KAPITTEL 7 KONKLUSJON
7.2 B EGRENSNINGER OG IMPLIKASJONER FOR VIDERE FORSKNING
A ideia de que o Tópico é uma informação dada ou conhecida é desenvolvida posteriormente por Halliday e Chafe. Halliday assume que a unidade básica da linguagem em uso não é uma palavra ou sentença, mas um texto. Através da função textual é que a oração é organizada como mensagem, de acordo com a estrutura Tema-Rema, em que o Tema é sempre o elemento que é apresentado em primeira posição. Para Halliday (1970), a oração (clause) é construída combinando-se estruturas derivadas das três funções da linguagem: ideacional, interpessoal e textual. A função ideacional da linguagem consiste na
34 “The topic of a sentence is the entity (person, thing, etc.) about which something is said, whereas the further statement made about this entity is the comment” (CRYSTAL, 2003, p. 468).
capacidade da linguagem expressar um conteúdo que tem a ver com a experiência (mundana, mental, emocional) do falante, a estrutura da linguagem reflete a estrutura da experiência. Através da função interpessoal da linguagem são estabelecidas e mantidas relações sociais, delimitam-se grupos e a identidade individual é reforçada. A função textual é expressa pela capacidade da linguagem efetivar ligações em si mesma, agregando a ela características da situação de uso, dota o falante da capacidade de construir textos coesos e não séries de sentenças aleatórias (HALLIDAY, 1970). A partir dessa abordagem, um elemento linguístico é um complexo de papéis dos diferentes níveis.
Vejam-se esses conceitos aplicados aos exemplos, fornecidos pelo próprio autor:
i. My mother gave me these beads. (tema não marcado)
Minha mãe deu- me estes colares.
ii. These beads I was given by my mother. (tema marcado) Estes colares eu recebi da minha mãe.
Pode-se dizer que há, na estrutura de tema marcado:
a) No nível ideacional, um sujeito lógico (ator/agente), expresso por “my mother”. b) No nível interpessoal, um sujeito gramatical (ou modal), expresso por “I”. c) No nível textual, um sujeito psicológico35, expresso por “these beads”.
O sujeito lógico, ou ator, é um papel atribuído na expressão de processos, participantes e circunstâncias (transitividade). O sujeito modal (mood) tem relação com os papéis comunicativos assumidos pelo falante e ouvinte em uma situação de comunicação (declarativo/interrogativo, imperativo). O sujeito psicológico tem a ver com a organização da oração como mensagem, dentro de um discurso mais amplo. Em estruturas não- marcadas (no exemplo 2 acima), o tema, o ator e o sujeito modal coincidem. Segundo Halliday (1970), no inglês, há uma forte tendência para a sobreposição entre o sujeito modal e o tema. O tema é definido como o ponto de partida da mensagem.
A estrutura temática está fortemente relacionada a outra função textual: à de estruturação da informação. Essa se refere à organização de um texto em termos das
35 O conceito de sujeito psicológico foi proposto por Herman Paul nos seguintes termos: “O sujeito psicológico é a primeira quantidade de ideias existente no consciente do que fala, do que pensa, e a ela associa-se uma segunda, o predicado psicológico” (PAUL, 1880 apud BARBOSA, 2005 p. 342).
funções Dado e Novo. Usualmente, Dado e Novo convergem com Tema e Rema e com a noção de Tópico e Comentário.
Na perspectiva de Halliday, todo discurso é organizado como uma sucessão linear de unidades de informação, e cada unidade é realizada como um grupo tonal. Assim, cada grupo tonal corresponde ao que o falante optou por fazer uma unidade de informação (u.i.), sendo, geralmente, do mesmo tamanho de uma oração (clause) (HALLIDAY, 1970, 1976).
