• No results found

Avsluttende kommentar

In document Veier ut av LAR (sider 80-87)

A grade de programação das televisões vem a cada ano se especializando e buscando novos caminhos a partir de novas ferramentas. Essa especialização, ou melhor, segmentação de programação, dirigida a públicos específicos atingiu também o telespectador mirim. Na televisão brasileira, podemos citar a TV Cultura que vem ao longo dos últimos anos tentando atravessar uma fase financeira ruim, mas que conseguiu manter uma programação televisiva dirigida a tal público e

22 Há uma certa controvérsia com relação à idade do boneco principal Júlio. Em determinadas fontes

consultadas, a idade de Júlio é 6 anos, embora nos DVD’s da série Personagens, há um vídeo em que Júlio afirma ter 8 anos.

considerada pelos críticos, teóricos e seus telespectadores, como de qualidade. Em uma pesquisa realizada por Monica Fort (2005, p. 132) sobre os interesses da audiência, quando o assunto é televisão educativa, 53, 47% dos entrevistados conhece e assiste a programação da TV Cultura, e destacam o tema da Educação (29,40%) abordado pela emissora. Apesar dos programas infantis transmitidos pela emissora serem classificados no gênero entretenimento, eles possuem um grande apelo ao pedagógico, cujo formato do programa têm o objetivo explícito de ‘ensinar’ algo ao telespectador. Embora, esses formatos por um lado estão agregando informação e algum conteúdo de caráter pedagógico, por outro lado, abre caminhos aos interesses de entretenimento ligados à fomentação de hábitos de consumo para a criança. Nesse sentido, a autora Maria Thereza Rocco admite um papel da televisão para agregar informação a entretenimento, no entanto para ela, não se pode deixar unicamente às crianças a interpretação do que elas assistem e, explica:

[...] a TV vem se constituindo em um poderoso instrumento de divulgação e integração de informações, conhecimentos, revelando-se como fonte de diálogo e interação. É preciso, hoje, "alfabetizar" crianças e aprofundar a competência dos jovens para a leitura e análise, em vários níveis, do texto televisual, como já se faz, de há muito, com o texto escrito que deve ser lido, analisado, compreendido e criticado também a partir da própria experiência de vida do estudante. (ROCCO, 1999, p.53).

Essa emissora é responsável pelo conteúdo que veicula e, portanto também consciente das possibilidades que tal programa pode suscitar para ela mesma e, cabe {s crianças seguir essas “pistas” deixadas. Esse sujeito emissora de TV, então, será o sujeito destinador mantendo uma relação com o espectador, que por sua vez, será o destinatário. Seria interessante, pois, relacionar a história dos programas com a própria história da TV Cultura, entendendo-a como principal destinador do programa em análise. Segundo o Dicionário de semiótica, organizado por A. J. Greimas e J. Courtès (2008, p. 132-133), destinador-destinatário são termos que na concepção do autor Roman Jakobson designam actantes da comunicação (emissor- receptor na teoria da informação); como diz Bertrand (2003, p. 306) “o destinador

definido pela relação com o destinatário, no eixo da comunicação: o primeiro comunicando ao segundo os valores”. O destinador será o regulador, um papel cristalizado fora do texto, definido em primeiro lugar, por seu papel factivo (faz- fazer) em relação a outro sujeito, dotado de um saber, porque ele delega o poder de agir e de um poder, porque ele sanciona, explica Bertrand (2003, p. 44); embora esse seja apenas um dos estágios da realização dos seus percursos, esse destinador se virtualiza e se atualiza por meio de outras configurações modais, como a do fazer dever. O destinador será aquele também que faz crer, quando propõe valores e suscita ao sujeito aceitar esses valores; depois, faz querer, faz saber, faz poder esse sujeito (BERTRAND, p. 343-344).

