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Os dados sobre a importância relativa dos diferentes setores de atividades, em termos de participação da população, de rendimento médio e de variação relativa, para o estado da Paraíba, no período 1995-2002, encontram-se na tabela 15.

As informações sobre a participação da população por setor de atividade revelam que a Paraíba acompanha o Nordeste quando se trata da relevância das atividades econômicas como fonte de renda para a população. Destacando-se, de igual modo, os seguintes setores: agrícola, comércio e reparação, outras fontes e administração pública.

Tabela 15 - Dados resumidos por setor de atividade econômica – Paraíba (1995-2002)

SETOR DE ATIVIDADE PARCELA DA POPULAÇÃO

RENDA DOMICILIAR PER CAPITA VAR% 1995 2002 1995 2002 1995-2002 Agrícola 34,36 25,72 174,94 164,53 -5,95

Outras atividades industriais 0,96 0,92 487,40 299,70 -38,51

Indústria de transformação 6,57 7,87 276,00 297,28 7,71

Construção 6,85 8,03 330,49 261,03 -21,02

Comércio e reparação 13,00 13,80 441,43 334,28 -24,27

Alojamento e alimentação 2,87 2,25 273,51 327,52 19,75

Transporte, armazenagem e comunicação 3,70 4,86 490,90 321,07 -34,59

Administração pública 11,91 12,07 934,56 944,87 1,10

Serviços domésticos 2,81 3,58 164,52 145,94 -11,30

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 2,40 2,97 345,87 419,42 21,27

Outras atividades 2,53 3,89 1043,05 1354,61 29,87

Atividades mal definidas e/ou não declaradas 0,48 0,72 34,67 71,36 105,81

Outras fontes 11,57 13,34 363,08 414,70 14,22

Fonte: Cálculo da autora a partir de dados da PNAD/IBGE (1995 e 2002).

Com relação ao rendimento médio, no ano 1995, esse foi maior nos setores relativos a outras atividades, administração pública e ao de transporte, armazenagem e comunicação. Em 2002, os dois primeiros setores que se destacaram em 1995 mantiveram-se nas mesmas posições relativas, porém, o setor denominado outros serviços coletivos, sociais e pessoais

passa a assumir a terceira posição. Em termos de menor rendimento médio, nesse período, na Paraíba também se sobressaíram os setores de atividades mal definidas e/ou não declaradas, de serviços domésticos e o agrícola.

Ao analisar a variação no rendimento médio em cada setor de atividade entre os anos 1995 e 2002, observa-se queda em pelo menos seis dos treze setores definidos, estando entre esses, o agrícola, que, como foi visto, é a atividade de principal fonte de renda para a população paraibana. Nesse período, o maior crescimento da renda domiciliar per capita se deu nos setores de atividades mal definidas e/ou não declaradas, outras atividades e no de outros serviços coletivos, sociais e pessoais.

Na tabela 16, pode-se observar o comportamento desses dados para o período que compreende os anos 2003 e 2009. O estudo para a participação da população em cada um dos anos mencionados confirma, ou mesmo solidifica, os setores de atividade agrícola e o de outras fontes como as duas principais fontes de renda para a maior parte da população do estado da Paraíba (somados, esses dois setores de atividades comportavam aproximadamente 40% da população no ano 2003, caindo para pouco mais de 35% em 2009)31. Seguem-se a eles, respectivamente, os setores da administração pública e de comércio e reparação no ano 2003, invertendo-se essa ordem em 2009.

Tabela 16 - Dados resumidos por setor de atividade econômica – Paraíba (2003-2009)

SETOR DE ATIVIDADE PARCELA DA POPULAÇÃO

RENDA DOMICILIAR PER CAPITA VAR% 2003 2009 2003 2009 2003-2009 Agrícola 24,45 18,89 196,65 217,44 10,57

Outras atividades industriais 0,56 0,79 275,16 538,71 95,78

Indústria de transformação 8,90 9,14 331,15 341,55 3,14

Construção 6,39 8,49 222,43 344,37 54,82

Comércio e reparação 13,35 14,18 389,75 626,85 60,84

Alojamento e alimentação 1,89 2,85 308,83 394,88 27,86

Transporte, armazenagem e comunicação 3,63 3,36 264,57 564,34 113,31

Administração pública 13,50 13,81 673,23 1077,29 60,02

Serviços domésticos 4,25 4,76 125,68 213,45 69,84

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 2,66 2,75 341,39 507,12 48,55

Outras atividades 3,89 3,59 641,58 883,48 37,70

Atividades mal definidas e/ou não declaradas 1,02 0,98 31,40 50,86 61,95

Outras fontes 15,50 16,42 419,74 619,97 47,70

Fonte: Cálculo da autora a partir de dados da PNAD/IBGE (2003 e 2009).

