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4.5 Friluftsliv i Skamdalen

4.5.5 Båtutfart, padling og bading

Em 1990, 56% dos eleitores classificaram os sindicatos como confiáveis, abaixo da Igreja Católica (82%), do Judiciário (62%) e do rádio (56%). Esse foi, também, o ápice do progresso de consolidação sindical na democracia emergente (IBOPE apud CARDOSO, 2003, p. 37). Para o SINTECT-AL, o ano de 1990 começou com a Semana de Luta dos Ecetistas. Esta tinha por objetivo denunciar para a opinião pública as perseguições, a falta de

democracia nos Correios e as arbitrariedades que se reproduziam desde a década de 1980 (Gazeta de Alagoas, edição de 24 de janeiro de 1990).

De 22 a 26 de janeiro foram publicadas notas na imprensa, dadas entrevistas nas emissoras de rádio e televisão, realizado ato público com a presença de outras entidades de classe, parlamentares e distribuição diária de informativos à categoria. A Semana de Luta serviu para os trabalhadores refletirem aquele momento político e fortalecer a unidade em torno do sindicato. Ações rotineiras, a exemplos das reuniões setoriais, distribuição de boletins informativos e as assembleias gerais eram utilizadas pelas lideranças do sindicato para conquistar os trabalhadores e fortalecer o movimento sindical nos Correios. Certamente, devido à conjuntura de medo estabelecida na década de 1980, as assembleias geralmente não eram repletas de trabalhadores. Mas, os ecetistas que a elas compareciam acabavam sendo propagadores, em seus locais de trabalho, dos encaminhamentos e temas discutidos nesses encontros.

É fato que os pontos de pauta sempre foram definidores do quantitativo de trabalhadores presentes nas assembleias gerais da categoria dos Correios. Geralmente as assembleias que aglomeravam mais ecetistas eram as decisivas durante as campanhas salariais ou quando havia algum ponto polêmico a ser discutido pela categoria.

Os quadros abaixo demonstram a frequência de ecetistas nas assembleias no final da década de 1980 e início da década de 1990:

Quadro 9 - Número de Participantes nas Assembleias Gerais do SINTECT-AL Ocorridas em 1989.

LOCAL DATA Nº DE PARTICIPANTES

Sindicato dos Bancários 07/04/1989 21

Não informado 20/04/1989 35 Clube da Astel 27/04/1989 52 Não informado 08/05/1989 84 Clube da Astel 10/05/1989 67 Não informado 04/07/1989 33 Não informado 18/07/1989 27

Sindicato dos Urbanitários 22/08/1989 47

Sindicato dos Bancários de Alagoas

22/09/1989 34

Não informado 26/10/1989 51 Não informado 08/11/1989 21 Não informado 09/11/1989 59 Não informado 21/11/1989 47 Não informado 05/12/1989 63 Não informado 13/12/1989 54

Fonte: Livro de Assinaturas de Assembleias do Sintect-AL.

Seguramente outras assembleias gerais devam ter ocorrido ao longo de 1989, mas seus registros não foram encontrados durante essas pesquisas. Entretanto, o quantitativo de participações indicado no quadro 9, até certo ponto, se reproduziu nos anos seguintes. Possivelmente, a menor participação continuou em face do terror provocado pelas demissões e repressão à organização de classe nos Correios nos anos iniciais de 1990.

Quadro 10 - Número de Participantes nas Assembleias Gerais do SINTECT-AL em 1990

LOCAL DATA Nº DE PARTICIPANTES

Não informado 07/05/1990 27

Não informado 14/05/1990 26

Não informado 11/06/1990 27

Sindicato dos Bancários 18/07/1990 114

Sindicato dos Bancários 19/07/1990 68

Não informado 23/07/1990 26 Sintect-AL 16/08/1990 17 Não informado 30/08/1990 21 Não informado 05/09/1990 16 Não informado 11/09/1990 16 Não informado 12/09/1990 13

Sindicato dos Bancários 18/10/1990 19

Clube da Astel 27/11/1990 41

Sintect-AL 06/12/1990 22

Clube da Astel 11/12/1990 54

Fonte: Livro de Assinaturas de Assembleias do Sintect-AL.

Embora as perseguições tenham continuado no início da nova década, a insatisfação da categoria com os Correios e a diretoria regional pode ser percebida na assembleia de 18 de julho, quando 114 trabalhadores compareceram para protestar contra as ações repressivas dos

Correios. A relação abaixo identifica o nome de vários delegados sindicais ativistas que foram demitidos no governo Collor.

