5. Analyse og diskusjon
5.1. Bærekraft integrert i forretningsmodellen
As características da “nova indústria” gaúcha tornaram-se, mais evidentes no final da década 1960 e começo 1970. Apoiadas pelos investimentos públicos em setores essenciais de infra-estrutura, como energia elétrica, portos, estradas, telecomunicações, etc, e as novas linhas de crédito capitalizadas e disponibilizadas pelo BRDE, foram fundamentais para a modernização da indústria de transformação gaúcha, além da evolução tecnológica e o aumento da produtividade do setor agropecuário, o principal fornecedor de insumos para a indústria de transformação gaúcha.
Os incentivos públicos fornecidos ao setor privado também contribuíram para a formação do novo perfil da indústria gaúcha. Os incentivos objetivavam atrair novos investimentos ao estado regional que planejava a realização de uma “cidade industrial”, oferecendo todas as condições necessárias de infra-estrutura, próxima aos bairros operários. A “cidade industrial”, projetada em 1961, localizava-se entre o Aeroporto Salgado Filho e o dique do rio Gravataí, em seu prolongamento para o sul, com capacidade para duzentas indústrias médias e pequenas, numa área de 420ha. Com incentivo, o Governo do Rio Grande do Sul também regulamentou a redução e as isenções de impostos para a indústria, em especial sobre produtos industriais exportados, e subvencionou a participação nas feiras, certames e exposições industriais.
Assim, além das ações internas, o desenvolvimento industrial gaúcho embarcava na corrente de crescimento da economia brasileira no período que ficou conhecido como o “milagre econômico” brasileiro, período de intenso crescimento do PIB e da produção industrial entre 1968 e 1973. A economia brasileira beneficiou-se do grande crescimento mundial e dos fluxos financeiros internacionais para aumentar sua abertura comercial e financeira em relação ao exterior.
Nesse ciclo expansivo, observou-se a predominância dos setores produtores de bens duráveis e de bens de capital, a partir da estrutura industrial implantada no passado recente (1940 e 1950). Uma das características mercantes desse processo foi a presença do capital estrangeiro, na forma de investimentos diretos e especialmente, por meio de empréstimos. A conseqüência do endividamento seria a crise dos anos 1980.
No Rio Grande do Sul, a mudança de perfil da indústria passava pela reestruturação do setor agropecuário. O uso mais eficiente da terra era o primeiro desafio para a retomada do
crescimento no setor primário e, em conseqüência, facilitar a vida do ramo tradicional do estado, principalmente as mais ligadas ao setor agropecuário. Assim, era primordial a mudança na estrutura dos insumos agrícolas, como a utilização de corretivos, fertilizantes, formicidas, vacinas e demais tecnologias de produção. Foram as iniciativas para revolucionar o setor primário, particularmente quando associadas as novas técnicas, como a rotação de culturas, engorde animal e integração da produção vegetal com a pecuária.
O setor agropecuário também contou com o investimento para vencer o período anterior de estagnação. Os programas de apoio à produção agropecuária estabeleciam a continuação de certos programas e a implementação de novos para atender a amplos e específicos interesses do setor. Os principais projetos geridos com recursos orçamentários e com a Taxa de Desenvolvimento Agropecuário foram: censo agropecuário, fomento e assistência técnica por agrônomo e veterinário em cada município, produção de sementes e mudas selecionadas, importação de matrizes e de reprodutores puros, criação de sessenta postos de inseminação artificial, combate às endemias animais, reaparelhamento do Instituto de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor, programa especial e permanente de difusão e democratização da propriedade45.
Todas estas ações foram fundamentais para a reorganização da indústria e a difusão do novo perfil industrial gaúcho. Assim, começa-se a observação das novas características da indústria gaúcha pelo item Porte dos Estabelecimentos Gaúchos. Na Tabela 19 demonstra-se a evolução do tamanho dos estabelecimentos gaúchos ao longo do período estudado (1920/80).