Como será que a TV Cultura se atualiza enquanto destinadora? A emissora, que atualmente, tem como slogan a frase: “Est| surgindo uma TV diferente” 23, foi

criada como uma televisão pertencente a Assis Chateaubriand, junto a outros canais que formavam às Emissoras Associadas. No ano de 1967, o governador Roberto Abreu Sodré viaja a Portugal e ao Canadá e conhece uma prática emergente da televisão nesses dois países: a pedagogia de educação à distância e concebe um projeto de televisão educativa pública com canal próprio e programação diversificada, como também explicitado antes. Abreu Sodré age em duas frentes:

De um lado, criou a Fundação Padre Anchieta – FPA, entidade de direito privado que devia gerir as futuras emissoras de rádio e TV. De outro, adquiriu do grupo Assis Chateaubriand com alguma facilidade, mas não sem polêmica, a TV Cultura, canal 2. A venda do canal 2 para o Estado se explica tanto por determinação das novas medidas legais – a reforma do Código de Telecomunicações efetuada em fevereiro de 1967 -, que limitavam o tamanho das redes nacionais a um máximo de dez emissoras, quanto pela séria crise financeira pela qual passavam as Emissoras Associadas. (LIMA, 2008, p. 42-43).

Assim, a TV Cultura comercial encerrou suas atividades e nasce a TV Cultura pública. Dois pontos nessa história são relevantes. Primeiro: com a preocupação de

23 Esse novo slogan faz parte de uma série de novidades que a TV Cultura vem trazendo, como o

novo "Roda Viva" apresentado por Marília Gabriela, entre outras. O antigo slogan que dizia “A TV Que faz bem” era de 2008 e fez parte da campanha de comemoraç~o dos 40 anos da emissora. Disponível em http://www.portaladtv .com.br/?p=216938, acessado no dia 7 de setembro de 2010.

implantar uma televisão de qualidade, o Governo de São Paulo opta por reestruturar e atualizar tecnicamente a emissora, para só depois iniciar as atividades24. Segundo: o fato de um governador endossado pela ditadura – que governava o país na época – conceber e criar uma TV educativa com estrutura política, intelectual e administrativa independentes, embora financeiramente compromissada com o governo e dependente, assim, desse dinheiro. Para Lima (2008, p.47) a proibição das TV's públicas brasileiras de receberem patrocínios e doações, bem como o desinteresse do governo em incrementar uma televisão pública que tivesse um mínimo de presença diante do que as televisões comerciais têm, até hoje, lamentáveis consequências no seu desenvolvimento. Seja do ponto de vista tecnológico, seja do de suas grades de programações, “as televisões públicas, abertas e gratuitas não têm condições de enfrentar concorrência das televisões comerciais”, acredita Lima.

Segundo o autor, o modelo brasileiro de televisão nasceu comercial, como nos Estados Unidos, ao contrário do que aconteceu em países da Europa e no Japão. Nesses países as televisões nasceram públicas ou ligadas aos governos, portanto detentoras de grande desenvolvimento, audiência e verbas, capazes de manter uma quantidade de programação própria e de produtores independentes por elas financiados. E mesmo nos Estados Unidos, com o objetivo de adotar um sistema de diretrizes para manter uma boa programação e sobrevivência financeira (oriundos de doações de pessoas físicas e de um fundo nacional para televisões públicas) criou-se a PBS (Public Broadcasting Service), ou seja, a reunião das televisões públicas estaduais.

Como emissora pública, a TV Cultura foi inaugurada em 15 de junho de 1969, dois anos depois da aquisição pelo governo paulista. Existem algumas pesquisas

24

A Fundação optou por adquirir o que de mais moderno era oferecido no mercado: câmeras de última geração com lente única e zoom, modernas mesas seletoras de imagens com equipamentos para efeitos especiais, projetores de filmes de 16 mm, aparelhos de videoteipe com dispositivo de edição eletrônica programada, etc., além da troca de local da torre retransmissora, do antigo Banco do Estado (atual sede do Banespa-Santander) para o Pico do Jaraguá (LIMA, 2008, p. 55). No governo de Laudo Natel , a Fundação Padre Anchieta consolidou sua organização física com a construção de edifícios destinados a suas atividades administrativas, técnicas e de produção (LIMA, 2008, p. 96).

que se aprofundaram na história da TV Cultura como a pesquisa de mestrado de Cassia Regina Goncalves dos Santos intitulada “Uma TV educativa para o Brasil: dimensões da trajetória da TV Cultura de São Paulo – 1969/1997”25. Neste texto, a

pesquisadora encontra relação entre o incêndio nos estúdios da emissora em 1986 com a proposta de mudança iniciada ainda nessa década.

