor, não existindo um método ideal, algo a ser seguido fielmente. De acordo com Celani (2009), “não existe um método perfeito, até porque a eficácia depende do objetivo da pessoa ao aprender um idioma”. O mais importante, segundo a pesquisadora, é entender por quê, para quê, como e o que ensinar ao aluno, pois este precisa ter em mente a importância de se adquirir a língua estrangeira, saber quais são seus objetivos, para que depois a metodologia influencie no seu aprendizado.

Com base em Almeida Filho, em entrevista ao site do MEC, acredita-se, também, que o professor não deve se limitar a utilizar apenas um método ou abordagem, mas que, com o conhecimento que tem sobre cada um deles, possa utilizar o mais adequado para a turma que tem naquele momento. Pois, devido ao fato de cada turma ser heterogênea, o professor pode utilizar diferentes recursos para o ensino de línguas; hoje em dia, há diversas ferramentas para tornar o ensino mais eficaz, e uma delas é a Internet, ferramenta com a qual se trabalhará ao longo desta pesquisa.

Eu não considero adequado que um especialista e um professor da área de Aprendizagem/aquisição e Ensino de Línguas se restrinja a uma escola ou vertente de um dos formantes da abordagem ou filosofia de ensino de línguas. (...) Os métodos mais apropriados são os de cada professor(a), desde que ele ou ela (re)conheça qual método ele ou ela tem na prática e a qual abordagem, filosofia ou família ele pertence.

Após mostrar uma breve história sobre alguns métodos utilizados ao longo dos séculos XIX e XX no ensino de línguas estrangeiras e as abordagens Comunicativa e Sociointeracional, se apresentará um estudo sobre o uso do computador começou a ser utilizado no processo de ensino e aprendizagem de línguas.