5. PRESENTASJON AV BANKENES LØNNSSYSTEMER
5.5 B ANK E
Para compreensão da mentalidade do europeu e as bases fundamentais para formulação de seu universo cultural afirmativo que pôde enaltecer as ações não só governamentais, mas de todos os cidadãos ingleses que partilhassem de versões a respeito da necessidade de se alterar um modelo sociocultural que estivesse fora dos padrões daquele construído na Europa, alterações estas em vários setores sociais, dos quais faz parte a religião. Assim algumas teorias foram por muitas vezes apropriadas e difundidas não só pela Inglaterra, mas pela Europa como um todo e no decorrer do século XIX estiveram ainda mais em evidência.
Nesta parte de texto visa-se reunir algumas para maior compreensão do ambiente sociocultural do qual provinham os ingleses que se espalharam pelo leste africano a partir do século XIX. São elas: a teoria econômica, teorias psicológicas, teorias diplomáticas e teoria da dimensão africana. Para melhor explicitar ele coloca-as em tópicos separados, quanto à teoria econômica, ainda que trate do período posterior ao nosso estudo, Uzoigwe fala das
continuidades de uma política eficaz por parte das imposições europeias, por isso, podemos aplicá-la. O autor acrescenta ainda o pensamento clássico de John Atkinson Hobson que no final do século XIX e início do século XX se difundiu sendo recuperado muitas vezes para a compreensão do Imperialismo na era Vitoriana da Inglaterra para enfatizar o processo que levou à crise da superprodução e à necessidade de se buscar rapidamente novos territórios consumidores a qualquer custo, como vemos:
a superprodução, os excedentes de capital e o subconsumo dos países industrializados levaram -nos a colocar uma parte crescente de seus recursos econômicos fora de sua esfera política atual e a aplicar ativamente uma estratégia de expansão política com vistas a se apossar de novos territórios. (USOIGWE, 2010, p.23)
Logo percebemos que, no âmbito econômico a superprodução europeia que já acontecia há muito tempo desde o avanço da indústria inglesa pioneira ampliada na Segunda Revolução Industrial na segunda metade do século XIX com a produção de bens de consumo comercializáveis que necessitava de novos mercados consumidores, assim como nos pactos coloniais nas primeiras décadas do século XVI foram pautados visando não somente a obtenção de novos produtos, mas também em novos mercados consumidores para os países imperialistas. Além disso, a região de Uganda ainda contava com valiosos recursos naturais que diferiam devido à fertilidade de outros territórios africanos. Em “A partilha da África 1880-1900” John Mackenzie30 também trará suas afirmações a respeito do imperialismo como
conceito econômico do século XIX onde a Inglaterra e outros países europeus ocidentais estão em busca de novos mercados consumidores e fornecedores de matéria prima. Este imperialismo irá chegar pelas mãos do governo inglês e atuará simultaneamente à empreitada missionária. Logo, as relações entre o governo inglês e os membros religiosos estiveram presentes naquele contexto da instituição CMS, não era interessante para os missionários conflitarem com o governo inglês naquele território, pois isso confundia os objetivos religiosos com os políticos, embora nem sempre se pudesse delinear uma ação da outra como afirma Hobsbawm (1988).
Segundo Mackenzie o imperialismo também se deu pela imposição cultural e religiosa a povos que eram considerados inferiores utilizando também da força militar no momento da ocupação desses territórios. No caso da CMS era fundamental que os povos locais aprendessem os preceitos religiosos e o evangelho cristão a partir da sua própria língua para que auxiliassem no processo de expansão do número de evangelizados, transformasse a Igreja local com aspectos cada vez mais próximos da realidade de Buganda como forma de garantir
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a permanência e a aceitação dos baganda com relação ao processo de conversão e convencimento da necessidade do cristianismo protestante para os africanos.
Não só a língua local de forma escrita nos textos bíblicos, mas também as pregações feitas por sacerdotes africanos, com formação religiosa em Buganda, possibilitaria um maior reconhecimento dos africanos com a religião do europeu. Para isso a tradução dos materiais para o ensinamento dos dogmas cristãos foi fundamental. Na década de 1880, os preceitos cristãos já eram traduzidos do inglês para diversas línguas locais como swahili e a língua inglesa já era ensinada a uma grande parcela da população local, assim, puderam surgir pastores locais que garantiram a permanência daquelas ideias.
No âmbito econômico, por parte do governo inglês durante o fim da década de 1880 e início da década de 1890 até o estabelecimento do protetorado, o que ocorria era uma espécie de novo colonialismo, não mais aquele lento e analítico de ocupação territorial do século XVI, mas sim ações rápidas que atendessem ao mercado e as mentes em uma disputa mais acirrada.
