LINS, Eduardo Antonio Maia Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
[email protected] SILVA, Juliana Ingrid dos Santos Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
[email protected] ANDRADE, Leandro Alves Local de trabalho – Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU)
LINS, Cecília Maria Mota Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU) [email protected]
RESUMO
A falta de planejamento e o crescimento urbano irregular das últimas décadas são os responsáveis pela a poluição e destruição dos recursos ambientais que circundam o rio, principalmente as áreas de manguezais, comprometendo toda a biodiversidade e a qualidade de vida das populações ribeirinhas (NETA, 2005). O descarte de material, inadequado, provenientes da população e das construções civil são as principais fontes de lixo lançado diretamente ao rio Capibaribe que conduz a uma modificação em seu estuário. A pesquisa foi do tipo observacional e de campo e a escolha da área se deu por apresentar um entorno totalmente construído, com diferentes pontos comerciais e residenciais. O acúmulo de lixo urbano nas margens, entre outros fatores, sugerem estar impedindo o desenvolvimento da mata ciliar local, aumentando a degradação do Rio Capibaribe.
PALAVRAS-CHAVE: Poluição, Estuário, Recife.
1. INTRODUÇÃO
O crescimento e desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife (RMR) teve uma forte contribuição do Rio Capibaribe, proveniente do fato, do mesmo atravessar o município de leste a oeste, “guiando os assentamentos” (CARNEIRO; DUARTE; MARQUES, 2009, p. 129, 137). Pode-se afirmar então, que a urbanização está historicamente associada a ele, o qual serve como via de interiorização e limitador natural para a ocupação do território.
Entretanto a falta de planejamento e o crescimento urbano irregular das últimas décadas são os responsáveis pela a poluição e destruição dos recursos ambientais que circundam o rio, principalmente as áreas de manguezais, comprometendo toda a biodiversidade e a qualidade de vida das populações ribeirinhas. Nota-se ainda que as principais obras causadoras de impactos ambientais são as construções de portos em áreas estuarias e especulações imobiliárias, com diversos empreendimentos implantados ou em processo de implantação em reservas de manguezais tais como estradas e rodovias, loteamentos e condomínios irregulares (NETA, 2005).
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O descarte de material, inadequado, provenientes da população e das construções civil são as principais fontes de lixo lançado diretamente ao rio Capibaribe que conduz a uma modificação em seu estuário. A introdução indesejável, desses insumos, nas áreas de forte importância ecológica tem ocasionado impactos dos mais diversos, interferindo na vida e no desequilíbrio da população de fauna e flora ali presente.Neste sentido, tem-se evidenciado um aumento dos estudos sobre o impacto de resíduos sólidos em regiões costeiras, comumente, realizados com foco em litorais, mais precisamente nas praias turísticas. Entretanto pouca atenção tem sido observada aos ecossistemas de manguezais do Recife, ignorando-se o valor deste meio.
Esse ecossistema é de elevado foco econômico, social e ambiental, desempenhando um papel primordial na estabilidade dos sedimentos das zonas costeiras, na manutenção de amplos recursos pesqueiros e principalmente na conservação da biodiversidade. Há uma importância vital nele, principalmente para as populações costeiras, por serem refúgio e proporcionarem alimentação a fauna marinha que se reproduzem em grande número triturando a matéria orgânica do solo. Os esqueletos e carapaças calcárias são indispensáveis à estruturação e conservação do solo, contribuindo para o desenvolvimento ecológico (COELHO JR; NOVELLI, 2000). Infelizmente, muitos destes elementos vem sendo substituídos por plásticos, latas e resíduos da construção.Portanto com a finalidade deste trabalho foi de observar os principais impactos ambientais negativos no rio Capibaribe por meio do lançamento dos resíduos sólidos (destacando o estuário), relatados também em trabalhos literários.
2. METODOLOGIA
A pesquisa é do tipo observacional e de campo, no mangue do Rio Capibaribe que corta a Veneza Brasileira. A escolha da área se deu por apresentar um entorno totalmente construído, com diferentes pontos comerciais e residenciais. A coleta de dados ocorreu por meio de registro fotográfico e suas possíveis consequências ao ambiente, produzido pela população local.Foram produzidas imagens cujos aspectos observados foram o acumulo de resíduos, de diferentes classes, na margem do rio; as características físicas do solo e da água, além da evidente devastação ao ecossistema local também foram analisados. Foi utilizado, também, programas de satélite, mais precisamente o Google Maps e o programa de Informações Geográficas do Recife-ESIG.Os resultados foram discutidos com base no novo Código Florestal, nas leis de preservação ambiental, na Política Nacional de Resíduos Sólidos e em literaturas diversas, baseadas na proteção e preservação de manguezais.
3. RESULTADOS
Em relação aos insumos produzidos, temos os resíduos derivados do próprio meio ambiente, os quais servirão de matéria-prima para o próprio ciclo natural, esses são considerados benéficos, contudo, os resíduos produzidos pela humanidade e não descartados de forma adequada são os precursores de danos ao meio ambiente. Desta forma, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 10004 de 2004, temos a seguinte classificação dos resíduos:
“Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso
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soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.”
