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5.1 Persondiagnoser - enøyde briller?

5.1.3 Avvik og normalitet

A terceira técnica de produção de dados aplicada aos sujeitos da pesquisa foi a recolha de textos produzidos por eles mesmos a partir de um instrumental elaborado pela pesquisadora, a fim de corroborarmos com as respostas dadas às entrevistas. Essa técnica também esteve associada ao primeiro objetivo específico, o qual se referiu ao processo de editoração do jornal escolar sob a ótica dos estudantes. Conforme registrado no Apêndice C deste texto acadêmico, aplicamos esse recurso diagnóstico, para a simulação de uma carta pessoal, a ser escrita com o título “Você faz parte do jornal desta escola!”. Por meio desse instrumento, solicitamos de cada integrante do CJ que produzisse uma carta pessoal a um colega de outra escola, informando-lhe o que seria necessário para desenvolver o projeto de um jornal escolar, baseando-se no que eles vivenciam na Escola da Imprensa.

Na ocasião, dos 25 componentes do Clube do Jornal, 13 participaram da elaboração efetiva dessa carta, uma vez que os demais não estiveram presentes devido a outras atividades dentro do ambiente escolar ou devido à ausência no dia letivo em questão. É importante registrar também que não dispusemos de um espaço adequado para a aplicação, embora tenhamos antecipadamente solicitado isso à direção da escola. Estávamos no laboratório de informática quando uma professora da instituição adentrou com uma turma de educandos, informando-nos de que havia reservado o espaço pedagógico. Saímos, então, do local e nos dirigimos a um outro lugar, pouco acolhedor na área interna da escola, com poucos bancos e poucas mesas, ficando expostos ao calor da tarde (ver Fotografia 5, no Apêndice F).

Consideramos essas explanações relevantes para registrar as dificuldades que tivemos, nesse momento pontual, para realizarmos um procedimento tão simples de investigação, que pode ter tido prejuízos de informações devido a essa questão de estrutura da

dos clubes que lá existem, embora o Quadro 1, reproduzido diretamente de INEP (2018), exponha que existem biblioteca e sala de leitura no referido ambiente educacional - espaços os quais não conhecemos nem adentramos neles em nenhum momento em que visitamos a instituição. Dessa forma, enfatizamos também os desafios pelos quais esses participantes do Clube do Jornal passam para concretizar cada edição.

A fim de descrevermos os treze sujeitos que elaboraram as cartas, dentro de suas funções específicas no clube, tivemos como participantes:

a) 6 que se intitularam como Procuradores de informações;

b) 1 que se intitulou como Procurador de informações, mas no corpo da carta afirmou que entregava os jornais, ou seja, era um Entregador de jornal;

c) 1 que afirmou ser Procuradora de informação – “espiã”, porém, no decorrer da carta, escreveu o seguinte: “No momento não sei exatamente o que faço...”;

d) 1que registrou ser o Líder do clube; e) 1 que se intitulou como vice-líder; f) 1 que assegurou ajudar o líder;

g) 1 que revelou ser Entregadora de jornal; e h) 1 que se intitulou como Carteiro.

Esse levantamento anterior, acerca dos sujeitos respondentes à técnica em questão, revela: como cada um se percebe na perspectiva de elaboração do jornal escolar, ou seja, que participação cada integrante percebe ter nesse processo de letramento jornalístico escolar, e também acrescenta à pesquisa as dificuldades que alguns têm de reconhecer sua identidade dentro desse processo, provavelmente por acabar acumulando funções ou porque muitas ações acontecem de forma confusa, não delimitada e/ou não tão claras como deveriam. Não nos pareceu relevante, no momento dessa construção de dados, solicitar que as cartas fossem identificadas com o nome de cada participante uma vez que essa exigência por parte da pesquisadora poderia impedir que os estudantes fizessem críticas ou que expusessem o que quisessem livremente, com o receio de serem identificados, o que prejudicaria diretamente o desenvolvimento analítico da pesquisa.

Dessa feita, quando nos referimos, na discussão dos dados, aos discentes que escreveram essas cartas pessoais, inserimos nomes fictícios e, ao lado, a função que eles representam no CJ, possibilitando uma ampla compreensão ao leitor deste texto acadêmico. O mais interessante, portanto, da aplicação desse instrumento de pesquisa foi buscar as intenções, as impressões, as concepções, as opiniões, as motivações, os pontos positivos e negativos do processo de construção do jornal, ou seja, o máximo de considerações desses

sujeitos sobre o que eles consideram como “receita” para desenvolver, de maneira satisfatória, o projeto de um jornal escolar, levando em conta o clube no qual estão inseridos.

De início, é interessante pontuar, em uma tabela explicativa – para procedermos à análise mais aprofundada no momento oportuno – quais foram os registros que mais apareceram nessas treze cartas direcionadas, de maneira simulada, a colegas de outras escolas. Abaixo, mostraremos as ações que esses estudantes consideraram inerentes à produção de qualquer jornal escolar e em quantas cartas diferentes essas ações apareceram, considerando, então, as prioridades dos estudantes em relação à existência de um jornal escolar em qualquer escola.

Tabela 6 – Ações inerentes a um Jornal Escolar, na ótica dos estudantes do CJ

AÇÕES QUANTIDADE DE CARTAS

Levantar e levar informações, assuntos, notícias, casos, conteúdos, fofocas, babados 11

Poder escolher as funções de participação 8

Realizar reuniões 7

Ser divertido 4

Poder escolher os gêneros discursivos 3

Ter um líder 3

Divulgar para toda a escola, conviver com os colegas 3

Ter a orientação de um professor 3

Enfrentar dificuldades e desafios 3

Fonte: elaborada pela autora, a partir das cartas enquanto técnica de construção dos dados (2017).

Essas ações levantadas pelos componentes do CJ e expostas na tabela anterior serão bastante utilizadas para desenvolver as discussões dos dados pautadas nos objetivos da nossa investigação na sequência deste texto. A seguir, portanto, abordaremos a última técnica de construção de dados utilizada para a realização da nossa pesquisa acerca do letramento jornalístico, na vertente escolar, que nos oportunizou desenvolver reflexões mais direcionadas ao segundo objetivo específico, que envolveu a análise do produto impresso do jornal escolar.