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Avsluttende oppsummering

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Nesta seção, evocamos outras instituições e/ou personalidades que surgiram ao longo do estudo dos três intermediários (tradutor, editor e prefaciador) diretamente implicados nos processos de tradução de Menino de engenho na França, com o propósito de obter mais informações sobre o caminho percorrido pelas duas traduções.

4.2.2.1 OSWALD DE ANDRADE E TARSILA DO AMARAL

A partir de informações sobre a relação dos dois artistas brasileiros com Blaise Cendrars percebe-se a importância dele no Brasil e na França. Segundo Amaral (1970), o poeta suíço acompanhou de perto a criação dos poemas do Pau Brasil, de Oswald, que acabou sendo editado em 1925, em Paris, pela editora Au Sans Pareil, na época dirigida por Cendrars. Oswald assim dedicaria Pau Brasil: "A Blaise Cendrars por ocasião da descoberta do Brasil" (AMARAL, 1970, p. 2).

Na edição de suas Poesias Reunidas O. Andrade (1945), ainda segundo Amaral, Oswald de Andrade reduziu a dedicatória a "por ocasião da descoberta do Brasil" (AMARAL, 1970, p. 73). A redução na dedicatória deve-se ao distanciamento entre Oswald de Andrade e Blaise Cendrars. O rompimento dos brasileiros Oswald e Paulo Prado teve grande influência nesse distanciamento - uma vez que, desde a primeira visita do suíço - Prado e Cendrars haviam estabelecido uma grande amizade.

Blaise Cendrars, ao relatar sua chegada em 1924, cita em La voix du sang, não apenas os brasileiros Oswald, Tarsila e Paulo Prado, mas também outras personalidades com quem também teve contato, entre elas: Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Américo Facó, Prudente de Moraes, Guilherme de Almeida, Sérgio Buarque de Holanda e Paulo da Silveira; em Trop c'est trop (1957), há uma foto da chegada do suíço ao Rio de Janeiro com os brasileiros citados no texto.

4.2.2.2 PAULO PRADO

A partir da sugestão de Oswald de Andrade, Paulo Prado convidou o suíço e, por meio dessa primeira visita, ele e Cendrars manteriam uma grande amizade (AMARAL, 1970).

No prefácio, ao se referir a Paulo Prado, Blaise Cendrars afirma já ter falado bastante sobre o brasileiro no livro Bourlinguer (1948), mas ainda assim apresenta o amigo. O suíço afirma que Paulo Prado foi o patrocinador do movimento modernista paulista, e que se tornou um amigo íntimo com quem ele manteve relação até a morte do brasileiro, em 1943. Cendrars relata que o amigo foi como um irmão vinte anos mais velho, comparando-o a um homem da família de A. O. Barnabooth - em uma referência a Valery Larbaud. Segundo Blaise Cendrars (1953, p. 11), o brasileiro era "quase tão rico como o herói de Valery Larbaud, porém mais elegante, fino, letrado, erudito"137.

Ele afirma que estava sempre na biblioteca do brasileiro, e que o amigo o fez ler todos os livros presentes nela.

O suíço ainda afirma que Prado o iniciou na história do Brasil e inspirou o amor pelo povo brasileiro e pelo país, ao ponto de considerá-lo sua segunda pátria espiritual. Cendrars (1953a, p. 14) elogia Retrato do Brasil, afirmando se tratar de "um ensaio único no gênero de história e de psicologia"138. Blaise Cendrars (1953a, p. 15) reproduz o comentário feito ao amigo: "- Seu pequeno livro é uma obra-prima, disse ao meu amigo Paulo Prado. Você escutou a voz do sangue. Tenho a impressão de que você está em busca do tempo perdido"139.

Após receber de Paulo Prado o "Ciclo da cana-de-açúcar", Cendrars (1953a, p. 21) relata o comentário do brasileiro:

- Você se lembra, Blaise, do que você me disse um dia do tempo perdido? Eu finalmente acho que você tinha razão. Entrego-lhe um autor que encontrou o tempo. É o nosso Proust. Um jovem. Leia-o...140

137 No original: "presque aussi riche que le héros de Valery Larbaud mais beaucoup plus racé, fin, lettré,

érudisant".

138 No original: "un essai unique en son genre d'histoire et de psychologie".

139 No original: " - Votre petit livre est un chef-d'œuvre, disais-je à mon ami Paul Prado. Vous avez

écouté la voix du sang. J'ai l'impression que vous êtes à la recherche du temps perdu."

