Hunt (1972) deu início ao estudo sobre os grupos estratégicos, analisando suas estruturas no interior das indústrias. Já Porter (1980) havia descrito este conceito como um conjunto de entidades empresariais pertencentes a uma indústria que se utilizam de estratégias comuns ou parecidas.
Porter (1980) afirma que a definição das estratégias genéricas possui treze diferentes estruturas que são compostas pelas alternativas escolhidas pelas empresas em questão, que são:
Especialização Identificação de marcas Política de canal Seleção do canal Qualidade do produto Liderança tecnológica Integração vertical Posição de custo Atendimento Política de preço Alavancagem
Relacionamento com a matriz
Relacionamento com os governos do país de origem e anfitriões
Para Porter (1980) os padrões de alocação de recursos são normalmente utilizados como uma das principais indicações das estratégias adotadas pelas empresas, como instituições que perseguem estratégias de custo reduzido, normalmente tendem a mostrar uma estrutura de custos operacionais mais exígua que as demais.
Assim, também é comum que empresas que adotem estratégias baseadas na diferenciação costumam apresentar um maior nível de investimentos em desenvolvimento de tecnologias e pesquisas, logo, o padrão estratégico buscado pelas empresas pode ser identificado pela estrutura de despesas apresentadas pela instituição, então, caso mais de uma empresa adote o mesmo padrão de despesas, elas são consideradas pertencentes a um mesmo grupo estratégico pela adoção de estratégias similares de competição.
Caves e Porter (1977) consideram que empresas que são consideradas pertencentes a um mesmo grupo estratégico, são normalmente tratadas de maneira igualitária pela economia em geral e pelos demais competidores, além de contribuírem para a constituição de barreiras de entrada e saída do mercado.
Esse pensamento fez com que se constatasse que empresas pertencentes a um mesmo grupo estratégico obtivessem desempenhos análogos, além de posicionarem-se com certa distância em relação a demais empresas pertencentes a outros grupos estratégicos (CAVES; PORTER, 1977).
O desempenho similar das empresas posicionadas em um mesmo grupo estratégico contribui para a constituição de barreiras de entrada no setor, logo, a partir dessa premissa, pode-se afirmar que a ameaça dos novos entrantes é diminuída, já que essa integração entre essas empresas inibe a entrada de outros players no mercado e dificulta a adoção de estratégias idênticas por outras empresas.
A importância da análise dos grupos estratégicos é reforçada pela probabilidade das empresas integrantes de um mesmo grupos estabelecerem uma mesma relação com as forças competitivas descritas por Porter (1979). As ameaças provocadas pelos poderes de negociação dos compradores e fornecedores, além da relação com os concorrentes e ameaça de novos entrantes são teoricamente idênticas entre os componentes de um mesmo grupo estratégico.
O tamanho das empresas pertencentes a um mesmo grupo também é um ponto a ser discutido já que quando as entidades possuem capacidades equivalentes de competição, a rivalidade entre os concorrentes do grupo será grande, além da quantidade de integrantes também interferir nas estratégias, já que quanto mais integrantes, maiores serão os esforços para se destacar dentre os demais.
Também a percepção do poder exercido pelo ambiente competitivo é sentida de forma distinta entre integrantes de diferentes grupos competitivos, logo o desempenho entre grupos tende a ser distinto, ao contrário do desempenho dentro dos grupos (NAIR; KOTHA, 2001).
Existe também um caso específico onde empresas são classificadas como solitárias por constituírem um grupo estratégico sem a presença de nenhuma outra instituição (COOL; SCHENDEL, 1987). Essa classificação pode ser possível devido a adoção de estratégias difíceis de serem imitadas por demais empresas, possivelmente por abarcar um conjunto de especificidades muito peculiar que a instituição venha a possuir.
3.4.1. Desempenho em um mesmo grupo estratégico e em grupos diferentes
Para Cool e Schendel (1988) é possível a existência de diferenças de desempenho entre empresas de um mesmo grupo estratégico, porém Mcamara, Dephouse e Luce (2003) ainda não há fundamentos estabelecidos pela ciência para a análise do grau dessas diferenças, e nem sequer há concordância sobre o modo de auferir-se essa diferença.
Sobre esse conceito, Reger e Huff (1993) sugere que quando há empresas com desempenhos médios diferentes do restante das empresas de um mesmo grupo estratégico, existe um reflexo de que há certa dificuldade de adequação da estratégia adotada, ou algumas pequenas diferenças de atuação. Essas diferenças podem ser atribuídas ao momento em que a empresa se encontra no período de implantação da estratégia, ou em uma decisão de tornar-se diferente do grupo, mesmo mantendo as características necessárias para a permanência no grupo.
A respeito dessa peculiaridade, existem pesquisadores como Peteraf e Shanley (1997) que afirmam que quanto mais a empresa esteja em um grau de similaridade mais intenso com o grupo, mais ela terá condições de enfrentar a concorrência do mercado, logo, também afirmam que quanto mais distante da média de estratégias do restante do grupo, menos fortalecida ela estará.
Também pode-se aferir uma hipótese plausível nessa interação. Quando uma empresa se mostra menos similar as demais do restante do grupo, mais chance ela está dando para outra instituição adentrar ao grupo procurando atingir maiores afinidades com o restante do grupo, logo, no longo prazo pode haver uma substituição dessa empresa com estratégias menos similares ao restante do grupo (PETERAF; SHANLEY, 1997).
Sobre a aferição do desempenho, há também muitas discordâncias na ciência sobre o seu modo de constatação. Sabe-se que a assimetria de informação é um fator presente e extremamente influente nessa análise e há muitas ferramentas para a avaliação de resultados financeiros (SILVA, 2001).
As ferramentas normalmente utilizadas para a realização dessas análises podem ser o retorno sobre o ativo, retorno sobre o investimento, lucro por ação, entre outras. Quanto ao método mais adequado para a análise, o critério fica a cargo do pesquisador, já que todos são amplamente aceitos (COOL; SCHENDEL, 1987).
Os membros de diferentes grupos estratégicos, pela lógica, obtêm desempenhos diferentes, porém o modo de avaliar essa diferença também é um fator que gera enormes discordâncias entre os estudiosos. Existem diversos motivos que levam a empresas que adotam determinadas estratégias a obterem um determinado nível de desempenho, porém sabe-se também que há outros fatores que podem ocasionar essas diferenças no desempenho (PORTER, 1985).
Porter (1985) também afirma que o modo de atuação pode, por si só, gerar um desempenho inferior ou superior, mas o ambiente competitivo em que essa empresa está inserida, pode influenciar de formas distintas nos seus resultados, tanto pelo modo como ela reage a infortúnios, quanto pela maneira com que ela se se posiciona em relação aos seus objetivos.
O simples fato de empresas com desempenhos diferentes estarem classificadas em grupos estratégicos diferentes já faz com que se saiba que é correto admitir que essa discrepância existirá, porém o grau de diferença e a ocorrência de desempenhos iguais em setores diferentes são fatos ainda pouco observados na ciência.