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Analyse med fokus på det reflekterende team

Kapittel 5 Funn og Analyse

5.2 Analyse

5.2.3 Analyse med fokus på det reflekterende team

A complexidade do tema e as demandas do campo da saúde relacionada ao trabalho justificam as suas diversas abordagens, olhares e atores envolvidos. Ao longo da história de sua

existência, coexistem velhas e novas formas de se pensar e agir dentro do campo, e as discussões e desafios não cessam. Estudos de Mendes e Dias (1991), Minayo-Gomez e Thedim-Costa (1997) e Lacaz (2007) contribuem sobremaneira na elucidação do histórico, conceitos e práticas do campo de investigação da relação trabalho/saúde, apresentando os caminhos trilhados e as transformações dos modos de se pensar a articulação do mundo do trabalho com a saúde dos trabalhadores.

A título de elucidação, o campo trabalho/saúde pode ser dividido em três grandes paradigmas: a Medicina do Trabalho, a Saúde Ocupacional e a Saúde do Trabalhador. O presente estudo considera a importância de todos eles para a construção desta área de investigação, mas adota o paradigma da Saúde do Trabalhador para compreender as transformações na realidade dos trabalhadores.

A Medicina do Trabalho surge no contexto do século XIX, na era da Revolução Industrial. O espaço era predominantemente fabril, com a atuação do coletivo de operários em trabalhos pesados e desgastantes. Com isso, empregadores passam a se preocupar com as condições de saúde desses trabalhadores, porém no sentido de que a falha no seu desempenho levaria a prejuízos do processo de produção (MENDES; DIAS, 1991).

Por conseguinte, a medida adotada foi a de inserir a figura do médico dentro do processo produtivo e do cotidiano de trabalho. Este passou a desenvolver o papel de administrador da saúde laboral, a partir de medidas prescritivas, utilizando-se da teoria da unicausalidade (para cada doença um agente etiológico), e com uma visão mecanicista dos corpos dos trabalhadores, nos quais as peças danificadas deveriam ser recuperadas. Estas ações deram origem aos Serviços de Medicina do Trabalho, cuja implementação foi progressiva, com a coordenação do médico, figura central de confiança do empregador e a serviço de seus interesses, distante da defesa dos trabalhadores e de suas condições de existência nos espaços de trabalho (MENDES; DIAS, 1991; MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997).

Com a institucionalização dessas medidas a partir do surgimento e da atuação da OIT, definindo normas e leis para o funcionamento desses serviços, a ciência se volta para a investigação da saúde desses trabalhadores, com as fábricas se apropriando deste conhecimento para desenvolver uma administração científica do trabalho. A produção de Taylor, ampliada por Ford, culmina no estudo dos movimentos dos corpos que trabalham, visando à redução das faltas no

trabalho e da queda do rendimento, com a meta de gerar aumento da produtividade (MENDES; DIAS, 1991).

Com a Segunda Guerra Mundial, no contexto da industrialização e da máquina competindo espaço com os trabalhadores, os custos com o adoecimento e os acidentes de trabalho começam a preocupar os empregadores, a partir do aumento das indenizações relacionadas a danos decorrentes do exercício laboral. Além disso, as mudanças na conformação dos processos de trabalho com o avanço tecnológico, junto à insatisfação coletiva dos trabalhadores, culminam no questionamento das medidas de saúde e segurança no trabalho (MENDES; DIAS, 1991; LACAZ, 2007). Com isso, as ações passam a ter enfoque não apenas no trabalhador-indivíduo, mas, sobretudo, no ambiente de trabalho, com foco na multidisciplinaridade e na higiene industrial, voltando o olhar para a indústria como elemento produtivo central do período. Esta conformação é então definida como Saúde Ocupacional, que, utilizando da racionalidade científica e da articulação entre a medicina, a administração e a engenharia, vão intervir nos locais de trabalho a partir do controle dos riscos ambientais (MENDES; DIAS, 1991; MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997; LACAZ, 2007).

Com esse novo paradigma, novas legislações foram produzidas, com destaque para a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) na década de 1970 e com o surgimento das Normas Regulamentadoras (NRs), visando direcionar as ações obrigatórias das empresas voltadas à saúde dos trabalhadores. Também surgem e se expandem os cursos de especialização no Brasil, latu sensu e strictu senso, visando formar profissionais especializados para atuarem dentro do campo da Saúde Ocupacional (MENDES, DIAS, 1991).

