Kapittel 6 Konklusjoner og anbefalinger
6.3 Avsluttende ord
A Fotovoz é uma metodologia a partir da qual pessoas podem identificar, representar e refletir sobre um determinado fenômeno, possibilitando a expansão desta reflexão também para seu entorno coletivo ou grupo social (WANG; BURRIS, 1997). Sua operacionalização consiste basicamente em fornecer câmeras fotográficas aos participantes da pesquisa, lançando uma pergunta problematizadora e dando liberdade aos mesmos para expressarem suas subjetividades e singularidades através de imagens. Posteriormente, esses participantes apresentam suas fotos e discutem seus significados junto a outros companheiros, possibilitando o exercício crítico e a troca de experiências, o que resulta em transformações positivas para o próprio grupo ou comunidade (WANG; BURRIS, 1997).
A Fotovoz foi desenvolvida por pesquisadoras Norte-Americanas, a partir de referenciais teóricos específicos, sendo eles a fotografia documental, as teorias feministas e a educação para uma consciência crítica, arcabouço teórico proposto por Paulo Freire. Segundo as autoras, esta metodologia pode ser uma ferramenta poderosa não apenas para os estudos de gênero, com especial atenção ao universo feminino, mas também para a investigação do universo dos trabalhadores, bem como de grupos socialmente estigmatizados, sendo uma ferramenta emancipatória (WANG; BURRIS, 1997).
A operacionalização da Fotovoz foi realizada seguindo as recomendações de Wang e Burris (1997):
1. Convite aos participantes, explicando os objetivos da pesquisa, as questões norteadoras, as implicações éticas e demais esclarecimentos;
2. A fase do treinamento, na qual o pesquisador fornece as câmeras e dá dicas de como utilizá- las, sanando dúvidas sem, contudo, limitar a liberdade dos participantes no momento da produção fotográfica;
3. Realização das fotografias pelos próprios participantes, a partir de uma questão ou tema norteador;
4. Revelação das fotos e devolutiva aos participantes, conhecendo o material produzido. Eles podem desejar cópias das imagens, o que pode ser fornecido pelos pesquisadores em acordo previamente estabelecido;
5. Elaboração dos grupos de discussão, nos quais os participantes apresentam suas fotografias, atuando como catalisadoras de temas de reflexão e expressão de vivências e subjetividades.
Nos grupos de discussão, os participantes foram orientados a desenvolver as seguintes ações (WANG; BURRIS, 1997):
1. Selecionar: escolher as fotografias que mais refletem as necessidades e recursos da comunidade ou grupo em que se inserem.
2. Contextualizar: discutir ou contar histórias e experiências relacionadas aos significados das fotografias.
3. Codificar: identificar as questões, temas ou teorias que emergem desse processo de discussão.
Entre os 23 catadores que participaram das entrevistas individuais, 10 deles aceitarem participar da Fotovoz, sendo seis homens e quatro mulheres. O principal motivo de recusa, apontado pelos próprios trabalhadores, foi a impossibilidade de tempo para a realização das fotografias e participação no grupo de discussão. Consideramos que o manejo das câmeras, principalmente para aqueles que não tinham familiaridade com as mesmas, possa ter influenciado na não adesão a esta etapa da pesquisa, embora tenha ocorrido esforço por parte dos pesquisadores em fornecer dispositivos de fácil uso e informações práticas para sua utilização. Ainda assim, consideramos que a participação dos demais contribuiu sobremaneira para o enriquecimento do estudo, no qual o
número de participantes se tornou menos importante frente à profundidade dos resultados produzidos.
O convite para a participação na Fotovoz foi realizado individualmente, visto que os catadores procuravam os depósitos de venda em horários e dias distintos, situação que impediu um encontro coletivo. As perguntas propostas aos catadores, no sentido de direcionaram as fotografias, foram as seguintes:
- Como é o cotidiano de trabalho do(a) catador(a) de materiais recicláveis?
- Existe algo no seu trabalho que traz risco para a sua saúde/segurança ou que te leva a sofrer um acidente de trabalho ou ficar doente?
Estas questões foram apresentadas verbalmente a cada catador, discutindo as possíveis dúvidas ou necessidade de esclarecimentos. Posteriormente, cada um deles recebeu uma câmera fotográfica analógica, descartável, com possibilidade de produção máxima de 24 fotos, de uso menos complexo do que as digitais, e com apenas dois dispositivos a serem manejados: o botão para movimentação interna do filme, a ser acionado antes de cada foto tirada, e o botão para efetuar a fotografia. Aos catadores foi permitida a produção de duas fotos no momento do treinamento individual, visando sanar as inseguranças quanto ao manejo da câmera. Para cada tema (duas questões), foi estabelecido um mínimo de cinco fotos e um máximo de 10 fotos a serem produzidas, sendo que duas fotos poderiam ser realizadas a partir de um tema de livre escolha do participante.
Imediatamente após os dois esclarecimentos verbais (questões norteadoras e uso das câmeras), foi entregue a cada catador um roteiro de orientação para realização das fotografias (Apêndice B), buscando recordar as perguntas norteadoras e as formas de manejo da câmera, com dicas de uso. Buscou-se uma escrita clara, simples e de fácil entendimento. Este roteiro foi lido junto a cada participante, visando sanar dúvidas imediatas. Aos catadores foi fornecido o prazo máximo de três dias para efetuarem as fotos, sendo que a pesquisadora permaneceu no depósito em todos os dias subsequentes, no período da tarde, visando receber as câmeras.