Tabela 19
Tamanho médio dos estabelecimentos, segundo seu caráter e porte Rio Grande do Sul - 1920/80
Estabelecimentos (%) Caráter dos Empreendimentos Porte dos Estabelecimentos Faixas de Ocupação de Operários 1920 1950 1970 1980
Não-capitalistas Artesanal Até 9 (10) 81,4 88,4 79,7 67,8
Pequeno Porte De 10 a 99 (100) 16,2 10,7 18,1 27,2
Capitalistas Médio De 100 a 499 (500) 1,9 0,9 1,9 4,4
Grande Porte 500 e mais 0,5 0,1 0,2 0,6
Todos Todos Total 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
A concentração da propriedade industrial gaúcha evoluiu na direção da diminuição dos estabelecimentos de porte não-capitalista ou produção artesanal, para o universo das pequenas empresas, ou seja, compostas com 10 a 99 empregados. Essa composição da indústria gaúcha determinava um tamanho médio do estabelecimento industrial significativamente inferior ao de São Paulo e do resto do Brasil. Contudo, de maneira geral, a evolução capitalista, ao longo dos 60 anos pesquisados, acentuou o crescimento dos estabelecimentos de pequeno e médio porte. No Rio Grande do Sul, o movimento foi mais lento, pois, no Censo Industrial de 1980, apesar da significativa redução, os estabelecimentos com até nove operários representavam cerca de 67,8 % da composição industrial, enquanto no estado de São Paulo este número caíram para 49,4 %.
Quanto aos operários ou pessoal ligado à produção, na década de 1920, o Rio Grande do Sul tinha a maior concentração, nos estabelecimentos de produção artesanal ou de pequeno porte. Já, no estado de São Paulo, a composição era oposta, a maior concentração de operários ou pessoal ligado à produção, estava justamente nos estabelecimentos de médio e grande porte. A diferença da estrutura de propriedade da indústria gaúcha também se refletia na maior importância dos estabelecimentos constituídos, como firmas individuais ou sociedade de pessoas, ou seja, predominavam as relações de sociedade mais singelas, diferente do centro do país, onde já existiam, em maior proporção, as empresas estabelecidas como sociedade de capital ou mista.
No Rio Grande do Sul, os estabelecimentos menores destacavam-se na década de 1920, pois ocupavam proporcionalmente mais operários e respondiam por maior parcela da produção do que no resto do país. Os dados sugerem que na indústria gaúcha a produção industrial estava organizada, no início do século, na forma de negócios familiares em grau superior ao das demais indústrias do país, o que diferencia o Estado no sentido da organização industrial do início do século até meados da década de 1950. Porém, com o passar dos anos, os estabelecimentos de maior porte passaram a representar maior peso relativo no Rio Grande do Sul. Nos estabelecimentos de médio porte, a distribuição dos operários ou pessoal ligado à produção passava a representar 40,4% no final da década de 1970.
