2. TEORETISK RAMMEVERK
2.1. B ÆREKRAFT I MOTEINDUSTRIEN
Diante da imensa diversidade textual e da questão da escolha dos gêneros textuais a serem trabalhados em sala de aula Dolz e Schneuwly (2004) propõem um agrupamento de gêneros levando em consideração os domínios sociais de comunicação e as capacidades de linguagem dominantes. A proposta feita pelos autores está presente no seguinte quadro:
QUADRO 1 - Proposta de agrupamento de gêneros feita por Dolz e Schneuwly
DOMÍNIOS SOCIAIS DE COMUNICAÇÃO CAPACIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES EXEMPLOS DE GENEROS ORAIS E ESCRITOS Cultura literária ficcional NARRAR
Mimeses da ação através da criação de intriga.
Conto maravilhoso Fábula
Lenda
Narrativa de aventura Narrativa de ficção científica. Narrativa de enigma Novela fantástica Conto parodiado Documentação e memorização de ações humanas RELATAR
Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo.
Relato de experiência vivida Relato de viagem
Curriculum vitae Notícia Reportagem Crônica esportiva Ensaio biográfico Discussão de problemas sociais controversos ARGUMENTAR
Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição. Texto de opinião Diálogo argumentativo Carta do leitor Carta de reclamação Deliberação informal Debate regrado
Discurso de defesa (adv.) Discurso de acusação(adv.) Transmissão e
construção de saberes
EXPOR
Apresentação textual de diferentes formas dos saberes.
Seminário Conferência
Artigo ou verbete de enciclopédia Entrevista de especialista
Tomada de notas
Resumo de textos expositivos ou explicativos
Relatório científico
Relato de experiência científica
Instruções e
prescrições
DESCREVER AÇÕES
Regulação mútua de comportamentos.
Instruções de montagem Receita Regulamento Regras de jogo Instruções de uso Instruções Fonte: DOLZ E SCHNEUWLY, 2004, p.102
Segundo os autores, o agrupamento dos gêneros textuais foi feito a partir da percepção de certas regularidades linguísticas e de transferências possíveis. Eles também devem atender a alguns critérios e, pensando nisso, é preciso que os agrupamentos
1. correspondam às grandes finalidades sociais atribuídas ao ensino,cobrindo os domínios essenciais de comunicação escrita e oral em nossa sociedade;
2. retomem, de maneira flexível, certas distinções tipológicas, da maneira como já funcionam em vários manuais, planejamentos e currículos;
3. sejam relativamente homogêneos quanto às capacidades de linguagem implicadas no domínio dos gêneros agrupados (DOLZ E SCHNEUWLY, 2004, p.101).
O agrupamento proposto é organizado a partir de cinco grandes eixos, ou aspectos tipológicos: Narrar, Relatar, Argumentar, Expor e Descrever ações. Os autores afirmam que ignoraram propositalmente a poesia, pois segundo Dolz e Schneuwly (2004) ela “não pode, absolutamente, ser tratada como agrupamento de gêneros” (DOLZ e SCHNEUWLY, 2004, p. 50). Não há um detalhamento e nem uma justificativa maior para essa afirmação, mas eles
indicam a leitura de Jolibert, Sraiki e Herbeaux (1992). Pode-se questionar a posição defendida pelos autores, uma vez que a poesia, assim como qualquer outro gênero textual atende aos critérios estabelecidos por eles. Trata-se de um gênero textual com características bem particulares e que atende a demandas específicas, mas indiferente disso é um gênero que, dentro de contextos bem definidos, pode ser objeto de ensino-aprendizagem em um agrupamento assim como qualquer outro.
O que interessa, na verdade, não é encontrar uma palavra certa que traduza a capacidade de linguagem dominante no fazer poético – se é que há uma dominante. O que interessa nem é mesmo propor um novo agrupamento num conjunto que estivesse, a alguns olhos, incompleto. Importa unicamente é não ignorar que se a poesia circula em diferentes esferas da cultura na vida social, e se é feita de linguagem, a sua realização em poemas constitui de fato e sem dúvida um gênero do discurso (PADILHA, 2006, p.98).
Dolz e Schneuwly (2004) ainda defendem que o agrupamento proposto por eles não deve ser visto como algo fixo, mas como “um instrumento suficientemente fundado teoricamente para resolver, provisoriamente, problemas práticos como a escolha dos gêneros e sua organização numa progressão” (DOLZ E SCHNEUWLY, 2004, p.103). De acordo com a proposta feita pelos autores, é importante que todos os aspectos tipológicos apresentados sejam contemplados em todos os anos da vida escolar. É importante ainda que esses gêneros sejam trabalhados de forma progressiva e articulada. Eles apresentam as seguintes razões para justificar essa posição:
Pedagógico: a variedade de gêneros textuais que exploram diferentes capacidades oferece ao
aluno diversificadas vias de acesso à escrita;
Didático: a diversidade de gêneros textuais presentes nos agrupamentos oferece a
possibilidade de desenvolver “as especificidades de funcionamento dos gêneros e tipos, para um trabalho de comparação de textos” (DOLZ E SCHNEUWLY, 2004, p.53);
Psicológico: são muitas as operações da linguagem necessárias para o domínio de diferentes
gêneros textuais, e elas estão “intimamente ligadas a um agrupamento de gêneros e exigem um ensino-aprendizagem direcionado que, além disso, é necessário que se faça em diferentes níveis de mestria” (DOLZ E SCHNEUWLY, 2004, p.53);
Social: é importante que sejam consideradas as finalidades sociais para o desenvolvimento
Tendo em vista esse agrupamento, pode-se pensar na distribuição dos gêneros textuais explorados em um Livro Didático de Português. A partir dessa reflexão pode-se perceber que além da importância de se abordar diferentes gêneros textuais nas atividades de produção de textos, é relevante também se pensar na apresentação de gêneros que contribuam para a formação de alunos produtores de textos que saibam lidar com diferentes aspectos tipológicos. Esse trabalho precisa ser bem planejado e organizado ao longo dos anos. Portanto, “a retomada dos mesmos gêneros, em etapas posteriores, é importante para se observar o efeito do ensino a longo prazo e para assegurar uma construção contínua” ( DOLZ E SCHEUWLY, 2004, p. 105).