Boa parte da Europa precisava de recursos naturais para suas indústrias além de riquezas naturais que atraíram novos exploradores. As ações deste grupo muitas vezes entrou em desacordo com os grupos locais. Apesar dos abusos os membros da CMS na maioria das vezes, não se opunham abertamente aos exploradores e mesmo algumas atitudes do governo inglês. Contudo, a tolerância era quebrada quando se havia denúncias de escravidão. Neste caso, sempre era recomendado pelos superiores que intervissem, sendo assim em alguns momentos pontuais os missionários tomaram partido para tentar evitar práticas escravistas.
Os pensamentos que justificavam a ação do europeu, portanto, na maioria dos momentos influenciou a postura desses estrangeiros dentro do território de Buganda, tradições e cultura ocidental sempre representavam algo muito diferente do que era vivido dentro das sociedades do leste-africano. Assim, mesmo quando missionários e o governo inglês através de seus representantes na região tinham posicionamentos contrários eles eram muito mais facilmente acordados e solucionados entre si do que com relação aos pensamentos da sociedade local devido aos universos diferenciados. Por isso, havia a mínima intervenção possível por parte dos religiosos ingleses nos assuntos ligados à esfera política.
Algumas teorias difundidas faziam com que a ação dos missionários da CMS partisse de um pensamento comum ao dos representantes do governo inglês no que concerne a ideia de uma religião “melhor e necessária” do que as crenças pagãs africanas, somente pelo fato de terem se desenvolvido na Europa. Estas teorias, por exemplo, as enfatizadas por Atkinson Hobson, dentre outras, pelas quais foi refletida ideia de superioridade intelectual e de desenvolvimento da civilização que precisava ser levado até a África, fosse pela vertente da
imposição política representada pelo governo inglês, fosse pelo conhecimento e aceitação do cristianismo protestante como religião “correta” para “salvação” daquela sociedade. Dentro dessas teorias que mostram a religião presente num contexto geral imperialista Usoigwe denomina como teorias psicológicas. Temos um grande exemplo a partir de sua posição em relação a teoria do darwinismo social:
A obra de Charles Darwin, “A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a conservação das raças favorecidas na luta pela vida” publicada em inglês em novembro de 1859, parecia fornecer caução científica aos partidários da supremacia da raça branca, tema que, depois do século XVII, jamais deixou de estar presente, sob diversas formas, na tradição literária europeia. Os pós-darwinianos ficaram, portanto, encantados: iam justificar a conquista do que eles chamavam de “raças sujeitas”, ou “raças não evoluídas”, pela “raça superior”, invocando o processo inelutável da “seleção natural”, em que o forte domina o fraco na luta pela existência. (USOIGWE, 2010, p. 25)
O autor também traz suas reflexões quanto ao cristianismo evangélico:
O cristianismo evangélico, para o qual A origem das espécies era uma heresia diabólica, não tinha, por sua vez, o menor escrúpulo em aceitar as implicações racistas da obra. As conotações raciais do cristianismo evangélico eram moderadas, todavia, por uma boa dose de zelo humanitário e filantrópico sentimento muito disseminado entre os estadistas europeus durante a conquista da África. Sustentava-se, assim, que a partilha da África se devia, em parte não desprezível, a um impulso “missionário”, em sentido lato, e humanitário, com o objetivo de “regenerar” os povos africanos. Já se afirmou, além disso, que foram os missionários que prepararam o terreno para a conquista imperialista na África oriental e central, assim como em Madagáscar. No entanto, se é verdade que os missionários não se opuseram à conquista da África e que, em certas regiões, dela participaram ativamente, esse fator, por si só, não se sustenta como uma teoria geral do imperialismo, em razão de seu caráter limitado. (USOIGWE, 2010, p. 25-26)
Nota-se, portanto, que a religião tornou presente dentro do contexto cada vez mais de forma efetiva e fora apoiada e auxiliada pelos governos imperialistas como mais um meio de levar a cultura europeia para essas regiões no século XIX. É nesta vertente que esta dissertação segue já que adiante demonstraremos mais ativamente as relações da política com as instituições religiosas na África e as formas de afirmação de seus preceitos, rituais e dogmas.
Além da ideia de superioridade e capacidade intelectual que estariam levando a religião “correta” que era a cristã protestante, os missionários se apoiavam em interpretações bíblicas e programas que buscavam uma “salvação” do continente a partir da religião trazida pelos grupos missionários. A teoria da África amaldiçoada por Noé, a chamada “maldição de
Cam”31 também esteve ligada à esta tentativa de justificação ideológica para a incursão e
formação das missões. A CMS adentra neste contexto na busca por áreas de influência religiosa e acaba atuando simultaneamente na expansão inglesa dentro de Buganda. Assim, embora não oficialmente, autoridades inglesas e missionários atuassem na mesma área da África central e leste eles ampliaram e colonizaram Buganda em uma empreitada que tinha mais alianças do que conflitos.