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A queda na participação da população na soma desses dois setores de atividade é atribuída ao deslocamento populacional do setor agrícola, já que ao contrário deste, houve um ligeiro aumento na parcela da população no setor denominado outras fontes.

Considerando-se o rendimento médio no período 2003-2009 observa-se, assim como no período anterior, que os setores que melhor remuneravam eram o de outras atividades e o da administração pública. Contudo, deve-se ressaltar que, nesse período, o setor da administração pública assume o primeiro lugar. Seguindo-se a eles, aparecem os setores outras fontes e comércio e reparação no ano 2003, respectivamente, e o de comércio e reparação e outras fontes, em 2009. Outra vez, constatou-se que as atividades ligadas aos setores de atividades mal definidas e/ou não declaradas, doméstica e agrícola foram as que apresentaram pior rendimento médio.

Entre os anos 2003 e 2009 todos os setores de atividades apresentaram taxas de crescimento positivas. Aqueles que mais se destacaram foram: o setor de transporte, armazenagem e comunicação, de outras atividades industriais e de serviços domésticos. Já os setores indústria de transformação e o agrícola, apesar de suas rendas médias também terem apresentado crescimento, esse aumento se deu em menor escala.

A taxa de crescimento do rendimento médio no período 1995-2009 revela que o único setor que mostrou queda foi o de outras atividades. Nesse período, observaram-se maiores taxas de crescimento nos setores de outras fontes, de atividades mal definidas ou não declaradas e no de outros serviços coletivos, sociais e pessoais, enquanto as menores taxas de crescimento ocorreram nos setores construção, outras atividades industriais e transporte armazenagem e comunicação (ver tabela17).

Tabela 17- Dados resumidos por setor de atividade econômica – Paraíba (1995-2009)

SETOR DE ATIVIDADE PARCELA DA POPULAÇÃO

RENDA DOMICILIAR PER CAPITA VAR% 1995 2009 1995 2009 1995-2009 Agrícola 34,36 18,89 174,94 217,44 24,30

Outras atividades industriais 0,96 0,79 487,40 538,71 10,53

Indústria de transformação 6,57 9,14 276,00 341,55 23,75

Construção 6,85 8,49 330,49 344,37 4,20

Comércio e reparação 13,00 14,18 441,43 626,85 42,01

Alojamento e alimentação 2,87 2,85 273,51 394,88 44,38

Transporte, armazenagem e comunicação 3,70 3,36 490,90 564,34 14,96

Administração pública 11,91 13,81 934,56 1077,29 15,27

Serviços domésticos 2,81 4,76 164,52 213,45 29,74

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 2,40 2,75 345,87 507,12 46,62

Outras atividades 2,53 3,59 1043,05 883,48 -15,30

Atividades mal definidas e/ou não declaradas 0,48 0,98 34,67 50,86 46,68

Outras fontes 11,57 16,42 363,08 619,97 70,75

Diante do exposto constatou-se, em todos os anos analisados, que no estado da Paraíba, assim como no Nordeste, os principais setores de atividades em termos de geração de renda para a população eram o agrícola, comércio e reparação, outras fontes e a administração pública. Todavia, vale enfatizar que no período 2003-2009 o setor outras fontes ganha destaque ao aparecer como o segundo setor com maior parcela da população dependente deste, ou seja, o que ter sido reflexo da intensificação das políticas de transferência de renda ocorrida no governo Lula, principalmente por meio do Programa Bolsa Família.

Tratando-se do rendimento médio os setores outras atividades e administração pública eram os que melhor remuneravam no estado, seguindo-se a eles, no período 1995-2002, os setores de transporte, armazenagem e comunicação e de outros serviços coletivos, sociais e pessoais e, no período 2003-2009, o de comércio e reparação e de outras fontes. Com relação à variação relativa do rendimento médio ocorreu o mesmo observado para a região Nordeste, com alguns setores apresentando crescimento e outros declínio, no período do governo FHC, e com todos apresentando crescimento no governo Lula.

Enfim, apesar de as informações sobre o rendimento domiciliar per capita serem importantes para se aferir algo sobre as diferenças no bem-estar da população entre os vários setores de atividade, ela não fornece nenhuma informação sobre a distribuição do rendimento médio dentro de cada setor, que é bastante relevante para o estudo da pobreza. Diante disso, torna-se importante analisar a extensão da pobreza em cada setor especificado, estudo realizado na seção a seguir.