A autora explica que, no Relatório de Atividades de 1987, um dos princípios da emissora era atender em primeiro lugar à criança desde a pré-escola até o início da adolescência. Para isso, os programas eram livres de influências comerciais diretas ou indiretas e das fórmulas estrangeiras, nem sempre sadias para as crianças e utilizadas em boa parte das emissoras comercias, o que seria um princípio formulador para a configuração da emissora nos anos subsequentes. Outro princípio formulador foi buscar inspiração de conteúdo junto às televisões educativas de outros países, principalmente a BBC de Londres, a TV educativa francesa, a espanhola e a norte-americana. A esta altura, essas emissoras já produziam programas educativos com diferentes abordagens - da ecologia à história das pirâmides, de aulas práticas para confecção de artesanato às dicas psicologizantes sobre comportamento em todas as idades (SANTOS, 1998, p. 66- 68).

Nesse aspecto, uma nova visão de programa educativo começava a se configurar, cujo novo papel procurava também além de entreter, auxiliar o Estado complementando-o nas informações escolares. A TV, para isso, mantinha vínculos com setores da Secretaria Estadual de Educação, e garantia os conteúdos de sua programação organizados de acordo com o currículo proposto pela própria Secretaria. A partir desses princípios formuladores, o estatuto da TV Cultura buscava associar “os conceitos de cultura e educaç~o como complementares” (SANTOS, 1998, p. 68). A autora continua discorrendo a respeito:

A síntese desse processo, e de toda a história vivida pela emissora até esse período e dentro deste contexto, pode ser entendida como tentativa de encontrar caminhos ou um projeto possível de

25

Título de Dissertação de Mestrado em História Social defendido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1998.

funcionamento. As mudanças que ocorreram ligadas ao incêndio26 (1986), a nova diretoria e as novas diretrizes apontam para um momento na TV educativa de São Paulo em que o veículo será privilegiado, ou seja, percebemos claramente a tentativa de se investir numa nova forma de “fazer televis~o”, diferente do modelo anterior que vinha predominando. (SANTOS, 1998, p. 70).

Foi, então, que as mudanças estruturais da emissora vão redimensionar o papel da TV Cultura dentro do cenário cultural brasileiro. O público-alvo, daquele momento em diante, passou a ser o infanto-juvenil resultado de uma audiência satisfatória de programas infantis em anos anteriores. Segundo Santos, (1998, p. 74- 75) neste momento, a emissora se deu conta de que educação e cultura, seria algo muito mais próximo do entretenimento, visando à informação aliada à diversão e com alto padrão de qualidade técnica, seria uma tentativa de diferenciar a TV pública das outras televisões. Explica-se a TV Cultura é pública porque a origem de seus proventos vem da sociedade, do cofre público estadual, o que pode sugerir a ligação com estatal ou oficial. Mas como vimos essa dúvida ronda a sociedade desde quando o governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré, envia à Assembleia Legislativa em outubro de 1967 um projeto de lei para a criação de uma fundação à promoção da educação e da cultura através do rádio e da televisão. “Entre uma programaç~o ‘culta’ e outra que atingisse o grande público, construiu- se o grande conflito da TV Cultura”, diz Luiz Carlos Rondini (1996, p. 4-5), em sua dissertação de Mestrado27 “Limites de uma proposta de entretenimento: A TV Cultura de S~o Paulo”. O pesquisador explica que:

As características próprias da TV Cultura, de ser ao mesmo tempo meio privada, porque é efetivamente administrada por uma fundação de direito privado e, meio estatal, porque foi constituída e sobrevive de recursos estatais, faz confluir para a emissora tanto as questões relativas às tevês privadas, quanto às relativas às tevês estatais. (RONDINI, 1996, p. 5).

26

O incêndio de 1986 destruiu mais de 90% da capacidade de produção da emissora. Dois estúdios que eram utilizados para gravação e apresentação dos programas ficaram completamente destruídos. Três meses após o incêndio uma nova diretoria toma posse da Fundação Padre Anchieta, com Roberto Muylaert assumindo como novo diretor-presidente. (ROCHA, 2008, p. 13).

27

Título de Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais defendido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1996.