140 No original: " - Vous vous souvenez, Blaise, de ce que vous me disiez un jour du temps perdu? Je finis

par croire que vous aviez raison. Je vous apporte un auteur qui a retrouvé le temps. C'est notre Proust. Un jeune. Lisez-le..."

A referência ao “tempo perdido”, feita por Cendrars ao elogiar a obra de Paulo Prado, retorna quando o brasileiro apresenta o "Ciclo da cana-de-açúcar" ao suíço. A expressão "a voz do sangue", empregada por Cendrars ao comentar a obra de Paulo Prado, é retomada como o título do prefácio de L'Enfant de la plantation (1953), identificando a obra de Paulo Prado à de José Lins do Rego - em um momento em que os brasileiros (re)descobrem o Brasil e "dão voz ao sangue".

4.2.2.3 ROBERT A.

Robert A. é o remetente da correspondência proveniente de Paris e que tem relação com a tradução francesa do romance Menino de engenho, enviada em 7 de agosto de 1952 para o escritor. A correspondência consiste em um bilhete curto escrito em português. Na assinatura, como dito anteriormente, não conseguimos decifrar o sobrenome do remetente (ANEXO X).

Quadro 7 - Transcrição do bilhete enviado em 7 de agosto de 1952

Paris, 7 Agosto 52 Meu caro Zé Lins

A publicação de Menino de engenho está em andamento. Tudo o.k. Aí vai cópia da carta com o parecer do editor sobre a tradução. Envio tudo ao Mário Guimarães.

Mande notícias. Abrace o seu

Robert A.

A forma de tratamento é informal e Robert saúda o escritor com um "Meu caro Zé Lins". Pelo tratamento e uso de linguagem coloquial (“aí vai”, “abrace o seu”), supõe-se que se trata de um amigo bastante próximo do paraibano. O modo como o remetente se dirige ao escritor ("Zé Lins") é comum entre os amigos e escritores brasileiros que, conhecidamente, mantinham relações de amizade com ele – sendo, portanto, uma forma de tratamento muito utilizada entre seus amigos. Não podemos afirmar categoricamente que se trata de um brasileiro, mas que certamente, entre os dois, havia uma relação de proximidade.

Na correspondência, Robert cita uma carta com o parecer do editor e o envio de "tudo" a Mário Guimarães. A cópia da carta com o parecer do editor não se encontra no acervo do Museu José Lins do Rego, onde fizemos nossa pesquisa. A partir dessas informações, pode-se supor que: Robert tinha acesso ao editor – seja como funcionário da Deux Rives ou como amigo de Defez e de José Lins do Rego – ao ponto de ter informações sobre o andamento da publicação e de receber uma carta com o parecer do editor sobre a tradução.

4.2.2.4 MÁRIO GUIMARÃES

Mário Guimarães é citado na correspondência de Robert A. e está envolvido na negociação da tradução francesa, como se pode perceber através do bilhete em que há a afirmação de que “tudo” foi enviado a Mário Guimarães.

Como vimos no capítulo anterior, em carta enviada a José Lins que trata da tradução de suas obras na Alemanha, a remetente e tradutora alemã Elfriede Kaut cita o "ministro Mário Guimarães" relacionando-o ao processo de tradução.

Por se tratar de duas cartas que abordam a tradução de obras no exterior (França e Alemanha), em datas muita próximas (7 de agosto de 1952 e 1º de setembro de 1952), acreditamos que o "Mário Guimarães" da correspondência francesa seja o mesmo "ministro Mário Guimarães" da correspondência alemã.

No período dessas cartas, há um Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) chamado Mário Guimarães, nomeado por decreto de 26 de maio de 1951 pelo presidente Getúlio Vargas, e aposentado em 10 de abril de 1956. Com isso, antes das cartas (1952), Mário Guimarães já era Ministro (1951) e no ano da publicação das traduções (L'Enfant de la plantation na França e Santa Rosa na Alemanha, as duas em 1953) ele ainda ocupava o mesmo cargo.

Segundo o site do STF141,

[a]lém de inúmeras decisões reproduzidas na Revista dos Tribunais, Revista Forense, Arquivo Judiciário e Boletim do TRE de São Paulo, publicou as seguintes obras: Recurso de Revista (1942); Estudos de Direito Civil (1946) e O Juiz e a Função Jurisdicional (1958).

Com isso, sabemos que Mário intermediou as duas traduções citadas acima, embora não tenhamos obtido mais informações sobre o meio pelo qual se deu e em que teriam consistido tais intervenções.

4.3 L'ENFANT DE LA PLANTATION, 2013: OPERAÇÕES SOCIAIS E

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