O desequilíbrio através de resíduos sólidos nos manguezais é sinônimo de devastação da fauna e flora com a alteração deste habitat que começa a rarear. Esta destruição afeta diretamente a população do litoral, uma vez que, nos mangues que se dá acesso a alimentos de um valor proteico elevado – peixes, moluscos, camarões, caranguejos – o que permite a sua subsistência. Segundo Bernardes (1996, p. 71): “O vazio da cidade dos caranguejos, esmagados pelos aterros e pelos viadutos continua [...]”.
Assim, esse ecossistema submetido ao desenvolvimento em áreas urbanas está propício a diversos tipos de pressões, não excedendo regras da maioria dos ecossistemas brasileiros, que infelizmente são alvos fáceis da desestruturação ambiental, decorrentes dos processos de expansão urbana desordenada e seu lixo; dos assentamentos, da erosão, dos desmatamentos, deposição de resíduos (por várias vezes tóxicos), aterramentos, despejos de efluentes doméstico-industrial, entre outros (ALARCON; PANITZ, 1998). Desta forma os aspectos abordados para a classificação dos impactos residuais na área de estudo, foram divididos em bióticos, composto pela fauna e flora, e abiótico, correspondente à água e ao solo. Entretanto é fundamental estabelecermos uma relação com uma abordagem rápida ao ecossistema sem interferência e ideal ao meio.
BIOTA
A vegetação do Rio Capibaribe está fortemente aderida à área geográfica, destacando o relevo da cidade. Portanto segundo Carneiro, Duarte e Marques (2009, p. 136), ela está dividida em três faixas que modificada conforme o percurso do Capibaribe. No ambiente litorâneo, longa faixa a leste da cidade, local de baixo estuário e de terreno mais encharcado (devido os rios estarem mais próximo do seu encontro com o mar), apresenta uma vegetação de restinga e mangue. A maior parte da cidade, a onde os rios exercem maior importância social, correspondente às planícies, encontra-se uma vegetação de médio e grande porte da cidade com espécies típicas da Mata Atlântica. Por ultimo o território de morros mais afastado do litoral, ao qual, atualmente encontra-se a vegetação de maior porte e em maior abundância, remanescentes de espécies da Mata Atlântica.
Segundo Cesário (2006), o estuário do rio Capibaribe é completamente urbano (figuras 1 e 2), tendo seu início no entorno da ponte da Avenida Caxangá, conduzindo-se por vários bairros até chegar ao centro da capital pernambucana, percorrendo uma extensão de 15 quilômetros. Dessa trajetória onde havia extensas áreas de manguezais, veem-se espaços construídos e habitados, com faixas estreitas de mangue. Os aterros reduziram a vegetação nativa e a fauna do manguezal, sendo que a restante tem sido alvo constante do despejo de resíduos sólidos. Devido à construção civil apresenta um entorno totalmente construído. Como se pode ver na imagem de satélite, retirado do Google Maps e do site de informações geográficas do Recife - ESIG.
A área de estudo está localizada na faixa leste da cidade, local de baixo estuário e de terreno mais encharcado (devido os rios estarem mais próximo do seu encontro com o mar), apresentando uma vegetação de restinga e mangue (CARNEIRO, DUARTE e MARQUES, 2009). Sendo a área visitada correspondente ao mangue (figura 3), encontra-se esta na porção mais afastada do mar, com um desmatamento exacerbado e totalmente construído, temos constantes inundações devido à vazão do rio após o aumento do seu nível hidrográfico. Fator este preocupante, devido à lavagem das ruas e acumulo de lixo em suas margens após o escoamento. Além dos aspectos naturais da região, os alagamentos também são frutos de acumulo de lixos em bueiros, impedindo o bom desempenho do sistema de drenagem pluvial.
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Figura. 1. Entorno construído da área de visitação do rio Capibaribe.
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O acúmulo de lixo urbano nas margens, entre outros fatores, se entrelaçam aos pneumatóforos e galhos, podendo impedir a respiração e o desenvolvimento desta vegetação, limitando ainda mais a mata ciliar, como retrata as figuras 5 e 7.
Figura 3- Representação do aumento do nível do corpo hídrico do Rio Capibaribe, foto à esquerda, e do alagamento na Rua Guilherme Pinto em frente à Universidade Mauricio de Nassau, à direita.
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Fig. 5. Mata Ciliar nas margens do rio Capibaribe, com suas significativas medidas feitas através das ferramentas do ESIG. Indicação das margens.
Fig. 6. Mata ciliar com a indicação da ordem dos pontos para a medição.
O primeiro fator, fortemente evidente, durante a investigação observou-se uma mata ciliar bastante restrita, na qual possui 5 metros de preservação do mangue, aumentando ou diminuindo este número, conforme o percurso do rio, para um espelho d’água de 73,8m, em média, de largura, sendo que a cobertura vegetal foi medida em três pontos, tanto na margem direita como na esquerda, por imagem de satélite, através do site de Informações Geográfico do Recife – ESIG. Os valores estão apresentados nas imagens e na tabela abaixo. MARGEM ESQUERDA MARGEM DIREITA
2
3
1
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Tabela 1- Medidas da cobertura arbórea em três pontos da área visitada, no rio Capibaribe. Medidos tanto na margem direita quanto na esquerda.
PONTOS DE LOCALIZAÇÃO MARGEM DIREITA