Tabela 20
Operários ou pessoal ligado à produção Rio Grande do Sul e São Paulo – 1920/80
Operários ou pessoal ligado à produção – RS (%) Caráter dos empreendimentos Porte dos estabelecimentos Faixa de Ocupação de Operários 1920 1950 1970 1980
Não-Capitalistas Artesanal Até 9 (10) 19,1 27,1 10,5 6,0
Pequeno Porte De 10 a 99 (100) 29,0 39,0 41,9 31,2
Capitalistas Médio De 100 a 499 (500) 27,2 19,5 32,5 40,4
Grande Porte 500 e mais 24,7 14,4 15,1 22,4
Todos Todos Total 100,0 100,0 100,0 100,0
Operários ou pessoal ligado à produção – SP (%) Caráter dos
empreendimentos estabelecimento Porte dos
Faixa de Ocupação de
Operários 1920 1950 1970 1980
Não-Capitalistas Artesanal Até 9 (10) 13,1 11,4 6,3 3,8
Pequeno Porte De 10 a 99 (100) 22,4 28,6 31,1 33,6
Capitalistas Médio De 100 a 499 (500) 28,0 30,3 33,7 38,9
Grande Porte 500 e mais 36,4 29,8 28,9 23,7
Todos Todos Total 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
Outro indicador interessante é a distribuição do pessoal ocupado pela indústria, pois através desta análise pode-se determinar o peso de cada grupo industrial, na geração de emprego nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, bem como o perfil nacional da distribuição do pessoal ocupado. Conforme se ressaltou, nos capítulos anteriores, a indústria de tradicional teria um peso significativo em todas as regiões do país, mas no Rio Grande do Sul exibia números avassaladores no início da década de 1920, pois cerca de 80,7% do pessoal ocupado pela indústria estava neste ramo industrial, contra 19,3% estavam ligados nos grupos da indústria dinâmica. No período da crise, a representatividade das indústrias de transformação, no Rio Grande do Sul era de 69,4%, isso explica em parte a idéia de que uma crise que atingiu o setor primário da economia e em conseqüência, as indústrias ligadas ao setor agropecuário, teria enorme repercussão na sociedade.
Tabela 21
Distribuição do pessoal ocupado por grupo de indústria no Rio Grande do Sul, São Paulo e Brasil
Grupos de
Indústrias (%) Rio Grande do Sul
1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 80,7 77,5 74,1 69,4 62,7 59,6 Dinâmicas - Total 19,3 22,5 25,9 30,6 37,3 40,4 Dinâmicas - A 10,9 12,8 15,1 14,9 14,0 13,5 Dinâmicas - B 8,4 9,7 10,8 15,7 23,2 26,9 São Paulo 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 73,9 70,4 61,8 49,7 42,9 37,1 Dinâmicas - Total 26,1 29,6 38,2 50,3 57,1 62,9 Dinâmicas - A 17,7 17,2 21,1 21,6 21,2 19,3 Dinâmicas - B 8,4 12,4 17,0 28,8 35,9 43,6 Brasil 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 78,8 74,8 68,9 58,4 52,4 47,2 Dinâmicas - Total 21,2 25,2 31,1 41,6 47,6 52,8 Dinâmicas - A 14,1 14,5 18,4 20,2 20,2 19,6 Dinâmicas - B 7,1 10,7 12,7 21,5 27,4 33,2
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
Mesmo no final do período analisado (1980), a indústria gaúcha ainda permanece intimamente ligada ao grupo tradicional. Apesar da migração ou do crescimento acelerado promovidos após o Censo de 1949, cerca de 59,6% do pessoal ocupado permaneceu ligado à indústria tradicional no final da década de 1970. No estado de São Paulo, a migração ou absorção da mão-de-obra pelo o grupo dinâmico ocorreu em períodos anteriores e de forma mais contínua. Contudo, o padrão nacional se aproximou mais do padrão paulista. Na Tabela 22 pode-se destacar a distribuição do pessoal ocupado, agora por gênero de indústria, e é possível verificar que a indústria do ramo alimentar era a mais importante em termos de pessoal ocupado (1920). Quando se analisa o final do período (1980), a indústria metal- mecânica passa a ocupar uma posição de destaque, devido à evolução no decorrer dos 1960 anos abordados pelo Censo Industrial.
Tabela 22
Distribuição do Pessoal ocupado por gênero no Rio Grande do Sul 1920/80
Rio Grande do Sul Gêneros industriais (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Minerais Não-Metálicos 7,0 7,6 9,8 8,2 6,4 5,9 Metal-Mecânica 8,4 9,7 10,8 15,7 23,2 26,9 Madeira E Mobiliário 14,2 13,7 15,5 12,4 11,2 10,0 Química 3,9 5,2 5,4 6,6 7,6 7,6 Couros e Peles 3,0 4,5 3,9 3,9 3,6 3,4 Textil 13,2 6,7 7,2 5,4 4,5 3,4 Vest.Calçad.Artef.Tecido 7,6 11,3 10,5 13,2 15,6 20,3
Alim. Beb.Fumo (C/ F.F. E U.A.) 42,5 35,9 31,2 28,9 22,7 18,7
Diversas 0,2 5,4 5,8 5,6 5,1 3,9
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
Obs: Gênero alimentos, fumo, bebidas e forças físicas (C/F.F. EUA).