Usoigwe observando pelo viés sociológico observa um ativismo social, e mostra esta vertente utilizando outro teórico:
Foi Joseph Schumpeter o primeiro a explicar o novo imperialismo em termos sociológicos. Para ele, o imperialismo seria a consequência de certos elementos psicológicos imponderáveis e não de pressões econômicas. Seu raciocínio, exposto em termos antes humanistas do que da preponderância racial europeia, funda-se no que ele considera ser um desejo natural do homem: dominar o próximo pelo prazer de dominá-lo. Essa pulsão agressiva inata seria comandada pelo desejo de apropriação, próprio do ser humano. O imperialismo seria, portanto, um egoísmo nacional coletivo: “a disposição, desprovida de objetivos, que um Estado manifesta de expandir-se ilimitadamente pela força”. (USOIGWE, 2010, p. 26)
Havia também as teorias diplomáticas do imperialismo, utilizadas para fundamentar as ações de exploradores e políticos da época com relação à partilha da África no final do século XIX. A partir dessas teorias percebemos mais nitidamente a intenção das nações europeias em enfrentar todos os obstáculos que atravessassem seus projetos expansionistas de alcance de novos mercados consumidores, de possibilidade de obtenção de matéria prima, na abertura de estradas e na presença cada vez mais efetivas e comuns da Companhia de Comércio Inglesa, que facilitou a presença e continuidade do trabalho missionário através da postura de seus membros com relação ao apoio dado aos missionários.
No caso da vertente chamada de prestígio nacional, o principal teórico é Carlton Hayes
32 que faz a defesa do Reino Unido em sua política imperialista. Segundo ele, a nação que
aspirava compensar seu isolamento na Europa engrandecendo e exaltando o império britânico.
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SANTOS, Patrícia Teixeira. Dom Comboni: profeta da África e santo no Brasil. Rio de Janeiro. Ed. Mauad, 2002.p. 64.
32HAYES, Carlton. The Novelty of Totalitarianism in The History of Western Civilization, Proceedings of the
CAPÍTULO 2
O universo religioso de Buganda e a Church Missionary Society: assimilações e contrapontos
Antes de adentrarmos ao universo missionário da CMS é preciso considerar como era o universo religioso na visão do colonizador europeu e, através da cultura religiosa, perceber qual era o contexto em que se encontrava o continente. As religiões africanas por muito foram negadas como religião pelos europeus. As primeiras recuperações deste universo vieram através dos estudiosos africanistas naturais do continente africano. Um grande estudioso desta
temática é Emmanuel Obiechina33. Sua posição sobre as crenças religiosas nativas são um
marco e também importante aspecto para entender a visão de mundo dos povos das sociedades tradicionais como aparece em um trecho de sua obra:
Não existe qualquer dimensão importante da experiência humana que não esteja ligada ao sobrenatural, ao sentimento popular religioso e à piedade [...]. Tudo isso constitui parte integrante da estrutura ideológica da sociedade tradicional e é essencial para uma interpretação exata da experiência no contexto social tradicional. (OBIECHINA, 1978. p. 208)
A religião nativa, segundo Obiechina, estava ligada ao contexto regional, compreendendo além do sobrenatural, a natureza divina e o lugar do ser humano no mundo. A divindade maior tinha suas variações de acordo com a localidade. Ainda segundo o autor, deus funcionava como um suserano nas sociedades, podendo beneficiar ou castigar o indivíduo de acordo com o que este tivesse feito, ou seja, o que faz bem recebe o bem e o que faz mal, recebe o mal.
O ser superior não possuía uma imagem física, sua existência era essencialmente espiritual. Abaixo do superior temos outros espíritos hierarquizados com base na ancestralidade. A ancestralidade é uma condição presente na política e a sociedade nos territórios da África como um todo sendo fundamental para compreensão de seu universo cultural, religioso e político. A influência dos ancestrais está indiscutivelmente interagindo com a hierarquia de poder, com a cultura e é fundamental para essas populações. Mesmo nesta linha hierárquica aparecem os deuses que tinham responsabilidade de castigar ou premiar os seus seguidores. Ainda existiam os feiticeiros e bruxos trabalhando com o místico e eram reconhecidos pelos membros dos reinos. Segundo o autor, todas estas esferas religiosas nativas eram necessárias para harmonia na comunidade.
