A pesquisa foi realizada no início de dezembro de 2015 e finalizada em fevereiro de 2016, através de caminhadas observacionais e descritivas da área em estudo. De acordo com Gil (2009), a pesquisa descritiva tem por objetivo básico descrever as características de determinada população ou fenômeno e estabelecer possíveis relações entre variáveis. A caminhada observacional pela encosta da serra ocorreu duas vezes por semana e com horários que variavam, ou seja, no primeiro mês no horário da manhã, no segundo manhã e tarde e no terceiro a tarde. Essas caminhadas duravam aproximadamente duas horas e nestes horários sempre tinha a presença de membro da comunidade, e procurava-se utilizar a ferramenta de “observação participante” (MINAYO et al., 2010).
3. RESULTADOS
Ao fazer as caminhadas observacionais foram feitas a descrição dos principais impactos que ocorrem no entorno da Serra de São Pedro. Um impacto ambiental comum a área de estudo é a presença do lixão, comumente chamada de aterro sanitário, que ocorre a céu aberto (Figura 2). O lixo da cidade e da sua periferia são depositados nesse local. De acordo com Ribeiro e Lima (2000), os lixões a céu aberto, conhecidos como vazadouros são locais onde ocorre a simples descarga dos resíduos sem qualquer tipo de controle técnico. É a forma mais prejudicial ao ser humano e ao meio ambiente, pois nestes locais geralmente se estabelece uma economia informal, resultante da catação dos materiais recicláveis e ainda a criação de animais domésticos que posteriormente são consumidos tais como: aves, gado e suínos, estes últimos principalmente.
Daltro Filho e Oliveira (2008), relatam que a disposição dos resíduos nos lixões a céu aberto provoca problemas que afetam a integridade do meio ambiente, compromete a saúde e o bem-estar da população.
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Sene et al. (2012), afirmam que os lixões são também locais onde se acumulam diversos objetos perfuro-cortantes, como pregos, latas e afins, podendo até mesmo causar doenças não muito comuns ao tema, como tétano, uma vez que sempre há pessoas circulando por esses espaços.
Figura 2 – Aterro sanitário (lixão) localizado na Serra de São Pedro.
Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/cariri-regional/aterro-sanitario-em- caririacu-sofre-mais-atrasos-para-inicio-de-operacao-1.798666
A instalação do lixão acabou corroborando com o desequilíbrio ambiental na área em estudo, pois, além de contribuir para os impactos ambientais no seu aspecto estético e aspecto econômico, em virtude de localizar-se à beira da rodovia e prejudicar o turismo e a exploração de outras formas sustentáveis de vida na área do entorno, respectivamente. Entre os principais impactos negativos provocados pela presença do lixão na serra de São Pedro estão a poluição do solo, da água, do ar e visual, exposto na Tabela 1.
Tabela 1 – Tipos de impactos negativos provocados pelo lixão localizado na serra de São Pedro.
Impactos Negativos Tipos
Poluição do solo Presença dos resíduos (lixo) e infiltração do chorume no solo.
Poluição da água Disposição inadequada de lixo na margens e no leito do rio e formação de chorume.
Poluição do ar Odor forte, mau cheiro, devido a decomposição.
Poluição visual Má disposição dos resíduos e a presença também
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Doenças Diarreia, dengue, leishmaniose
Fonte: Autores (2016)
A presença do lixão provocou um outro problema que foi constatado, o desmatamento de algumas área com fins de exploração da madeira (Figura 3).
Figura 3 – Desmatamento na Serra de São Pedro.
Fonte: Pepe (2015)
De acordo com Silva et al. (2015) e Silva et al. (2016), o desmatamento provoca também danos negativos à fauna, provocando assim um desequilíbrio à biodiversidade local. O desmatamento é comum, sendo realizado em todas as áreas do município com destaque para os topos de serras e encostas principalmente na porção Norte do município para usado para práticas agrícolas inadequadas.Em conversas informais os moradores da localidade informaram também que o lixão tem prejudicado a saúde da população, contribuindo com proliferação de ratos, moscas, e mosquitos (vetores de doenças virais e bacterianas), além do aumento de diversos tipos de alergias e intoxicação causadas pela fumaça nos dias em que o lixo é queimado, de acordo a agente de saúde.
De acordo com Sene et al. (2012) os depósitos de lixo a céu aberto são locais de alimentação e reprodução de animais, os quais são vetores transmissores de doenças, como dengue, malária, febre amarela, entre outras, e os mesmos estão classificados como vetores transmissores dos agentes biológicos. Algumas dessas doenças são marcantes em determinadas regiões do Brasil como a malária e a dengue. Natal (2005) correlaciona saúde e doença com a tríade ecológica, estabelecendo uma relação entre um suposto equilíbrio de três fatores na promoção da saúde, sendo eles: o agente, o hospedeiro e o ambiente onde está inserida uma determinada população. Podendo ser o agente biológico (vírus, bactérias entre outros), químico (gazes tóxicos, conservantes) ou físico (luz, ruídos); o hospedeiro, na grande maioria das vezes, é o homem, que por questões biológicas e de exposição se torna mais vulnerável.
Ainda de acordo com Sene et al. (2012), dentre as doenças transmitidas por vetores desenvolvidos nos lixões, pode-se citar: dengue, leptospirose, leishmaniose, as doenças diarreicas agudas (DDa’s), febre amarela, entre outras causadas indiretamente por esses vetores.De acordo com os moradores da localidade torna-se necessário medidas que minimizem esses impactos, como:
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b) treinamento para as pessoas que trabalham no lixão; c) implantação de programas de educação ambiental; d) conscientização da população na coleta seletiva do lixo;
e) ação ativa do poder público municipal no sentido de fomentar a implantação de programas de reciclagem do lixo seco.
Percebe-se nas observações feitas junto à população, que a mesma têm consciência sobre as necessidades de mudança da realidade presente. Mas, observa-se a ausência de um projeto de voltados para minimizar os impactos causados pela presença do lixão.
4. CONCLUSÕES
Através desta pesquisa foi possível constatar que o lixão impactou negativamente a encosta da serra de São Pedro, afetando a paisagem natural com a presença de resíduos, de animais e insetos; poluindo o solo e o lençol freático através da infiltração do chorume no solo; poluindo o ar e contribuindo para o surgimento de doenças como dengue, diarreia e leishmaniose.
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