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KAPITTEL 9. AVSLUTNING

9.3 AVSLUTTANDE REFLEKSJONAR OM YRKESDELTAKING

O contato que estabelecemos para a realização desta pesquisa se deu com a diretora. Esse encontro ocorreu na escola lócus de trabalho dos sujeitos. Marcamos um horário com a diretora e numa conversa descontraída e amigável (pois já conhecíamos a diretora por ter ministrado uma Semana Pedagógica em sua escola) falamos para ela da intenção de realizar uma pesquisa com os professores de sua escola, visto que, num levantamento realizado sobre alunos egressos do Curso de Pedagogia do CAJIM no período de 2004 a 2006 que se encontravam em salas de aulas do Ensino Fundamental anos iniciais, um significativo número estava na referida escola em que ela era diretora.

Após expor o motivo de realizar a pesquisa naquela escola, apresentamos nossos objetivos de pesquisa e perguntamos para a diretora qual o seu posicionamento. A diretora mostrou-se bastante receptiva e autorizou, prontamente, a realização da pesquisa, comprometendo-se a conversar com os professores sobre o assunto. Pudemos perceber que havia certa expectativa por parte dela, no sentido de que pudéssemos contribuir para a melhoria do trabalho da escola. O fato de sermos professora de uma universidade e estarmos cursando Mestrado contribuía para o desenvolvimento dessa expectativa.

Entretanto, para evitar problemas posteriores, explicamos que o nosso trabalho não tinha o intuito de provocar mudanças ou de orientar os professores, mas que, no futuro, após a realização da pesquisa, poderíamos dar alguma contribuição, conforme as nossas possibilidades. Nessa ocasião, marcamos para ir à escola na mesma semana para conversar com os professores, no intuito de obter a participação deles na nossa pesquisa.

Estávamos conscientes da importância de sermos aceitos pelos professores da escola, para que pudéssemos obter a confiança de todos e, assim, construirmos dados legítimos e eficientes, uma vez que, em muitos casos, a aceitação e a autorização tornam-se um dos primeiros desafios a ser enfrentado pelo pesquisador. Sobre esse aspecto, os autores Bogdan e Biklen (1994) aconselham que o acesso ao campo deva se realizar através de negociação entre o pesquisador e os sujeitos, para que não ocorram problemas posteriores.

Assim, após obtermos a autorização da diretora, fomos à escola pela primeira vez no mês de março de 2008. Nessa primeira visita, tivemos a oportunidade do conversar com três servidores: a vice-diretora, uma das supervisoras e a secretária geral que estavam na sala onde funciona a secretaria e a diretoria. Conversamos sobre o motivo pelo qual estávamos indo à escola, embora elas já tivessem sido informadas pela diretora. Anotamos alguns dados

relacionados ao número de alunos matriculados, quadro de funcionários, instalações da escola.

Após uma semana voltamos à escola para conversar com os professores aproveitando o intervalo, quando eles se reuniam na sala dos professores. Nessa sala, havia uma mesa grande, em torno da qual todos costumavam se reunir durante o intervalo ou nos momentos em que seus alunos estavam vivenciando atividades específicas, na sala de leitura. O intervalo era um momento precioso para nós, pois os professores falavam mais espontaneamente das suas dificuldades.

Iniciamos a conversa detalhando alguns aspectos da pesquisa, justificamos os motivos principais que nos levaram a realizá-la. Apresentamos os objetivos e elencamos os professores que se enquadravam nos aspectos de nossa pesquisa, em decorrência dos critérios por nós estabelecidos: ser egresso do CAJIM no período de 2004 a 2007, ter experiência na docência de no mínimo três anos, período que entendemos ser o período mínimo de adaptação num determinado trabalho, estar na escola há no mínimo dois anos, e se encontrar atuando nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Em função dessa caracterização se enquadraram as quatro professoras que atuavam nas salas de 1º ano, 2º ano, 3º ano e 4º ano as quais serão identificadas, respectivamente, como Professora A, Professora B, Professora C, Professora D10.

