Porter (1990) refere que “it is the firms, not nations, which compete in international markets” (Porter, 1990: 33). Evidencia que um país compete se as suas empresas desenvolverem essa competitividade no mercado global.
Existem várias definições de competitividade da empresa. Salientamos Ambastha e Momaya (2004) quando afirmam que “firm level competitiveness can be defined as the ability of firm to design, produce and or market products superior to those offered by competitors, considering the price and non-price qualities” (Ambastha e Momaya, 2004: 47). Este conceito incide na capacidade de competir englobando vários aspetos de grande complexidade, sendo que “competitiveness is a complex notion, it can be regarded both globally and on the level of each component: commercial, technical, financial, human, managerial or organizational” (Tãnase, 2013: 85).
Vários autores procuram definir os fatores determinantes para a competitividade das empresas (Buckley et al.,1992; Ambastha e Momaya, 2004; Man et al., 2002).
Buckley et al. (1992) apresentam um modelo de competitividade assente em três dimensões que se interrelacionam: (i) o potencial competitivo que engloba os recursos existentes, (ii) a performance competitiva que considera os resultados, e (iii) o processo competitivo que diz respeita à gestão e administração da empresa.
Por seu lado Ambastha e Momaya (2004) defendem a competitividade da empresa como um processo dinâmico, considerando: (i) os ativos que incluem a cultura, a reputação, a marca, os recursos humanos e a tecnologia, (ii) a performance que engloba a criação de valor, a produtividade, a satisfação do cliente, a quota de mercado, a variedade versus gama, o preço versus custo e a rentabilidade, e (iii) os processos de gestão como sendo a estratégia, a inovação, a qualidade, a adaptabilidade/flexibilidade, a gestão de relacionamentos, a gestão de talentos, o marketing, a produção, o poder de persuasão e a aplicação das tecnologias de informação.
Man et al. (2002) estudam o conceito de competitividade, adaptado especificamente às pequenas e médias empresas, enfatizando as competências dos empreendedores. Identificam três fatores determinantes: (i) internos ou específicos da empresa (recursos financeiros, humanos e tecnológicos, a produtividade, a inovação, a qualidade, a estrutura organizacional, a imagem e reputação, a cultura, a variedade do produto e o serviço ao consumidor), (ii) o ambiente externo, e (iii) a atividade e os atributos dos empreendedores (especificando a experiencia, o conhecimento, as capacidades e a orientação para os resultados).
21 Referindo-se às empresas de turismo nas áreas protegidas, Lopes (2001) afirma: “A competitividade ou performance empresarial surge estreitamente associada à capacidade de gestão estratégica, nomeadamente à capacidade de assegurar modelos de organização e decisão que de forma integrada promovam a eficiência organizacional, a capacidade de inovação, a valorização das qualificações humanas e do conhecimento tecnológico interno à empresa, mas também a capacidade de estabelecer figurinos organizacionais de cooperação com o contexto institucional e empresarial que envolve a vida da empresa” (Lopes, 2001: 22).
De modo geral, as empresas de turismo de natureza são pequenas empresas ou micro empresas. Neste contexto o estudo das pequenas empresas de turismo é de extrema relevância, bem evidenciada na seguinte afirmação:
"How can sustainable tourism be understood and addressed without appreciating the role of small enterprises? How can public policy initiatives to enhance quality, to create jobs, to regenerate destinations do so without understanding the dynamics of smaller enterprises that are endemic in tourism? (…) How can tourism be understood without incorporating the informal economic relations that constitute so many of the transactions between tourists and small businesses in developed as well as developing economies?" (Thomas et al., 2011: 972).
Dos poucos autores que abordam esta matéria, destacam-se Font et al. (2014) e Alteljevic (2007).
Font et al. (2014) realizaram uma pesquisa que englobou cerca de 900 empresas de turismo em 57 áreas protegidas na Europa. Concluíram que estas empresas são micro e pequenas empresas (familiares na maioria dos casos), caracterizadas por uma gestão sustentável e de responsabilidade social. Os autores dividem estas empresas em três grupos: (i) empresas orientadas para objetivos comerciais, como a redução de custos, a promoção da imagem e a atração de turistas, (ii) empresas norteadas pela pressão dos stakeholders, e (iii) empresas impelidas pelo estilo de vida, valores e hábitos sustentáveis.
Alteljevic (2007), acerca das pequenas empresas de turismo em espaço rural, destaca: o planeamento do negócio mais informal (sendo o proprietário o gestor do negócio num ambiente familiar que emprega três ou menos pessoas); com uma fraca estratégia de gestão e marketing, considerando que o fator competitivo destas empresas incide na qualidade e diferenciação do produto.
Neves (2008) aponta que as motivações das empresas de turismo de natureza em Portugal são predominantemente não económico-empresariais, tendo como finalidade
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valorizar o património familiar ao manter as casas ocupadas, refletindo-se assim numa organização e numa oferta menos qualificada e competitiva.
O turismo de natureza é caracterizado por ser um produto de nicho. Os fatores de sucesso deste produto turístico estão relacionados com (i) as condições favoráveis para o turismo nas áreas protegidas (recursos e atitude positiva dos atores locais), (ii) a cooperação entre os atores, e (iii) o desenvolvimento de serviços e produtos turísticos orientados para a preservação e para a experiência do cliente. O turismo nas áreas protegidas compete com o turismo de massas (de maior escala e consequentemente maiores lucros). Como tal, o turismo de natureza necessita de um maior apoio político para ser competitivo e de uma regulação apropriada por tratar-se de áreas com elevados valores naturais (Hammer, 2008).
À semelhança da abordagem de Man et al. (2002), referida anteriormente, relativa ao papel dos empreendedores na competitividade das pequenas empresas, Bosworth e Farrell (2011) e Page e Ateljevic (2009) abordam o empreendedorismo no turismo.
Bosworth e Farrell (2011) referem-se ao empreendedorismo no turismo em meio rural como um importante vector no desenvolvimento da economia regional, sendo importante para as empresas uma aposta na qualificação do emprego, na inovação e na minimização da sazonalidade. Defendem que o empreendedorismo no turismo nas áreas rurais comporta vários beneficios para a economia local: (i) a promoção dos produtos locais, (ii) a existência e incentivo a novos investimentos, (iii) a criação de postos de trabalho, e (iv) a emergência de novos skills. Concluem que as esferas social e económica são indissociáveis e que os empresários de pequenas empresas de turismo contribuem positivamente para a economia local, reforçando o papel das redes e da comunidade.
Page e Ateljevic (2009) destacam-se pela sua abordagem aos conceitos de turismo e empreendedorismo numa prespectiva integrada, defendendo que ambos são importantes para o desenvolvimento local. Do ponto de vista do empreendedor, a área do turismo fornece um contexto específico com oportunidades próprias e percepcionada como diferente de outros setores industriais.
Outros autores enfocam a necessidade de cooperação entre os vários stakeholders que coexistem numa área geográfica, como é o caso de Daugastad (2008) ao acrescentar que o turismo em meio rural é, frequentemente, uma atividades paralela ou complementar à atividade agrícola, sendo importante dar atenção às tradições e à necessidades da população local.
23 A literatura demonstra o modo como a competividade das empresas se adequa ao turismo e ao turismo de natureza, daí a necessidade premente de se estudar as características destas empresas e os fatores que podem contribuir para a sua competitividade.