O movimento de crescimento do gênero metal-mecânico também ganha destaque quando se analisam outras variáveis, por exemplo, o Valor Bruto da Produção. Assim, o ramo metal-mecânico e químico passaram a aumentar o seu peso relativo da indústria regional. Entretanto, a explicação mais lógica para o bom desempenho dos ramos citados anteriormente é a própria recuperação da agricultura e a modernização das técnicas de trabalho no campo. O advento da soja no Estado trouxe um fator de propulsão para alguns ramos industriais não só na relação de consumo direto da lavoura, mas, também, na geração de renda provocada pelos excedentes das exportações da soja.
Em 1970, o Brasil já era um dos principais produtores e exportadores mundiais de soja, e o Rio Grande do Sul respondia por quase dois terços da produção nacional, com uma produtividade superior à brasileira. No período que vai de 1970-75, a safra gaúcha cresceu à inusitada taxa de 37% a.a. Contudo, o acelerado crescimento da lavoura de soja gerou renda monetária para os produtores, inclusive para os pequenos. Assim, o movimento ganhou o nome de “febre da soja”, pois não foram poucos os agricultores que abdicaram de outras culturas para plantar soja no Estado.
Tabela 23
Produção de soja no Brasil, Rio Grande do Sul e Brasil. Excl. RS Período de 1970-80
ANO (em mil toneladas) Produção Brasil (em mil toneladas) Produção RS Produção BR – RS (em mil toneladas)
1970 1.509 977 532 1971 2.077 1.393 684 1972 3.223 2.174 1.049 1973 5.011 2.872 2.139 1974 7.877 3.870 4.007 1975 9.893 4.689 5.204 1976 11.228 5.107 6.121 1977 12.513 5.689 6.824 1978 9.726,0 4.676,0 5.050 1979 10.200,0 3.600,0 6.600 1980 14.887,4 5.581,8 9.306
Fonte: CONAB e IBGE.
A lavoura de soja permitiu a rotação de diversas culturas no campo, o que maximizou o uso da terra e a ocupação da mão-de-obra, evitando a ociosidade que ocorria nas entressafras. Na questão industrial, a soja contribuiu para o aumento da demanda de determinados ramos industriais, principalmente no gênero metal-mecânico e implementos agrícolas. Com isto, o Rio Grande do Sul passou a ser o maior mercado nacional para certas linhas de máquinas e insumos agrícolas. O projeto de implantação da indústria de tratores agrícolas, que buscava atrair uma fábrica de tratores para Rio Grande do Sul, na condição de segundo maior centro consumidor do Brasil, o que exigiu um grande esforço do governo do Rio Grande do Sul junto ao Governo Federal.
O projeto tinha por base a importância do setor agrícola na geração da renda da economia gaúcha (em torno de 41%) e as possibilidades de exportação para outros estados. A assistência prestada pelo Governo do Estado foi no sentido de incentivar a formação de uma associação dos produtores de equipamentos agrícolas, somando esforços para atrair novas indústrias e para criar áreas industriais.
A inovação no campo também foi responsável por boa parte do crescimento do gênero da indústria química, novas técnicas no plantio e uso intensivo da terra, necessitavam insumos agrícolas (pesticidas, adubos, vacinas, etc.) cada vez mais modernos e eficientes. Logo, com a força da demanda do campo e a instalação de refinaria de petróleo e derivados, impulsionou o crescimento do gênero químico e elevou sua participação na distribuição do Valor Bruto da Produção de 4,3%, em 1920, para 19,9% em 1980. Cabe salientar que o ramo químico passou
a ter um expressivo crescimento após o período da crise, isto é explicado pela força da nova demanda nacional e regional e pelas inovações citadas anteriormente.