As professoras não demonstraram objeção, e diante disso, solicitamos a colaboração de todas, elucidando a relevância que elas representavam para o nosso trabalho. Tentamos, ainda, deixar claro que não estávamos na escola para avaliar o trabalho que elas estavam realizando. As professoras se mostraram bastante abertas, atenciosas e solícitas a cooperar. Foi bastante agradável este primeiro momento, nos sentimos à vontade, visto a receptividade e por também conhecermos algumas das professoras por terem sido nossas alunas no curso de Pedagogia do CAJIM.

Na semana seguinte a esta conversa, passamos a visitar a escola uma vez por semana durante um mês. Neste período, não fizemos observações diretas nas salas de aula, pois queríamos, cada vez mais, ganhar a confiança das professoras para que elas se sentissem à vontade com a nossa presença. Para tanto, procuramos nos aproximar delas nos momentos de intervalo, observar o cotidiano escolar, as relações estabelecidas, as atividades desenvolvidas pelo supervisor. Sempre que possível, conversávamos com as professoras sobre questões pessoais e profissionais, como também fatos do cotidiano. Esse diálogo se dava,

geralmente, durante o intervalo, na sala dos professores ou em outro ambiente da escola, mas sempre de maneira informal e descontraída.

Esse convívio, aparentemente casual, na verdade tinha um propósito. Durante todo o tempo, mantivemos os objetivos da pesquisa interiorizados e todos os aspectos por nós observados eram analisados com base nas questões que havíamos estabelecido para estudar, a partir dos pressupostos teóricos que norteavam as nossas ações. Por conseguinte, frisamos que outras questões surgiram a partir das observações que íamos realizando. Nossa postura se ancorava nas idéias de Bogdan e Biklen (1994, p. 128), que, mesmo reconhecendo ser a construção de dados a meta principal do pesquisador no campo, ressaltam:

[...] isso não significa que se tenha de passar cada minuto a fazer sistematicamente investigação. Por vezes, estabelecer uma boa relação requer andar pelas redondezas e apenas conviver com os sujeitos. Pode-se mesmo ir com eles ao cinema ou beber um copo. Ir com os sujeitos ao cinema pode não produzir grandes dados, mas esta actividade pode desenvolver a relação e colocar o investigador numa boa posição para futuramente recolher mais dados.

Durante essas observações, pretendíamos também identificar de maneira ampla como aconteciam as relações das professoras com a estrutura administrativa e pedagógica da escola.

Assim sendo, durante essas observações conseguimos verificar que as atividades de planejamento referente às atividades realizadas na sala de aula eram quase inexistentes. Apesar de haver um supervisor, seu trabalho girava mais em torno de fazer reuniões para falar sobre indisciplina dos alunos, as datas comemorativas que a escola realizava, marcar reuniões de pais e mestres e dar alguns informes da Secretaria Municipal de Educação.

Não havia momentos de estudos, reflexões, discussões sobre o ensino- aprendizagem e as dificuldades enfrentadas no cotidiano escolar ou direcionamento para construção e desenvolvimento de projetos pedagógicos. Apesar da escola estar em processo de construção de sua Proposta Pedagógica, em conversa com o supervisor e também com as professoras tivemos a informação que estava parada esta construção porque estavam sendo encaminhadas por uma professora do CAJIM/UERN contratada pela Secretaria de Educação Municipal que já tinha feito alguns estudos, mas por enquanto não tinha entrado mais em contato.

Este fato nos levou a refletir sobre as relações estabelecidas na escola, pois indicava a ausência de um planejamento participativo, de um diálogo entre os membros da

comunidade escolar para discutir coletivamente ações para um melhor andamento do processo de ensino-aprendizagem. As professoras em uma de nossas conversas informais se queixaram dessa falta de apoio e isso nos levou a constatar que naquela escola cada um em sua sala de aula trabalhava isoladamente e desenvolvia seus próprios projetos.

É importante informarmos que esses aspectos não foram prioridade em nossas observações, apenas tinham como objetivo contribuir para termos um conhecimento geral do lócus de atuação das professoras que iam fazer parte de nossa pesquisa.