Quadro 11 - Relação de Lideranças Sindicais Demitidas Entre 1990 e 1991

NOME PUNIÇÃO DATA MOTIVO OFICIAL

José Jorge de Oliveira Demissão 06/1990 Sem justa causa Moacir José dos Santos Demissão 06/1990 Sem justa causa Cleonilton Alves da Silva Demissão 06/1990 Sem justa causa Manoel Miguel dos Santos Jr. Demissão 06/1990 Sem justa causa Osvaldo Teixeira de Carvalho Demissão 06/1991 Por defender a greve em

assembleia da categoria. Cláudio Roberto Pacheco das

Chagas

Demissão 06/1991 Por defender a greve em assembleia da categoria. José Francisco Simplício Filho Demissão - Por ser contra

questionário da ECT Fonte: Carta do Sintect-AL, de 19 de novembro de 1992, à Secretaria de Anistia e Defesa do Emprego

Em 20 de julho de 1990, o SINTECT-AL denunciou Jarbas Maranhão, Anildson Menezes e Roberto Mota pela demissão de Orson Luís, Chagas e Osvaldo Teixeira. Em protesto foi organizado no mesmo dia um ato público em frente à Agência Central dos Correios em Maceió. Em resposta, a diretoria regional convocou o pelotão de choque da Polícia Militar para reprimir os trabalhadores espalhando o medo pela empresa. O fato foi noticiado pelo jornal Gazeta de Alagoas153, que também expôs os objetivos da Semana de Luta organizada pelo Sindicato. Como elemento mobilizador, foi publicada pelo sindicato uma ―suposta‖ declaração de autoria de Roberto Mota, um alto funcionário da empresa, afirmando que ―a direção do correio em Alagoas demitirá cada ecetista que entrar em greve, e já convocamos o Pelotão de Choque da Polícia para reprimir os grevistas. Aqui é a terra do presidente Collor, não podendo haver greve em hipótese nenhuma‖ (Roberto Mota, quinta- feira, 19 de julho de 1990, in Informativo SINTECT-AL, edição de 20 de julho de 1990).

As declarações de Roberto Mota ocorreram em virtude da assembleia geral realizada no dia 18 de julho e da Semana de Luta. O fato é que associar o movimento reivindicatório dos ecetistas com a ―terra‖ do presidente Collor, expõe a péssima relação existente entre a diretoria regional e as lideranças sindicais. O tom era de guerra, havendo também uma nítida

153

preocupação com a imagem da instituição federal em face do então presidente da República ser alagoano.

O clima de hostilidades intensificou-se com a campanha de desfiliação em massa do SINTEC-AL imposta pelos Correios a todos os trabalhadores. Pelo Brasil, a empresa havia demitido aproximadamente quatro mil trabalhadores, vinte e oito em Alagoas – difícil resistir às pressões pela desfiliação.

Outra maneira de cooptar os trabalhadores e esvaziar o Sindicato baseou-se no cerceamento da ascensão profissional. Os engajados no movimento sindical e que nele insistiram em permanecer não tiveram vez. Entre os supervisores operacionais ou chefes de CDD‘s nenhum mais era filiado ao Sindicato. Entretanto, o movimento continuou, embora o grupo de sindicalistas, fundadores da ASCOR e do SINTECT-AL, tivesse sua ascensão profissional prejudicada e, em algumas situações, abdicado de momentos de suas vidas pessoais em nome dos trabalhadores.

O mesmo aconteceu, por exemplo, com os carteiros Benigno e Hermes, que perderam a gratificação de carteiro motorizado por participação em greve. Os boletins internos dos Correios, uma espécie de terrorismo através da informação, amedrontavam alguns trabalhadores. Anunciava-se que o importante era preservar o emprego, e quem entrasse em greve corria o risco de se juntar à legião de desempregados (Informativo Gazeta Ecetista, ano III, 28 de maio de 1991).

Em pleno governo Collor, quando seu plano neoliberal de ―enxugar o Estado‖ demitia trabalhadores por toda a parte, os ecetistas continuavam a se reunir para deliberar sobre temas da categoria.

Quadro 12 - Número de Participantes nas Assembleias Gerais do SINTECT-AL em 1991 e 1992

LOCAL DATA Nº DE PARTICIPANTES

Não informado 29/04/1991 16 Não informado 21/05/1991 33 Não informado 06/06/1991 33 Não informado 11/06/1991 57 Não informado 10/12/1991 51 Não informado 17/03/1992 22 Não informado 19/03/1992 23 Não informado 27/03/1992 10 Não informado 03/04/1992 19 Não informado 29/05/1992 09 Não informado 21/07/1992 22 Não informado 29/09/1992 25 Não informado 03/12/1992 26

Não informado 10/12/1992 66

Não informado 16/12/1992 71

Não informado 18/12/1992 30

Não informado 17/03/1992 73

Fonte: Livro de Assinaturas de Assembleias do Sintect-AL.

Obviamente que outras categorias resistiam às incursões neoliberais através dos protestos e greves pelo Brasil. A reação do governo veio com a tentativa de se mudar a lei de greve, que passaria a condenar o piquete dos trabalhadores com definição de penas para a detenção das lideranças que não respeitassem o funcionamento dos serviços essenciais. Fato inibidor nos Correios, mas não a ponto de amordaçar o movimento sindical, conforme exposto pelo número de participantes nas assembleias de 1991 e 1992. Reprimir, demitir e subjugar com baixos salários e pela iminente condição do desemprego (dilemas de grande parte dos brasileiros), não serviu para se alcançar os objetivos neoliberais do Plano Collor. Os movimentos de trabalhadores aconteceram e contribuíram para a forte ojeriza social a qual o presidente da República teve de enfrentar em boa parte de seu mandato.