De maneira ampla, mesmo com a recuperação da agropecuária no Estado, os ramos de alimentação, bebidas, fumo, têxtil, madeira e de mobiliário perderam força na distribuição do VTI, à medida que o tempo avançou o gênero de alimentação, por exemplo, representava, na década de 1920, cerca de 55,8% do VTI, ou seja, quase metade da distribuição. Já no final do período estudado (1980), o VTI do gênero da alimentação, representava um quinto do total da distribuição. Esta foi outra característica importante da “nova indústria gaúcha”, menos dependente dos ramos tradicionais, mesmo com a recuperação da agropecuária que, em alguns casos era a principal fornecedora de insumos para a produção.
Tabela 24
Distribuição do Valor da Transformação Industrial por gênero e grupo no Rio Grande do Sul 1919/80
Gêneros e grupos De indústrias (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Minerais não-metálicos 4,4 3,4 5,0 5,3 3,5 3,4 Metal-mecânica 5,4 9,6 10,6 14,3 24,6 27,2 Madeira e mobiliário 9,7 7,8 12,6 8,9 7,0 6,7 Química 4,3 8,6 6,3 13,0 15,5 19,9 Couros e peles 2,9 4,3 3,5 3,5 3,4 2,6 Têxtil 12,1 5,2 5,9 3,4 3,8 2,9 Vest.calçad.artef.tecido 5,1 8,8 7,5 8,3 8,9 12,7 Alim.beb.fumo (c/ f.f. e u.a.) 55,8 49,1 44,4 39,3 28,9 21,6 Diversas 0,2 3,2 4,1 3,9 4,4 2,9 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Grupos de indústrias 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais C/ Ua 85,9 78,3 78,1 67,4 56,4 49,5 Dinâmicas - Total 14,1 21,7 21,9 32,6 43,6 50,5 Dinâmicas - A 8,7 12,0 11,3 18,3 19,0 23,3 Dinâmicas - B 5,4 9,6 10,6 14,3 24,6 27,2
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
Assim, a partir da década de 1960, a distribuição industrial gaúcha parecia se aproximar, da formatação paulista, ou seja, guardadas as devidas proporções de grandeza, a indústria gaúcha parecia estar convergindo para o mesmo padrão de distribuição paulista. Isso reforça uma das hipóteses abordadas no segundo capítulo, que destaca as necessidades da nova demanda nacional de produtos industriais, ou seja, bens de capital e bens intermediários.
Tabela 25
Distribuição Valor da Transformação Industrial (VTI) por grupo 1919-80
RAMOS INDÙSTRIAS Rio Grande do Sul (%)
1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 85,9 78,3 78,1 67,4 56,4 49,5 Dinâmicas - Total 14,1 21,7 21,9 32,6 43,6 50,5 Dinâmicas - A 8,7 12,0 11,3 18,3 19,0 23,3 Dinâmicas - B 5,4 9,6 10,6 14,3 24,6 27,2 São Paulo (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 75,5 63,5 57,3 40,3 34,8 27,2 Dinâmicas - Total 24,5 36,5 42,7 59,7 65,2 72,8 Dinâmicas - A 15,8 19,5 24,3 28,1 27,9 30,4 Dinâmicas - B 8,6 17,0 18,4 31,6 37,2 42,4 BR. excl. RS, SP (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Tradicionais 81,2 71,1 68,9 54,3 47,9 39,2 Dinâmicas - Total 18,8 28,9 31,1 45,7 52,1 60,8 Dinâmicas - A 14,3 18,2 18,3 23,8 27,4 31,3 Dinâmicas - B 4,5 10,6 12,8 21,9 24,7 29,5
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
As indústrias dinâmicas do estado de São Paulo representavam a maior parte do VTI, já na década de 1950. Na indústria nacional (Brasil excl. SP e RS), o VTI da indústria dinâmica passou a representar a maioria da distribuição no Censo Industrial de 1970. Entretanto, no Rio Grande do Sul, apenas no Censo de 1980 o grupo das indústrias dinâmicas foi ligeiramente maior. Tudo indica que, de forma mais lenta, o Rio Grande do Sul seguiu a tendência ou a necessidade nacional. É lógico que, à medida que o parque industrial vai ficando mais complexo e a demanda por bens de capital e bens intermediários vai crescendo, os ramos industriais dinâmicos passam a ganhar fôlego extra. Assim, o desenvolvimento industrial, principalmente em meados da década de 1950 e 1960, foi deliberado pelo crescimento do departamento produtor de bens de capital e do departamento produtor de bens de consumo duráveis; suas taxas anuais de crescimento médio no período de 1955-62 atingiram 26,4% e 23,9% respectivamente. Na Tabela 26 pode-se verificar o desempenho dos gêneros que tiveram o melhor (metal-mecânico e químico) e o pior (alimentação e têxtil) desempenho durante o período estudado (1920-80).
