Na minha PPI, realizada numa turma de 2.º ano de escolaridade, tive um aluno com NEE que era muito dependente do professor ao nível da escrita e da compreensão dos enunciados das tarefas. Este aluno acompanhava o programa do 1.º ano de escolaridade. Posteriormente, na PPII de 1.º CEB tive também alunos com NEE que não acompanha- vam o programa de 4.º ano e que eram dependentes do professor e da assistente opera- cional, presente na sala de aula, para realizar as tarefas propostas, nomeadamente no registo escrito. Logo desde o período de observação nestas duas PP, senti bastante re- ceio em não conseguir prestar a devida atenção e auxílio a estes alunos com NEE, sendo que estaria a atuar junto dos restantes alunos com tarefas bastante diferentes, até mesmo de anos de escolaridade diferentes. Apesar de saber que a diferenciação pedagógica não é exclusiva dos casos dos alunos com NEE, foi este receio que me fez refletir sobre o assunto. Sabia que, tal como Lemos (1999) afirma, há que destacar a importância de flexibilizar ao nível do sistema escolar de modo a alcançar todos os alunos, respeitando e atendendo às diferenças que estes possuem, assumindo-as com clareza. Não sabia, contudo, como gerir uma sala de aula desta forma. Roldão (1999) refere que o plano de aula deve
(…) requerer a gestão diferenciada que se planifique, se pense e se organize a actividade do docente, não em termos da sua acção mais ou menos solitária para um público indi- ferenciado, mas em termos da previsão e organização da aprendizagem – do que é que os alunos e o professor deverão fazer de forma diferenciada no quadro da sala de aula (p. 86)
Assim, o professor deve tomar “(…) uma vontade firme de adaptação à criança real, de diferenciação pedagógica, tendo em consideração a diversidade infinita de rostos” (Gar- dou & Develay, 2005, p. 32), pois não existe um único método de ensino-aprendizagem que consiga satisfazer as necessidades de todos os alunos. Desta forma, é crucial adaptar
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a organização e as estratégias de ensino às necessidades individuais dos alunos, reme- tendo o docente para a diferenciação do trabalho pedagógico (Cronbach, 1967, citado por Grave-Resendes & Soares, 2002).
Outrora, já pensei que o facto de os professores considerarem todos os alunos de igual forma, sendo eles todos iguais e não interessando quem são ou de onde vêm, era para o bem dos próprios alunos. Contudo, ao longo do meu percurso académico mudei de opi- nião, o que se veio a confirmar com o caso deste aluno, na turma de 2.º ano na PPI. Rea- firmo a desconstrução dessa minha ideia, percebendo que as desigualdades entre alunos existem e devem ser vistas claramente de modo a promover-se um ensino diferenciado e adequado a cada aluno. Ou seja,
[o]s alunos aprendem melhor quando o professor toma em consideração as característi- cas próprias de cada um, visto que cada indivíduo possui pontos fortes, interesses, ne- cessidades e estilos de aprendizagem diferentes. Todos os alunos aprendem melhor quando os professores respeitam a individualidade de cada um e ensinam de acordo com as suas diferenças (Grave-Resendes & Soares, 2002, p. 14)
Tal como Grave-Resendes e Soares (2002) referem, as crianças não fazem as mesmas aprendizagens ao mesmo tempo e da mesma forma, devendo-se criar igualdade de opor- tunidades educativas e sucesso escolar para todos os alunos. Desta forma, cabe-me, en- quanto futura professora, estar disponível para aceitar e experimentar novas formas de trabalho pedagógico e para refletir sobre estas mesmas experiências sendo, para tal, necessário que a planificação tome em consideração todos os alunos.
Relativamente aos alunos com NEE, a minha constante dúvida era “o que é que eu vou propor aos alunos realizar, de forma autónoma, para que consiga dedicar-me mais ao aluno com NEE?”, indo ao encontro de Grave-Resendes e Soares (2002) que afirmam que, ao falar-se em diferenciação pedagógica, a questão mais frequente e da qual eu partilho, é “(…) como gerir a aprendizagem de vinte cinco ou vinte e oito alunos numa sala de aula, num contexto de diferenciação sem que haja problemas de disciplina[?]”. Com o evoluir do meu entendimento sobre a diferenciação pedagógica, comecei a cons- truir materiais específicos para os alunos com NEE. Todavia, continuava com dificulda- de em pensar como iria organizar a aula, nomeadamente ao nível do tempo e das tarefas. Nestas situações o professor cooperante da PPI auxiliou-me bastante, prestando apoio individualizado ao aluno com NEE que realizava as tarefas por mim propostas, ao passo que eu estaria a realizar outras tarefas com os restantes alunos. Contudo, sei que no fu-
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turo poderei não contar com a presença, na sala de aula, de outro professor que me auxi- lie nesta gestão.
Deverei então planificar de forma a considerar a individualidade dos alunos, optando, por exemplo, por selecionar tarefas com um grau de complexidade maior para os alunos que apresentem facilidades, tentando evitar que estes desmotivem, mas sim que se sin- tam desafiados. Assim, penso que conseguirei dar mais apoio aos alunos com NEE e àqueles que revelem mais dificuldades, fazendo-o de forma individualizada e através de tarefas com um menor grau de complexidade. Em súmula, devo pensar em termos de diferenciação pedagógica, dado que em todas as turmas existe uma heterogeneidade de alunos, cada um com as suas características que devem ser conhecidas e consideradas pelo professor aquando da planificação.