Segundo um outro autor do tema (universo religioso nas sociedades africanas), Mbiti34, muitas novas crenças poderiam ser incorporadas a tradição, já que, inclusive nas lutas
étnicas respeitava-se muitas vezes a crença do vencedor e também a do perdedor. Isso era comum e coeso nas sociedades africanas e é algo que olhar das potências imperialistas avaliou muitas vezes, segundo relatos, como ausência religiosa.
Para os missionários da primeira geração da CMS e os posteriores essas características pagãs também eram tidas como necessidade de conversão ao cristianismo. A salvação só seria possível a partir da aceitação da religião ocidental. Para o reverendo Mullins, “a ausência religiosa” era o fator que motivava o que ele chamou “um pulo do escuro”, para salientar que
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OBIECHINA, E. Culture, Tradition and Society in the West African Novel. Cambridge. Cambridge University Press. 1978.
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a conversão de milhares de pessoas de grupos locais a partir do trabalho evangelizador dos missionários.
Devemos observar, entretanto, que a conversão implicava em um processo de negociação de ambas as partes. Muitas vezes durante os batizados e as pregações era necessário algumas assimilações com a cultura religiosa local para que os convertidos pudessem compreender a intenção dos pregadores missionários, e mesmo nas passagens que serviam como ilustração para convencimento dos novos fiéis do “caminho correto a ser seguido” na visão do europeu, era colocado muitas vezes artifícios pagãos e costumes locais para indicar o que era correto ou não após a conversão.
Uma passagem que traremos adiante mostrará inclusive um doente a beira da morte que implora a um não convertido que borrife água em seu rosto e profira as palavras do ritual cristão “em nome do pai, do filho e do espírito santo” para concretizar antes da morte o desejo de se tornar cristão, e essa conversão fora aceita mesmo sendo feita pelas mãos de um descrente no Evangelho.
As assimilações, adaptações ou negações do ambiente cultural pagão local eram necessárias como meio de alcançar um maior número de fiéis, ou seja, o contexto histórico, político e cultural local influenciou o modo de evangelizar dos missionários da CMS, que sem adaptações não teriam obtido sucesso na empreitada como a necessidade de se criar uma língua escrita que pudesse contribuir neste processo evangelizador além da necessidade de fazê-la a partir da língua inglesa. Para a instituição missionária a tradição afirmava a condição de “atraso” com relação ao inglês, era a forma como representavam “o outro” africano em seus textos, mas, além disso, era uma maneira mesmo que fruto do ideal comum na Inglaterra, de justificar a necessidade de se expandirem com o processo evangelizador pelo território de Buganda.
Nessa perspectiva, John e Jean Commaroff35 nos trazem fundamentos para melhor
compreensão da necessidade que o europeu tinha em afirma-se dentro no universo africano e da suposta indispensável colaboração que os africanos dos reinos do leste do continente, durante o século XIX, representados como sem cultura e desorganizados necessitavam para alcançarem a “civilidade”. Isso fica evidente, por exemplo, no trecho:
Na medida em que uma sociedade civil em África é amplamente tomada a depender “do triunfo do capitalismo liberal” seu futuro não é geralmente percebido como uma mera questão de materialidades, de interesses econômicos. Algo mais elevado está em questão: “o abraço do espírito histórico mundial” que investe projetos cívicos com “finalidade imanente”.
35COMAROFF, John L. COMAROFF, Jean. Civil Society and the Political. Imagination in Africa: Critical Perspectives. Chicago and London: University of Chicago Press, 1999.
Para os espíritos “menos elevados” a chave para a civilidade reside em mundanidades; (...) a consolidação da sociedade capitalista do século XVIII e XIX, com seus arranjos sociais e culturais característicos, seus sujeitos portadores de direitos, suas maneiras “refinadas”.
Assim é que os intelectuais ocidentais, advogados, empresários, acadêmicos, professores, e às vezes Líderes cristãos (nunca muçulmanos) foi orientada. - E são tipicamente vistos de fora como as vanguardas de informação da sociedade civil. São eles que são pensados com maior probabilidade de se comprometerem com o desenvolvimento de uma esfera pública ativa, juntamente com os seus meios necessários e organizações voluntárias; em gerar lugares e associações através do qual a burguesia pôde perseguir os seus interesses sem entraves, por lealdades paroquiais, a política de identidade ou governos intrusivos; a equiparar esses interesses
com o bem da sociedade em geral, até mesmo através de "humanidade".36
Nesta ideia, mantiveram os diversos grupos provindos da Europa para a África sejam eles ou não religiosos, uma mentalidade equivocada de superioridade do europeu em função dos africanos, representá-los como aqueles que necessitam de auxílio para construção de sua política e religiosa é uma maneira dos ocidentais europeus de personificarem as informações do mundo “civilizado” para serem “repassadas” para a sociedade civil dos reinos como o estudado, por exemplo.