Esses problemas com verbas e capitais, a disputa de audiência com as emissoras comerciais e a possível preocupação com a qualidade da programação colocam a TV Cultura como um destinador que busca na relação com o destinatário um fazer crer em seus próprios valores. E quais seriam, então, esses valores? Por ora, entendemos que TV Cultura irá construir seus valores a partir: do entretenimento (ligado ao próprio ser da emissora em poder e querer obter lucros e dividendos com os seus programas, abdicando, pois de ficar à mercê do capital advindo da Fundação Padre Anchieta) e de uma preocupação com a qualidade (ligada ao fazer da emissora e identificável pela administração da grade de programação).

A TV Cultura é o destinador do Cocoricó enquanto que na relação de pressuposição, o público telespectador é o destinatário do programa. Nesse sentido, acreditamos que esse destinatário não é o mero receptor como pregado pela teoria da Informaç~o, no entanto, “ele é também e, sobretudo um ‘centro do discurso’, que constrói, interpreta, avalia, aprecia, compartilha ou rejeita as significações” (BERTRAND, 2003, p. 24). A TV Cultura é um destinador ciente deste destinatário e, também por isso, teve a preocupação em reformular suas bases e firmar-se como um meio de comunicação que dissemina valores sociais e culturais, isso possibilitou que sua identidade se fixasse em toda a sua grade de programação, como também no programa Cocoricó criado anos mais tarde. Priorizou-se a presença de um forte apelo da “cultura geral brasileira”, com os programas da emissora atuando como produtores e difusores dessa cultura. E para isso, atualizando o que dizia o estatuto de 1986 (no item b do artigo segundo) que coloca a TV Cultura como respons|vel pela “valorizaç~o dos bens constitutivos e da nacionalidade brasileira, no contexto da compreens~o dos valores universais”.

Entendemos, pois, a valorização da cultura brasileira como uma das finalidades desse destinador, presente em seu estatuto. Isso nos indica que os produtos decorrentes a partir dessa finalidade permitirá uma apreensão de sentido do público fundada por essa relação. Além "de informar, se arvora também a educar

o gosto e sensibilidade de seu público” (SANTOS, 1998, p. 75), complementando formação, agregando novos conhecimentos e disseminando valores brasileiros. É no que apoiamos nossa pesquisa, na formação de sociocultural dessa criança pautado, dentre outros, nessa valorização dos aspectos culturais brasileiros.

Entretanto, anos mais tarde, o destinador TV Cultura une aos conceitos preexistentes de educação e cultura dentre suas finalidades, ao de entretenimento. De acordo com o Relatório de atividades de 1992 com o objetivo de “modernizar” o conceito de educação, os conteúdos passam a ser tratados como informações. Visando, com isso, a ampliação de conhecimentos e mantendo uma das características básicas da tevê que é o entretenimento e ficou conhecido como a nova filosofia do entretenimento que deveria apresentar um conteúdo diferenciado envolvido por uma embalagem atraente, implantada e criada pelo então, diretor- presidente da emissora, Roberto Muylaert (SANTOS, 1998, p. 108). Essa proposta de entretenimento não foi inventada pelo presidente da emissora, Muylaert, encontrava-se sistematizada há muitos anos nas emissoras de televisão comercial. "A novidade, neste caso, seria sua implementação dentro de uma televisão educativa e sem fins comerciais”, conta Rondini (1996, p. 54). Assim a emissora enxergou os programas infantis como uma alternativa para essa filosofia, com a disponibilização desses programas em horário nobre, o que não tinha em outras emissoras, mas principalmente, priorizando os aspectos técnicos da imagem. Dentro de uma relação entre os conteúdos e a imagem, a prioridade era reequipar as instalações da emissora.

Pensamos então nas características que já conhecemos da TV Cultura e de seus fazeres, enquanto destinador:

A TV Cultura não é estatal, nem oficial, embora receba verba dos cofres estaduais, também não é comercial; trata-se assim, de um dever-fazer da ordem da prescrição;

A TV Cultura propõe programas com conteúdo que aliam os conceitos de educação e cultura, valorizando a cultura nacional brasileira;

privilegia a formação de um sujeito destinatário competente; neste caso, o fazer do destinador é atualizante ligado ao saber;

A TV Cultura adiciona a esses conceitos o de entretenimento, dando mais atenção aos aspectos técnicos e de qualidade da imagem28; unindo, portanto, o dever-fazer, ao saber-fazer para modalizar o sujeito à modalidade do ser.