Halliday estabelece, então, uma relação entre a prosódia e a informação. Para isso, o autor utiliza-se das noções de “pé” e de “grupo tonal”. O “pé” é definido como uma unidade de ritmo iniciada por uma sílaba forte, com base na qual a fala pode ser segmentada, já que essas sílabas fortes normalmente se distribuem em intervalos regulares. O grupo tonal define-se como como uma sequência de pés organizada em torno de uma sílaba tônica, que é a sílaba que apresenta maior variação melódica (ILARI, 1992). O modo como a fala é organizada em termos de grupos tonais define as unidades de informação.
Uma unidade de informação possui, obrigatoriamente, um elemento novo, do contrário, não haveria informação, e pode possuir um elemento dado (opcional). A estrutura da informação é assinalada através da entonação: o elemento novo recebe o acento principal (main stress), ou foco. Tudo aquilo que precede esse elemento é informação dada. Para Halliday (1967), cada unidade de informação contém necessariamente um, e não mais do que dois, pontos de foco.
É importante assinalar que “dado” e “novo” não devem ser interpretados como o “já mencionado” e o “ainda não mencionado” no discurso. Segundo Halliday, a informação nova é tratada pelo falante como informação que não pode ser recuperada pelo ouvinte, ou seja, o falante não espera que o ouvinte seja capaz de inferir a informação apenas por conta do discurso ou situação. Já a informação dada é aquela que estabelece um ponto de contato com aquilo que é conhecido pelo ouvinte. Dado significa um ponto de contato com aquilo que o interlocutor já sabe, enquanto o tema representa um “cabeçalho” (heading) ao que o falante está dizendo. Assim, o que é tratado como dado, pode não ter sido dito, e o que é tratado como novo pode já ter sido dito (mas, neste caso, possuirá necessariamente um significado contrastivo) (HALLIDAY, 1970, 1976).
Halliday estabelece ainda o princípio da “boa razão”. Segundo esse princípio, um Tema será informação dada, e um Rema informação nova, a menos que haja uma “boa razão” para que isso não ocorra. Ou seja, há a possibilidade de apresentar em posição
temática uma informação nova, mas a sentença resultante será marcada, como nos exemplos abaixo, do autor (as barras duplas delimitam os grupos tonais):
iii. // these houses were sold by my grandfather // (estrutura não marcada) estas casas foram vendidas pelo meu avô
oração: Tema Rema
u.i: Dado Novo
iv. // these houses // my grandfather sold // (estrutura marcada) estas casas meu avô vendeu
oração: Tema Rema
u.i: Novo Dado Novo
v. // this gazebo //can't have been built by Wren // (estrutura marcada) este gazebo não pode ter sido construído por Wren
oração:Tema Rema
u.i: Novo Novo Dado
Observa-se que o tema marcado é frequentemente associado a uma estrutura de informação na qual o tema é isolado em uma unidade de informação própria. Segundo Halliday, o tema marcado representa o plano de fundo, a ambientação do ponto de partida do falante. Através dos exemplos pode-se também perceber que os conceitos “dado” e “novo” não são equivalentes aos de “Tema” e “Rema”, pois pertencem a níveis distintos de análise. Para Halliday o tema é sempre o elemento que é apresentado em primeira posição na sentença (HALLIDAY, 1970).
De acordo com Halliday, a sílaba tônica é sempre o núcleo do grupo tonal, que equivale a uma unidade de informação, e identifica um segmento focal (prosodicamente proeminente). A este segmento focal sempre estaria associada uma informação nova, enquanto segmentos que não apresentam foco trazem uma informação contextualmente dada. Logo, no exemplo "iii" acima, o foco deve recair em “sold”; em "iv", há dois segmentos focais, “these houses” e “sold”; e, finalmente, em "v" há também dois pontos focais, que estariam sobre “this gazebo” e sobre “can't have been built”. Conforme será mostrado ao longo desse trabalho, a suposição de que um foco prosódico corresponde sistematicamente a uma informação nova não se sustenta em face dos dados de fala espontânea.
Em resumo, a estruturação da informação refere-se à organização de um texto em termos do que Halliday chama de funções “Dado” e “Novo”. Usualmente, “Dado” e “Novo”
convergem com “Tema” e “Rema”. Caso contrário, a oração resultante é uma estrutura marcada.