Tabela 26
Distribuição do VTI por gênero (Metal-mecânica, Química, Alimentação e Têxtil), no Rio Grande do Sul, São Paulo, Brasil exc. RS, SP e Brasil – 1919/80
Rio Grande do Sul Gêneros Industriais (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Metal-mecânica 5,4 9,6 10,6 14,3 24,6 27,2 Química 4,3 8,6 6,3 13,0 15,5 19,9 Alim.beb.fumo (c/ f.f. e u.a.) 55,8 49,1 44,4 39,3 28,9 21,6 Têxtil 12,1 5,2 5,9 3,4 3,8 2,9 São Paulo 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Metal-mecânica 8,6 17,0 18,4 31,6 37,2 42,4 Química 7,7 13,6 16,8 22,1 22,9 26,0 Alim.beb.fumo (c/ f.f. e u.a.) 27,2 20,6 19,7 15,3 12,7 8,6 Têxtil 32,2 27,8 22,2 12,3 9,9 6,6 Brasil Exc. RS, SP 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Metal-mecânica 4,5 10,6 12,8 21,9 24,7 29,5 Química 10,7 13,0 11,0 16,1 19,8 22,9 Alim.beb.fumo (c/ f.f. e u.a.) 34,0 34,4 30,7 25,0 22,2 15,2 Têxtil 29,0 20,4 19,3 13,1 9,4 7,1 Brasil 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Metal-mecânica 6,0 13,1 15,4 26,8 32,0 36,2 Química 9,0 12,9 13,5 19,2 21,3 24,3 Alim.beb.fumo (c/ f.f. e u.a.) 34,2 30,2 26,4 20,6 17,1 12,2 Têxtil 28,2 22,0 19,7 12,0 9,3 4,9
Fonte: Censo Industrial Brasil (IBGE).
A apreciação dos dados reafirma a idéia da evolução do gênero metal mecânico e químico (no Brasil), com destaque especial para o estado de São Paulo, pois, em 1980, o metal-mecânico representava nada mais nada menos do que 42,4% da distribuição do VTI. No Rio grande do Sul, o número aproximava-se do Brasil (excl. SP e RS), de 27,2% e 29,5% respectivamente. No contexto nacional, a evolução do gênero metal-mecânico sofre influência direta do apelo provocado pelas montadoras de veículos, empresas de transporte, produção de bens de capital, etc.
Na esfera regional, a implantação da indústria siderúrgica de aços finos, por exemplo, tinha por meta promover a instalação de uma usina siderúrgica para a produção de 50.000 toneladas/ano de ferro-esponja e 45.000 toneladas/ano de aços especiais (não comuns), aproveitando o carvão e a energia elétrica, existentes no município de Charqueadas. A produção do insumo básico visava a atender as necessidades do desenvolvimento da indústria mecânica-metalúrgica do sul do País, em especial a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas. O projeto de Lei Nº 4.072, de constituição da Aços Finos Piratini S/A foi aprovado
pela Assembléia e sancionado pelo Governador em dezembro de 1960. A obra contou com a participação da União que contemplou o projeto com Cr$ 1 bilhão do Plano Nacional do Carvão (MULLER, 1998).