Relacionando esses fazeres do destinador de Cocoricó¸ outras duas características da TV Cultura são importantíssimas, e também surgiram na gestão de Muylaert. O valor da ecologia e o valor de ser paulista. A primeira delas, o uso do discurso ecológico como uma maneira de ressaltar a riqueza da fauna e da flora brasileira mostra-se presente em quase todos os programas educativos. Rondini afirma que a utilização do termo ecologia pela emissora foi uma oportunidade que o departamento de marketing soube aproveitar e que junto com os programas dirigidos às crianças apresentou determinada imácula na imagem da emissora. Para o autor:

[...] a aliança do nome da emissora às crianças e ao tema da ecologia foi uma jogada bem montada de marketing. Conferia a TV Cultura certa pureza e um ar nobre, além de ser coerente com as preocupações na faixa de público que a emissora alcança. (RONDINI, 1996, p.98).

A utilização desse valor o atualiza enquanto destinador, assim com o uso de outra característica, à referência ao “paulista”, com a cidade de S~o Paulo tendo especial destaque na produção. Santos (1998, p. 118) explica que em primeiro plano, ganharam distinções os problemas do cotidiano de uma cidade do porte de São

28

A introdução dos modernos equipamentos da Ampex, adoção do sistema Betacam e, principalmente a instalação da nova antena no Sumaré (1992) possibilitaram que no ano seguinte a TV Cultura se transformasse em Rede Cultura, com a obtenção da concessão de um canal de transmissão no satélite Brasilsat. Com a transmissão via satélite, a programação da TV Cultura se impôs às demais televisões públicas estaduais que não tinham recursos técnicos nem financeiros para produzir uma programação completa nos horários disponíveis, passando assim, a adotar a programação da Cultura, constituindo uma rede nacional de televisão educativa e cultura (LIMA, 2008, p. 212).

Paulo, que se transforma em palco e cenário para o desenvolvimento desses temas, os quais se transformam em produções; como em Cocoricó na cidade29.

Eis que ao longo dos anos 90, a TV Cultura adquire audiência e credibilidade de seus programas infantis e é nesse cenário que em 1996 é criado o infantil Cocoricó.

1.5 “Puxa, puxa, que puxa”... Cocoricó

A palavra cocoricó no dicionário francês Le Petit Robert, no Dicionário Barsa e no Houaiss de língua portuguesa tem o mesmo significado: onomatopeia criada por imitação do canto do galo. Do verbo cocoricar que quer dizer soltar a voz, cantar; possui algumas oscilações de grafia como cocoricô e cocorocó. O cocoricó é o canto do galo em seu sentido figurado que avisa sobre o amanhecer do dia, ou da hora30 do dia (como diz a letra da música da vinheta de abertura “t| na hora do Cocoricó”). O galo, ao cantar, está avisando que é aquele território. O canto do galo anuncia a rotina do passar das horas, de um novo dia que está começando e junto dele: as obrigações e deveres; bem como a diversão e o entretenimento. Cocoricó tanto é o canto do galo que avisa dos deveres de cada um, como também aquele que traz o entretenimento.

29

Embora nas outras temporadas do Cocoricó não existissem locações externas, como na temporada

Na cidade, os personagens moradores da zona rural têm um forte sotaque característico do interior

desse estado, com forte acentuaç~o dos “erres”.

30

Os galos, assim como outras espécies, possuem um controle sobre o seu território, que normalmente inclui uma população (galinhas, pintinhos) e o espaço físico (o galinheiro). Em um galinheiro normalmente, só existe um único galo, pois, a competição por domínio do território é tanta que dois ou mais galináceos machos já seria motivo para uma disputa até a morte em busca da liderança, até se restasse apenas um. Os galos impõem sua autoridade por meio de várias características, como inchação, maior coloração da crista e, é claro, o canto, que serve como alerta para assustar qualquer desafiante. Eles possuem hábitos diurnos, ou seja, estão acordados de dia e dormem durante a noite. Os galos despertam assim que os primeiros raios solares surgem. Assim que acorda, o galo precisa avisar para os concorrentes que ele continua vivo e que ele está no comando. O canto dos galos tem função de assustar eventuais desafiantes (disponível em

In document Veier ut av LAR (sider 80-87)