Entre os dez participantes da Fotovoz que receberam tal roteiro, uma trabalhadora relatou dificuldades de leitura e escrita; porém, considerando que a mesma referiu morar com o filho alfabetizado, que poderia auxiliá-la na leitura do roteiro de orientação caso houvesse maiores
dúvidas, a mesma foi mantida como participante da pesquisa. Ela também foi orientada a buscar auxílio da pesquisadora no local do estudo, caso necessitasse de maiores esclarecimentos.
Após o recebimento das câmeras, as mesmas foram encaminhadas a um serviço especializado para revelação das fotos. O número de fotografias produzidas por cada catador oscilou entre 10 e 22 imagens.
As fotografias individuais, após serem reveladas, foram entregues a cada catador, para serem observadas previamente à realização do grupo de discussão. Os mesmos foram convidados a selecionarem as suas fotos mais importantes (ou agruparem as que fossem semelhantes), visando reduzir o corpo de imagens no momento dos diálogos coletivos, permitindo que todos tivessem espaço para expressão.
Destaca-se que nenhum dos trabalhadores solicitou cópias de todas as fotos, embora tal possibilidade tenha sido oferecida. Apenas dois deles decidiram obter algumas fotos de seu interesse, sendo elas fornecidas gratuitamente pela pesquisadora.
Na sequência, foram efetuados dois grupos de discussão com cinco participantes em cada um deles (três homens e duas mulheres), visando permitir o diálogo e a troca de experiências. Inicialmente, houve a tentativa de realizar os grupos separando-os por gênero (homens e mulheres). Entretanto, as dificuldades persistentes de conciliar uma data específica para tal realização (considerando que cada catador tem seu horário e espaço de trabalho) culminou na formação de grupos mistos. Apesar dessa conformação, houve um cuidado especial em buscar, no momento da realização dos grupos, a participação de todos os membros, sem que houvesse uma sobreposição da fala entre homens e mulheres. Destaca-se ainda que o presente estudo não teve como propósito estudar as diferenças de gênero no trabalho da reciclagem informal, sendo esse um importante objeto de pesquisas futuras.
Quanto aos recursos logísticos e materiais, os grupos foram realizados em um local desvinculado à empresa, em sala ampla, confortável, isenta de ruídos, com cadeiras e uma televisão de tela ampla para a exposição das fotografias. Também foram utilizados dois dispositivos para gravação de áudio (Gravador Panasonic RR-US300 e um celular Samsung Galaxy Win Duos), com o objetivo de captar os depoimentos dos participantes durante a discussão das fotos, com posterior transcrição dos mesmos.
Aos catadores foi fornecida a possibilidade de transporte ida/retorno via automóvel, sendo que alguns optaram por tal auxílio, enquanto outros preferiram utilizar sua própria locomoção. Para estes, foi oferecido auxílio financeiro visando custear o combustível (no valor de 20 reais).
Cada grupo de discussão, composto por cinco participantes, teve duração média de 1 hora e 30 minutos. Os temas de discussão foram conduzidos pela pesquisadora principal, com ajuda de uma auxiliar de pesquisa que efetuou alguns registros de observação e perguntas norteadoras, visando estimular todos os trabalhadores à efetiva participação no grupo. Duas reuniões prévias foram realizadas entre ambas, visando esclarecer os objetivos da pesquisa, bem como produzir um roteiro geral de direcionamento do grupo (Apêndice C).
O objetivo principal da discussão coletiva foi estimular os catadores a expressarem suas opiniões e vivências, tendo como material propulsor as fotografias por eles produzidas, em um movimento que desse maior autonomia e voz aos trabalhadores no momento dos diálogos. O roteiro serviu apenas como estruturação das etapas gerais do grupo e como um registro de possíveis questões que poderiam ser lançadas no momento da discussão, principalmente algumas não sanadas durante as entrevistas individuais, sem prejudicar a fluidez das discussões desenvolvidas pelos participantes.
No início, o intuito era que cada catador apresentasse suas fotografias, um após o outro, com comentários e reflexões do grupo na medida em que cada foto fosse apresentada ou sempre que tal necessidade surgisse. Porém, no momento do convite para o grupo, foi observada timidez nas falas dos catadores, visto que se reuniriam sem conhecerem um ao outro. Visando sanar esta barreira, optou-se por elaborar uma sequência aleatória de imagens, dando a cada participante a liberdade de expressar a sua produção fotográfica, sem um caráter de apresentação formal.
Aos participantes foi oferecido um café-da-manhã antes do início da atividade, o que possibilitou também uma interação social entre os mesmos. Após a alocação do grupo em círculo, o conjunto do material fotográfico foi projetado em uma tela, para que todos os participantes, ao mesmo tempo, pudessem visualizar as fotografias.
As perguntas-chave lançadas aos grupos de discussão foram: - Quem produziu essa foto?
- Qual a primeira palavra que vem à cabeça quando vocês veem essa imagem?
A partir delas, temas de discussão foram surgindo, relacionados às condições de trabalho e saúde dos catadores. Ao final do grupo, os participantes foram convidados a escolherem fotografias que pudessem sintetizar a discussão desenvolvida, produzindo temas centrais, por meio do diálogo e do consenso. Cada fotografia e tema foram registrados pelas mediadoras do grupo, visando produzir um corpus que pudesse direcionar as categorias empíricas.