Apesar de suas contribuições, a insuficiência dessas ações começa a ser identificada devido às práticas com enfoque na medicalização, de cunho individual, voltadas apenas para os trabalhadores inseridos no mercado formal. Ainda influenciada pela Medicina do Trabalho, a Saúde Ocupacional manteve sua visão mecanicista, com ações sem interlocução ou integração efetiva dos diferentes profissionais, sem acompanhar as mudanças nos processos de trabalho (o mundo do trabalho não era só o espaço da indústria ou do mercado formal), e com os riscos sendo entendidos como processos naturais a serem contornados, sem buscar o porquê de seu surgimento. Além disso, os

trabalhadores mantinham-se sem participação ativa nos modos de pensar e agir na saúde laboral (MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997).

Os movimentos sociais na Europa, na década de 1960 (com destaque para o maio de 1968), representaram um momento na história de muitas transformações e questionamento da vida, desconstruindo pensamentos arraigados, dentre eles a concepção sagrada do trabalho. A importância da participação dos trabalhadores se renova, com a intensa atuação por meio de cartas e legislações em países como Alemanha, França, Inglaterra, Canadá e especialmente Itália, por meio de uma luta que se inicia na transformação do olhar sobre a saúde dos trabalhadores (MENDES; DIAS, 1991; MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997; LACAZ, 2007).

Neste período, intensificam-se as discussões sobre a mudança no mundo do trabalho, com o surgimento de novas atividades laborais, queda da soberania da indústria, progressão do setor de serviços e o desenvolvimento de novas tecnologias, como a automação e a informatização dentro dos processos de trabalho, gerando, por fim, mudança no perfil dos trabalhadores (MENDES; DIAS, 1991).

A teoria da multicausalidade do processo saúde-doença, que trabalha com o conceito de fatores de risco ambientais, característica da Saúde Ocupacional, também passa a ser questionada. Suas raízes na medicina do trabalho e sua visão desvinculada do processo de trabalho sob influência da valorização do capital geraram discussões acadêmicas e por parte dos próprios trabalhadores. Neste sentido, a saúde começou a ser repensada (MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997; LACAZ, 2007).

Na década de 1980, período de transição democrática no Brasil, a atuação da Saúde Pública foi marcante, sendo entendida a partir da Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença. Sua finalidade foi a de superar a relação causa-efeito ou múltiplas causas individuais na geração de adoecimento, buscando incluir o confronto capital-trabalho e a subjetividade nas discussões sobre o fenômeno saúde. O paradigma da Saúde do Trabalhador foi ganhando espaço, no qual se tornou essencial o estudo dos processos de trabalho, dos processos de produção do capital e do reconhecimento do papel ativo dos trabalhadores na conformação do campo (LACAZ, 2007).

Para a Saúde do Trabalhador, o trabalho é espaço de determinação, porém de resistência, sendo inúmeras as suas contradições entre o individual e o coletivo, entre o biológico e o social,

entre o técnico e o político, e entre o particular e o geral. A VIII Conferência Nacional de Saúde e a I Conferência Nacional de Saúde dos Trabalhadores, a partir desse olhar complexo e crítico, tiveram efeitos importantes na elaboração da Constituição de 1988, tornando a saúde um direito universal e colocando em pauta esses conceitos como importantes na transformação do cotidiano de homens e mulheres trabalhadores (MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997).

A Saúde do Trabalhador compreende um conjunto de práticas teóricas interdisciplinares e interinstitucionais, construídas sob influência da Saúde Coletiva, da Medicina Social Latino- Americana e das lutas e experiências italianas. Ela se configura em um novo paradigma, utilizando-se especialmente do campo das ciências sociais, com destaque para as teorias marxistas, desdobrando- se ainda em outras teorias que continuamente vão agregando qualidade e amplitude às discussões. O centro de sua análise também se volta para o processo de trabalho, entendido como gerador de processos de adoecimento físico e mental nos trabalhadores (MINAYO-GOMEZ; THEDIM-COSTA, 1997).

A Saúde do Trabalhador também reconhece a multiplicidade e complexidade do mundo do trabalho, que envolve não apenas os trabalhadores formais assalariados, mas também os terceirizados, os subcontratados, os informais e os marginalizados, compondo um mundo heterogêneo (LACAZ, 2007). Por isso, o campo considera a importância da participação ativa dos trabalhadores nas discussões sobre o universo trabalho/saúde, (...) deixando de dizer apenas não, para também indicarem soluções para os problemas sociais, políticos e econômicos (RODRIGUES, 1995, p.120).

Assim, a presente pesquisa se baseia na utilização do materialismo histórico para o estudo da saúde dos trabalhadores, que se situa no interior do paradigma da Saúde do Trabalhador, sendo descrita a seguir.