Com a diversificação de alguns ramos industriais, o Rio Grande do Sul reconquistava, na década de 1970, a posição de um dos principias fornecedores de bens industriais para o país. O comportamento favorável do setor manufatureiro estadual refletiu a sua integração com o parque fabril do Centro do País, especialmente São Paulo, uma vez que parte expressiva da produção industrial se compõe de insumos a estreita ligação da indústria sul-rio- grandense com o mercado interno nacional, destacando-se a participação de outros estados tanto nas compras quanto nas vendas transacionadas pela indústria gaúcha.
Assim, para investigar a questão da representatividade da indústria gaúcha no contexto nacional é necessário analisar alguns indicadores: número de Estabelecimentos, Pessoal Ocupado pela indústria, Valor Bruto da Produção e Valor da Transformação Industrial, o Rio Grande do Sul, em termos relativos representa aproximadamente um décimo da indústria do Brasil. A representatividade tem uma trajetória distinta. No início do século, a indústria gaúcha representava pouco mais de um décimo da indústria nacional, quando se analisam as variáveis citadas anteriormente. Este peso relativo diminuiu com o passar das décadas, e chega no seu ponto de inflexão entre as décadas de 1950 e 1960, logo após este período há uma retomada da representatividade da indústria do Estado em nível nacional.
Esse movimento é totalmente contrário quando se aborda o tamanho agregado relativo da indústria paulista no contexto nacional. Em suma, a indústria paulista tem um crescimento constante e avassalador, pois, na maioria das variáveis, a indústria paulista tem uma representatividade em nível nacional, de um terço, no início do século XX. Porém, no final do período estudado (1980), a indústria paulista passou a representar metade da indústria nacional, reflexo direto do alto nível de desigualdade do país.
Tabela 27
Tamanho Agregado Relativo da Indústria RS/BR, SP/BR e RS/SP – 1919/80 RS/BR Tamanho Relativo Total (%) 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Nº Estab. 13,3 13,3 15,3 11,5 11,0 9,2 Pessoal Ocup. 9,3 8,4 8,6 7,5 8,3 9,4 VBP 11,1 9,8 8,8 7,2 6,8 7,3 VTI 11,5 6,4 7,9 7,0 6,3 7,4 SP/BR 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Nº Estab. 31,1 31,4 28,1 32,8 30,9 29,1 Pessoal Ocup. 30,4 37,2 40,6 47,2 48,9 46,0 VBP 31,5 45,4 47,9 55,7 56,1 52,6 VTI 33,8 28,2 48,9 55,5 58,1 53,4 RS/SP 1919 1939 1949 1959 1970 1980 Nº Estab. 42,8 42,3 54,6 35,2 35,6 31,4 Pessoal Ocup. 30,8 22,5 21,1 15,8 16,9 20,4 VBP 35,1 21,6 18,3 12,9 12,1 13,8 VTI 33,9 22,6 16,2 12,5 10,9 13,8
Fonte: Censo Industrial do Brasil (IBGE).
Quando se compara a indústria paulista com a gaúcha pode-se concluir que a indústria sul-rio-grandense perdeu o seu peso na relação entre São Paulo e Rio Grande do Sul. Nos itens VTI e VBP, por exemplo, a indústria gaúcha representava, no início do século, cerca de um terço da paulista. Já, no final da década de 1970, esta relação cai para um décimo. Este hiato colossal é conseqüência do processo de evolução e acumulação da indústria paulista. A disparidade entre as regiões do país é herança da formação econômica do Estado, mas com passar do tempo, as desigualdades entre as regiões, passaram a prosperar. É consenso, de que este comportamento não é “privilégio” das relações industriais, mas sim da sociedade como